Jantar

...Capítulo 7...

 

Depois do pequeno acidente na gruta, Alice resolveu deixar Duque sozinho e foi ver o seu quarto no andar de cima. Mas, logo, a noite caiu e chegou a hora do jantar.

Alice estava faminta e então, desceu a gigantesca escada em busca de Duque. Ela foi até o esconderijo mas não o encontrou, nem na biblioteca, ou na sala de jantar, ele não estava em lugar nenhum.

Até que ela resolveu ir até a cozinha e para sua surpresa, ele estava lá, de frente para o fogão.

Alice ficou surpreendida ao vê-lo ali, pois não imaginava que ele soubesse cozinhar.

Alice: nossa, não imaginava que estivesse aqui... tá fazendo o que?

Alice se sentiu imediatamente idiota por ter perguntado isso.

Duque: macarrão com queijo. Minha única especialidade.

Alice se aproximou do balcão, ficando ao lado de Duque.  

Alice: está com um cheiro muito bom.

Duque: gentileza sua, todo mundo sabe fazer isso.

Alice: eu não sei.

Respondeu Alice, sincera. Duque olhou rapidamente para ela, então, um leve sorriso brotou no canto dos seus lábios.

Duque: esse é um dos pratos mais fáceis que existem no planeta, acredite.

Duque adicionou uma colher de tempero na panela e continuou refogando o macarrão, até adicionar o queijo por cima. Depois, mexeu tudo por alguns segundos e desligou o fogo. Ele parecia acostumado a fazer aquilo.

Duque: pronto. Macarrão com queijo finalizado. Está com fome?

Alice: faminta!

Duque: então, pode se servir.

Duque pegou um prato para ele e colocou uma porção de macarrão com queijo. Depois, abriu a geladeira, pegou uma garrafa de vinho tinto e encheu uma taça de vidro pela metade.

Alice fez a mesma coisa e se sentou de frente para ele. Mas, quando deu um gole no seu copo de vinho, quase se engasgou.

Duque: tudo bem?

Alice: é que eu nunca bebi vinho... acho que estranhei o gosto...

Respondeu ela, com vergonha.

Duque: não precisa beber vinho se não quiser.

Alice: não, eu quero beber.

Alice então, bebeu mais dois goles e dessa vez, ficou bem. Ela parecia mais confiante depois de ter feito isso.  Duque olhou para ela, com um olhar indecifrável, enquanto bebia a sua taça de vinho.

Alice: eu sei que você deve gostar de cozinhar, mas não acha que seria mais rápido fazer esse jantar com magia?

Duque: depois daquele ataque, eu preciso evitar usar magia por pelo menos durante alguns dias. Se eu usasse magia agora, provavelmente ia atrair algumas criaturas indesejáveis.  

Alice: entendi.

Duque: viver uma vida normal é o mais prudente a se fazer agora.

Nesse momento, Alice se lembrou do seu irmão, Breno e logo, ficou com saudades de casa.

Alice: Duque, eu... Eu sei que você não pode usar magia agora, mas... Eu quero saber quando vou poder voltar para casa.

Duque comeu em silêncio por alguns segundos, antes de responder.

Duque: eu já disse. Isso não é possível agora.

Alice: eu sei, mas é que eu estou com saudades de casa e do meu irmão, Breno. Acho que ele deve estar muito preocupado comigo agora. Talvez até a polícia deva estar me procurando.

Duque: justamente por isso ainda não pode voltar. A polícia só ia atrapalhar a minha vingança.

Alice: mas se a polícia se empenhar em prender eles, isso já não é o bastante?

Nesse momento, Duque perdeu a paciência e bateu a mão na mesa com força. Seus olhos estavam furiosos.

Duque: não! Não é o bastante!

Alice tomou um susto com aquela reação repentina de Duque. Ele parecia fora de si, como uma fera.

Após isso, ele desviou o olhar de Alice e se levantou da mesa, dando um último gole na taça de vinho. Então, saiu da cozinha sem dizer mais nada.

“O que deu nele?” pensou Alice, assustada. Ela apenas olhou para o resto de macarrão com queijo no seu prato, sem reação.

Duque saiu da cozinha, furioso, caminhando apressado até o jardim. Ele estava sentindo uma raiva fora do comum e no fundo, sabia que tinha exagerado com Alice, mas ele também sabia o que tinha provocado aquilo: o medalhão.

