Assim como eu previra, o meu pai me chamou para conversar antes do jantar. Eu fui com todos os argumentos para uma boa discussão.
Joaquim: sente-se Aby. Preciso conversar com você.
Aby: sobre o que pai?
Joaquim: você hoje demonstrou um certo rancor para comigo. Estou certo?
Aby: não pai. Não tenho rancor pelo senhor. Sou grata por tudo que você fez por mim.
Joaquim: não foi o que pareceu. Não para mim. Sou um homem trabalhador e essa parte da educação ficou para a sua mãe. Acha que ela foi irresponsável?
Aby: não mesmo. A minha mãe sempre esteve presente em todos os momentos importantes da minha vida escolar.
Joaquim: então, qual é o motivo do seu sarcasmo?
Aby: a minha mãe sempre esteve presente, mas e o senhor? Sei que é muito comprometido com a fazenda, mas nunca pensou em dedicar umas horas para algo significativo na minha vida escolar como, por exemplo, o dia dos pais?
Joaquim: eu nunca tive isso. como sabe bem. Eu não tive um pai. E deleguei para a sua mãe.
Aby: ela não era o meu pai. Todas as crianças tinham os pais no dia dos pais. na escola. Eu era a única que tinha a mãe.
Joaquim: certamente eu estava trabalhando.
Aby: esqueceu que o dia dos pais é no domingo? E a escola sempre comemorava no sábado ou na sexta-feira à tardinha. Mas o senhor sempre preferiu beber a sua cerveja na sexta-feira e fim de semana.
Joaquim: está me julgando? Acha mesmo que tem o direito de fazer isso? Nunca lhe deixei faltar nada. Levanto às cinco horas da manhã para garantir uma vida boa para vocês.
Aby: não senhor. Como disse anteriormente. sou muito grata por tudo. Sei que é muito responsável por todos. Mas isso não diminuiu a falta que eu sentia do seu carinho de pai. Entenda que eu nunca exigi nada luxuoso. Eu só queria ser notada.
Joaquim: isso sao ciúmes da sua irmã,? Porque eu permiti a festa?
Aby: nunca serei capaz de ter inveja de Eve. Fico feliz por ela ter o que deseja. A indiferença dói muito. E eu amo Eve. Não quero que ela sinta a frustração que eu senti nos meus quinze anos.
Joaquim: festas são inúteis. Eve ainda é uma criança.
Aby: eu também era quando fiz os meus quinze anos e nem aqui o senhor estava E muito menos um parabéns pode mandar. Estou com fome. Desculpe se o ofendi no lanche. Posso ir jantar?
O meu pai olhou nos meus olhos e por um instante vi um brilho diferente. Talvez um lampejo de remorso. mas foi breve. Logo ele voltou ao normal e abriu a porta do escritório.
O jantar foi silencioso e opressor. Eu perdi o apetite, mas sabia das regras. Não podia me levantar sem a permissão do meu pai. E eu não estava a fim de discutir mais.
Assim que terminamos o jantar, Eve e eu ajudamos a nossa mãe a organizar a cozinha. Depois subi para o meu quarto e fiquei horas observando as estrelas.
Eu sabia que a minha hora estava chegando. Assim que passasse a festa de Eve, eu iria enfrentar a fúria do todo poderoso. Mas eu iria correr atrás do meu futuro.
O dia da festa amanheceu lindo. Começamos os preparativos cedo. A minha mãe contratou umas cozinheiras extras. Foi um trabalho divertido, pois ver a alegria de Eve não tinha preço.
No fim da tarde, estava tudo pronto. E subo para ajudar Eve a se arrumar. Ela ficou linda. Escolheu dois trajes, sendo um de princesa para dançar a valsa com o nosso pai.

Quando eu vi Eve pronta com o primeiro vestido, senti um prazer incontestável, pois sabia que o meu pai iria começar a surtar. E quando viesse o outro, completaria a loucura.
Fui me arrumar, e resolvi caprichar, pois seria a última festa que eu estaria ali em harmonia.

Adorei o vestido que Eve me obrigou a comprar. Iria contribuir muito para a insatisfação do meu pai.
Quando saímos do quarto encontramos a nossa mãe e ela estava muito linda. Vi um brilho diferente nos olhos dela. E naquele momento prometi a mim mesma que a tiraria dessa vida de submissão.
Descemos e vi o meu pai pela primeira vez com roupas diferentes. Pois ele nunca fez questão de usar terno para as minhas formaturas, que ele se dignou a ir. E ele estava muito bonito. Os olhos da minha mãe brilharam ao vê-lo. Mas eu vi o desconforto dele usando terno. Estava acostumado a usar roupas confortáveis.
Quando ele nos viu, o seu semblante se fechou, mas os convidados começaram a chegar. E a festa foi espetacular. A minha mãe pode ter desistido da carreira de professora, mas se mostrou uma exímia organizadora de festas. Os aperitivos estavam deliciosos, os drinques coloridos sem álcool magníficos. Até DJ tinha.
Dancei muito e revi amigos do colégio, que Eve teve a consideração de convidar.
A hora mais emocionante chega. Vejo o meu pai pegar Eve pela mão e eles dançam a valsa. Foi lindo e não pude conter as lágrimas.
Para a minha surpresa. O meu pai veio até mim e me pediu para dançar com ele. Eu olhei o para os olhos dele e finalmente vi um brilho de amor.
Nos braços do meu pai eu me senti uma princesa pela primeira vez. Deixei a imaginação comandar e voltei aos meus quinze anos. E tirei toda mágoa do meu coração.
Mas isso não iria mudar os meus planos.

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Atualizado até capítulo 45
Comments
Geusiane Barros
chorei lendo esse capítulo pois me veio alguns gatilhos 😪 mais vou continuar lendo pois fiquei curiosa pra saber porquê ele é assim com a esposa e filhas .
2025-02-25
4
Irene Correa
esse pai é cruel,tanto com a mãe que é uma verdadeira empregada, como a filha,tem algo ai 🤔🤔🤔👏👏👏
2024-12-16
0
Fatima Maria
EITA TUDO LINDO UMA FESTA 🕺 DE 15 ANOS É O MÁXIMO.
2025-02-07
1