Luna
- Não... - Meneia a cabeça atordoado - Você não pode ter feito isso comigo,Luna. Você me disse que tomava pílula! — Grita.
— Mas eu tomo, Benício! — Grito de volta — Eu não sei o que aconteceu. Eu devo ter me esquecido, mas eu juro que não fiz de propósito — Justifico e ele vira as costas arfando como se tivesse acabado de tomar um susto — Meu amor... — Me aproximo a abraçar-lhe pelas costas — Agora mais do que nunca precisamos nos assumir. Esse bebê é um inocente que não pediu pra vir ao mundo — Pouso a mão sobre a barriga — É o nosso filho. Ele ou ela precisa de um pai e de uma mãe para crescer forte e saudável.
Benício se desvencilha do meu abraço e se vira me encarando com ódio.
— Você fez isso de propósito não é? — Insinua.
— Como assim? O que você está dizendo? — Respondo horrorizada com a acusação.
— Claro! Como eu nunca te assumi, você está querendo aplicar-me o golpe da barriga e achou que eu cairia — Dá uma risada amarga — Você acha mesmo que só porque está grávida, eu vou lhe apresentar para os meus pais e te pedir em casamento? Só porque você está a esperar um filho que talvez nem seja meu?
- Benício?! - Sussurro perplexa.
Benício sorri debochado antes de dizer:
- O quê? Você pode ter se deitado com qualquer só para engravidar...
Indignada, dou-lhe um tapa no rosto e coloco as duas mãos espalmadas sobre a boca sem conseguir acreditar no que acabei de fazer.
Benício por sua vez me encara a alisar o rosto e olha-me longamente e em silêncio.
- Benício... - Me aproximo arrependida - Me desculpa, eu não devia ter feito isso. Eu fiquei nervosa e sei que você deve ter dito tudo isso em um momento de raiva. Vamos conversar como adultos... - Faço menção de acariciar o seu rosto no local do tapa, mas ele segura-me forte pelos punhos.
- Escuta aqui! Se você quiser continuar comigo, vai ser nas minhas condições! - Diz sem me soltar.
- Benício me solta - Choro - Você está me machucando.
- Você não pode ter esse filho. De quanto precisa para interromper a gravidez? - Pergunta.
O quê? Ele quer que eu tire o meu filho? Não pode ser...
O Benício só pode estar de brincadeira!
Indignada desvencilho-me e grito:
- Eu não vou tirar o meu filho! Isso que você está me pedindo é um absurdo, Benício! Como você pode ter coragem de renegar um inocente? Sangue do seu sangue!
- Ninguém me garante que esse moleque é meu filho - Me olha com desprezo - E você sempre soube que ser pai nunca esteve nos meus planos.
- E nem nos meus! - Berro - Mas aconteceu! E eu não posso ser tão cruel a ponto de matá-lo - Choro - Se você não quiser esse filho, tudo bem... Eu o crio sozinha. Eu sou muito mulher pra isso...
Benício me interrompe e se aproxima me chacoalhando pelos ombros:
- Olha aqui sua interesseira! Você vai interromper essa gravidez! - Grita- Caso contrário eu te faço sumir da minha vida - Aperta os meus ombros me fazendo gritar - Você ouviu? - Brada.
De repente Juliana entra na sala:
- Mas o que é isso? Solta ela, cara! - Grita e como Benício finge que não a escuta, Juliana repete - Solta ela, Benício! Está surdo? - O argentino olha para a minha amiga e me solta bruscamente fazendo com que eu caia no sofá sendo amparada por ela - Olha o que você fez, seu bruto! Ela está grávida! Você podia ter machucado a ela ou ao bebê!
- Com certeza, ela fez tudo isso por influência sua - Ele acusa Juliana - Eu nunca gostei de você. Sempre disse à Luna que te achava saidinha demais. Você sempre foi um péssimo exemplo para a minha namorada.
- Vai embora, canalha! Eu também nunca gostei de você! Sempre desconfiei que não valia nada e agora estou confirmando. Vai embora antes que eu chame a polícia e te denuncie por agressão.
