Capítulo 3

— Será a empregada que deve te dar banho ou quer tomar banho sozinha? — A voz grave como o mar parecia ser capaz de perfurar o coração de Melinda, fazendo com que ela tivesse dificuldade em engolir a saliva.

— Empregada! Quero que seja a empregada a me dar banho, Sr. Son! — respondeu Melinda rapidamente. Allison não insistiu mais.

— Compreendo! — Melinda assentiu com a cabeça. Allison seguiu em direção ao seu escritório.

Melinda olhou para as costas musculosas de seu marido até que ele desaparecesse de vista. Ela ainda não acreditava que agora era uma esposa. Mas não uma esposa de verdade, apenas uma esposa de brinquedo que seria descartada quando seu tempo acabasse.

— Venha comigo, Srta. Mel, — convidou o Assistente Juan.

— Melinda, senhor.

— É muito longo, vou pegar apenas o início então, — respondeu o Assistente Juan polidamente.

— Será que ele está se vingando de seu patrão? — pensou Melinda enquanto seguia atrás do Assistente Juan.

A casa era imensa. Melinda percorreu sala após sala, com muitas colunas grandes. Seus passos pararam quando ela chegou em frente a um elevador. O Assistente Juan convidou Melinda a entrar.

Ting!

O elevador abriu, Melinda saiu e continuou sua jornada até chegar em frente a uma porta de aço de cinco centímetros de espessura.

— Por favor, entre, Srta. Mel, — o Assistente Juan convidou Melinda para entrar em um quarto muito espaçoso com paredes e pisos de ouro. Melinda balançou a cabeça ao ver a riqueza do reino de Oesteria.

Tudo o que estava ali naquela casa era dinheiro. Parecia que Allison não sabia do destino das crianças no orfanato que frequentemente passavam fome. Melinda sentiu vontade de abrir aquelas paredes, vendê-las e dar o dinheiro à mãe do orfanato para suprir suas necessidades diárias.

— O Sr. Son não vai dormir no mesmo quarto que eu, certo? — Melinda perguntou para ter certeza.

— Essa mansão pertence ao Sr. Allison. Isso significa que o Sr. Allison tem a liberdade de escolher onde dormir, inclusive no quarto da Srta. Mel, — explicou o Assistente Juan.

O que o Assistente Juan disse não estava errado. Melinda suspirou profundamente, esperando que Allison não dormisse no mesmo quarto que ela. Ela também esperava que Allison não exigisse seus direitos como marido. Melinda sacudiu a cabeça violentamente ao pensar nessa horrível possibilidade.

— Se não há mais perguntas, chamarei um empregado para ajudá-la.

— Uma empregada mulher? — , perguntou Melinda.

— A Srta. Mel quer um empregado homem? — , perguntou o Assistente Juan em resposta.

— Não! Apenas uma empregada mulher!

— Certo, Srta. Mel.

Após a partida do Assistente Juan, Melinda começou a caminhar em direção ao seu quarto. Ela deixou seu corpo cair e sentou-se na beira da cama. Melinda sentiu o toque confortável do colchão em que estava. Por mais confortável que fosse, aquele quarto continuaria sendo um novo inferno para ela.

A porta do quarto foi batida suavemente e uma empregada mulher de meia-idade entrou. Melinda ficou paralisada, sentindo-se desconfortável com seu corpo à vista de qualquer pessoa, inclusive uma empregada mulher. Quando a empregada se aproximou, Melinda abaixou o rosto.

— Se a senhorita se sentir desconfortável, pode tomar banho sozinha. Use esse sabonete e xampu para remover o odor do seu corpo.

Ouvindo aquilo, Melinda levantou o olhar para a empregada com um sorriso doce em seus lábios sensuais. Melinda não esperava encontrar uma empregada gentil na casa tão grande. Se a empregada em sua casa também fosse amável, talvez Melinda não sofresse tanto.

— Muito obrigada, senhora. Não achei que houvesse pessoas boas nesta casa, quase perdi as esperanças, — agradeceu Melinda.

— Chame-me de Bia, está bem? — respondeu a empregada amigavelmente.

— Certo, Bia. Mais uma vez, muito obrigada.

— De nada, a senhorita precisa tomar banho agora antes do patrão chegar, — disse ela fazendo Melinda entrar em pânico e entrar rapidamente no banheiro.

Pouco depois de estar dentro do banheiro, Melinda começou a agradecer em voz alta. A empregada balançou a cabeça sorrindo.

Após cerca de 30 minutos no banheiro, Melinda saiu com uma toalha micro pendurada em seu corpo sexy.

— E então, Bia? O cheiro desapareceu, não é? — perguntou Melinda aproximando seu corpo do da empregada.

A pobre empregada não se concentrava no cheiro do corpo de Melinda. Seus olhos observavam com compaixão as várias marcas avermelhadas, roxas e até mesmo a pele rasgada.

A empregada pediu a Melinda que se sentasse, e ela o fez com confusão. Melinda se perguntava se o cheiro desagradável ainda não havia desaparecido do seu corpo. Mesmo depois de usar uma garrafa inteira de sabonete e xampu.

Melinda ficou chocada ao ver a empregada pegar um kit de primeiros socorros e cuidar dos ferimentos em todo o seu corpo, incluindo sua testa inchada.

— Seu corpo é lindo e perfeito, senhorita, mas há muitos ferimentos. Não dói?

Em vez de responder, Melinda começou a chorar. Ela estava acostumada a ser tratada mal pelas pessoas em sua casa, por isso ficava muito sensível quando alguém se preocupava com ela.

— O que há de errado, senhorita? Esses remédios estão te machucando? — perguntou Bia, preocupada.

