Capítulo 5

O Novo Dia

Acordo com os barulhos vindo da porta. Maldito seja esse infectado, não consegui dormir muito bem por causa dele. Pelo menos tem um lado bom nisso, tenho John aqui comigo do meu lado. Passo a mão em seus cabelos, ele ainda está dormindo.

Fico alguns segundos olhando para o seu rosto dormente, e algumas memórias da infância me vem em mente. Época em que a gente brincava no quintal da minha casa na Coreia.

A gente era inseparável naquela época... Até o dia em que eles tiveram que voltar para o Brasil. Foram os piores meses que passei na minha vida, sem a companhia de John. Não tinha muitos amigos, apenas minha família e John.

Até o dia em que a sede da empresa do meu pai teve que ser transferida para outro país, e esse país era o Brasil, onde me reencontrei com John, fizemos o ensino médio e a faculdade nas mesmas instituições. Não voltamos a nos separar, e espero que isso não aconteça novamente.

John começa acordar espreguiçando seus braços e pernas. Passa a mão no seu cabelo e se levanta. Ele então olha para mim — que ainda estou deitada.

— Como foi sua noite? — Pergunta John com voz de sono.

— Foi boa, mas esse barulho vindo do subterrâneo que é foda. — Levanta do sofá.

— Tem razão, o barulho está maior. Acho que os outros militares mortos também voltaram a vida.

— Quero nem imaginar. Saí andando até a cozinha. — Vou fazer o café.

Enquanto Sohui está na cozinha fico pensando em como vamos sair daqui sem chamar atenção dos infectados na rua.

Nessa hora a marca do arranhão no pescoço do militar me veio a mente. Será que foi um infectado que entrou no laboratório? E fez os arranhões?... Então quer dizer que...

— Está tudo bem John?

— Ah, sim, estou. — Responde olhando para Sohui que está segurando um prato com pão e café.

— É que você estava parado encarando fixamente a parede por alguns segundos, comecei a ficar preocupada. Aqui, pegue.

— E você?

— Comi enquanto fazia. Agora vou pegar as mochilas para por o que vamos levar. Já sabe onde vamos antes de ir para sua casa?

Agora que Sohui disse me lembro que não temos muito suprimentos, inclusive a água... — Sohui!

— Sim?

— Você usou a água da torneira para fazer o café!? — Diz John preocupado enquanto coloca o café em cima do sofá.

— Não. Eu uso a água de uma jarra que fica na geladeira, onde é filtrada. Por que?

— Por um momento pensei que tivesse pegado da torneira. Não é bom a gente usar água sem ser potável. Pode estar infectada com o vírus.

Sohui fica pensativa por alguns segundos. Percebo isso quando ela range as sobrancelhas. — Tem razão, como não pensei nisso? Sou uma idiota mesmo.

— Relaxa, você não usou a da torneira, só tome cuidado na próxima vez. Sobre como vamos sair daqui eu ainda não sei.

— Deixa eu ir pega as mochilas primeiro. Ela vai até a entrada e pega as mochilas que estão encostadas na parede. E trás elas.

Me pergunto se vai caber muita coisa nessas mochilas de escola que cabe apenas alguns livros e um notebook.

— Vou levar minhas roupas.

— Pega uma roupa de frio. Não tem muito espaço nessas mochilas. Vamos tentar levar apenas o básico.

— E para onde vamos? Direto para sua casa?

— Vamos passar em um pequeno mercado antes da gente ir. Na minha casa não tem tanta comida para suportar essa quantidade de pessoas.

— Eu sei, vou pegar apenas algumas roupas, e elas vão ficar em uma mochila separada.

— Tem outra mochila?

— Sim! Vou colocar as roupas nela. E a comida na outra. Vamos sair agora? Quero tomar banho e trocar de roupa antes de sair.

— Sim, vai lá.

Ainda não contei para Sohui sobre a pistola que peguei. Vou deixar quieto para não deixar ela preocupada. Enquanto isso vou ver o que posso pegar para levar comigo.

1 hora depois.

Terminei de arrumar minhas coisas na mochila, como John disse peguei duas blusas de frio. Não que eu me importe de passar frio novamente...

Algumas roupas íntimas e mais duas peças de roupa é o suficiente. Antes de sair do quarto reparo uma foto minha com John quando éramos crianças na estante. Dou meia volta e pego a foto, guardando na mochila.

Com nada mais para guardar desço até a sala onde está John sentado no sofá arrumando os cadarços do tênis. Ele tinha colocado outra camisa, provavelmente a da academia, podia perceber seus músculos e curvas.

Me aproximo e sento ao lado dele. Ele então olha para mim. — Está pronta?

— Sim. Vamos sair agora? — Pergunta Sohui curiosa.

— Só deixa eu pegar a chave do carro e vamos sair. Enquanto isso vai até a janela ver como está lá fora. — Sohui vai correndo até a próxima janela. Não tem nenhum infectado.

