Ao amanhecer eu me apresso a levantar, tomo um banho rápido, visto um shorts jeans com minhas meias arrastão, blusa preta e a xadrez por cima, calço minhas botas.
Tomo um café e vou até a varanda, olhada se Trevor já havia aparecido, não o vendo decido tirar o carro da garagem, ele para bem na saída da garagem buzinando.
— Eu disse que seria um conversível vermelho. —ergue as sobrancelhas caindo na risada.
— Rá rá, engraçadinho. É um Mustang vermelho.
— Mais não deixa de ser como eu disse! — seu rosto demonstra sua total satisfação em estar certo. Como é prepotente.
— Tira logo seu carro para eu sair. — Ordenei em tom irónico.
— Ei mocinha,você já é habilitada? — Ele zomba de mim com uma certa facilidade.
— Só faço dezesseis no próximo mês!
— Então guarde o carro garota do Mustang e entra aqui! — ele bate no banco do carona.
—Fala sério Trevor ! Eu preciso andar com meu bebê. — Tento persuadi-lo com um beiçinho.
— Tudo bem, vai! Então me siga com cuidado.
Até parece que ele realmente está preocupado comigo.
—Eu sei dirigir,idiota! Meu pai me ensinou dês dos quartoze.
— Não custa pedir cautela. Por favor, seja cautelosa.
É sério que ele realmente se preocupa comigo?
Ele sai de vagar e eu o sigo pelo mesmo caminho da festa, porém entramos em uma bifurcação, quando nós nos aproximamos da casa, vejo que não era nada do que imaginava.
A casa é toda em madeira e nada extravagante, ela se encaixa perfeitamente no meio da floresta. Eu estaciono atrás do carro de Trevor, ainda deslumbrada.
— Aí,gostou da casa? — ele segura o riso diante do meu rosto deslumbrado.
—E linda Trevor! Eu achava que era espalhafatoso, mas, isso me deixa impressionada!
— Eu não sou nenhum playboy e nem minha família é como você pensa! — ele abre a porta— Entre. — Gesticulou.
— Ela é ainda mais linda por dentro!— Olho os detalhes, uma sala de estar com estantes até o teto abarrotada de livros e decorações em vidro e porcelana. Um conjunto de sofá de couro lavado em um tom caramelo com duas poltronas em cada ponta, uma mesa de apoio entre elas com abajures, a lareira em um canto próximo a estante. A escada para o andar superior bem a frente da entrada e em sua lateral um pequeno corredor. A minha direita, uma passagem em arco duplo, levando para a cozinha.
— Obrigado! Vou dizer a minha tia que você gostou da decoração que ela fez. — Ele sorri.
— Seus pais não estão? — Indago parando de frente ao arco.
— Na verdade, eu só tenho minha tia que considero como mãe e meu avô. — Algo como dor e tristeza vagou por seus olhos. Talvez minha pergunta o trouxe lembranças tristes.
— O que ouve com seus pais? — Trevor mordeu as bochechas. Realmente era um assunto delicado.
— Depois te conto está história melhor.Você já lanchou? — Questiona Trevor na tentativa de desviar o foco da conversa.
—Já sim, quero ver o carro. — Afirmei com um sorriso.
—Tá ansiosa, né? —ele sorri tombando a cabeça.
Não sei porque, mas seu sorriso me provoca algo que não sei explicar.
— Muito. — Rebati.
—Vem vou te mostrar. —Trevor pega minha mão, o que me fez sentir uma espécie de choque quando minha pele encostou sobre a dele.
Trevor me puxou em direção a cozinha, me levanto direto para a garagem.Onde haviam uma moto e o carro, meticulosamente, Trevor retira a capa de proteção revelando um Dodger Charge Azul.
Meus olhos saltaram de suas órbitas, me aproximo passando a mão sobre o carro apaixonada.
—Ele é lindo! Perfeito. — Encaro o olhar de Trevor sorrindo.
— Meu avô me ajudou a montá-lo! Quando o comprei ele estava batido, tive que comprar várias peças e montar tudo do zero, inclusive o motor. — Era visível o orgulho de seu trabalho bem executado em cada palavra.
—E você ainda não o dirigiu? — Questionei ainda o encarando.
