—Bom dia, sua alteza, devo informá-lo de algo, é sobre sua mãe...
—Deixe-a estar. — O alfa, que revisava com muito interesse uma informação, falou com seu secretário, voltando à sua ocupação.
—Alteza, posso perguntar o que é que revisa desde a noite passada?
—São os registros familiares dos Villanueva e, de fato, consta um terceiro filho.
—Bem, diziam que eles mantinham muito mistério em torno do garoto, alguns acreditavam que podia estar fora do país ou que o haviam dado para adoção, sabe como é, em famílias tão prestigiosas e com grande fama de procriar alfas puros, pouco se aceita o nascimento de um ômega. — O rei sabia muito bem, ainda em sua própria casa lidava com isso com sua mãe. Ele sabia que a única razão para ela escolher um esposo ômega para ele era porque eles são mais fáceis de controlar e mais obedientes que um esposo alfa. Por isso, era completamente contrário a escolher uma esposa ou esposo que ela aprovasse; de que lhe serviria ter uma boneca ao seu lado? Se fosse para se casar, devia ser com alguém forte, capaz de defender no mínimo suas próprias convicções.
—Segundo isto, chama-se Zade, seu resultado deu ômega, mas jamais foi enviado à academia depois que seu resultado saiu, suponho que a teoria de que foi dado para adoção seja verdadeira.
—Ou talvez foi trancado, não se esqueça de que os Villanueva eram uma família com péssimas práticas e, sob o conceito de que os ômegas são obedientes e submissos ao medo, podem ter chegado a esses extremos...
—Ele não parecia alguém submisso nem obediente... Ele é completamente diferente de todos os ômegas que já vi.
—Parece que aquele ômega lhe deixou uma ótima impressão, por acaso você gosta dele?
—Pode ser... Embora algo não se encaixe, e não posso ter certeza se é realmente o ômega que mencionam aqui.
—Um filho ilegítimo? Por que pensa isso? — Para o rei, não fazia sentido que Gale tivesse quase 6 anos e que o ômega que mencionam ali tivesse apenas 17, seria humanamente impossível que o menino fosse seu, então ou o ômega estava mentindo sobre ser o pai do menino, ou faltava um integrante no registro familiar dos Villanueva.
—Não é nada, é algo que devo confirmar apenas com ele, o que disse que minha mãe pediu?
—Não é nada importante, senhor, com sua licença. — O secretário mudou de ideia sobre lhe contar ao saber que o alfa também queria ver o ômega novamente.
Preparou o necessário para cumprir os protocolos políticos e partiu para o endereço que já conhecia muito bem.
Zade não tinha terminado de chegar à sala onde seu filho estudava quando ouviu a notícia de que um emissário do rei de Steel estava ali. Seus 3 guerreiros foram os primeiros a se apresentar, seguidos do ômega.
—Em nome de sua alteza, o rei...
—Acaso seu rei não cumpre sua palavra? Eu disse claramente que não os queria aqui, nem a ele nem aos seus emissários, em meus domínios. — O secretário conteve-se para não perder a calma, afinal aquele ômega poderia ser sua futura rainha, o que considerava impossível.
—Sua alteza, a rainha mãe, ordena que vá ao seu palácio, na qualidade de convidado.
—Eu me recuso. — A resposta foi rápida e direta, o homem ainda não conseguia acreditar.
—Não está em condições de se recusar, senhor...
—Na verdade, pode sim. — Falou Kael, calando o homem. — Estamos no país de Praese, o rei de Steel não tem autoridade para ordenar nem punir aqui a menos que se trate de um criminoso e o meu senhor não é.
—Esquece algo muito importante, marquês Lolt, um descendente direto de qualquer uma das 12 famílias mais importantes a serviço da coroa está na obrigação de sempre obedecer ao seu rei. Sendo ele o último sobrevivente da família Villanueva, é sua obrigação comparecer quando seu rei o convoca.
—Para mim, não importa se a casa do meu pai se envergonha ou se são destituídos dos 12 nobres principais, então eu não irei.
—Então, o duque Villanueva será preso por traição, o tratado entre as 5 nações permite que esse ato seja realizado, além do mais, não poderá sair nem ir a nenhum lugar dentro ou fora dessas nações sem ser caçado. — Zade estava furioso, assim como seus guerreiros e servos que ouviam.
