Zade era um feixe de nervos e preocupações. Como poderia encobrir o que aconteceu? Aquele homem estava morto em seu quarto. Não se importava de ser o culpado, mas isso deixaria Gale sozinho. Ele não renasceu naquele mundo para deixá-lo desamparado; ele foi para aquele mundo porque aquele pequeno precisava dele ao seu lado.
— Pense em algo, Zade, pense...
Ouviu-se uma grande comoção, parecia que todos corriam por todos os lados. Ele ouviu pessoas se aproximando do quarto e se escondeu no armário com o pequeno. A criada gritou de horror ao ver a cena e os guardas chegaram.
— Isso é terrível! Não só invadiram uma das mansões mais seguras, como também assassinaram o nosso senhor e fugiram! — Zade lembrou-se de que, na novel, há uma confusão na mansão quando os aliados clandestinos daquele duque se infiltram para lhe dar uma mensagem e um dos guardas os descobre. Se aquele dia fosse precisamente hoje, tudo poderia ser resolvido.
Ele começou a soluçar, aumentando a potência do seu choro um pouco de cada vez. Quando os guardas e a criada, que já se perguntavam por eles, perceberam, foram até lá.
Gale estava abraçado a Zade, tinha adormecido nos seus braços e o ômega chorava e tremia sem parar de abraçar o pequeno.
Eles não tinham que perguntar para saber o motivo; seguramente o ômega estava aterrorizado com o que viu.
— Senhor, você conseguiu ver o rosto deles? — Ele negou fortemente sem parar de chorar.
— Ti...tinha uma máscara de lobo no rosto, é tudo o que eu vi. Eu estava tão assustado que... Eu não sei... Coitado do duque... — Ele lembrou-se de uma das descrições dos assaltantes; com isso bastava para que a sua história fosse credível.
— Calma, duqueza, tudo ficará bem. Avisaremos a família real sobre isto. O médico já confirmou que foi uma magia desconhecida que o matou. — Agora o seu coração estava tranquilo. Ninguém sabia da habilidade de Gale ainda, então eles não poderiam determinar que foi ele quem o fez.
Ele manteve as aparências até ao funeral e mesmo depois do período de luto, só por precaução, caso ainda houvesse alguma dúvida. Mas ele já planejava ir embora. Tinha despedido os empregados, pelo menos aqueles em quem não podia confiar, assim como as amantes daquele porco. O bom é que o homem era rico o suficiente para ser generoso nas compensações e não se preocupar com nada.
— Primeiro tenho de obter o objeto que ajuda o Gale a controlar o seu poder, depois abandonaremos qualquer ligação com a novel e começaremos a nossa nova vida. — Parecia simples ir àquele lugar, pegar no objeto e dá-lo a Gale, mas a realidade era que aquele objeto estava justamente na mansão Villanueva, onde vivia toda a sua família, a qual o odiava e desprezava por ser o primeiro ômega na linhagem e o único sem magia.
Ir para lá sem magia nem nada que o pudesse defender deles só significaria que ele seria maltratado, preso e talvez vendido novamente, sem mencionar o que poderiam fazer a Gale. Agora era a sua vez de provar que realmente o podia proteger. Ele iria treinar tudo o que pudesse e depois iria atrás daquele objeto e enfrentaria aquele ninho de víboras.
Ele começou a procurar um mestre para treinar a sua magia. Foi difícil, pois quando descobriam que esta nem sequer se tinha manifestado, desistiam ou viam uma oportunidade de tirar dinheiro de um ômega ingénuo.
Conseguiu encontrar alguém que valia a pena. Com essa pessoa ele começou do zero e, enquanto isso, a educação adequada de Gale começou. A criança já era muito inteligente, por causa de todos os ensinamentos terríveis do seu pai, mas ele procurou que fosse um professor adequado. A ama também era muito boa com Gale e, embora a criança ainda preferisse estar ao seu lado, não a atacava num acesso de fúria, como fazia com as outras.
Assim passaram dois anos. Gale tinha agora cinco anos; tanto a sua magia como o seu conhecimento tinham crescido muito, assim como o seu amor pela sua mãe.
O mesmo acontecia com Zade. Agora ele tinha domínio completo da sua magia, além de ter calado a boca de todos quando o viram a tratar dos assuntos de que o seu marido tratava sem problemas.
