Na Ilha da Mulher, Brenda estava imóvel, sentada sobre a grama e de olhos fechados. As palavras de Euscribo ressoavam em sua mente...
- Terei que me rebaixar até que meus instintos aflorem; quando perceber que é o momento devo me entregar; e quando me entregar estarei livre - repete em voz alta aquelas palavras.
De repente, sem maiores explicações, pequenas criaturinhas aparecem. São fadas! São homens e mulheres que cabem em uma palma de uma mão adulta voando com suas asas. O zumbido das asas batendo faz Brenda abrir os olhos e seu espanto é imediato:
- Fadas? Achei que essas coisas não existiam - comenta observando as criaturas.
- Existimos sim, escolhida - disse uma das fadas.
- Finalmente aconteceu - falou outra, indicando que já esperavam por alguém.
- Então... sobre as botas aladas... - Brenda falava e foi interrompida.
- Nossos amigos estão trazendo, veja - uma fada falou apontando para outras fadas que saiam de um buraco trazendo um par daquelas botas especiais.
- Para você! - e elas falaram ao mesmo tempo, entregando o calçado.
Brenda pega e com um sorriso no rosto já começa a calçá-las. Só se difere em cor do par de botas que viu, as suas são em tom vermelho escuro. A bárbara se despede das fadas e agradece, saindo da Ilha da Mulher voando.
Praticamente ao mesmo tempo, Ras alcança o Monte Kily. Estava com uma manta para aguentar o frio daquele monte que possui neve em seu topo. Lembrando-se das palavras de Euscribo, Ras tomou de forma literal e olhou para baixo e de lá avistou uma savana, que estava quase sem nenhum animal. Quase. Ras avistou de lá um impala que magicamente voava em sua direção, mesmo sem asas, apenas movimentando suas patas.
- Impossível... até para a magia - a mulher comenta em voz alta, boquiaberta.
O impala parou em sua direção e disse.
- Saudações, escolhida - abaixando um pouco a cabeça em reverência.
- Um mamífero quadrúpede que voa e fala, beleza - com ironia ela comenta, buscando adaptar-se àquela situação.
- Sim, eu sou o lendário Impala da Paz, um animal abençoado com muitas habilidades. De qualquer forma, se está aqui é por um motivo... - o impala deixa a entender que sabia a razão da líder dos magos estar ali.
- As botas aladas. O que preciso fazer? - Ras pergunta para o animal.
- Precisa fazer o que mais detesta... precisa tirar a vida de uma criatura com poderes mágicos... eu, no caso - ele se coloca de lado e então completa - bem aqui estão as botas aladas. Lave-as antes de usar - apontando com um dos cascos dianteiros para sua barriga.
- Isso explica a habilidade de voo... não acredito que terei que fazer isso - ela comenta com tristeza.
Passa um tempo até que finalmente Ras consegue fazer o que é preciso... ela usa a neve para lavar o par de botas e nota que a única diferença do calçado que viu anteriormente é a cor. Suas botas aladas possuem um belo tom roxo. Ela calça os sapatos especiais e deixa o Monte Kily voando.
Em um lugar seco, no Monte da Lua Minguante, Malika atinge o topo do lugar. Seu nariz sangra, por conta da aridez do lugar. Em voz alta, ela repete as palavras ouvidas:
- Terá que se rebaixar até que seus instintos se aflorem; quando perceber que é o momento deverá se entregar; e quando se entregar estará livre - com uma precisão incrível.
Meditando sobre as palavras, ela fica prostada naquele solo pedregoso e pensa em flores... como dali poderia ter tal flora? Ela levanta a cabeça e vê uma flor ao longe e decide ir até lá.
Malika acertou o enigma. Aquela era uma flor mágica que não fazia parte daquele lugar. Ela notou que o solo estava, também, um pouco diferente e cavou ali com as prórprias mãos... e encontrou o par de botas aladas. Era de um tom um pouco mais claro que as botas que viu com Euscribo e gostou da cor. Tratou logo de calçá-las e sair dali antes que passasse mal.
Nos Alpes Centrais, Amélie admirava a beleza do lugar. Embora estivesse em uma parte com neve conseguia ver mais vida na descida daqueles morros. Lembrou-se vagamente das palavras de Euscribo que falavam em rebaixar. Avistou uma linda cachoeira e pensou que poderia ser aquele lugar.
Corajosa, Amélie foi descendo pelas águas e afundou junto com a água em um lago formado pela própria cachoeira e a baixinha viu com seus belos olhos azuis através da água cristalina um par de botas aladas presas no fundo do lago. Com sua espada e quase sem fôlego, Amélie conseguiu tirar de lá as botas e finalmente voltou a superfície, respirando ofegante, pois havia chegado ao seu limite.
Saindo da água, notou que o par de botas possuia uma cor diferente, um azul marinho muito bonito. Calçou seus novos sapatos especiais e deixou aquele belo lugar.
E no Monte da Fuga, Kira estava imóvel e lembrando-se daquelas palavras de Euscribo. Já estava angustiada, sem ideias de como revelar o enigma e conseguir as botas aladas, quando ficou de quatro apoios e começou a chorar. Enxugando as lágrimas e abrindo os olhos finalmente pode ver que as botas aladas estavam o tempo todo ali, congeladas no lugar que ela estava chorando. Começou a quebrar o gelo... até finalmente conseguir remover seus calçados especiais.
Suas botas aladas vão em um tom verde escuro. Kira calçou suas novas botas e voou para sair daquele lugar frio.
Uma a uma, as líderes voaram de volta para seus batalhões para mostrarem as novidades e a notícia que foi espalhada por todo o mundo é que não existem mais botas aladas disponíveis. Em uma semana o risco de invasões de outros povos já havia praticamente zerado e todas as guerreiras voltaram para a Guilda e retomaram seus treinamentos. A notícia da paternidade envolvendo Euscribo e May também se espalhou, contudo não houve nenhum ciúme ou reclamação por isso, apenas realmente muita surpresa, especialmente por parte das guerreiras.
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Atualizado até capítulo 21
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