III

Chegou a hora de dizer adeus. – Sussurrou Rebeka olhando o seu reflexo no espelho.

Ela estava se preparando para o enterro de seu falecido noivo.

Rebeka usava um vestido longo preto, o vestido batia em seus tornozelos junto com um sapato azul e um colar de diamantes que havia ganhado de Jonathan.

- Adeus ao meu primeiro e verdadeiro amor. – Ao dizer essas palavras as lágrimas inundaram os seus olhos.

Na noite seguinte Rebeka conseguiu finalmente avisar os seus pais o que havia ocorrido. Ao saberem da notícia estavam de retorno ao país. Ela não conseguiu convencer o seu pai a não interromper as férias por causa dela, seu pai tinha gênio forte e não deu ouvido aos apelos da filha e prometeu pegar o primeiro voo para ficar junto dela.

Rebeka escutou a porta batendo e rapidamente secou as lágrimas.

- Entre. – Disse ela com a voz meia triste.

A porta foi aberta devagar e por de trás dela apareceu Léo. Ao vê-lo Rebeka sentiu seu coração bater acelerado. Léo trajava um terno preto com sapatos e gravata da mesma cor, uma camisa vermelho claro quase a mesma roupa que Jonathan estava usando na festa.

Léo estava parecido com Jonathan, seria idêntico ao irmão se em rosto Léo estivesse uma expressão confiante e séria, ele seria exatamente igual a Jonathan. Diferente do irmão Léo sempre mostrava uma expressão serena e despreocupada apenas esse detalhe o diferenciava de seu irmão. Ao ver que ela chorava ele se aproximou a envolvendo em seus braços com um abraço forte e caloroso.

A pele dele é quente igual a de Jonathan. - Pensou ela. – Seus músculos são forte e sua pele é macia e me sinto protegida com ele.

Tudo nele me lembrava o irmão e Rebeka percebeu que não iria conseguir superar isso tudo tão cedo não com Léo por perto.

- Sente muito a falta dele não é? – Perguntou ele sussurrando.

- Muita... ainda não credito que ele se foi. – Respondeu ela voltando a chorar.

Léo não respondeu apenas a abraçou forte a deixando chorar em seu ombro.

                                  ***

No funeral toda a cidade estava presente. Todos estavam de luto pela terrível tragédia que havia ocorrido na cidade a primeira de toda a sua história.

Rebeka soube depois que algumas família haviam sido mortas no tiroteio. Pais, filhos, avôs, tios, primos essa notícia a deixou arrasada, não bastasse ela perder o amor de sua vida não imaginava que outras sérias perdas como a dela havia acontecido. Ela por um momento se sentiu muito egoísta por estar apenas sofrendo pela perda do seu amado quando outros sofriam pelo fim de uma família, até bebes e crianças foram mortos e ela se perguntou até que ponto pode chegar a crueldade humana?

Léo ficou ao seu lado o tempo todo, ele havia sofrido uma grande perda, já havia perdido a mãe cuja mesma ele nem chegou a conhecer e agora perdeu o avô, pai e o irmão, embora Léo nunca tivesse recebido o amor do irmão ficava visível que ela também sofria por sua perda.

Rebeka tocou em seu ombro e o apertou levemente tentando lhe dar apoio, foi um ato nobre e corajoso de sua parte. Ela que estava seriamente sensível e abalada, mas mesmo assim encontrou forças para apoiar o jovem cunhado.

- Adeus meu amor, Jonathan sempre vou te amar e nunca vou me esquecer dos momentos que passamos juntos jamais. Sou grata a Deus por ter te colocado em minha vida e por tudo que passamos, agora descanse meu amor...descanse.

Ao dizer essas palavras Rebeka não resistiu e desabou em lágrimas, era difícil dar adeus a pessoa amada. Ela não queria e ainda não acreditava que ele havia morrido e que aquele era os seus últimos momentos juntos. Agora foi Léo quem veio lhe apoiar, ele voltou a abraça-la e Rebeka o abraçou e não resistindo voltou a chorar.

Quando o caixão de Jonathan foi colocado na cova Rebeka sentiu o mundo a sua volta desabar, a cada monte de terra que era jogado ela via sonhos sendo enterrado, seu casamento, filhos, ela se viu uma loba ao lado de Jonathan. Os dois correndo juntos a luz da lua só ele e ela correndo pelo mundo a fora. Só ele e ela e mais ninguém.

