Luna
Após o almoço, o meu chefe interfona para minha sala pedindo que eu lhe leve um café.
Assim que eu chego, entrego-lhe o café pedido enquanto ele revê alguns documentos. Faço de tudo para que não perceba que eu chorei.
Quando estou prestes a sair da sala, senhor Silvestre diz:
- Luna, espera...
- Pois não? - Respondo hesitante.
- Quero saber como foi ontem. Deu a notícia para o seu namorado?
Assinto segurando as lágrimas:
- Eu falei com ele sim, senhor…
- E aí? - Ele pergunta em expectativa
- Ele não aceita - Abaixo os olhos deixando as lágrimas caírem - Ele está me acusando de golpista.
- Sinto muito... - Diz penalizado - Você e esse rapaz namoram há quanto tempo?
- Cinco anos - Respondo - Nos conhecemos em uma festa da faculdade logo que cheguei ao país.
- E você conhece-o bem? Conhece a família? - Questiona.
- Ele bem pouco, na verdade - Confesso - Os familiares nunca me foram apresentados.
- E por quê? - Pergunta sem entender.
- Segundo ele, os pais são conservadores e só permitem que ele namore quando concluir a faculdade - Digo.
- Luna eu não queria me meter na sua vida, mas você não acha isso estranho? - O meu chefe diz - Me parece apenas uma desculpa para ele não te assumir.
- A Juliana já me disse isso também -Respondo cabisbaixa.
- Espero que eu esteja enganado, mas abre o olho com esse rapaz - Completa e eu assinto - Se bem que... - hesita - Acho que não sou a melhor pessoa pra dar conselhos.
- E por quê? - Pergunto sem entender - O senhor é um homem tão sábio. Me arrisco a dizer que é o melhor conselheiro que eu já tive - Sorrio.
- Mas já errei muito na vida,Luna - Suspira.
- Eu... Imagino - Digo - Mas erros, todos nós cometemos.
- Mas os meus magoaram uma das pessoas que eu mais amo na vida - Diz.
- O seu filho? - Pergunto e ele assente triste.
- Senhor Silvestre,desculpe-me a indiscrição - Digo sem graça - Mas... o que aconteceu e entre o senhor e o seu filho? Eu nunca o vi por aqui mesmo sabendo que ele gerencia as empresas com o senhor.
- É uma longa história, Luna - Suspira - Mas eu vou te contar, pois, preciso muito desabafar. Senta aí - Eu obedeço e o olho em expectativa - Eu casei-me com Cecília, mãe do Noah, ainda muito jovem. Namorávamos desde a adolescência e logo que entramos na faculdade, ela engravidou. Os pais dela eram muito rígidos e obrigaram-nos a casar. O nosso casamento foi na igreja com tudo o que ela sempre sonhou. Os meus pais presentearam-nos com uma casa e mesmo com a rotina de casados, prosseguimos com os estudos. Tudo parecia perfeito, se não fosse o fato de meses depois eu perceber que não a amava de verdade. Eu tinha esperança que com o nascimento do Noah, eu fosse me apaixonar por Cecília. Ela era uma excelente esposa. Além de estudar, cuidava da casa como ninguém e fazia de tudo para salvar o nosso relacionamento.
Quando Noah nasceu, o que eu pensava que iria melhorar, só piorou. Eu amava o meu filho e era o pai mais coruja de todos, mas involuntariamente tratava Cecília como uma estranha. Ela percebia, mas tentava ignorar e não poupava esforços para me reconquistar.
Quando Noah tinha 12 anos, eu conheci a Lilly. Ela havia sido contratada como assistente da Olga, minha antiga secretária. Me apaixonei à primeira vista, mas negava esse sentimento a mim mesmo afinal eu era casado e Lilly era dez anos mais jovem. Mas foi inevitável, quando dei por mim, já estava me declarando e foi uma surpresa quando ela confessou que também era apaixonada por mim.
Diversas vezes tentei me separar de Cecília, mas não sabia como falar. Me encontrava às escondidas com Lilly mesmo sabendo que era errado. Nem ela, nem eu estávamos satisfeitos com essa situação, mas o Noah ainda era um garoto e Cecília estava com início de depressão. Até que três anos depois, resolvi dar um ponto final no meu casamento. Noah já estava com quinze anos e sofreu muito. Cecília ainda mais. Ela parou de se alimentar, de se cuidar, ficando cada vez mais fraca e doente. Faleceu um ano depois. Eu já estava casado com Lilly e como Noah era menor de idade, foi morar conosco.
