...Capitulo 6...
Alice fechou os olhos com força, enquanto Duque a envolvia dentro de seus braços. Cinco segundos depois, Duque falou com a sua voz profunda.
Duque: pode abrir os olhos, já chegamos.
Alice abriu os olhos e então, viu que não estava mais na floresta e sim, dentro de uma luxuosa mansão. Duque tirou a capa de cima dela e se afastou, enquanto Alice olhava deslumbrada ao redor. Aquele lugar parecia um palácio.
Alice: onde estamos?
Duque: em um lugar seguro.
Alice estava sem acreditar no que tinha acontecido. Aquela era a segunda vez que Duque a salvava e fazia tudo ao redor desaparecer.
Duque: é melhor você descansar, os quartos ficam no andar de cima...
Alice: não, eu não quero descansar! Eu quero saber de tudo, eu quero saber da verdade!
Duque: não tem nada para você saber, eu vou manda-la pra casa em breve e você nunca mais vai me ver novamente.
Duque falou aquilo de forma tão fria e dura, que assustou Alice.
Alice: mas...
Duque: nem mais uma palavra, quero ficar sozinho.
Duque deu as costas para ela e começou a caminhar até o outro cômodo, quando Alice falou com uma voz embargada.
Alice: a Sra. Izabel, ela... Ela morreu!
Duque parou de andar quando Alice falou aquilo e ficou imóvel no meio do caminho, de costas para ela.
Alice: ela não conseguiu fugir e caiu em um buraco! Eu não consegui salva-la! Eu vi ela morrer sem poder fazer nada!
Alice começou a chorar, desesperada, sem coragem para encarar Duque. Ela estava muito abalada. Duque se virou e ao ver Alice chorando, seu olhar ficou distante.
Duque: eu já sabia disso.
Alice olhou para ele, com os olhos cheios de lágrimas.
Alice: e essa é sua reação? Você não liga para a morte dela?
Duque: certos sacrifícios são necessários para alcançar objetivos. É melhor você aprender isso a partir de agora.
Alice não estava entendendo como aquele homem podia ficar indiferente diante da morte de uma senhora que o considerava como filho. Para Alice, aquilo foi a gota d’agua.
Alice: engraçado... você age como se não se importasse com ninguém, mas porque me salvou daquele leilão? Porque se importou comigo!? Porque me tirou daquele lugar e salvou a minha vida, ao invés de só ter me deixado morrer lá!? É porque você não se importa comigo!?
Alice gritou essas palavras na frente de Duque, com toda a raiva que possuía, enquanto as lágrimas caiam sobre seu rosto.
Duque parecia sem palavras. Há muito tempo, alguém não falava daquele jeito com ele e isso o deixou sem reação.
“Droga! Acho que ele me odeia agora!”, pensou Alice, evitando olhar para Duque. Ela achava que ele ia expulsa-la dali imediatamente, mas a reação dele a surpreendeu.
Ao invés de sair, Duque se aproximou de Alice, ficando há apenas poucos centímetros da garota. Então, ele levantou o rosto de Alice pelo queixo e a olhou sério.
Duque: eu achava que você seria apenas mais alguém que eu ia salvar, mas pelo visto, eu estava enganado. Você é diferente. E eu não sei se isso é bom ou ruim...
Duque parecia hesitante, como se estivesse lutando contra um sentimento interno. Até que tirou a mão do queixo de Alice, meio sem jeito. Alice ficou impressionada em ouvir Duque falando de forma tão sincera, mas ainda não era o bastante.
Alice: você não está triste pela morte da Sra. Izabel?
Duque desviou o olhar, antes de responder.
Duque: Ela era a minha mãe.
Alice: o que!? M-mas ela não me falou que era a sua mãe!
Duque: porque ela não sabia. Ela perdeu a memória no momento em que eu a trouxe de volta a vida. Esse é o preço por ressuscitar alguém através do medalhão...
Alice ficou chocada ao escutar aquilo. Mas, logo se lembrou do que a Sra. Izabel tinha falado antes de morrer e tudo fez sentido.
Alice: então tudo aquilo que ela falou era verdade... O medalhão que você carrega é mágico, ele que te dá poder e faz todas essas coisas acontecerem...