—Bem, vocês venceram, diga à sua alteza que atenderei ao seu chamado.
—Tem 12 horas para se apresentar, se tentar escapar...
—Ser um fugitivo nunca foi meu plano, seja lá o que seu rei quiser de mim, eu lhe darei e nos deixarão partir.
—Não posso fazer nenhuma promessa em nome do meu rei, não estou autorizado.
—No entanto, teve toda a liberdade para ameaçar, há, que conveniente. — O ômega se virou e foi embora, seguido de seus servos, por último o secretário se retirou.
—(Este ômega será um grande problema, quem foi que disse que todos eram doces e amáveis?)
*
—Senhor, o que faremos? — Nevae estava preocupada, assim como os guerreiros e demais servos.
—Iremos, quero que Tu, Maty e Katly se preparem para se passarem por minhas donzelas, segundo, Kael, deixe tudo pronto para amanhã mesmo, na pior das hipóteses, prepare-se para forjar um rompimento de laços comigo.
—Planeja se rebelar contra a coroa de Steel?
—Esse seria o último cenário, (talvez, como aconteceu no romance: tentarão usar as habilidades de Zade para que proteja as áreas pelas quais sua família se responsabilizava) só tenho que criar uma péssima reputação para mim e falhar vezes suficientes para que me degradem do título de nobreza, calculo que em 4 meses, um ano no máximo, isso terá acontecido, então serei livre para ir para onde quiser.
—Senhor, tenha cuidado, erros muito grandes podem lhe custar mais do que seu título. — Advertiu Kael, preocupado.
—Eu sei, e pedirei sua ajuda nisso também, embora eu tenha uma ideia de quais coisas posso fazer, eu sei exatamente o que a respeitável rainha mãe mais odeia, isso será moleza. — Zade não gostava de saber que, no final, o romance seguiria seu curso de uma forma ou de outra, mesmo que tentasse agora, certamente estaria ligado à família real, a única diferença eram suas intenções.
E o alegrava que, no romance, Zade e o rei jamais se encontrassem, por ser um ômega, todos os seus relatórios eram feitos à rainha mãe, além de que a mulher o detestava e nunca o considerou digno de ser um dos candidatos à coroa, mesmo que Zade perseguisse essa ambição.
O Zade do romance fazia tudo perfeitamente para que a rainha mãe reconhecesse seu valor ou lhe concedesse uma única audiência com o rei, o que nunca aconteceu. Ele faria tudo errado para nunca mais ver aquela pessoa e para cair ainda mais no desgosto da mulher.
Foi até seu filho, o pequeno ainda estava irritado, isso o magoava e o deixava ainda mais furioso com aquele alfa. O menino não disse nada diante da notícia da viagem, mas percebeu a tristeza de sua mãe e a abraçou.
—Sei que agora você não entende, mas Gale, tudo o que quero é que você seja feliz, por favor, não me odeie, eu não suportaria.
—Desculpe, mamãe, eu não te odeio, mas o senhor Mat é bom e...
—Gale, por que você quer um pai? Meu amor não é suficiente?
—Eu só quero que você não fique mais doente e que seja muito mais feliz, porque você precisa de um amor diferente do meu, o de um alfa bom. — Zade ainda não acreditava no que ouvia, Gale não poderia ter chegado a essa resposta sozinho, alguém estava lhe colocando ideias na cabeça. Mas quem?
—Gale, eu sou feliz apenas em te dar todo o meu amor, se eu me casar, não poderemos passar tanto tempo juntos, pois terei que ficar com essa pessoa, sem mencionar que, ao ter mais filhos, eles precisarão de muito mais atenção do que você, se eu me casar, ficaremos mais separados. — Ela não estava dizendo uma mentira completa, mas esses motivos fizeram com que o menino rejeitasse a ideia de mais pessoas em sua vida.
—Não, eu quero passar todo o tempo com a mamãe.
—Então, vamos continuar sendo apenas nós dois.
—Sim! — Agora o problema de Gale e aquele alfa estava resolvido, o menino não insistiria mais em vê-lo ou procurá-lo. Só restava a visita ao país de Steel.
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Atualizado até capítulo 95
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