"Ruan saiu de sua zona de conforto. Queria ver Madalena, nem que fosse para escutar seus insultos, mas precisava dela ao seu lado. Por mais que não quisesse que ela se irritasse, não deixava de ser linda. Parecia uma gata selvagem.
Por um breve momento, imaginou aquela tigresa em seu quarto, arranhando seu corpo com aquelas unhas e aquela carinha de santa, quando de santa não tem nada.
Ruan pegou suas chaves e o celular, e saiu da empresa. Assim que chegou no estacionamento, seu celular começou a tocar. Ele atendeu e foi avisado de que Madalena não estava em casa.
Ruan praguejou em italiano, enquanto chutava a lataria do seu carro para descontar todo o estresse contido. Parecia que não podia ficar sem ver Madalena. Ele precisava, necessitava vê-la.
Ele prendeu a respiração e soltou, prendeu e novamente soltou, tentando acalmar o ânimo. Pegou o celular e ligou para Madalena, mas ela não atendeu. Então digitou a mensagem na esperança de ser respondido, mas Madalena só abriu a mensagem e não retornou suas ligações e não respondeu nenhuma de suas mensagens.
Ele entrou no carro e dirigiu até a casa de Madalena, encontrando lá somente a amiga Hilary. Ruan invadiu a casa, procurando em cada cômodo, mesmo Hilary dizendo que Madalena não estava e que tinha ido embora.
Ruan passou as duas mãos na cabeça. Estava nervoso e descontrolado. Perguntou para Hilary onde Madalena poderia ter ido morar, mas a amiga não sabia de nada, porque Madalena sabia que Ruan iria atrás dela, e se Hilary soubesse para onde iria, contaria para Ruan.
Já derrotado e vendo que Hilary estava falando a verdade, Ruan saiu dali, entrou no carro e seguiu para a empresa. Serviu-se com um uísque, enquanto discava o número de um detetive particular para descobrir o paradeiro de Madalena.
Ruan estava confuso e irritado por toda essa situação, mesmo que tenha falado que não queria saber do filho, no fundo sabia que não era verdade. Queria ter Madalena e o bebê por perto.
Ruan pensava que, para ela ter fugido, talvez tenha se sentido coagida. Mas ele a procuraria e não vai parar até achá-la. Ele conversou com o detetive, e tudo ficou acertado para começar a procurar Madalena, seguindo ela pelo rastreio de seu celular. Após a ligação ter terminado, Ruan prometeu a si mesmo que, mesmo quebrando todas as promessas que fez à falecida esposa, iria trazer Madalena para sua mansão, nem que para isso a trouxesse amarrada.
Ruan passou o tempo inteiro no escritório e não conseguiu trabalhar, pois sua mente não permitia que ele se concentrasse. Estava estressado e com raiva de Madalena por ela estar fugindo dele dessa forma.
Pela vigésima vez, ligou para ela e mandou mensagem, mas seu celular estava fora de área, talvez tenha desligado para que não fosse incomodada por ele, e isso o irritava mais ainda.
Já chegada a noite, Ruan saiu da empresa, entrou no seu carro e seguiu para o conforto de sua mansão. O lugar contava com dez empregados servis, cada um desses tinha um cargo dentro da mansão que teria que fazer. Fora esses, Ruan tinha trinta seguranças à sua disposição.
Porém, o vazio sempre o rodeava. Cercado por tanta riqueza e luxo, nada daquilo o fazia feliz. O contrato no qual Ruan preparou para prender Madalena não havia funcionado. Ruan achava que Madalena poderia aceitar de primeira, já que ele é um homem rico, e ela viveria cercada pelo luxo, mas percebeu o quanto aquilo era uma coisa qualquer para ela. Madalena é diferente, ele pensou nisso.
Ruan caminhou a passos largos até o seu escritório e trancou-se dentro. Pegou mais uma garrafa de uísque no pequeno frigobar e se serviu, olhando para a lua que deixava a janela de vidro clara.
A mente de Ruan o levou para um ano atrás. Lembrava o quanto estava feliz com sua esposa e a surpresa que ela disse que faria a ele quando chegasse da empresa. Ruan mostrou um leve sorriso fraco, enquanto seus olhos brilhavam de tristeza, e os mesmos ardiam pelas lágrimas que ameaçavam cair.
A surpresa na qual a sua falecida esposa queria fazer era dizer que estava grávida, estava esperando um bebê, fruto do amor dos dois, mas nem tempo pra isso ela teve. Ruan pensou por alguns instantes e sabia que naquela época, ele seria um pai perfeito para aquela criança. Que daria amor, carinho, que a cercaria de presentes, mimos e cuidado, muito cuidado.
Mas uma vez, tomou mais um gole de sua bebida cara, e dessa vez pensou no filho de Madalena, que para ele, era apenas um ser desconhecido e estranho, já que não casou com ela e nem sequer viveram um amor épico. Foi apenas um momento, uma noite estranha, já que teria visto Diana nela.
Ruan também sabia que ele tinha a maior parte da culpa, porque foi ele quem a procurou. Nunca tinha visto Madalena na vida, mas quando a viu naquela boate, seu coração estranhamente disparou. Mas, também Madalena poderia tê-lo parado, ter rejeitado, mas não, ela o quis, tanto quanto ele a queria, por conta da droga em sua bebida.
O celular de Ruan toca no bolso da calça, ele atende:
— Alô.
— Oi Ruan.
— Madalena, onde diabos se meteu?
— Retornei sua ligação, somente pra lhe avisar que não me procure, e não venha atrás de mim. Viajei a fim de ter sossego, e você não me deu opção.
— E resolve as coisas dessa forma?
— Da minha forma sim! Você negou a paternidade desde o começo, então aqui é o fim.
— Vamos conversar, eu preciso falar com você pessoalmente. Me diga onde está?
— Não Ruan. Tchau.
Madalena encerrou a ligação, ela havia ligado de um outro número, e Ruan não pôde identificar. Seu ataque de estresse e desespero por não ter o que tanto quer, pela primeira vez, lhe deixou frustrado. Ruan não queria assumir Madalena com seu filho, mas a ideia de tê-los longe de seu alcance lhe perturbava, tanto que não podia controlar os nervos de ódio.
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Atualizado até capítulo 61
Comments
Vania Silva Rodrigues
história comovente e muito interessante
2023-04-11
31
Elza Teodoro
muito triste fazer um contrato tirar o filho sem ele ainda falou que de santa não tinha nada será tão idiota a ponto de não perceber que foi sua primeira vez
2024-11-24
0
Dulce Tavares
essa história está muito envolvente
2025-03-04
0