Capítulo 4

—Duquesa, acordou. Deseja...

—Quero que me diga onde está o Gale, falem rápido. — Assim que obteve a resposta que queria, levantou-se daquela cama. Seu corpo estava fraco, mal conseguia andar sem cair, a mulher a ajudava e tentava que não se esforçasse muito, sem sucesso.

Zade tinha um corpo muito frágil e delicado, em consequência de todo o mau trato que havia vivido na casa de sua família e também estava fraco por ter dormido duas semanas inteiras, mas isso não importava, tinha que tirar Gale dali.

A descrição do romance sobre as práticas cruéis de treinamento que aquele homem dava ao menino não saíam de sua cabeça, ele não permitiria que ninguém mais abusasse de Gale, não importa como, mas conseguirá que Gale tenha um final feliz. Ele jamais será um vilão, não importa se tenha que assassinar ou ele mesmo se tornar em alguém mais cruel do que foi o Zade Villanueva do romance. A diferença é que agora seria para proteger Gale.

—Abram a porta. — Parou o mais reto que pôde, sentindo-se tão mal como estava, e falou com toda a autoridade e fúria que carregava.

O guarda reconheceu por seus característicos cabelos e olhos rubi que era a esposa do duque e abriu a enorme porta de metal, afinal, o duque nunca lhes disse que sua esposa não podia entrar naquele lugar.

Viu o pequeno Gale com pesadas correntes em seus pulsos e pés, completamente desfalecido.

—Tirem essas coisas dele agora.

—Mas senhora, o duque disse...

—Me dê isso, pedaço de inútil. — Tomou as chaves e ele mesmo libertou o menino, agora o carregou e o tirou daquele lugar.

Estava tão triste enquanto curava os ferimentos dos pulsos e tornozelos da criança, como podiam ser tão cruéis?

Ele sabia a razão, devido ao sangue especial que corria pelas veias de Gale, todos se sentiam no direito de usá-lo, até mesmo aquele monstro que ele tinha como pai.

Ninguém sabia, mas ele chegou a sacrificar sua esposa, com um feitiço perigoso e terrível que despertava a habilidade mais antiga da casa Brenath em uma criança não nascida, sabia que o preço era a vida de sua esposa, mesmo assim fingiu não saber a causa de sua doença durante meses, enquanto a via agonizar.

Ele desejava o trono, e aquele poder ainda adormecido em Gale lhe daria esse título, era isso o que ele sempre pensou.

Ninguém naquele mundo merecia ser salvo, apenas Gale, era o que ele pensava, e iria salvá-lo de qualquer forma e sem se importar com nada. Mas por enquanto é impossível para ele salvar o menino estando tão fraco. Nem sabe como vai evitar que quando aquele porco voltar, não o viole como fazia com o Zade do romance.

—Escapar é impossível, esta é uma das mansões mais seguras, e embora aquele maldito não tenha imposto restrições para mim aqui dentro, com certeza os guardas não me deixariam sair, assim como sempre foi para o Zade do romance. — O que ele poderia fazer para salvar os dois?

Segundo o que ele sabe do romance, como sua magia se manifesta tarde, Zade continua suportando os maus-tratos e abusos de seu marido durante um ano inteiro. Ele bebe em segredo um forte anticoncepcional para evitar ter filhos daquele homem e quando ele descobre e o proíbe, Zade bebe veneno quando descobre que está esperando um filho.

Alguns meses depois, sua magia surge e ele consegue se libertar dele e de todos que o machucaram, o único que deixa viver é Gale, porque quer usá-lo também e porque não tem certeza se sua magia é capaz de matá-lo.

Agora, ele deseja todo aquele poder que Zade tem no romance para poder salvar Gale, se o tivesse, mataria aquele infeliz filho da puta e levaria Gale para muito, muito longe dali.

—Seremos livres, nunca mais ninguém vai te machucar, eu prometo. — Deu um beijo na testa do menino e se deitou ao seu lado, embora as criadas implorassem para que comesse alguma coisa, ele se recusou completamente, não queria comer nada se Gale não acordasse.

Na manhã seguinte, o pequeno estava acordado, seus ferimentos haviam desaparecido e ele o abraçava preocupado.

—Gale, você está com fome? Está doendo alguma coisa? — O menino não parava de chorar nem de abraçá-lo.

—Duquesa, me temo que o pequeno duque não para de chorar devido à febre, estamos felizes que ele tenha acordado. — Ele nem tinha notado nada disso.

“(Como vou salvar Gale com um corpo tão inútil e frágil?)” — Pensava enquanto abraçava o pequeno para que ele parasse de chorar.

