Noah
O meu nome é Noah e tenho 30 anos.
Sou argentino, mas moro na Espanha há mais de dez anos.
O meu pai Silvestre Diaz é dono de uma das maiores empresas de tecnologia com filiais espalhadas pelo mundo todo. Uma delas fica aqui na Espanha sendo comandada por mim.
Apesar de gerenciar o patrimônio da família junto ao meu pai, confesso que não tenho uma boa relação com ele. Mas nem sempre foi assim.
Quando pequeno, eu o via como um herói. Admirava-o e queria ser como ele.
Porém, quando eu tinha apenas quinze anos ele divorciou-se da minha mãe e saiu de casa. Lembro-me do quanto sofremos. Ela mais do que eu, já que depois da separação, entrou em depressão profunda.
Em menos de seis meses, o meu pai ficou noivo de uma mulher bem mais jovem.
Foi então que a minha mãe passou a definhar cada vez mais, parou de se alimentar e de se cuidar, ficando cada dia mais doente. Até que ela não resistiu e faleceu um ano depois.
Como eu ainda era menor, precisei morar com o meu pai e a minha madrasta. Eu nunca consegui perdoar os dois pela morte da minha mãe.
Lilly, esposa do meu pai, tentou por diversas vezes se aproximar de mim, mas eu não permitia. Odiava aquela mulher com todas as minhas forças.
Assim que completei dezoito anos, mudei-me para Madri, pois fui convocado na melhor universidade da Espanha.
No mesmo ano que me formei na faculdade, a minha madrasta engravidou,mas faleceu no parto. O meu pai ficou muito abalado e eu precisei ir à Buenos Aires para comandar as empresas durante o período de luto dele.
Conheci a minha irmãzinha Pilar que havia acabado de nascer e nessa época, o meu pai pediu que eu voltasse a morar com ele.
Como ainda estava ressentido, recusei. Então combinamos que eu cuidaria da empresa aqui na Espanha.
Algumas vezes precisei ir para Buenos Aires à negócios. Mas sempre ficava na casa onde residia com a minha mãe nos seus últimos momentos de vida.
A minha irmãzinha,eu nunca mais quis ver. Hoje ela tem nove anos e eu só a conheço por foto. Sei que Pilar é apenas uma criança e não tem culpa de nada, mas não consigo ama-la pois não paro de pensar que ela é filha do meu pai com outra mulher. Uma mulher que causou indiretamente a morte da minha mãe.
Com o meu pai, a relação é estritamente profissional. Acho que nunca o perdoarei. Somos como dois estranhos.
(...)
Após um longo dia de trabalho, tudo o que eu quero é um bom banho e cama.
Largo a minha mochila no sofá e vou direto para o chuveiro. Tomo um banho quente, demorado e visto uma bermuda.
Vou até à cozinha e esquento o meu jantar que a empregada deixou pronto. Enquanto como, assisto à um programa qualquer na TV. De repente ouço o meu celular tocando do quarto.
Suspiro impaciente e levanto-me para buscar o aparelho, desejando que não seja o meu pai para falar de trabalho.
A última vez que estive na filial de Buenos Aires, ele estava a ponto de surtar pelo fato de ainda não ter conseguido uma boa secretária depois que Olga que trabalhava pra ele há mais de trinta anos se aposentou.
Há um ano, ele contratou uma moça recém-formada como a sua secretária executiva. Eu não a conheço, mas imagino que seja uma boa profissional já que depois de Olga, é a que está a durar mais tempo na empresa. Troquei apenas algumas palavras com a moça por telefone, quando precisava falar com o meu pai.
Mas não faço a mínima ideia se é bonita, feia, loira ou morena. Se fosse cerca de uns cinco ou dez anos atrás, eu estaria a morrer de curiosidade para conhecê-la.
Mas depois do que Melanie me fez, não consigo me interessar por ninguém.
Pego o celular e vejo que é Felipe, meu melhor amigo solicitando uma chamada de vídeo.