— Não... Sou apegado ao Royce. — Seus lábios se esticaram em um sorriso preguiçoso.
— Ele era do seu pai, eu entendo agora.
— Sim era, além de um legado que me deixou junto com o carro.— Legado? A curiosidade me domina.
— Como assim legado?
Sophie como você pode ser tão curiosa, seja menos intrometida garota.
— Nada, não interessa.— Ergo as sobrancelhas.
— Se quiser desabafar eu estou aqui. — Insisti.
— Mas não foi você quem disse que não somos amigos? — Espertinho, me pegou com minhas próprias palavras. Sorrio mordendo o lábio.
— Na verdade foi você quem disse primeiro! — Ele arqueia a sobrancelha se aproximando.
—Quer conhecer meu quarto?— Arregalo os olhos o encarando. Quanta ousadia.
— Nossa, que safado, pervertido. — O provoquei.
— Larga de ser boba, eu não sou nenhum lobo mal! — Entorto o lábio pensativa.
Suas atitudes me dizem o contrário senhor bipolar.
—Vai saber se esse não é o esconderijo de um lobo grande e faminto! — Trevor se engasga com minha resposta.
—Quer ou não? — Insiste Trevor,seu olhar fica sério e pesado.
— Vamos lá. — Respondi sem emoção. — Mas se fizer alguma gracinha, te mato! — Ele sorri revirando os olhos.
Subimos as escadas de madeira clara , um corredor com algumas portas, Trevor abre a terceira porta e entrando em seu quarto.
É amplo e muito organizado por sinal, o teto tem uma pintura do universo ,estantes cheias de livros e um acesso a uma varanda.
— É bem organizado para um adolescente como você. — Trevor me fita com os olhos.
—Eu sou organizado! — Olho sua estante cheias de livros variados.
—Você lê?
Nossa, tem horas que nem eu mesma aguento minhas perguntas. Como sou tola.
— É um hobby! — Ele sorri mordendo os lábios.
—Vamos ver aqui.— passo os olhos em alguns livros—Hamlet , Orgulho e preconceito, O vermelho e o negro, Drácula?
Você é bem eclético. — Deslizo o dedo entre os livros.
—São clássicos! Quer levar algum? — Me surpreendo. O que ele pretendia com tanta cordialidade?
— Posso? — Indago. Ele assente gesticulando para a estante.
— Vai em frente. Escolhe um.
— Vou levar o Drácula, se não se importar. — leve descontentamento percorre seu rosto.
— Por que este? Há tantos ainda melhores.
— Vampiros me fascinam. — Afirmei. Trevor torce os lábios bufando. — Algum problema?
— Vampiros são sanguessugas bebedores de sangue, que matam para se alimentar. — Sua voz se torna áspera e densa.
—Nossa, pelo visto é um mito que não te agrada. — Ele suspira
— Nem um pouco...
— Então, porque você tem o livro de um dos vampiros mais famosos?
— Ironia, não é mesmo? Mas,tive que ler paea um trabalho, ano passado!O livro em si é muito bom, vai gostar. — Ele se aproxima pegando o livro de minhas mãos.
— Que bom — Ele folheia o livro. —, te devolvo quando terminar. — Trevor me devolve o colocando em minhas mãos.
— Pode ficar com ele, não faço muita questão em tê-lo.
— Que tal irmos a uma lanchonete e chamar seus amigos?— Tento quebra a tensão entre nós.
— Nesse momento eles estão no Mouth. Se quiser podemos ir até lá.
— Então você quer ir até lá?
—Você é quem sabe.— Ele força um sorriso.
—Vou ligar para Sara nos encontrar lá. Se não tiver problema é claro.
Ligo para minha amiga, que concorda em nos encontrar na lanchonete. Seguimos para a lanchonete , ao chegar todos estão comendo e brincando uns com os outros, Rubi percorre meu corpo de cima a baixo com olhar de desdém.
— Aí, Trevor está com a gatinha de novo! — Sefe joga o guardanapo em Trevor ao nos aproximamos.
— Não enche Sefe. — Trevor mostra os dentes para Sefe.
— Deixa o cara palhaço! — Repreende Robin bagunçando o cabelo de Sefe.
