Ao voltar para a mansão, os sintomas do cio de Zade já tinham passado. Recebeu feliz o filho, que lhe contou ter visto um dragão enorme e que este tinha sido capturado por um alfa muito forte.
— Nota-se que te divertiste, fico feliz. Já agradeceste a Kael e a Xara por te levarem?
— Ainda não, senhor Kael, Xara, muito obrigado.
— Foi uma honra, pequeno duque. — Os dois falaram ao mesmo tempo, o que fez o menino rir.
— Kael, Xara, podem ir descansar. Podem dar-me os vossos relatórios amanhã de manhã. — Ambos se entreolharam um pouco indecisos. Zade voltou a dar-lhes a mesma ordem e eles foram-se embora.
— Tens fome, Gale? Vamos comer enquanto me contas mais sobre a tua aventura.
— Sim, tenho fome. Fiz um amigo, chama-se Mat. — Zade sorriu. Agora já sabia que Gale tinha ido a uma cerimónia de caça. Não pensou que outras pessoas enviassem crianças para esse tipo de eventos. Ele próprio se arrependeu de o ter deixado ir quando soube o que era, mas não havia escolha. Agora que sabia que ele tinha encontrado um amigo, estava mais aliviado.
— Isso é muito bom. Espero conhecer esse teu amigo em breve. Convida-o para nos visitar um dia destes... De onde é?
— Não sei, mas eu convidei-o e ele vai vir. Quero que o conheças, papá.
— Está bem. Ficarei encantado em recebê-lo. É o teu primeiro amigo, por isso vamos dar-lhe uma grande receção. — O menino estava feliz, ansioso pela visita do alfa.
*
Matthew estava a terminar de dar ordens ao seu secretário e aos cavaleiros que viajavam com ele.
— Majestade, porque quer fazer uma viagem de regresso tão longa? Podemos simplesmente regressar com a minha habilidade. Estaríamos no reino em segundos... Fazer uma viagem de regresso pela floresta é...
— O que eu tinha planeado antes de vir para aqui e assim será feito.
— Com todo o respeito, Majestade, vamos demorar pelo menos quatro dias a atravessar essa floresta, sem mencionar que não podemos baixar a guarda em momento algum. Os guerreiros não descansaram devidamente e Vossa Majestade também não.
— Estamos habituados a isso e, quanto ao tempo, estás a propor que contornemos a floresta? — Fazer isso levaria o triplo do tempo. Atravessar a floresta diretamente é a melhor opção, embora a melhor solução fosse realmente usar magia espacial, mas o rei não mudaria de ideias e nenhum dos cavaleiros fez ou disse algo que indicasse que não concordavam. Os seis eram muito leais ao seu rei, o que significava seguir qualquer ordem sem questionar.
Só descansaram tarde da noite, algures na floresta, mas retomaram a viagem assim que o dia nasceu.
*
Na mansão de Zade.
Kael chegou para dar o seu relatório sobre as novidades, não só do evento de caça, mas também do andamento das negociações com os países.
— A duquesa e o pequeno duque foram fazer um piquenique no lago perto dos domínios da mansão. Se quiser, posso levá-lo até lá...
— Não é preciso incomodá-lo. Vou deixar um relatório, com licença. — Foi-se embora. Tinham passado três dias desde o evento de caça e, devido a alguns assuntos pendentes de última hora, ele só agora se pôde apresentar.
— Bem, está tudo a correr muito bem, por isso não há realmente nada a modificar.
...༺༻ ...
— Papá, posso ir nadar? — O menino observava a paisagem, entusiasmado. Não era a primeira vez que visitava o local, mas gostava de cada vez.
— Mas só depois de comeres e de descansares um pouco. Anda, vamos comer. — Depois de comerem, prepararam-se para ler um pouco, sentados na manta fina. Eventualmente, o sono venceu-os e tanto o pai como o filho adormeceram debaixo da sombra fresca da árvore. Duas pessoas que andavam por perto pararam em frente aos familiares. A mais pequena das figuras observou-os durante um bocado.
— Vamos. A duquesa disse que não precisávamos de tomar conta deles aqui.