Melinda abraçou Bia com força e disse: — Desde que minha mãe morreu, ninguém nunca perguntou se eu estava sofrendo. Eu nem me importava com esses ferimentos. Obrigada por perguntar, Bia — , disse Melinda soluçando.

— Você é muito bonita, não chore mais.

Aquelas palavras a fizeram lembrar de sua falecida mãe. O corpo de Melinda começou a tremer e as lágrimas fluíam incessantemente, ela não conseguia mais controlá-las.

A beleza e a graça de Melinda eram herança de sua mãe. Mas, da mesma forma, essa beleza e graça acabaram se tornando uma maldição que as destruía. Melinda só queria ser uma garota comum, alguém que pudesse viver em paz, sem sofrimentos constantes.

— Sou uma Noiva Azarada, Bia não está com medo da maldição?

— Eu não acredito nessa brincadeira. Agora, vista essa lingerie, o Sr. Allison vai chegar em breve.  Melinda pegou a lingerie sexy.

— Na verdade, o Sr. Allison é um homem bom. A senhorita só precisa obedecê-lo — , disse Bia, saindo do quarto e deixando Melinda sozinha.

— Pelo menos há alguém bom nesta casa. Você tem que ser forte, Melinda, tenho certeza de que você pode! Você não pode desistir! — Melinda se encorajou, esticando a lingerie que lhe foi dada.

— Este tecido é tão escasso — , murmurou enquanto se levantava e vestia a lingerie. Melinda subiu na cama, escondendo seu corpo sexy debaixo do lençol.

Pouco tempo depois, a porta do quarto se abriu e entrou um homem bonito, como um verdadeiro príncipe dos contos de fadas. Dos pés à cabeça, Allison era absolutamente perfeito.

Seus traços faciais eram como uma estátua de um deus grego, olhos estreitos com um azul brilhante, nariz afilado e lábios finos e avermelhados. Sua altura chegava a 190 cm, complementada por músculos fortes e rígidos. Sem mencionar sua voz profunda como o oceano. Que mulher não se sentiria atraída por sua perfeição?

Veja como Melinda engoliu saliva, sacudiu a cabeça, piscou os olhos, tentando se libertar do transe causado pela beleza de Allison.

Quanto mais perto Allison se aproximava, mais rápido batia o coração de Melinda. Allison sentou-se na beira da cama, sem desviar o olhar de Melinda, seus olhos se encontraram intensamente.

— O que... o que o senhor deseja, senhor? — Melinda segurou o lençol quando Allison tentou puxá-lo.

"Na verdade, o Sr. Allison é um homem bom. A senhorita só precisa obedecer."

As palavras de Bia fizeram Melinda soltar o lençol. Ela deixou Allison afastar o lençol para revelar seu corpo, tentando cobri-lo como conseguia com as mãos.

Allison olhou o corpo de Melinda por um bom tempo, então se levantou e jogou um pedaço de papel amassado em seu rosto.

— O que é isso, Sr. Son?

— Você sabe ler?

— Sim, senhor — Melinda começou a ler cada palavra.

— Siga todas essas regras! — Allison disse, prestes a sair.

— Espere! — interrompeu Melinda. Allison se virou.

— Esta regra aqui, Sr. Son. Está escrito que não posso sair de casa. E se eu quiser ir para a escola?

— Allison respondeu — Apenas vá à escola — . e foi embora.

— Essas regras são feitas para serem quebradas? — perguntou Melinda, sem entender.

Após entregar um pedaço de papel com as regras, Allison saiu. Melinda suspirou aliviada. Sabendo que teria que ir para a escola no dia seguinte, Melinda, mesmo relutante, ligou para seu pai usando seu antigo celular. Ela pediu para que ele enviasse sua bicicleta e uniforme escolar. Mesmo tendo que implorar, Redmir realmente enviou os pertences de sua filha. Não só a bicicleta e o uniforme escolar, mas também roupas surradas de Melinda.

No dia seguinte, Melinda estava pronta com seu uniforme, sua mochila velha e sua amada bicicleta usada, que era uma relíquia deixada por sua falecida mãe.

Não muito longe dali, exatamente dentro de um carro Lamborghini branco do último lançamento, Allison estava observando Melinda começando a subir em sua bicicleta.

— A Senhorita está indo para a escola, Senhor — , relatou o Assistente Juan, que estava sentado no banco do motorista.

— Anote quantas vezes ela viola as regras em um dia — , ordenou Allison, sorrindo de forma irônica.

— Sim, Senhor.

— Siga-a — , Allison deu outra ordem. O Assistente Juan começou a conduzir o carro atrás de Melinda, que estava pedalando sua bicicleta usada em direção à escola.

Após se certificar que Melinda entrou na escola, Allison prosseguiu sua jornada em direção à empresa.

Em um país distante, onde o Senhor Torres estava aproveitando suas férias com suas mulheres. Ele não se importava nem um pouco com Melvin, seu único filho, que estava passando por um ritual no Reino de Oesteria.

Ele usava suas viagens de negócios como desculpa para se divertir. No entanto, o Senhor Torres era conhecido por amar muito sua esposa. Ele era rotulado como um homem apaixonado que faria qualquer coisa por ela. No entanto, ele não conseguia parar seus hábitos. Quando a máscara caía, ele se transformava em uma pessoa completamente diferente.

— Ela ainda está viva?

— Sim, Senhor. E agora ela se tornou a Noiva Azarada do Príncipe Allison.

— Maldição! REDMIR PLAVIUS, COMO ousa ME ENGANAR!

Todos os objetos em cima da mesa caíram e se espalharam depois que o Senhor Torres os varreu com sua mão forte.

— De qualquer forma, essa garota precisa MORRER!

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Comments

Ale.24

Ale.24

Acho que estou entendo a história! Vamos continuar...

2023-08-15

2

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