—Isso é inveja Robin ! — Rebate Caio rindo do amigo.
— E aí Sophie, o que achou da nossa festa? — Me sento ao lado de Rubi, era o único assento disponível.
— Foi bem divertida, Vitor. — lhe dou um sorriso.
— O que vocês estão comendo? Manda pra cá! —Trevor pega o sanduíche de Sefe
— Eu ainda não terminei. — Sefe tenta pegar o sanduíche novamente sem êxito, Trevor e duas vezes maior que Sefe.
—Regina — Robin chama a atenção da balconista. —, trás mais uma rodada de refrigerante e hambúrguer!
— Vocês estão com fome hoje, em garotos.— Regina responde com satisfação.
— Sophie,né ?— Rubi me olha com deboche.
— Sim. — Respondi a encarando.
— Como se tornou amiguinha tão rápido de Trevor? — Questiona aos sussurros.
— Rubi , você sabe que posso te ouvir, não é? — Indaga Trevor em tom de ameaça ,ela revira os olhos suspirando.
— Eu sei, Trevor — ela sorri com sarcasmo — , até se eu tivesse a um quilômetro de distância me ouviria. Só quero saber o que ela tem de tão especial! — Seus olhos me analisam merticulosamente.
— Eu não tenho nada de especial! — Rebato tranquilamente.
Que garota abusada, quem ela pensa que é? A rainha da Inglaterra por acaso?
— Ah... você tem eu sinto ... — Trevor a interrompe.
— Rubi, já chega. — Seu tom é de ordem. Rubi respira fundo.
— Oi meu amor, que demora! — Uma linda morena, de longos cabelos castanhos escuro, lábios bem desenhado e uma pele de pêssego, beija Robin o abraçando.
— Eu tive que ajudar minha mãe. Oi gente— ela olha para mim, em seguida para os meninos. — Quem é? — Indaga como se eu não estivesse ali.
— Eu sou Sophie, prazer! — Ela morde o lábio inferior.
— Luara namorada do Robin prazer... Quantos sanduíches vocês já comeram? Que bagunça! — Luara começa a recolher os papéis sobre a mesa.
—Estão na terceira rodada! — Responde Robin aos risos.
—Pelo jeito ainda não pararam. — Provoca Luara.
— Eu também cheguei agora Luara, então, ainda não comemos. Não é Sophie? —Concordo com um aceno.
— Precisamos de energia para hoje, é Lua cheia e sabem como é. — Caio cutuca Sefe — Ai, qual é?
— O que tem ser lua cheia?— Pergunto curiosa. Eles se entreolham .
—Nada Sophie, só fazemos ronda algumas noites na reserva! — Pondera Trevor olhando de cenho franzido para Sefe.
— Boca grande . — Crítica Caio aos susurros.
—Eu esqueci , foi mal. — Sefe me olha sorrindo.
Os sanduíches chegam e comemos, Sara chega, Trevor arruma uma cadeira para que ela se sente.
— Mais uma de fora. — Murmura sussurando Rubi, cruzando os braços.
— Relaxa Rubi seja educada!— sussurra Vitor.
Não compreendo o que se passa entre eles, porque tantos segredos e isolamento, mas o que eles não sabem, é que eu tenho uma audição apurada e posso ouvir quando sussurram. Minha mãe diz que meus ouvidos são sensíveis por isso ouço longe, já eu considero um dom. Por volta das dezesseis horas, todos querem ir embora.
— Desculpa meninas mais precisamos ir.
— Mais ainda é cedo. — Rebato.
—Eu sei Sophie, mas, temos a ronda para fazer! Obrigado pela tarde .— Trevor beija minha bochecha, foi tão repentino que fico sem reação.
— Tudo bem, eu que agradeço. E obrigado pelo livro!
Ele sorri, os meninos se despedem indo embora.
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Atualizado até capítulo 81
Comments
Sara Niziato
talvez lobo seja kkkk
2025-03-31
0
Rozineide Oliveira
autora estou amando mais falta as fotos pra conhecer os personagens espero que tenha 👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼😍❤️
2023-09-25
4
Amanda
Uma vibe mais crepúsculo né, gostei
2022-10-24
1