Luna
- Casar? - Pergunto incrédula - O senhor está me pedindo em casamento?
Mal posso acreditar no que acabei de ouvir! Esse pedido me pegou de surpresa.
- Sim,Luna - Meu chefe responde sério - Eu quero ser o pai do seu filho.
- Senhor Diaz, me desculpe mas eu não posso aceitar - Recuso - Desculpe se eu estiver sendo indelicada,mas eu gosto do senhor apenas como amigo. Como um segundo pai...
Ele sorri antes de dizer:
- Luna... - Levanta-se da sua cadeira e se aproxima apoiando as mãos sobre os meus ombros - Eu também te vejo apenas como uma amiga.
- Mas então por que... - Pergunto confusa.
- Será apenas um casamento de fachada - Meu chefe explica me interrompendo - Eu darei o meu nome ao seu bebê, proporcionarei luxo e conforto à vocês, mas juro pelos meus filhos que jamais lhe encostarei um dedo. A nossa relação será de pai e filha - Completa.
- Senhor Silvestre,eu não sei o que dizer... - Hesito.
- Não precisa me responder agora - Diz - Eu te dou dois dias para pensar. Se a resposta for sim, acionarei o advogado o mais rápido possível para iniciar os trâmites da documentação...
- E se a resposta for não? - Arrisco-me a perguntar.
- Tudo continuará do mesmo jeito - Responde - Seja qual for a sua resposta, você continua a contar comigo para o que for preciso. Mas peço que pense com carinho. É o futuro do seu filho que está em jogo.
- Tudo bem - Abaixo os olhos e instantaneamente volto a olha-lo hesitante - Senhor Silvestre, desculpe-me a indiscrição, mas qual o motivo do senhor está me fazendo essa proposta. Realmente é só para me ajudar?
O meu chefe reluta enquanto volta a se sentar em sua cadeira, como se pensasse em cada palavra. Suspira e por fim responde:
- Luna, eu realmente quero te ajudar. Você tem sido uma excelente funcionária: competente, responsável, prestativa, amiga... - Hesita - Mas existe uma outra razão para esse meu pedido.
- Que razão? - Inquiro.
- Eu sinto que tenho pouco tempo de vida - Confessa cabisbaixo.
Fico horrorizada com a revelação. O que o senhor Diaz tem?
Só de pensar que ele pode estar doente, sinto um aperto no coração. Um homem tão bom…
Respiro fundo tentando assimilar o que acabei de ouvir e por fim pergunto:
- Como assim? O senhor ainda é jovem. Tem toda a vida pela frente! Por que está dizendo isso?
- Luna... - Pega as minhas mãos dizendo suavemente - Uma coisa que poucos sabem é que eu sou cardíaco. Sempre me cuidei visitando o cardiologista mensalmente e mantendo os meus medicamentos em dia. Eu sempre evitava fortes emoções e estresse. Porém com a morte de Lilly, eu me joguei no trabalho e nos cuidados com a Pilar me descuidando totalmente de mim mesmo. Não te contei antes, mas quando recebi a notícia de que Lilly havia falecido, eu sofri um infarto. Por sorte não foi grave. Nem precisei ficar internado e pude velar a minha esposa e acompanhar a minha filha na UTI neonatal. Ela recebeu alta, eu retomei o meu trabalho e tudo estava indo relativamente bem, até que sofri outro infarto três anos depois.
- E como foi? - Pergunto preocupada.
- Foi durante uma discussão que tive com o meu filho - Responde enquanto se acomoda em sua cadeira - Ele estava namorando uma moça que não me agradava nem um pouco. Em uma das vindas de Noah para Buenos Aires, ele a trouxe para a empresa e ela só causou problemas: tratava mal os funcionários, atrapalhava as reuniões, usava o cartão de crédito dele demasiadamente e algumas vezes se insinuou pra mim.