Eu mal reconhecia o meu filho. De um menino doce e sensível, ele se tornou frio e revoltado. Tentávamos nos aproximar, mas ele não nos perdoava pela morte da mãe. Assim que fez 18 anos, foi convocado na melhor universidade da Espanha e se mudou pra lá. Eu a princípio me preocupei dele estar morando sozinho em outro país, mas quando soube que Felipe havia sido convocado na mesma universidade e iriam dividir o alojamento, fiquei mais tranquilo.
- Quem é Felipe? - Pergunto.
- É o melhor amigo dele - Responde sorrindo - Eles se conhecem desde muito pequenos. O Felipe é um bom rapaz que sempre esteve ao lado do meu filho - Sorrio ao imaginar que os dois devem ser como Juliana e eu.
- Senhor Silvestre, o que aconteceu com a sua segunda esposa? - Pergunto curiosa.
Meu chefe suspira como se estivesse se recordando de algo ruim:
- A Lilly sonhava em ser mãe, mas tinha vários problemas de saúde. O médico já havia a alertado sobre os perigos de uma gravidez. Mesmo assim, ela quis tentar. Como muita dificuldade, minha esposa engravidou cinco anos depois do nosso casamento. Foi uma gestação conturbada. Ela teve descolamento de placenta e passou a gravidez inteira em repouso absoluto. Pilar nasceu de 35 semanas e precisou ficar na incubadora para ganhar peso. Lilly teve uma hemorragia intensa e a sua pressão subiu muito. Ela faleceu instantes depois do nascimento da nossa filha - Se emociona - Antes de partir,ela me pediu que cuidasse de Pilar e me entendesse com Noah. Lilly era boa e gostava muito do meu filho. No período do luto e da internação da Pilar, o Noah veio pra cuidar da empresa. Ele havia acabado de se formar e eu lhe pedi que voltasse a morar comigo,mas ele recusou - Abaixa os olhos.
- E a Pilar hoje tem quantos anos? - Pergunto.
- Ela tem nove - Sorri ternamente - É uma garotinha doce, carinhosa. É a menininha dos meus olhos. Eu ainda vou apresentá-las.
- E quem cuida dela enquanto o senhor trabalha? - Pergunto.
- A Rosa - Responde - Ela foi babá do Noah e quando ele cresceu, passou a ser governanta da Cecília. Com o falecimento da minha ex-esposa, Rosa se mudou com Noah para a casa onde eu atualmente moro e a contratamos como a nossa governanta. Rosa ama Noah e Pilar como se fossem seus filhos - Sorri e de repente olha o relógio - Nos distraímos tanto que esquecemos que a nossa próxima reunião começa em quinze minutos - Ri.
- Puxa, é verdade! - Me levanto apressadamente - Preparo a sala em alguns instantes - Digo.
- Sem problemas, Luna - Sorri - Obrigada pela conversa.
- Imagine, senhor Silvestre - Sorrio me aproximando e pegando sua mão - Sempre que o senhor precisar desabafar,conta comigo.
- Obrigado. Agora vamos organizar a reunião,pois os investidores não esperam - Sorri.
- Claro - Sorrio e após pedir licença me retiro e dirijo-me à sala de reuniões.
Fiquei sensibilizada com a história do meu chefe. Isso explica o seu olhar triste. Bem que dizem que dinheiro não trás felicidade.
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Atualizado até capítulo 99
Comments
Elis Alves
Ele errou quando traiu a 1 esposa, deveria ter se separado qdo percebeu que não a amava. De resto o que aconteceu com a 2 esposa foi fatalidade, se arriscou par engravidar, mesmo sabendo dos riscos. O que faltou a mãe do Noah foi amor próprio, se amasse mais a si.mesma jamais teria ficado num casamento desse tipo.
2025-02-08
1
Maria Maura
o preço da traição é alto.
2024-11-27
3
Maria Aparecida
cretino como todos a culpa e sempre das mulheres aff igual eu meu ex me traia e me divorciei e a culpa foi minha aff
2024-11-21
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