- Fala, Felipão - Dou um largo sorriso ao vê-lo do outro lado da tela.
- E aí, cara! Como você está? - Ele pergunta sorrindo também.
- Eu estou bem - Respondo - Esperando pela sua visita há tempos - Digo censurando-o.
- Foi mal, irmão. Ando atolado de coisas pra fazer - Justifica.
- E por acaso essa sobrecarga usa saia? - Provoco rindo.
- Que nada! - Gargalha - Estou na pista, Noah. Você sabe que não sou de levar a sério mulher nenhuma.
- Que mentira hein? - Digo - E a tal garota francesa que você conheceu?
- Aquele lance acabou antes mesmo de ficar sério, mano - Explica - A verdade é que depois de concluir alguns cursos que faltam, quero retornar para Buenos Aires.
- Sério? Mas e aquele papo de rodar o mundo? - Pergunto admirado.
- Eu estou afim de sossegar. Exercer a minha profissão na cidade onde nasci, poder ficar mais perto dos meus pais, ter uma casa para chamar de minha... - Felipe diz sonhador.
- Humm, faltou dizer, encontrar uma esposa - Digo gargalhando.
- Quem sabe, irmão, quem sabe... - Suspira - Eu namorei tanta estrangeira e não deu certo,que penso às vezes que posso encontrar o amor numa chica argentina - Rimos - Mas e você? O que conta de novo? Alguma espanhola já quebrou o gelo do seu coração?
- Não,cara ... - Suspiro - Depois do que a Melanie me fez,eu estou fugindo desse negócio de amor. Mulher é tudo igual.
- Eu ainda acho que vai aparecer alguma para te provar o contrário - Ri - Você podia voltar comigo para a Argentina - Sugere - Lá é a matriz da empresa você consegue dirigi-la melhor de lá.
- Não. E você sabe muito bem o porquê - Digo sério.
- Poxa, cara. Eu não devia me meter na sua vida, mas acho nada a ver você ficar brigado com o seu pai - Comenta.
- Você diz isso por que não foi sua mãe que morreu de desgosto depois de ser abandonada pelo seu pai - Retruco - Acho melhor a gente mudar de assunto - Completo incomodado.
- Ok, não está mais aqui quem falou - Levanta as mãos em sinal de rendição.
Felipe e eu nos conhecemos desde muito pequenos. Nossos pais são amigos e crescemos juntos. Ele esteve comigo em todos os momentos bons e ruins. Sempre foi meu conselheiro e o irmão que eu nunca tive.
Por coincidência, fomos convocados pela mesma universidade. Porém enquanto eu escolhi cursar Administração ele escolheu cursar Direito.
Apesar das graduações diferentes, dividimos o mesmo alojamento até a formatura.
Quando concluímos a faculdade, nos separamos, pois ele escolheu exercer a advocacia viajando e estudando pelo mundo afora, enquanto eu escolhi ficar na Espanha e cuidar da filial daqui. Comprei um apartamento com parte da herança que minha mãe me deixou e Felipe sempre vinha me ver. Inclusive ele foi o meu ombro amigo quando sofri a maior decepção amorosa da minha vida.
Meu amigo e eu conversamos mais alguns assuntos aleatórios, até que resolvemos encerrar a ligação.
Então eu me preparo para dormir e amanhã enfrentar mais um dia de trabalho.
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Atualizado até capítulo 99
Comments
Marinêz De Moura Pereira Cortes
Michele Morrone é a coisa mais linda do mundo. Deveria ser o protagonista do livro.
2025-02-02
1
Elis Alves
Ele deve ter traído sua mãe, porém se separou dela, não ameniza a dor, mas é bem melhor que continuar com ela não a amando e nem respeitando, já que estava gostando de outra.
2025-02-08
0
Maria Aparecida
eu também faria a mesma coisa, construiu uma família em cima da dor de outra familia😡
2024-11-21
2