Salvação

...Capítulo 3...

 

O anfitrião do leilão olhou surpreso para a mala aberta no chão. Até os outros traficantes olharam abismados, afinal, tinha muito dinheiro ali.

Anfitrião: quem é você?

Cliente misterioso: apenas um homem querendo adquirir uma boa mercadoria.  

Alice continuava no chão, machucada e cobrindo o corpo com o pouco de tecido que havia restado do vestido.

O anfitrião então, olhou para os outros clientes que estavam observando tudo em silêncio.  

Anfitrião: esse cavalheiro aqui, meus senhores, acaba de oferecer 1 milhão de dólares pela mexicana rebelde! Alguém da mais?

Ninguém respondeu, apenas um silêncio esmagador tomava conta da sala.  

Anfitriao: ninguém da mais? Dole uma! Dole duas! Dole três! E as apostas estão encerradas! A mexicana vai para o cavalheiro aqui na minha frente! Qual o seu nome, senhor?  

Nesse momento, o cliente misterioso se aproximou de Alice e a envolveu em sua capa preta.

Anfitrião: senhor? Senhor, não pode se aproximar dela, enquanto não disser seu nome!

Porém, o homem misterioso não deu ouvidos e quando os outros traficantes estavam prontos para ataca-lo, ele apenas levantou a mão e estalou os dedos no ar.

Alice mantinha os olhos fechados, temendo o que ia acontecer. Ate que começou a sentir uma atmosfera diferente ao seu redor. Quando abriu os olhos tomou um susto.  

Ela não estava mais naquela sala mal iluminada, em cima daquele palco e sim, no meio de um lindo campo florido, no meio da natureza, debaixo de um sol radiante.  

Os passarinhos cantavam e o vento era refrescante. As flores eram lindas e a grama era verde vivido. Alice olhava para tudo aquilo confusa. Uma mistura de sentimentos tomavam conta dela naquele momento e ela não sabia se estava feliz ou assustada.  

“Onde eu estou?”, pensava ela, enquanto caminhava lentamente por entre as flores. Foi só nesse momento que percebeu que a capa preta daquele homem misterioso ainda estava por cima dos seus ombros.

Então, ao olhar para a frente, Alice viu uma magnífica e imponente mansão bem ali, no meio do campo. Era uma mansão branca, de três andares, com muitas janelas, colunas ao estilo tradicional e rodeada por arbustos floridos.  

Alice: isso não parece real...  

Falou Alice para si mesma sem acreditar no que estava vendo. Havia algo mágico naquele lugar, algo que ela nunca tinha visto antes.

 

Foi nessa hora que aquele homem apareceu na varanda da mansão. Ele estava sem a capa, mas ainda usava o chapéu preto e vestia uma camisa branca com suspensório e uma calça preta.

Seu corpo era grande e esbelto, dava para ver seus músculos por baixo da camisa e seu rosto tinha um belo maxilar. Ele era alto, tinha ombros largos e suas mãos eram grandes e fortes. Apesar de toda a aparência imponente, ele parecia jovem, não devia ter mais de trinta anos.  

Assim que apareceu na varanda, ele viu Alice parada em frente a mansão, mas pareceu não se importar. Ele apenas se sentou em uma cadeira de balanço, acendeu um charuto e abaixou o chapéu contra o rosto, de forma despreocupada.  

Alice se aproximou da varanda. Ela o observava com curiosidade, mesmo ainda abalada com a violência que tinha sofrido.

Alice: quem é você?  

O homem levantou um pouco o chapéu para observar Alice melhor, mas logo voltou a olhar para o campo. Alice se surpreendeu com a beleza misteriosa do seu rosto. Ele tinha olhos e sobrancelhas negras, que passavam uma aura forte e enigmática.

Homem misterioso: você não precisa saber quem eu sou. Eu libertei você, devia estar feliz e me agradecer por isso.

Alice: eu estou feliz por ter saído daquele inferno, mas não sei se devo confiar em você... Não sei como se chama e nem sei como me trouxe para esse lugar...

Homem misterioso: eu me chamo Duque. Esse é o meu nome, se quer saber.

Alice: Duque, como me trouxe até aqui? Que lugar é esse?

Duque deu uma tragada no charuto e soltou o ar. Então, se encostou mais na cadeira e fechou os olhos.

Alice: não vai me responder? Há um minuto atrás eu estava sendo leiloada dentro daquela sala, agora estou aqui nesse lugar... Nesse lugar... lindo.

