II

No dia seguinte a cidade estava de luto.

Todos tentavam entender o que havia acontecido. Como um grupo tão pequeno conseguiu fazer tanto estrago daquele jeito?

Rebeka foi levada para a casa do prefeito, que infelizmente era uma das vítimas mortas na chacina. Ela foi acolhida por sua esposa a senhora Matilde. A senhora Matilde era uma senhora muito gentil e bondosa, foi uma das primeiras a dar as boas-vindas a Rebeka quando chegou a cidade com Jonathan para conhecer sua família.

Ela era uma senhora de estatura miúda, pele branca e um pouco enrugada, cabelos grisalhos que caiam em seus ombros e olhos castanhos.

A casa do prefeito era parecida com o casarão da festa no início, após o choque o local assustava um pouco Rebeka. As imagens do tiroteio não saíam de sua cabeça, ela apenas conseguiu dormir após tomar um calmante que lhe foi dado pela senhora Matilde.

Rebeka estava deitada no sofá da sala, a senhora Matilde deu ordens para que a jovem não fosse incomodada em hipótese alguma, Rebeka a agradeceu no fundo do coração por isso, não queria ver mais ninguém, apenas queria se conformar que sua metade se foi. Que sua alma gêmea, que o amor de sua vida e a nova razão do seu viver tinha partido a deixado para trás.

- O que eu vou ser sem você Jonathan? – Sussurrou ela consigo mesma.

As lágrimas voltaram a cair pelo seu rosto, Rebeka que já havia se esquecido de quantas vezes havia chorado após a morte de seu amado Jonathan.

Estava sendo difícil para ela aceitar tudo isso, aceitar que perdeu o amor da sua vida, que horas atrás estava feliz dançando nos braços de seu amado, e minutos depois o mesmo amado estava morto em seus braços e não apenas ele, mas também o seu sogro no qual ela já o via como pai e seu avô que também o via como seu avô. Rebeka não conseguiu informar a sua família, a família de Rebeka havia saído de viagem e seu pai conseguiu tirar férias no meio do ano levou sua mãe e seus dois irmãos mais novos para Paris.

Rebeka não queria preocupar os pais com o ocorrido, como explicaria que seu noivo foi morto por caçadores por ser um lobisomem? Se perguntassem naquele momento o que havia acontecido ela com certeza contaria tudo, revelaria o grande segredo de seu noivo, um segredo que prometeu guardar a sete chaves e jamais contar a ninguém nem mesmo a sua família.

O pensamentos de Rebeka foram interrompidos quando escutou a porta se abrindo, limpando a face a jovem sentou-se no sofá e escutou passos se aproximando, ela não virou para ver quem estava se aproximando nem precisava sabia que era a senhora Matilde.

- Minha jovem Rebeka. – Disse a senhora com voz baixa e rouca.

Rebeka virou o seu rosto e a fitou, a tristeza era visível no rosto da gentil senhora, coitada havia perdido o marido, o seu companheiro de longa data e aquele jurou estar ao seu lado em todos os momentos. Rebeka se perguntou se estava na mesma situação que a senhora Matilde ou pior?

Junto com ela percebeu Rebeka estava um jovem, de pele morena, olhos castanhos escuros e cabelos bem raspado quase careca. Estava trajando uma camiseta branca que defina seu corpo "e que corpo pensou Rebeka". Usava calça jeans azul e tênis Nike vermelho.

Em suas costas carregava uma pequena mochila branca. Seu olhar se encontrou com o de Rebeka e em segundos ela sentiu tonta. Algo naquele jovem lhe era familiar, seu rosto era de um jovem de no máximo 20 anos, o jovem estava com a mesma tristeza que ela e a senhora Matilde tinham em seu olhar. Será que ele havia perdido alguém naquele tiroteio?

Será alguém importante para ele também havia morrido?

- Minha jovem Rebeka esse é Leonardo. – Disse ela apontando para o jovem que estava ao seu lado.