Duque: o que mais ela falou?
Alice: mais nada. Ela ia falar outra coisa, mas... Não conseguiu.
Duque colocou as mãos dentro do bolso da calça e ficou pensativo.
Duque: ela não se lembrava de nada, mas cuidava de mim como se fosse seu filho. Esse foi um dos maiores erros da minha vida: reverter sua morte. Na verdade, estou aliviado por ela ter morrido agora, pois sua presença me torturava todos os dias.
Alice: eu não imagino ver minha mãe todos os dias e não poder dizer a ela que eu sou sua filha. Deve ter sido muito triste para você.
Duque: sim.
Um silêncio estranho surgiu entre os dois, até que Duque olhou para Alice.
Duque: me siga.
Ele guiou Alice até uma sala ao lado da escada. Era uma sala de trabalho muito chique, cheia de estantes de livros e objetos de ouro. Ele fechou a porta e então, foi até uma estante e empurrou ela, revelando uma passagem secreta.
Alice o seguiu e entrou na passagem secreta, que por dentro, parecia o corredor de uma caverna. A estante se fechou assim que os dois passaram, deixando tudo escuro.
Alice: isso é um esconderijo secreto?
Duque: uma gruta que construí para me proteger das energias das trevas.
Alice: ela parece um pouco... Assustadora.
Duque: você já viu lugares mais assustadores que esse.
Quando o corredor acabou, Alice viu uma sala iluminada por um lustre no teto. As paredes eram feitas de madeira e o chão era de pedra, mas era coberto por tapetes felpudos. No centro, tinha uma mesa de escritório, cheia de coisas. Também tinha vários retratos de pessoas normais que pareciam próximas de Duque. O ambiente era bem aconchegante e elegante, apesar de ser uma gruta.
Alice: gostei da decoração.
Duque: já faz um ano que eu não venho aqui, deve estar tudo empoeirado.
Alice: porque você não veio mais aqui?
Duque: como eu disse, esse é um lugar para me proteger das energias das trevas. Eu só venho aqui quando alguém está me perseguindo.
Alice: e tem alguém o perseguindo?
Duque: infelizmente, sim.
Alice: quem?
Duque: apenas um maldito sem importância que devo matar.
Alice se aproximou dos retratos das pessoas e começou a observar as fotos. No entanto, uma foto em especial chamou sua atenção. Era uma mulher com vestido de bolinhas, segurando um menininho na praia. Ela parecia muito feliz, assim como a criança.
Alice: quem são?
Perguntou Alice para Duque.
Duque: eu e minha mãe.
Alice: oh, sinto muito. Acho que estou sendo...
Duque: não peça desculpas. Eu já superei isso.
Alice: mas é que...
Nesse momento, Alice se virou rápido e sem querer derrubou um dos retratos no chão, quebrando o vidro em pedaços.
Alice: meu deus, como eu sou desastrada...
Duque se aproximou de Alice e viu o retrato caído no chão.
Alice: não se preocupe, eu posso arrumar.
Rapidamente, Alice se abaixou para arrumar o estrago, mas acabou cortando o dedo com um caco de vidro.
Alice: ai, meu dedo!
O sangue começou a cair do dedo de Alice, parecia um corte profundo.
Duque: menina boba.
Duque se abaixou e pegou na mão de Alice, com força. Então, com a outra mão ele tocou no dedo machucado de Alice, fazendo o sangue desaparecer, até ficar como era antes. Alice olhou para aquilo, admirada.
Duque: está se sentindo melhor?
Alice: sim, obrigada.
Duque: é melhor ter cuidado da próxima vez.
Duque segurou a mão de Alice por mais alguns segundos, até que os seus olhos encontraram com os dela, fazendo a garota ficar vermelha. Então, ele soltou a sua mão e se levantou do chão, sem dizer nada.
Alice podia estar imaginando coisas, mas ela achou que Duque segurou sua mão mais do que o necessário naquele momento. Sua mão era quente e grande, mas Alice procurou tirar esses pensamentos da cabeça. Afinal, era óbvio que Duque não sentia nada por ela. Pelo menos era isso que ela achava...
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Atualizado até capítulo 12
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