Alexa não conseguia entender como Bruno tinha aquele efeito sobre ela. Cada vez que ele a tocava ou a beijava, sua pele queimava como se estivesse em chamas, e seu corpo reagia de uma forma que ela mal conseguia controlar. No entanto, apesar da intensa atração que sentia, ela sabia que ainda não estava pronta para se entregar completamente. Havia medo dentro dela, o medo de se machucar. Até que eles decidissem o que seriam um para o outro, ela manteria certa distância.
Esses pensamentos a acompanharam até que, exausta, Alexa finalmente adormeceu. Quando acordou, a manhã já havia chegado, e ela seguiu sua rotina, fazendo sua higiene e se trocando rapidamente. Depois, foi até o quarto de Sofia, que já estava acordada, brincando sozinha. Assim que viu Alexa, a pequena abriu um enorme sorriso e correu em sua direção, balbuciando um "mamã". O coração de Alexa se encheu de amor ao ouvir isso, e enquanto ela abraçava Sofia, sentiu Bruno se aproximar por trás e depositar um beijo suave em seu pescoço. O toque dele a fez se arrepiar por completo.
— Bom dia, lindas — disse Bruno, com a voz rouca da manhã.
— Bom dia — respondeu Alexa, tentando disfarçar o rubor que subia pelo seu rosto. — Como foi a noite?
— Teria sido melhor com você na minha cama — brincou ele, e Alexa imediatamente ficou vermelha como um tomate, escondendo o rosto em resposta.
Bruno percebeu e, rapidamente, tentou se corrigir.
— Alexa, me perdoa, foi sem querer, saiu sem pensar — disse ele, preocupado.
— Não tem problema, eu que perguntei, afinal... — Alexa sorriu sem jeito. — Mas agora preciso dar banho na Sofia.
Sofia, então, começou a balbuciar "papa, papa", e Bruno imediatamente se animou.
— Meu amor, você me chamou? Fala de novo, vai — disse ele, todo orgulhoso, enquanto a menina o observava atentamente, com os olhinhos brilhando.
— Isso, princesa, chama de novo. Vai, pa... pai — incentivou Alexa.
— Alexa, você ouviu? Ela chamou papai! — disse Bruno, radiante, antes de, impulsivamente, beijar Alexa. Quando se separaram, notaram que Sofia os olhava curiosa.
Nesse momento, Eduardo entrou no quarto, interrompendo a cena.
— Bom dia! Que animação é essa logo pela manhã? Credo, isso me dá enjoo — resmungou, de brincadeira.
Logo em seguida, Marta apareceu com um sorriso no rosto.
— Bom dia, meus queridos! Como é bom ver essa alegria logo cedo — comentou ela.
— Mãe, a Sofia me chamou de papai — disse Bruno, orgulhoso, ainda radiante.
— Que maravilha, meu filho. E você, minha boneca, quando vai chamar a vovó? — perguntou Marta, brincando com Sofia.
Eduardo, por sua vez, não pôde deixar de provocar.
— Isso não é justo. Eu investi muito tempo em você, dona Sofia, e até agora nada de chamar o titio. Que traíra!
Bruno não resistiu à provocação.
— Ela ama mais o pai dela, claro — respondeu ele, rindo.
Eduardo, então, soltou uma frase que calou a todos por um instante.
— Pai agora, né? Porque até um tempo atrás você nem lembrava dela.
A atmosfera do quarto mudou imediatamente. Bruno parou de sorrir, e Marta, percebendo o impacto da frase, deu um beliscão em Eduardo. Ele, arrependido, rapidamente tentou se desculpar.
— Bruno, foi sem querer, me desculpa. Não foi minha intenção.
Mas o dano já estava feito. Bruno saiu do quarto sem dizer nada, trancando-se em seu próprio quarto e batendo a porta com força, o que fez Sofia se assustar e começar a chorar.
— Sério, Eduardo? Precisava falar isso? — repreendeu Marta.
— Foi sem querer, mãe, eu juro. Saiu no impulso. Eu vou falar com ele — respondeu Eduardo, visivelmente arrependido.
— Não agora, Eduardo. Deixa ele esfriar a cabeça. Mais tarde vocês conversam. Alexa, querida, você pode terminar de arrumar a Sofia? Vamos te esperar na mesa para o café, tudo bem? — disse Marta, tentando manter a calma.
— Claro, Marta. Pode deixar — respondeu Alexa, ainda processando o que havia acontecido.
Enquanto terminava de arrumar Sofia, Alexa não conseguia parar de pensar na reação de Bruno. Ela sabia que o comentário de Eduardo o havia atingido em cheio, e isso a deixou preocupada. Seus pensamentos foram interrompidos por Sofia, que a chamou de "mamã", trazendo um sorriso ao seu rosto.
Quando finalmente desceram para tomar café, Marta se desculpou pela situação.
— Desculpa pela cena que você presenciou, Alexa. Foi realmente desnecessário da parte do Eduardo.
— Tudo bem, Marta. Eu só fiquei um pouco confusa — respondeu Alexa.
— Bem, como você já sabe, a mãe de Sofia, Amélia, era uma mulher muito alegre e apaixonada por Bruno, assim como ele era por ela. Amélia sempre quis ser mãe, mas tinha a saúde muito frágil. Mesmo assim, decidiu engravidar, e a gestação foi muito complicada, de total repouso. Bruno esteve ao lado dela o tempo todo, mas, no dia do parto, tudo deu errado. Amélia não resistiu, e Bruno... Ele se fechou. Eu cuidei de Sofia nesse período porque, por mais que ele a amasse, não conseguia olhar para ela sem se lembrar de Amélia. Era doloroso demais para ele,e eu como mãe entendia o lado dele e não o julgo por isso.
