Enquanto as líderes seguem seus caminhos para encontrarem as botas aladas, May recebe uma grande revelação de sua mãe. Na verdade o respeitado Euscribo é seu pai!
- Perdão por não ter sido alguém presente... - o homem fala e abre os braços, piedosamente pedindo por um abraço.
May fica confusa... admira aquele homem, mas nunca entendeu o porquê de seu pai ser alguém ausente e agora descobrem que são a mesma pessoa.
- Vai, filha - a mãe pede, chorando, com as mãos postas.
Ela vai lentamente e o abraça. Ele a aperta um pouco.
- Por que? - May sussurra, saindo do abraço.
- Sua mãe precisa revelar toda a verdade - ele fala olhando para a ruiva.
Mãe e filha deixam o homem sozinho na sala e conversam no cômodo ao lado:
- Mãe, precisa me contar tudo - a filha pede.
- Sim, falarei... - a ruiva faz uma pausa e então conta - quase duas décadas atrás o seu pai e eu éramos jovens e apaixonados... ele vivia viajando por aí e aprendendo tudo e eu estava com os Bárbaros. Um dia vivemos um romance, mas ele não soube que fiquei grávida. Grávida e prestes a parir um filho ou filha que não seria como as pessoas do nosso povo, tive que vir para essas terras centrais e vim apenas com você em minha barriga, mas para minha surpresa eis que apenas uma semana depois eu reencontro Euscribo e, não teve jeito, expliquei o motivo de estar ali. A partir de então ele abdicou de suas viagens e ficou comigo e nós, junto com outros em mesma situação de romance interracial, formamos esse reino. Enfim, você nasceu no quinto mês e ele pediu para que seu nome, então fosse May - revelou até o momento do nascimento daquela guerreira.
- Nossa, que demais... e então por que não ficamos uma família? Ele era comprometido mesmo? - May perguntou lembrando-se do que sua mãe dissera antes.
- Sim, ele era comprometido, mas não com uma mullher... ele ainda é comprometido até hoje com a paz. Sim, tudo que ele faz é buscando a paz. Naqueles dias sofremos alguns ataques e ele nos ajudou... eu mesmo o lembrei de seu ideal pacífico e o pedi para ir embora atrás da paz, por nós duas e também por todos. Perdão - a mãe pede desculpa.
- Mas mãe... por que não me disse toda essa verdade antes? Eu cresci pensando que tinha um pai canalha e é o oposto - a guerreira questiona.
- Esse foi um pedido dele. Eu sei a resposta, mas você precisa ouvir dele - a ruiva fala a puxando de volta para a sala.
Euscribo ainda estava de pé, aguardando. A dona da casa fez sinal para ele sentar e só então o homem sentou. May sentou-se ao seu lado e perguntou:
- Por que esconder que éramos pai e filha? - era a grande dúvida do momento.
- Porque eu estava crescendo em prestígio e temia que atacassem vocês... apesar do respeito muitos querem que eu sofra, por inveja. Foi a única forma de proteger vocês, afinal tinha que viajar, ficar longe... ainda te visitei algumas vezes quando era muito nova, porém sem revelar que era seu pai e também ajudei com seu sustento... e é isso - enfim a verdade revelada.
- PAI! - May fala e o abraça, reconhecendo-o.
Ambos choram um pouco, porém algumas dúvidas continuam:
- Quando fui escolhida para ser a líder dos mestiços foi por conta de ser sua filha? - a guerreira pergunta.
- Eu não me envolvi diretamente nessa parte, estive fora durante o período em que estavam selecionando e, quando você foi a escolhida, apenas me passaram para falar, por conta do meu prestígio, porém não fui eu quem a escolhi, foi uma feliz coincidência do destino - Euscribo fala.
- Certo... e agora seremos publicamente pai e filha? - May pergunta.
- Agora podemos, você é forte, consegue se defender e até nos defender - ele fala com um sorriso no rosto, claramente liberando um peso em suas costas.
- Além de mim tem outras crianças por aí? - é a vez dela sorrir com a pergunta.
- Ah, eu sou um homem solteiro... eu me envolvi sim com outras mulheres, porém fui mais cuidadoso com a questão de engravidar ou não, porque sabia que não poderia assumir e antes não tive esse cuidado... só não me arrependo porque fiz uma linda filha - e acaricia os cabelos da garota.
- E a última pergunta... esse enigma é verdadeiro mesmo? - voltou a perguntar sobre as botas aladas.
- Sim, o enigma é verdadeiro e você seguiu tudo que dizia aquilo e merece ter as botas aladas - ele abriu sua roupa para lhe dar seu par de botas aladas.
- Opa, não, não... essas são suas... vamos atrás das minhas - May pede, recusando as botas.
- Essa parte foi mentira. Não conheço sete botas aladas, apenas seis. E fui eu mesmo que escondi as outras nos lugares altos dos outros reinos. Você ficará com essas, afinal cumpriu as palavras do enigma e será um segredo nosso que não tenho nenhuma dessas botas - e deu novamente como presente.
- Tá certo pai, serei uma filha obediente e aceitarei - e May finalmente pega as botas.
Ela as calça e vai literalmente voando contar a novidade para suas aliadas... enquanto isso, as outras líderes continuam suas jornadas e já estão bem próximas dos pontos mais altos dos outros cinco reinos: Brenda, dos bárbaros, na Ilha da Mulher; Ras, dos magos, no Monte Kily; Kira, dos rangers, no Monte da Fuga; Amélie, dos paladinos, nos Alpes Centrais; e Malika, dos pacificadores, no Monte da Lua Minguante.
Por uma coincidência, todas as líderes chegam quase que ao mesmo tempo nos lugares mais altos de seus reinos e procuram se lembrar do que dizia o enigma... dessa forma, elas ficam imóveis, cada uma à sua maneira, buscando meditar sobre as palavras ditas por Euscribo durante a última reunião.
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Atualizado até capítulo 21
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