- Ele é filho de Hector pai de Jonathan é o irmão mais novo do seu falecido noivo.

- Irmão de Jonathan? – Sua voz saiu como um grito e Rebeka cobriu a boca com a mão.

A cabeça de Rebeka estava a mil com aquela revelação.

- Como assim irmão? – Perguntou ela mostrando estar surpresa.

- Jonathan tinha um irmão mais novo? Por que não me disse nada?

Ao escutar suas palavras o jovem apertou forte as alças de sua mochila, aquela revelação pelo jeito não havia surpreendido apenas a Rebeka, mas também a ele.

Agora ela entedia tudo, entendeu porque aquele jovem lhe parecia familiar. Quase tudo nele lembrava a Jonathan não só a ele mas também ao seu pai Hector. A pele morena, os olhos castanhos aquele jovem parecia uma versão mais jovem de seu noivo Jonathan.

- Vou deixá-los um pouco a sós para se conhecerem melhor. – Após dizer essas palavras a senhora Matilde se retirou deixando Rebeka e Leonardo na sala.

Os dois continuaram na mesma posição no que pareceu ser uma eternidade, nenhum dos dois relaxava, os dois mostravam que estavam tendo dificuldades para compreender o que haviam descoberto.

- Quer se sentar? – Disse Rebeka a ele.

O jovem levou mais ou menos um minuto para se decidir se aceitava ou não a propostas feita pela mulher. Mais um minuto se passou e o jovem relaxou as mãos soltando as alças da mochila. Caminhando alguns passos retirou a mochila das costas.

Rebeka agora havia percebido que em sua mochila havia um bordado de um lobo prateado, apenas o rosto do animal foi bordado e ela logo deduziu que ele também era um lobisomem.

O jovem sentou ao seu lado colocando a mochila no chão na frente de suas pernas.

- Eu sou Rebeka prazer.

- Prazer sou Leonardo.

A voz do jovem era um pouco grave e Rebeka percebeu que estava medindo o seu tom para falar com ela.

- Leonardo Pazzoni sou irmão... – Ela percebeu que pronunciar a palavra irmão era duro para ele.

- Sou irmão mais novo de Jonathan.

- Saberia me dizer por que ele nunca me contou sobre você? Porque me disse que era filho único?

- Por que ele me odiava! – Ao dizer isso o seu rosto ficou sem expressão.

Rebeka tentava processar aquela informação. Como assim ele o odiava? O que aquele jovem havia feito para que Jonathan o odiasse tanto assim a ponto de não o ver como irmão?

- Como assim te odiava? Você poderia me explicar melhor isso?

Fechando os olhos Leonardo respirou fundo antes de voltar a falar.

- Tem a ver com a nossa mãe.

- A mãe de vocês?

- Sim a nossa mãe.

- Poderia ser mais especifico?

- Ele te contou que nossa mãe morreu?

- Sim contou.

- Ele disse como ela morreu?

- Na verdade... não.

Realmente Jonathan não havia dado essa informação a ela, sempre que lembrava da mãe a dor tomava conta de seu rosto e Rebeka não gostava de ver o seu amado triste. Ele havia lhe prometido que um dia lhe contaria tudo por mais que doesse contaria a ela porque a confiava cegamente.

- Ela morreu quando deu a luz a mim.

Aquela revelação a chocou novamente. Então a mãe deles havia morrido quando deu a luz aquele jovem?

- Espere sua mãe não era um lobisomem também?

- Sim ela era.

- Então como morreu ao dar à luz a você?

- Isso ainda é um mistério.

- Um mistério?

- Sim um mistério ninguém sabem dizer o que aconteceu isso foi algo raro, uns dizem que talvez seja por que ela também era uma bruxa.

- Sua mãe era uma bruxa? Bruxas existem?

A pergunta fez com que Leonardo olhasse novamente em seus olhos.

- Meu irmão não te revelou muita coisa não foi?

