...Capítulo 11...
O dia amanheceu fazendo a noite parecer um sonho. Alice se acordou depois de dormir por muitas horas.
Ela se levantou, escovou os dentes e então, quando terminava de se arrumar, a porta se abriu sozinha e Duque apareceu.
Ele usava uma roupa diferente e seu cabelo não estava mais bagunçado e suado como antes. Ele exibia uma aparência ótima, a não ser pelo olhar que estava frio como sempre.
Duque: Bom dia.
Falou ele com a sua voz profunda, quando viu Alice escovando o cabelo de frente para o espelho.
Alice: bom dia...
Duque: pronta para a viagem?
Alice: agora?
Duque: agora. Não temos tempo a perder.
Alice olhou para Duque, mas logo desviou o olhar sem jeito. A noite anterior ainda estava viva na sua mente.
Duque: eu sei que ontem foi difícil para todos nós. Compreendo que esteja se sentindo mal.
Alice: não, eu estou bem. É só que... Eu não imaginava que você fosse se recuperar tão rápido.
Duque: do que está falando?
Alice: da febre que teve ontem, não lembra?
Duque ficou calado por alguns segundos olhando para longe. Ele realmente parecia não se lembrar de nada.
Duque: eu apenas lembro que tive um desmaio logo depois do ataque. Não lembro de mais nada além disso.
Alice: Então, realmente estava delirando...
Duque: quem estava delirando?
Alice viu que tinha falado demais e resolveu encerrar aquele assunto.
Alice: nada, é que depois que você desmaiou, você ficou com febre e também ficou falando umas coisas sem sentido enquanto estava dormindo, mas não é nada demais, besteira.
Duque: que tipo de coisas eu fiquei falando?
Alice: er... Eu não lembro mais. A Vena apareceu logo depois. Por falar nisso, onde está ela?
Duque: foi para o Alasca encontrar o primeiro guardião.
Alice terminou de escovar o cabelo e então, deu uma última olhada no seu visual diante do espelho, até começar a sentir um olhar forte sobre ela e quando olhou para Duque, viu ele desviando o olhar meio sem jeito para o lado.
Duque: vamos logo, está demorando demais. Não temos tempo.
Ele falou isso meio mau humorado, então, saiu pela porta. Alice saiu logo depois, o seguindo pela escada, aliviada por ele não ter perguntado mais sobre a noite anterior.
Alice: para onde vamos?
Duque: para Verona.
Alice: fica perto daqui?
Duque: um pouco.
Alice: vamos agora?
Duque: sim.
Alice: a gente vai para o aeroporto? Igual pessoas normais?
Duque: sim...
Alice: mas e se formos atacados pelos inimigos ou a polícia me encontrar?
Duque: Está fazendo perguntas demais. Ninguém vai nos encontrar, eu sei o que estou fazendo, é completamente seguro.
Alice não podia esconder sua preocupação. Aquela seria a primeira vez que sairia sozinha com Duque no mundo real, como pessoas normais.
Os dois saíram de casa e finalmente, Alice pôde ver uma rua comum novamente depois de três dias. Estacionado no meio fio, tinha um carro preto blindado esperando por eles. Duque apenas apertou o botão da chave e o carro abriu as portas sozinho. Parecia ser um carro de luxo.
Alice foi até o carro e entrou, fechando a porta. Duque se sentou no banco do motorista e deu partida, fazendo o carro andar pelas ruas italianas de pedra.
Enquanto olhava as ruas movimentadas pela janela e o corre-corre típico de uma cidade grande, Alice ficou curiosa em saber como era a vida de Duque antes de ganhar o medalhão mágico.
Alice: posso perguntar uma coisa, Duque?
Duque: já está perguntando.
Alice: é que eu só fiquei curiosa, mas, não precisa responder se não quiser.
Duque: qual a pergunta?
Alice: você já teve uma vida normal? Digo, antes de ter o medalhão, sua vida era normal?
Duque olhou para Alice pelo retrovisor, mas logo voltou seu olhar para o trânsito a sua frente.
Duque: se “vida normal” para você significa alguém sem poderes mágicos, sim, já tive. A última vez foi há dez anos atrás.
Alice: você tinha um emprego? Família? Amigos?
Duque: não, eu não tinha um emprego, nem família, nem amigos, eu não tinha ninguém. Até que o medalhão chegou e mudou tudo.