Quando chegou no jardim, tirou o medalhão de dentro da camisa e olhou para a jóia, que já carregava há dez anos.

Ela estava mais preta do que verde, indicando que as trevas estavam tomando conta do seu coração a cada dia.

Ele tinha que ser rápido, se não quisesse perder a humanidade para sempre e se tornar um monstro das trevas. Porém, quanto mais tempo passava, mais amargo e frio ele se tornava e isso dificultava ainda mais a sua salvação. Quem se apaixonaria por alguém assim?

Duque respirou um pouco do ar do jardim e já ia voltar para dentro, quando sentiu a presença de mais alguém ali. Logo, ficou em posição de ataque, olhando ao redor.

Duque: quem está aí? Apareça!

Uma risada feminina pôde ser ouvida ecoando pelo jardim.

Voz feminina: assustado a essa hora, Duque?

Duque não demorou para reconhecer aquela voz. Era ela, só podia ser.

Após dizer isso, a figura de uma bela e sedutora mulher apareceu detrás de uma árvore. Ela usava um vestido vermelho brilhante com um decote que revelava seus seios fartos e tinha longos cabelos dourados até a cintura. Seu rosto era perfeito e natural e todo o seu corpo inspirava sensualidade. Ela era o tipo de mulher que poderia atrair a atenção de qualquer homem.

Duque: o que faz aqui, Vena?

Vena: vim fazer uma visitinha, colocar o papo em dia, relembrar os velhos tempos, essas coisas.

Ela se aproximou de Duque como se estivesse desfilando até ele e o olhando de forma sedutora. Duque levou uma mão até os cabelos e desviou o olhar dela.

Duque: se você pensa que vai me seduzir de novo com esse seu medalhão, está enganada. Eu tenho um medalhão também agora, sou imune a esse tipo de magia.

Vena: haha, quem disse que eu venho aqui para isso? Mas, se quiser matar a saudade, eu aceito. Também fiquei com muita saudade desse seu corpo delicioso durante o tempo que fiquei fora.

Duque: achei que tivesse morrido durante aquele ataque.

Vena: é, eu também achei que ia morrer, mas aqui estou. Mais bela do que nunca e com sede de muitas coisas.

Vena ficou há apenas poucos centímetros de Duque e acariciou seu peito com uma das mãos. Então, com a outra mão, segurou sua nuca e sussurrou no seu ouvido.

Vena: porque não nos divertimos um pouco e esquecemos um pouco toda essa guerra?

Nesse minuto, Alice chegou na porta do jardim e viu aquela mulher agarrando Duque. Alice ficou sem reação. Seu coração começou a acelerar como nunca antes e ela sentiu uma mistura de sentimentos inexplicáveis.

Duque se virou para trás e quando viu Alice parada na entrada, se afastou de Vena, como se tivesse sido acordado de um transe, enquanto Vena olhava para Alice de forma intimidadora.

Vena: vejo que já está acompanhado, Duque.

Duque: Vena, essa é a...

Duque ia apresentar Vena a Alice, mas antes que ele pudesse continuar, Alice correu para dentro, como se estivesse fugindo deles.

Vena: uau, o que ela tem?

Perguntou Vena, com um ar de deboche.

Duque ficou intrigado com aquela reação de Alice. Mas, logo se lembrou da maneira como tinha falado com ela no jantar e começou a sentir um pouco de culpa.

Duque: Eu vou ver ela.

Alice subiu as escadas correndo até o seu quarto. Nem ela mesma sabia direito porque estava agindo assim, mas sabia que aquela cena que tinha acabado de ver, havia a magoado profundamente. Como Duque podia ter um encontro com uma mulher naquele momento? "Ele está se comportando como um verdadeiro cafajeste!" pensou ela.

Quando entrou no quarto, fechou a porta e então, não conseguiu mais controlar as lágrimas e começou a chorar em silêncio, na cama. Talvez fosse a pressão, talvez fosse por estar longe de casa ou por outra coisa que Alice ainda não tinha conhecimento, mas a verdade era que ela nao estava bem. “Será que estou sentindo algo por Duque?” pensou ela, preocupada.

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Comments

Tamires Campos

Tamires Campos

será, não, vc tá apaixonada pelo duque.

2023-01-07

0

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