— Sim, senhora Katly, mas não vamos esperar pelo relatório da senhora Maty?
— Não te preocupes, Xara. Assim que ela confirmar que os arredores continuam seguros, ela volta. Além disso, o máximo que se pode encontrar nesta área são animais um pouco agressivos, mas nada de preocupante.
As duas foram-se embora. Gale acordou minutos depois e continuou a ler enquanto esperava que a sua mãe acordasse.
*
Uns metros mais longe.
— Majestade, com o devido respeito, acho que estamos a ir pelo caminho errado há dois dias. — O secretário finalmente atreveu-se a falar. Na verdade, esperava que o seu senhor tivesse encontrado alguma rota alternativa e a estivesse a testar, mas aquela rota não os estava a levar mais depressa para a saída. Além disso, à noite, ele viu o rei a confirmar a informação no mapa.
— Eu memorizei o caminho. A uns 800 metros, haverá um pequeno desvio que... — Deixou de falar quando reparou que o seu senhor, que estava a guiar, se estava a desviar da rota que tinham seguido durante dois dias.
— Majestade? — Só então é que o rei prestou atenção ao homem. Estava absorto na fragrância que o vento lhe trazia fracamente.
— Esperem aqui. — Disse apenas isso e apressou o seu cavalo para chegar mais depressa ao local. Alguns minutos depois, a leve fragrância que o guiava concentrou-se perto de duas pessoas: um menino de cabelo prateado que lia e um adulto de cabelo verde comprido que dormia despreocupadamente. Com o barulho do galho que pisou ao descer do cavalo, o menino reparou nele. Gale sorriu para o mais velho, deixou a leitura e correu para ele.
— Senhor Mat, o senhor veio.
— Olá, pequeno Gale. Fico feliz por te encontrar tão rápido. Ele é a tua mãe?
— Sim, mas está a dormir.
— Gale, não o acordes. Deixa-o dormir, não tenho pressa (além disso, ele está muito bonito).
— Senhor Mat, pode ensinar-me a lutar com espadas? — O alfa aceitou. Tanto ele como o menino divertiram-se bastante. O menino até se atreveu a usar a sua magia para levar vantagem.
— Vais ser um excelente guerreiro.
— Mas eu queria poder lutar com espadas a a sério.
— Seria um adulto terrível se eu desembainhasse uma espada para um menino, mas estás a portar-te muito bem. Quem é o teu mestre?
— O senhor Kael e as senhoras guerreiras Maty e Katly. Às vezes, treino com a Xara e com o papá, mas eles são muito bons e não me exigem muito.
— Que bom. Então não gostas de ser mimado.
— Eu quero ser forte.
— Muito bem, então vamos fazer um acordo. Se conseguires reproduzir um movimento, eu mostro-te um truque com a espada.
— Está bem! — Gale não conseguiu fazer na perfeição o movimento que o rei lhe tinha mostrado, mas ao vê-lo tão triste por falhar, este decidiu mostrar-lhe de qualquer maneira.
A técnica causou uma grande comoção e Gale ficou tão surpreso e emocionado que se sentou com os olhos brilhantes como berlindes.
— Uau, isso foi alucinante.
— (Não queria fazer tanta destruição. Acho que, inconscientemente, fiquei muito entusiasmado e fui presunçoso.) — Sorriu para o menino e pediu desculpa, envergonhado, mas este continuava a olhá-lo como se ele fosse de outro mundo, o que lhe parecia um pouco enternecedor. Ninguém o tinha olhado com tanta admiração.
Que pena que a pessoa que tinha acabado de acordar com o barulho e que viu a cena interpretou da pior maneira. Zade sentiu terror quando viu Gale em frente àquele alfa armado e reconheceu imediatamente quem ele era. Não lhe importava porque ele estava ali ou se havia um momento como aquele no romance ou não. Só o facto de a vida de Gale estar em perigo.
Atacou o alfa sem hesitar.
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Atualizado até capítulo 95
Comments
Santos 💗
mãe que ama cuida e luta com tudo que tem.
2025-01-02
2
Da Silva Lopes Clinger
kkkk nossa que ômega possessivo e amoroso
2024-12-05
4