— Ótimo, vamos sair.

Assim que Sohui abre a porta vamos correndo até o carro, sem que nenhum infectado apareça. Entrando no carro levanto os vidros até o máximo, por sorte meu carro tem insufilm.

— Conseguimos! — Diz Sohui.

— Agora começa a parte mais difícil. Coloca as mochilas no banco de trás. — Sohui pega as mochilas.

Ligo o carro e damos início a nossa ida até o mercado. No meio do trajeto percebemos a bagunça que está pela cidade. Carros abandonados, lojas com a fachada totalmente destruída, corpos de pessoas mortas no chão. Um verdadeiro inferno.

— Esse mercado fica muito longe?

— Não, fica apenas um quilômetro de distância da sua casa. Ai quando sairmos dele vai ser mais 3 quilômetros para chegar na minha casa.

— Ainda bem que não é muito longe. — Diz Sohui olhando pela janela.

Não tinha nenhum sinal de infectado por onde passamos, onde será que eles foram? Chegando na rua do mercado encontramos um empecilho.

Uma fileira de carros abandonados na rua que impedia a gente de atravessar. — Vamos ter que descer do carro Sohui.

— Vai deixar aqui mesmo?

— Não temos outra opção. Vamos ter que descer por aqui mesmo e ir andando até o mercado.

— Tá, vou pegar as mochilas. Ela passa a mochila para John. E descem do carro logo em seguida.

Sohui vai para perto de John, e ambos caminham pela calçada até o mercado. De longe a gente podia ver que a entrada está aberta. E que podia ter infectados.

— Vamos devagar. — Diz John.

Chegando na entrada a gente olha para ver o que tinha lá dentro, e o lugar está uma bagunça completa, com prateleiras e produtos no chão. E nenhum sinal de infectado por perto.

— Tá limpo.

A gente entra tomando cuidado para não fazer nenhum barulho que chame atenção. Sohui me pergunta o que é para pegarmos.

— As latinhas de comida e água.

— Posso pegar miojo? Ou melhor, cup noodles?

— De preferência nenhum deles.

— Não seja malvado John! Deixa eu pegar! — Pede Sohui fazendo bico.

— Pegue o que quiser. Não vou te impedir.

Sohui fica animada e vai correndo até a gandula de massas, me deixando para trás. Deixa eu ver... Onde é que fica os enlatados mesmo?

Se não me engano fica perto do setor de carnes e do hortifruti, espero não estar enganado. Vou caminhando até o setor mas sem tirar os olhos de Sohui que ainda está no meu campo de visão.

Para minha surpresa a comida enlatada estava realmente no setor de carnes. Me aproximo já abrindo a mochila.

Enquanto coloco as latas na mochila bem próximo dos refrigeradores, quando escuto alguém se aproximando, e não era Sohui.

Minha reação de imediato é largar a mochila junto com as latas, e retiro a pistola que está na minha cintura e me viro para trás.

Quando me viro vejo que não era um infectado. A pessoa que estava fazendo o barulho e se aproximou era Pedro, nosso amigo.

(...)

— John você está bem? — Pergunta Sohui preocupada com as mãos em meu rosto.

— Sim estou... Por que?

— É que você estava se mexendo muito enquanto dormia, e está encharcado de suor.

— Ah sobre isso, é que não tive um sonho muito bom. E que calor é esse? — Se levanta com as costas doendo por ter dormido no chão.

— Já amanheceu. E os infectados diminuiriam, vamos sair agora?

— Sim, vamos. Mas antes quero lavar meu rosto e comer alguma coisa, estou morrendo de fome.

— Vou ver o que encontro na mochila para a gente comer. — Diz Sohui vasculhando a mochila. Enquanto isso vou até o banheiro lavar meu rosto.

Espero não sonhar com aquilo novamente, é muito desagradável ter que lembrar dos infectados devorando o Pedro...

Merda!

Merda!

Merda!

Se eu tivesse a coragem de ter parado e pegado a pistola... Podia ter salvado ele. Droga! — acerto um soco no espelho que se quebra, e acaba cortando de leve minha mão.

O sangue vai escorrendo junto com a água pela torneira até que Sohui aparece. — Que barulho foi esse John? — ela para na porta e olha para o espelho quebrado junto com minha mão sangrando.

— Está ficando doido John? — Pega no braço dele. Olha só esse corte! Vem aqui, vou fazer um curativo nisso.

Sohui faz o curativo na minha mão enquanto escuto o som da água escorrendo — a torneira tinha ficado aberta. Fico observando ela fazendo o curativo em mim, e o quanto ela se preocupa comigo.

— Terminei!

— Obrigado.

— Não faça isso de novo! Você podia ter se cortado seriamente. Agora vamos comer para sairmos logo daqui.

— Prometo que não vou fazer isso novamente.

Depois que a gente tomou o café da manhã — salsicha enlatada com suco de laranja em pó. Pegamos nossa mochila e nos preparamos para sair da casa.

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