Alice: para melhor?
Duque: não diria para melhor, só tornou tudo mais complicado. A única coisa boa e útil que ele me proporcionou foi o dinheiro. Fora isso, só dores de cabeça. Carregar isso se tornou uma maldição.
Alice: como você ganhou esse medalhão?
Duque ficou calado por um momento e então, respondeu de maneira seca e fria.
Duque: não quero falar sobre isso agora. Não pergunte mais sobre o meu passado, são memórias que eu quero esquecer.
O clima ficou tenso de repente. Alice se arrependeu de ter perguntado aquilo e começou a se sentir uma intrometida. O que Duque escondia tanto sobre o seu passado?, pensou ela.
Alice: desculpe, não vou perguntar mais.
Duque: porque não fala de você?
Alice: hum? De mim?
Duque: sim, tenho interesse.
Alice: o que quer saber de mim?
Duque: Como foi parar naquele leilão, pode começar por isso.
Alice: ah, aquele leilão... Bem, depois da morte da minha mãe, eu precisei arrumar emprego rápido. Então, me inscrevi em uma vaga de recepcionista na internet e fui convidada para uma entrevista. Quando cheguei lá, não era nada do que eu achava que era...
Duque: então, você só queria um emprego.
Alice: sim, parece idiota, mas foi o que aconteceu.
Duque: não é idiota, isso podia ter acontecido com qualquer pessoa. São pessoas cruéis e sem dignidade que se aproveitam de pessoas ingênuas como você. Por isso, eu vou me vingar de cada um daqueles porcos imundos! Eu não vou morrer enquanto não fizer isso!
Duque falou da sua vingança com tanto ódio, que deixou Alice intrigada. “Porque ele fala com tanto ódio desses traficantes? Parece até que... fizeram algo com ele” pensava ela, no banco de trás do carro.
Não demorou para que o carro chegasse ao aeroporto. Logo, Duque e Alice saiam do carro e entravam para fazer o check-in.
Alice: não precisamos pegar fila?
Perguntou Alice, enquanto eles passavam direto da fila enorme do check-in.
Duque: eu reservei um voo na primeira classe, não precisa pegar fila. Sai daqui a dez minutos.
Alice ficou chocada ao saber que viajaria pela primeira vez em um voo de primeira classe. Ela só via isso em reality shows de milionários.
Alice seguiu Duque até a porta de entrada para a pista e então, caminhou até o avião com Duque seguindo na frente. Ela está a deslumbrada com a rapidez de embarque de um voo de primeira classe.
Eles entraram no avião e Alice procurou um lugar ao lado da janela.
Duque: vai se sentar aí?
Alice: sim.
Duque então, se sentou ao lado de Alice e acidentalmente, tocou na mão dela que estava sobre o apoio da poltrona. Ele rapidamente tirou a mão de cima e engoliu em seco. Alice reparou pelo canto do olho que ele apertou a mão com que a tocou várias vezes.
Duque: confortável?
Alice apenas sorriu e confirmou com um “uhum”. Ela então, olhou para a janela e nesse momento, o avião começou a decolar. Como nunca viajado de avião antes, Alice ficou nervosa e agarrou no braço de Duque por impulso.
Ela fechou os olhos com força, enquanto Duque olhava para sua mão pequena segurando seu braço musculoso com força.
Alice: o que está acontecendo!?
Duque: é só a decolagem, não precisa ficar nervosa.
Quando o avião se estabilizou, Alice enfim, se acalmou e largou o braço de Duque. Ele olhou para ela e então, abaixou a cabeça rindo. Alice notou que Duque estava rindo e se surpreendeu.
Alice: do que está rindo?
Duque: nunca tinha encontrado alguém como você em um voo de avião, só isso.
Alice arrumou o cabelo com certa vergonha. Ela não imaginava que fosse pagar mico logo na primeira viagem.
Alice: essa é a primeira vez que eu viajo de avião, acho que devia ter treinado antes...
Duque: não se preocupe, ninguém viu isso além de mim.
Alice olhou para Duque e começou a rir de si mesma. Duque também olhou para ela e por algum motivo, seu olhar estava mais leve que o habitual, até que ele sorriu também, fazendo Alice ficar corada e virar seu olhar para a janela. Aquela seria uma viagem inesquecível.
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Atualizado até capítulo 12
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