A esposa do duque deixou de ser a inútil e doentia que sempre disseram que era. O rei estava surpreso e um pouco aliviado por ver o quão capaz ele era. Não foi fácil para ele, mas vê-lo tão determinado a proteger o seu filho ajudou-o tanto quanto pôde. Isso incluiu bons tutores em finanças e outros ofícios importantes, sem mencionar que autorizou que ele fosse o primeiro ômega com voz e voto de acordo com o seu título.
Na novel, aquele rei não apareceu muitas vezes, embora se dissesse que ele era muito correto e justo, ao contrário da sua esposa, que era um ogro. Bem, pelo menos ele não tinha que se ver com ela.
Se não fosse pelo fato de aquele país ser um dos epicentros da novel, ele ficaria lá. No entanto, agora ele não seria perseguido pelo massacre que cometeu com a família Brenath, nem Gale teria como primeiro alvo aquela cidade.
Ele fez uma reverência ao rei.
— Às suas ordens, Alteza. Chamou-me?
— Sente-se, por favor, duqueza Solan. — Ele continuava a ser chamado pelo nome da antiga esposa do duque. Lembre-se que, na novel, o fato da sua identidade ser um mistério também o ajudou a esconder-se, já que nunca souberam que se tratava de um impostor.
Embora o rei tivesse sido muito bom, ele não iria confiar nele e confessar o que o seu irmão tinha feito, mesmo que com as provas que tinha acreditassem nele, ainda lhe poderiam tirar o Gale.
Ser um pouco parecido com a esposa daquele homem estava a resultar bem. Graças ao seu peculiar cabelo verde e olhos cor de rubi, ninguém jamais saberia que ele não era Solan Wins.
— Quando partirão? — Ele já tinha anunciado ao rei que iriam embora. O governante não estava muito feliz, pois graças às contribuições do ômega muitas coisas tinham melhorado, sem mencionar que a sua forma de assumir as responsabilidades do duque era muito mais frutífera do que os resultados do seu irmão.
— Dentro de duas semanas, Alteza. — Ele viu o rei colocar algo à sua frente: um envelope selado.
— Adie a sua viagem mais um mês. Há um evento ao qual quero que assista. — Ele sabia a que evento se referia: era a primeira vez que o protagonista aparecia na novel. Mas, na novel, quando ele aparece, Zade já não estava na cidade, por isso esperava ir antes para não ter de se cruzar com aquele alfa.
— Alteza, eu... Peço-lhe desculpa, mas é-me impossível ir. Já adiei a minha viagem tempo demais.
— Qual é a pressa? São só mais algumas semanas. — O olhar do rei era severo; sem dúvida ele não conseguiria evitar ir àquele evento tão facilmente. Para qualquer outra pessoa não seria possível, mas ele sabia o que dizer.
— Eu tenho mantido isto em segredo para evitar que tenham pena de mim e me considerem um inútil, mas a minha saúde não está boa. Temo que, se não tiver cuidado, o meu filho fique órfão de mãe também.
— Eu não sabia disso. Pensei que estava bem agora, duqueza. Enviarei o meu médico para cuidar de si.
— Agradeço-lhe profundamente, Alteza, mas a pessoa que me pode ajudar chama-se Sarie. Já ouviu falar dela? — Todos conheciam aquela pessoa milagrosa: uma santa que vivia longe de tudo e de todos. Chegar até ela não era fácil; no entanto, o sucesso da sua cura era garantido.
— Sendo assim, só posso desejar-lhe boa sorte e uma viagem segura. Pensa voltar algum dia?
— Não, o Gale e eu queremos uma vida mais pacífica, por isso vamos comprar um terreno remoto e viveremos lá.
— Encomendarei ao meu secretário que trate da venda dos seus bens. Receberá o dinheiro justo por tudo o que decidir vender.
— Agradeço-lhe muito, Majestade. — Agora ele tinha-se livrado de se encontrar com o protagonista masculino e, se os seus planos corressem bem, obteria o punhal simbólico da família Villanueva muito antes de aquele odioso personagem regressar ao país de Steels.
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Atualizado até capítulo 95
Comments
Kamilly Silva
cara essa história tá ficando muito interessante
2024-10-17
4