- Ju... - Digo aos soluços - Deixa ele pra lá…
- Eu vou embora e já está avisado, Luna. Ou você tira esse bebê, ou esquece que eu existo - Sai e bate a porta.
Choro copiosamente nos braços da minha amiga.
- Oh, Luna... - Juliana afaga os meus cabelos - Não fica assim. Esse idiota não merece as suas lágrimas.
- Eu pensei que ele me amava, Ju - Choro ainda mais.
- Ele te machucou? - Pergunta me olhando preocupada.
- Fisicamente não... - Respondo enxugando as lágrimas - Mas tudo o que ele me disse doeu mais que uma surra.
- Esquece ele, amiga. Pense no seu bebê - Diz alisando a minha barriga - Você tem que se manter calma para ter uma gravidez tranquila.
- Acho que essa gravidez foi o maior erro da minha vida... - Digo aos prantos.
- Não! Não fala isso! O único erro foi você ter dado um pai desse tipo para ele - Me olha - Amiga, me diz uma coisa: você não está pensando em tirar esse bebê, está?
- Não! Claro que não, Juliana - Digo perplexa - Eu amo o meu filho. Só estou com pena de colocar no mundo uma criança desprezada pelo próprio pai. E sei lá... Tenho medo de não conseguir cria-lo sozinha.
- Mas você não está sozinha, Lu - Diz me olhando ternamente - Você tem a mim e eu prometo que vou te ajudar no que for preciso.
- Obrigada, amiga - Nos abraçamos emocionadas.
- Agora, vem - Se levanta e puxa-me pela mão - Fiz uma comidinha deliciosa para a gente.
- Eu estou sem fome, Juliana... - Digo desanimada.
- Ah não! Não vai me fazer essa desfeita - Protesta - E outra: você está gravidinha e precisa se alimentar bem para o nosso "baby" crescer forte e saudável.
- Está bem, eu vou tentar - Digo resignada.
Jantamos juntas e durante a refeição, Juliana tenta me distrair enquanto relembramos histórias engraçadas da época da faculdade.
Na hora de dormir, enquanto caminhamos para nossos respectivos quartos, começo a lembrar-me das palavras de Benício e choro ainda mais. Juliana percebe e sem dizer uma só palavra me abraça.
- Eu posso dormir no seu quarto, Ju? - Pergunto - Só hoje…
- Claro, minha amiga… - Responde ternamente.
Nos deitamos na sua cama e o carinho dela no meu cabelo é a última coisa que sinto antes de pegar no sono.
No dia seguinte, acordo com o cheirinho de café vindo da cozinha. Em seguida Juliana aparece na porta do quarto:
- Lu, o café está pronto.
- Obrigada, Ju - Respondo - Só vou me arrumar e já vou.
- Amiga, se quiser eu aviso ao chefe que você não está se sentindo bem e você fica em casa hoje. Foi uma noite muito difícil para você - A morena diz comovida.
- Não, Ju - Respondo - Eu preciso ocupar a minha cabeça. Ficar em casa só vai me deixar pior.
- Tudo bem, eu estou te esperando então - Sorri.
Tomo um banho rápido e visto o uniforme da empresa que consiste em uma camisa social branca com o logo da empresa e uma saia lápis cinza. Faço uma maquiagem leve, calço sapatos de salto e prendo os cabelos em um coque.
Após o café da manhã, vamos juntas à empresa e cada uma dirige-se ao seu respectivo setor.
O período da manhã passa rapidamente. Sinto um pouco de enjoo, mas melhoro após comer uma fruta. Algumas vezes lembro-me com tristeza das palavras do Benício e os meus olhos ficam marejados, mas tento conter-me e concentrar-me no trabalho.
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Atualizado até capítulo 99
Comments
Elis Alves
Ei, psiu! Quem é você? Nunca te vi! 🙄
2025-02-08
0
Rosangela Nogueira
ele nunca a amou só a usou
2025-02-26
0
Silvia Cristina
Que homem imbecil afff
2024-12-01
1