Dois dias após o enterro Rebeka estava em uma das salas de reuniões  da prefeitura.

Os pais ligaram avisando que sentiam muito por não terem podido estar presentes no funeral. A Europa estava sofrendo com um inverno rigoroso e muitos voos foram cancelados por causa da nevasca.

Os pais voltaram a prometer que assim que tivessem uma chance pegariam o primeiro voo de volta para finalmente estarem ao lado da filha.

Rebeka estava sentada em uma cadeira ao lado de Léo que olhava em volta distraído. Todos foram chamados para uma reunião na casa da senhora Matilde para decidir o destino da alcateia.

Rebeka olhou em volta percebendo que algumas pessoas estavam na reunião, não foram todos da cidade a serem convidados e sim, apenas aqueles que eram lobos.

Nem todas as famílias da cidades eram lobisomens, muitos eram humanos que conheciam o segredo e receberam permissão de morar na cidade. Rebeka pode contar 95 pessoas contando com ela, Léo e a senhora Matilde que havia acabado de chegar ao recinto.

A senhora Matilde estava usando um vestido negro com uma sapatilha da mesma cor e uma blusa fina marrom. Todos se levantaram para cumprimentar a mulher do falecido prefeito e voltaram a se sentar.

- Meus irmãos. – A voz da senhora Matilde soava rouca mas firme.

- Todos sabem da triste perda que tivemos. – Ao dizer essas palavras todos assentiram triste.

- Nossa alcateia teve uma perda terrível 95% por cento de nossos lobos infelizmente se foram.

O silêncio tomou conta do local. Aquelas palavras realmente abalaram a todos.

Não só a cidade, mas a alcateia foi muito prejudicada com essa chacina. Todos na cidade ainda tinham medo dos caçadores, que poderiam aparecer a qualquer momento, as pessoas estavam dividas sobre nomear um novo alfa ou abandonarem aquele local por medo dos caçadores.

- Vamos mesmo fugir? – Perguntou Léo pela primeira vez aquele dia.

- Vamos mesmo fugir? – Perguntou ele novamente.

- O que quer que façamos então? – Disse uma das pessoas da reunião que eram contra, ela era uma mulher morena que estava com duas crianças um menino e uma menina também morenos.

- Não vamos fugir, já enfrentamos problemas antes e não vamos fugir agora. Se fizermos isso como ficaram aqueles que viveram aqui e morreram pela alcateia? – Léo tocou em um ponto muito importante percebeu Rebeka.

Tão importante que aqueles que eram contra desviaram o olhar ficando em silêncio o dando espaço para ele prosseguir com seu discurso.

- Ser um lobo é assim, correr riscos é para isso que existimos. Temos que ser fortes e continuar vivendo, seguindo o nosso caminho e nos orgulhando da nossa alcateia, não começamos com um número grande de lobos, aos poucos fomos crescendo e crescendo e ficamos tão numeroso como éramos antes. Conseguimos uma vez e podemos conseguir de novo!

 As palavras de Léo criaram uma reviravolta naquela reunião. O que antes era uma dúvida para todos agora todos tinha o mesmo pensamento "Reerguer a alcateia das cinzas!"

- Mas precisamos de um alfa. – Disse a mulher que antes desconfiava de Léo.

- Já temos um. – Disse ele com calma.

As dúvida voltou a aparecer em seus rostos e antes que pudesse perguntar Léo apontou para a senhora Matilde.

- Ela é a mais velha de todos nós, mais experiente e era a Beta do nosso antigo alfa. Quem de nós além dela acha que é capaz de nos liderar melhor?

Todos se entre olharam e conversavam silenciosamente apenas trocando olhares. O que Léo disse tinha razão não havia ninguém mais capacitado do que ela. Todos os homens mais velhos haviam morrido e Léo era o mais velho que restou com 16 anos os outros tinham idades abaixo disso. E as mulheres além da senhora Matilde tinha idades em torno de 35 a 40 anos de idade.

Todos na sala concordaram que a pessoa mais indicada a Alfa seria a senhora Matilde que sem reclamar aceitou o posto.

Ela deixou claro que o intuito daquilo não era se eleger Alfa, apenas queria decidir o que fazer pois se preocupava com todos da cidade e da alcateia.

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