Duque: todos dizem isso...

Alice: todos?

Duque: você não é a primeira que vem aqui. 

Duque abriu os olhos e encarou Alice, que desviou o olhar sem jeito.

Duque: você tem um machucado na testa. Me siga.  

Ele se levantou da cadeira e entrou pela porta da mansão. Alice o seguiu e quando entrou, se assustou de novo.  

A mansão não era uma mansão e sim, uma simples cabana de madeira por dentro. Todos os móveis eram de madeira e tinha uma lareira, igual uma típica casinha do interior.  

Alice: o que? Onde estamos?

Duque: na minha casa.

Alice: mas, como isso é possível? Ela não era maior?  

Nesse momento, uma idosa de cabelos brancos apareceu dos fundos da cabana. Ela usava um uniforme de empregada e olhou para Alice, curiosa.

Duque: essa é a Sra. Izabel, a governanta da minha casa. Ela vai cuidar dos seus ferimentos e dar roupas novas para você.

Sra. Izabel: posso perguntar quem é essa mocinha, Sr. Duque?

Duque: apenas mais alguém que salvei das mãos daqueles porcos malditos. Ela estava em apuros e eu a trouxe para cá.

Sra. Izabel: mais uma? Oh, que triste situação! Como os homens podem ser tão cruéis?

A Sra. Izabel se aproximou de Alice e a observou de perto.

Sra. Izabel: pobrezinha, está machucada. Venha comigo, vou cuidar de você apropriadamente.

A Sra. Izabel puxou Alice pela mão e a levou até os fundos da cabana. Ela tinha só a metade do tamanho de Alice, mas exalava uma agitação maior que seu tamanho.

Alice olhou para trás, mas Duque apenas permaneceu parado no meio da sala, olhando para Alice.

A Sra. Izabel entrou no que parecia ser o banheiro da cabana e tirou a capa preta de cima de Alice, a jogando no chão.  

Alice: essa capa foi o Duque que me deu.

Sra. Izabel: ah, foi? Não tem problema. Ele tem várias iguais a essa.

Alice: porque?

Sra. Izabel: é um dos segredos dele, não me pergunte pois não sei e nem tenho interesse em saber.

Alice: porque essa casa parece ser uma mansão por fora?  

A Sra. Izabel deu uma risadinha, ao ouvir isso. 

Sra. Izabel: acho que devia perguntar isso para ele, pois eu também não sei.

A Sra. Izabel foi até um armário e tirou de dentro uma toalha branca. Ela envolveu o corpo nu de Alice com a toalha e então, começou a tratar dos ferimentos dela.  

Alice: a senhora sabe quem é ele?

Sra. Izabel: como assim?

Alice: ora, a senhora sabe do que estou falando. Ele não parece humano...

Sra. Izabel: eu entendo o que está sentindo, mas não se preocupe, ele é um bom homem.

Alice: eu estava no meio de todos aqueles traficantes, caída no chão, então ele apenas se aproximou de mim, me envolveu com a sua capa e quando abri os olhos estava aqui!

Sra. Izabel: ah, isso? Isso também é um dos segredos dele. Ele também me salvou quando eu estava prestes a morrer e desde esse dia, eu vivo aqui e nunca fui tão feliz.  

Alice parou por alguns segundos, mais confusa do que nunca.

Alice: eu não entendo... Ele é algum tipo de mágico? Como uma pessoa vai de um lugar para o outro como em um passe de mágica?

Sra. Izabel: as vezes, nós precisamos de um pouco de mágica para escapar dos problemas, não acha? Ele é como um herói, um herói muito estranho e misterioso, mas é isso que ele faz, salva pessoas.

Depois de alguns minutos, a idosa terminou de fazer o curativo no ferimento de Alice e então, preparou o banho dela na banheira.

Sra. Izabel: pronto, pode tomar banho. Vou preparar uma refeição para você, deve estar com fome, não é?

Alice: ah, sim, muito obrigada.

Sra. Izabel apenas sorriu e então, saiu fechando a porta. Quando se viu sozinha, Alice entrou na banheira e então, afundou sua cabeça na água, na esperança de que tudo aquilo fosse um sonho.

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Comments

Tamires Campos

Tamires Campos

gosto de uma história com mistérios e suspense, mais também gosto da Alice com o Duque. Ela não vai ser só mais uma q ele salvou,mais também quero saber se é milionário, traficante,mágico ou o q seja,mais quero saber.

2023-01-04

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