- Bom...pelo jeito não, ele iria me contar tudo aos poucos, sei sobre lobos não tudo, mas sei um pouco, mas bruxas?

- Não sei por que está surpresa, se existem lobos por que acha que não existiram bruxas?

- Essa me pegou.

Um pequeno sorriso apareceu em sua face e Leonardo também sorrio junto com ela. Com aquele sorriso Rebeka percebeu que um laço de amizade começava a se formar.

- Existem bruxas, lobos, vampiros, ogros, anjos, demônios sei que vai parecer bizarro, mas todas as criaturas que acha que existe apenas como ficção existem, mas não se revelam a humanos.

- Confesso que ainda estou surpresa, mas nem tanto como antes.

- Normal. – Após responder o sorriso em seus lábios aumentou.

- Bom como dizia ele me odeia por isso ele me culpava pela morte dela, ele era muito apegado a nossa mãe, também mais de duzentos anos convivendo com ela não tiro a razão dele.

- Espera como assim mais de duzentos anos?

Aquele era o dia das revelações pensou Rebeka. Primeiro descobre que o noivo tinha um irmão. Depois que outras criaturas sobrenaturais existem mundo a fora. E agora que o noivo era muito mais velho do que aparentava ser? O que mais viria pela frente?

- Ele não disse a idade dele não foi? – Perguntou ele na defensiva.

- Sim ele disse tinha vinte e sete.

- Bom ele esqueceu de acrescentar mais duzentos anos junto aos vinte e sete ou seja.

- Ele tinha duzentos e vinte sete anos! – Concluiu Rebeka por ele e Leonardo assentiu confirmando.

- Acho que isso era umas das coisas que ele iria me contar depois.

- Também acho, é difícil para quem não é um de nós entender bem isso.

- Realmente, mas e você? Quantos anos realmente tem?

- Eu? – Perguntou ele apontando para si mesmo.

- Sim você mesmo duzentos também como ele ou mais?

Leonardo começou a rir baixo e balançou a cabeça negando.

- Eu sou muito novo ainda tenho dezesseis anos.

- Dezesseis? – Rebeka não acreditava que o jovem fosse tão novo.

- Mas você aparenta ser mais velho.

- Bom aparências enganam não é mesmo?

- Realmente enganam em muito. – Agora quem começou a rir era Rebeka.

- Eu sou um dos mais novos e o meu avô era o terceiro mais velho da Alcatéia meu avô tinha Mil anos de idade e meu pai pouca diferença setecentos anos.

- Uau é realmente difícil de acreditar nisso.

- É eu sei nós lobos somos eternos apenas ou seja podemos viver para sempre como jovens, mas também podemos envelhecer e morrer vai da escolha de cada um.

- Vocês podem fazer isso? Como? – Rebeka se interessou pelo assunto.

- Bom tem a ver com a transformação.

- Transformação? – Repetiu ela calmamente.

- Isso a transformação ou seja ser tonar um lobo. Sempre que mudamos vamos continuar jovens embora tenhamos muitos e muitos anos de vida, agora se paramos de nos transformar então começamos a envelhecer claro que não é de uma hora para outra, ou de um dia para o outro leva um tempo mesmo quando paramos a lua cheia ainda nos influencia então quando começamos a ter controle sobre isso até sobre a influência da lua começamos a envelhecer.

- Entendi. – E ela realmente havia entendido.

- Escute Léo posso chama-lo assim?

- Claro todos me chamam assim.

- Depois que isso tudo acabar e também se quiser é claro poderia preencher as lacunas que seu irmão deixou sobre lobisomens como disse se quiser não é obrigado é claro.

- Sabe... vai ser um prazer te ensinar mais sobre nós cunhada. – Ele novamente sorriu para ela e Rebeka percebeu que estava gostando de seu sorriso.

Um sorriso jovem de menino mesmo e ao mesmo tempo confiante e sincero.

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Comments

Cris Cachoeira

Cris Cachoeira

pedófilia e crime no reino dos lobisomens?

2024-08-21

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