Em uma das suas idas ao “shopping”, tentei alertar Noah sobre o comportamento da sua namorada. Ele obviamente não acreditou e começamos a discutir. O meu filho me acusou e me ofendeu de várias formas. Devido ao estresse, infartei novamente e dessa vez, foi mais grave. Fiquei alguns dias internado e até pensei que morreria. Pilar ficou aos cuidados dos empregados e Noah me acompanhou durante a internação já que se sentia culpado pelo que aconteceu. Mas nem ele, nem a namorada apareceram em minha casa para ver se a menina precisava de algo. Assim que eu recebi alta do hospital, o meu filho voltou para a Espanha sem se despedir - Suspira e controla as lágrimas - Tempos depois ele descobriu quem a moça realmente era e eles terminaram. O Noah sabe que eu sempre tive razão em relação à Melanie, mas nunca deu o braço a torcer.
Fico comovida com o relato do meu chefe. Nem conheço o filho dele e já tomei antipatia. Poxa! Isso não se faz com o próprio pai!
Penso o quanto o senhor Silvestre sofreu nessa vida. Nem o dinheiro o privou de tanto desgosto.
Eu vou rezar muito para que ele fique bem. Um grande homem como ele, não pode morrer tão jovem.
Olho-o penalizada e digo:
- Senhor Diaz, o senhor se salvou em dois episódios de infarto. É sinal que o seu coração é forte - Sorrio - Pare de pensar negativo... - Digo segurando firme as suas mãos.
Ele meneia a cabeça antes de dizer:
- Não é bem assim, Luna. Recentemente eu fiz um check-up e descobri que o meu problema se agravou. Vou precisar realizar uma cirurgia e não sei se volto vivo da mesma. Por isso estou te pedindo em casamento. Você é a pessoa ideal para cuidar da minha filha caso eu não sobreviva. Eu não quero que ela fique sozinha no mundo. Também quero que você assuma junto ao Noah, as minhas empresas. Depois do meu filho, você é a pessoa que eu mais confio na vida.
- Senhor Diaz, eu me sinto lisonjeada em saber disso, mas realmente preciso pensar. Essa é uma decisão muito séria - Digo relutante.
- Eu entendo, Luna - Ele responde - Vou te dar um
tempo para se decidir.
- Senhor Silvestre, independente da minha resposta, eu quero que saiba que pode contar comigo para tudo - Sorrio ternamente.
- Obrigado, Luna - Sorri - Eu queria que o meu filho tivesse uma namorada como você.
- O que é isso, senhor ? - Sorrio timidamente - Assim eu fico sem graça.
- Mas é verdade... - Desliza a mão sobre o meu rosto - Você seria a nora que eu pedi a Deus e tenho certeza que colocaria juízo na cabeça do meu filho.
- Bem, obrigada... - Respondo sem jeito.
- Bom, Luna. Isso é tudo - Diz ao olhar o relógio - Eu vou revisar alguns documentos agora. Você pode retornar às suas atividades e quando der o seu horário, está liberada - Sorri.
Sorrio de volta antes de dizer:
- Com licença - Me retiro.
Não sei se devo aceitar casar-me com o meu próprio chefe. Tenho medo do julgamento das pessoas.
Por outro lado, estou sensibilizada com o que acabei de ouvir.
Não conheço a Pilar, mas sei que ela tem apenas nove anos. A idade da Luísa. Fico a pensar se algo de ruim acontecesse aos meus pais. Pelo menos a minha irmãzinha teria à mim para cuidar dela.
Já a filha do senhor Diaz...
Pobrezinha. Já não tem a mãe. O irmão é do jeito que é. Só de pensar que ela pode perder o pai e ficar sozinha no mundo, meu coração fica apertado.
Não sei se são os hormônios da gravidez ou tudo o que acabei de ouvir, mas sinto uma vontade imensa de chorar.
Só queria que as horas passassem logo para eu ir para a casa. Preciso desabafar com a Juliana. Só os conselhos da minha amiga para me ajudarem agora.
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Atualizado até capítulo 99
Comments
Lourdes Maziero
difícil julgar, quando não vivemos o problema
2025-01-29
3
Neuza Silva
complicado
2024-11-22
0
Marilia Mota
que história maravilhosamente linda to amando
2024-10-26
0