—Vou trazer algo para você e o pequeno duque comerem, ele não quer se separar de você. — A mulher saiu e Zade continuou a acariciar a criança.

—Gale, calma, eu estou bem, eu prometo.

—Mamãe, eu não te curei. — Ele continuava chorando, aparentemente mais uma vez ele tentou usar sua magia e ficou frustrado quando não funcionou.

—Sim, você me curou, estou bem agora graças a você, muito obrigada por cuidar de mim, meu filho. — O sorriso da criança de felicidade enterneceu tanto Zade. No romance, só houve um momento em que Gale sorriu e foi naquela primeira vez que ele conseguiu curá-lo, depois daquele dia ele nunca mais fez isso, mas ele fez de novo, ainda não era tarde demais.

Depois de comer, os dois continuaram deitados, Gale havia adormecido profundamente e Zade não queria se levantar nem deixá-lo.

Ele estava pensando em muitas coisas, nos últimos momentos de sua vida como Kallen, nas coisas das quais se arrependia e nas quais não se arrependia, e nas quais não queria se arrepender agora nesta nova vida.

Ele tinha certeza de que a única maneira de evitar o fim dos dois era criar Gale com todo aquele amor que ele sempre mereceu e procurou, mas que lhe foi negado, ele o afastaria daquele pai nocivo.

—Quando recebi a notícia, eu não pude acreditar, você acordou, meu querido. — Seu corpo estremeceu e a fúria brilhou em seus olhos rubi, aquele porco havia retornado.

—Vejo que não foi só o Gale que se apegou a você, essa coisa de que os ômegas são guiados por seus impulsos naturais deve ser verdade, vocês são fiéis às duas únicas coisas para as quais servem, procriar e dar prazer.

—Se for assim, eu tenho uma dúvida, como você chama um alfa incapaz de cuidar de seu filhote e ômega? — O rosto rechonchudo do homem se encheu de fúria, ele liberou seus feromônios, Zade abraçou Gale com mais força e não hesitou, apesar do desconforto e repulsa que ele lhe causava.

—Não sabe? Eu tenho a resposta... É um inútil, uma vergonha, é lixo... mesmo se você pensa que um ômega ficaria feliz em abrir as pernas para qualquer um, ninguém gostaria de ser estuprado, muito menos por um porco como você.

—Conheça seu lugar, maldito ômega. — O homem se aproximou furioso e atingiu Zade com toda a sua força.

—Você não é nada, apenas um ômega, você existe para me obedecer e me satisfazer, se eu decidir te matar, ninguém vai ousar me dizer nada. — É claro que era assim que todos os alfas pensavam. Naquele mundo, os ômegas não tinham outra serventia, só valiam pela sua grande fertilidade e porque alguns alfas achavam divertido tê-los ao seu lado.

Seu lábio sangrou, mas o ômega não reclamou, pelo contrário, continuou protegendo a criança que ainda dormia profundamente.

Para o alfa, aquele olhar que não demonstrava nenhum medo dele o enfurecia ainda mais, ele o golpeou novamente cheio de fúria, queria que ele chorasse, que implorasse, ele o faria entender seu lugar da maneira mais difícil.

A saraivada de golpes e insultos não havia cessado, parecia que ele não ia parar até matá-lo, mas parou, ao mesmo tempo em que caiu no chão morto com múltiplos ferimentos.

—Mamãe. — Seu rosto estava sendo segurado pelas mãozinhas da criança e a dor simplesmente desapareceu, Zade ainda estava processando o que havia acontecido, Gale tinha acabado de matar seu pai e estava curando seus ferimentos com um sorriso.

No romance, quem matou aquele duque foi ele, o ômega, não Gale. Ele queria mudar a história, mas não assim. Agora, por sua culpa, o momento em que Gale matou uma pessoa pela primeira vez havia mudado. Se ele tivesse se controlado e evitado provocar aquele homem, isso não teria acontecido.

Ele cobriu os olhos da criança e o abraçou contra seu corpo para evitar que ele se aproximasse da beira da cama, a criança ia com as bochechas infladas, talvez com a intenção de gritar com o pai por ter machucado sua mãe.

—Papai mal, a mamãe está doendo. — Ele sabia que Gale não o matou porque tinha essa intenção, ele era apenas uma criança, não conseguia controlar o poder colossal que tinha e muito menos sabia a diferença entre a vida e a morte.

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Comments

Lais Barbosa

Lais Barbosa

simm

2025-01-20

1

Da Silva Lopes Clinger

Da Silva Lopes Clinger

já gostei dessa criança

2024-12-05

4

livvy

livvy

fiquei em chok agr

2024-11-14

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