Alexa sentiu um aperto no peito ao ouvir a história. Não imaginava que Bruno havia passado por tanta coisa.
— Nossa, eu não fazia ideia. Mas o importante é que ele está superando isso. E ele ama a Sofia — disse Alexa, tentando trazer algum conforto à conversa.
— Sim, ele a ama,mas foi um processo longo. Você quer tentar falar com ele? — sugeriu Marta.
— Acha que ele vai querer falar comigo? — perguntou Alexa, hesitante.
— Só saberemos se você tentar a final vocês estão virando amigos e ele pode se abrir mais com você.— respondeu Marta, encorajando-a.
Alexa respirou fundo e, decidida, foi até o quarto de Bruno.
Então ela foi e bateu na porta.
Toc toc ....TOC TOC ....
Alexa estava agitada com os próprios pensamentos enquanto subia as escadas em direção ao quarto de Bruno. Cada passo parecia mais pesado, com o coração acelerando a cada batida na porta. O que Eduardo dissera mais cedo havia claramente ferido Bruno, e ela se sentia mal a tentar aliviar sua dor e o machucar mais, mesmo que não soubesse exatamente como.
Um silêncio pesado se seguiu. Ela esperou por um momento, pensando se deveria insistir, quando a porta se abriu lentamente. Bruno estava lá, com os olhos vermelhos e o semblante fechado. Ele não disse nada, mas deu um pequeno espaço para que ela entrasse.
Alexa hesitou, mas entrou. O quarto estava com pouca luz, a única vinda das frestas da cortina, criando um ambiente melancólico. Bruno se sentou na beira da cama, os ombros tensos, enquanto Alexa parou à sua frente, tentando encontrar as palavras certas.
— Eu... eu queria saber se está tudo bem — começou ela, a voz suave, mas cheia de preocupação. — Sei que o que Eduardo disse foi... desnecessário, mas eu entendo que isso mexeu com você.
Bruno levantou os olhos para ela, mas ainda estava em silêncio. Ele parecia distante, preso em memórias dolorosas.
— Ele não devia ter falado sobre isso assim, do nada — murmurou Bruno, finalmente, sua voz rouca. — A morte de Amélia… tudo aquilo... foi como perder uma parte de mim,uma parte muito importante.
Alexa sentiu o peso daquelas palavras, compreendendo agora com mais profundidade o que ele carregava. Sabia que o luto era uma ferida que demorava a cicatrizar, e Sofia, apesar de todo o amor que recebia, ainda era uma lembrança viva da perda,pois ela tinha visto na sala uma foto de Amélia e Bruno,e a semelhança entre elas era enorme.
— Não é fácil — ela disse, se aproximando e sentando-se ao lado dele. — Mas você está fazendo um trabalho incrível. Sofia te ama. Eu vejo isso. Ela te chamou de "papai" hoje, e vi o brilho nos seus olhos.
Bruno olhou para ela, algo mais suave em sua expressão agora.
— Você me ajudou a chegar até aqui, Alexa — confessou ele. — Antes de você, eu... não sabia se conseguiria sequer olhar para Sofia sem sentir esse aperto no peito. Mas você trouxe algo diferente para nossas vidas. Não sei como expressar isso,mais com você aqui eu estou a cada dia me aproximando mais de Sofia.
Alexa sentiu um calor tomar conta dela. Bruno estava sendo sincero, vulnerável, e era algo que ela jamais esperava ver nele tão cedo.
— Não precisa se desculpar por sentir — disse ela, tocando de leve a mão dele. — Eu também não sei bem o que tudo isso significa, mas estou aqui. Por você. Por Sofia. E quero continuar aqui, se você me deixar.
Bruno a olhou nos olhos por um momento que pareceu durar uma eternidade. Ele então soltou um suspiro profundo e, com um movimento delicado, colocou uma das mãos na nuca de Alexa, puxando-a levemente para um beijo suave e cheio de emoção.
Quando os lábios se separaram, Alexa corou, mas, desta vez, não tentou esconder. Ela sorriu timidamente e abaixou a cabeça, mas Bruno levantou seu queixo, olhando-a nos olhos.
— Você é especial para mim, Alexa , você está curando as feridas que tenho por dentro — disse ele, com sinceridade. — Não sei ainda o que isso significa, mas quero descobrir... devagar. Sem pressa para não nos machucar.
Ela assentiu, sentindo um alívio no peito.
— Eu também quero, Bruno. Não tenho pressa. Vamos dar um passo de cada vez.
Ele sorriu de leve, e o peso que antes pairava sobre o quarto parecia se dissipar um pouco. O mundo lá fora ainda girava, com todos os seus desafios e dores, mas naquele momento, no silêncio compartilhado entre eles, algo começava a florescer.
A noite passou tranquila, e o dia seguinte trouxe mais desafios, mas agora Alexa se sentia mais forte. Havia algo de novo entre ela e Bruno, algo que, embora incerto, a fazia sentir que estava no caminho certo.
E enquanto o futuro permanecia incerto, ela sabia que, com Bruno ao seu lado, ela estaria disposta a enfrentar o que viesse.
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Atualizado até capítulo 83
Comments
Josanice Vanderlei
O Eduardo tem inveja do irmão,e isso é preocupante,porque a pessoa com inveja pode fazer maldades 🤔🤔🤔🤔
2025-02-12
1
Josanice Vanderlei
O luto é muito complicado,cada pessoa reage de uma maneira 😔😔😔😔😔
2025-02-12
1
Elza Maria
Luto cada um tem o seu.Sempre dói perder alguém que amamos.
2025-01-24
5