...Por Virgínia ...
Estava no último banco do avião olhando alguns contratos, percebo que desde que embarcamos, há 12 horas atrás não ouvi a Virgínia, ela disse que não me queria perto dela, então a deixei, pergunto a aeromoça se ela jantou e ela me diz que não, me recordo que desde quando abordei Virgínia não a vi se alimentar, vou ver como ela está e levar algo para ela.
- Virgínia, Virgínia! Virgínia, acorde por favor.
Ela não responde, então a toco e falo mais perto, percebo que ela está gelada, pálida, a sua respiração parece profunda demais, a chamo novamente e ouço-a responder entre sussurros:
-Me deixa em paz.
- Virgínia, para de ser teimosa, olha pra mim por favor, o que você tem?
Perguntei angustiado, pois percebo que de fato ela não está bem. Ela está tremendo de frio, peço a aeromoça alguns lençóis, enrolo ela e inclino a sua poltrona, sento-me ao lado dela...
- O meu corpo dói, estou com falta de ar, o que está acontecendo?
- Fica calma, assim que aterrissarmos você terá o melhor médico de Casablanca te esperando.
-Médico?
Ela fala me olhando, cada vez mais pálida, vejo ela lutando para ficar acordada, e seus olhos se fechando novamente. Não entendo, ela estava bem, o que será que houve com ela? Não a tirei da casa dos seus pais para deixa-la assim, agora sou inteiramente responsável pelo seu bem estar. Peço para que Said contacte o melhor médico de Casablanca para nos esperar assim que pousarmos, peço para falar com ele e ele me passa algumas instruções por telefone, ainda temos algumas horas até pousarmos e Sâmia também espera por mim.
Mesmo tentando aquece-la, ela ainda parece tremer de frio, seguindo as ordens do doutor Versani, Tiro minha camisa e deito perto dela, a trazendo para mim para aquece-la mais rápido, dei um analgésico forte que tinha na maleta de primeiros socorros e mesmo sonolenta consegui fazer com que bebesse a água de coco e sucos.
Estou deitado com ela, sinto o seu cheiro, o seu cabelo tem um perfume incrível, a sua pele é tão macia quanto me recordava, ela é linda, ela desperta algo bom em mim, me transmite paz mesmo com o seu jeito turrão de ser, a abraço mais forte, beijo a sua testa, a percebo se aconchegar nos meus braços.
- Por quê você fez isso comigo? Eu estava gostando de você e você faz isso. Virgínia fala ainda com a voz fraca, ela parece estar delirando.
-Você vai entender e espero que me perdoe um dia.
Ela responde mas percebo que já não está consciente novamente, vejo que ela já respira um pouco melhor, está um pouco mais corada, confesso que também estou exausto, desde que saí do Marrocos não tive tempo para descansar, a abraço mais forte e acabo pegando no sono agarrado a ela.
-Me solta seu aproveitador, me larga, sai daqui. Ouço a voz da Virgínia, gritando e me dando tapas.
-Virgínia, você está melhor?
-Não te interessa, não te chamei para vir aqui e muito menos nessas condições-ela fala atirando minha camisa em mim- Sai daqui!
Não sei o que aconteceu, nem porquê ela está tão nervosa, mas percebo que estamos pousando, e ela não pode chegar no Marrocos falando comigo dessa forma, ela pode morrer por isso.
-Escuta aqui garota-falo segurando seu braço para que ela pare com essa crise de histeria- Agora eu sou o seu marido, e você me deve respeito, nunca mais, eu disse nunca mais ouse levantar a voz para mim dessa forma. Você entendeu?
Não gosto de ser grosso com as pessoas, mas preciso me impor, Virgínia agora deverá entender que não está mais no Brasil, que não pode mais fazer o que bem quer e falar com as pessoas dessa forma, isso pode custar a minha honra aqui e principalmente a vida dela.
Ela se solta das minhas mãos e revira os olhos claramente chateada, talvez eu esteja vendo algumas lágrimas. Não gostaria de agir assim, mas como digo, as causas se sobrepõem. Me sento no meu lugar enquanto o pouso é concluído, peço que Virgínia coloque o véu, o menor que achei para que pudesse a cobrir e não a incomodasse tanto, e novamente ela reluta.
-Eu não vou usar essa porcaria, isso não estava no contrato!
Ela pega o lenço e joga no piso do avião. Mas que caramba de menina teimosa!
-Você vai usar sim, na minha casa todas as mulheres usam. Principalmente as casadas.
-Eu não vou, você não manda em mim.
-Você vai e pronto.
-Eu não vou, ela fala pisando no lenço.
Eu estou sem tempo, minha irmã me espera escondida num porão, os anciãos estão pressionando meus pais, preciso interceder pela minha família, eu já cansei de perder tempo com essa garota mimada. Novamente seguro no braço de Virgínia para que ela me olhe, e digo:
- Pegue isso do chão e coloque agora. Já chega!
-Eu já disse que você não manda em mim- Ela fala com os olhos cerrados, negros, enraivecidos.
-Eu já disse que eu mando, e você vai fazer o que mandar-Falo gritando.
-Sabe de uma, para mim já chega, chega dessa palhaçada. Eu quero ir pra casa agora!
Sinto meu telefone vibrar, é uma mensagem da minha mãe, paro e leio o que diz "Filho, acharam Sâmia, corra!".
Meu coração acelera, olho e vejo Virgínia se debatendo tal qual uma criança de 5 anos, isso aqui já passou dos limites, preciso controla-lá e ir para casa antes que seja tarde demais. Puxo minha arma do coldre e infelizmente preciso detê-la. Encosto a arma na sua costela e digo:
-A partir de agora você vai calar a sua boca, colocar essa porcaria desse lenço na cabeça e vai me respeitar e fazer o que eu mandar, ou te mando de volta pra casa num caixão usando esse lenço, você entendeu bem? Eu fui claro?
Ela para, estarrecida, com os olhos espantados, está assustada, vejo medo no seu olhar e isso me parte o coração. Ela coloca o lenço e desce comigo, então digo a ela:
-Bem-vinda a Marrocos!
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Atualizado até capítulo 92
Comments
não só de comentar só no final,mais não me aguentei garota mimada.
2024-04-10
4
Viviane S
Ela ter que passar por isso e ainda aguentar sogros horríveis, ninguém merece
2023-11-29
2
Andreia Debiagi
ele é um idiota
2023-11-29
0