No dia seguinte, como de costume, Gabriel passou com Laura para buscar os amigos. Gabriel raramente desce do carro quando chega na porta da escola, apenas para o carro e abre o vidro da janela para se despedir, mas hoje, após ver quem estava lá, fez diferente.
— O que ele faz aqui? — Gabriel, se referindo a Théo, que conversava com Gui na porta da escola.
— Provavelmente, veio trazer o Gui. Eles não se desgrudam mais. — Noah, dando de ombros.
— Vamos descer, mas se comporta Alice.— Nina, falando baixo, só para que Alice escutasse.
Todos desceram, inclusive Gabriel, que achou melhor esperar fora, encostado no carro, até que todos estivessem dentro da escola.
Matheus estava parado no portão de entrada, como se esperasse por alguém. E ao ver Nina saindo do carro, sorriu satisfeito, como se encontrasse o que procurava.
Todos acenaram para Gabriel se despedindo, menos Alice, que, de surpresa, entrelaçou suas mãos no pescoço dele, e lhe deu um beijo demorado no canto da boca, mas quem os via de longe, teria certeza que se tratava de um casal de namorados se despedindo.
— Alice, o que é isso? — Sussurra Gabriel com a voz trêmula.
— Não é nada! — Sussurrando de volta, ao soltar Gabriel e andar até a porta da escola sem olhar para os lados, ou seja, sem olhar para Théo.
Ao ver a cena, Théo parou de ouvir Gui, que tagarela sobre várias coisas. Sentiu batidas aceleradas em seu peito e serrou seus punhos.
Nina, que já estava próximo à porta da escola, ao ver a cena, ficou estática. Sentiu uma pontada no peito, como se tivesse sido golpeada com um punhal. E se lembrou que os dois passaram um tempo considerável sozinhos no quarto de Alice no dia anterior, e que deve ter sido nesse momento que tudo mudou entre eles.
— Nina, você está bem?
Ficou pálida... — Sendo tirada de seu transe por Matheus, que como olhava para Nina, viu a cena de Alice e Gabriel.
— Estou, vamos entrar. — Nina, respirando fundo e caminhando para dentro da escola com Matheus, Noah e Laura.
Gui veio logo atrás e Marina já estava dentro da escola, aguardando na porta da sala das primas para lhes dar um abraço antes de voltar para sua sala.
— Que carinha é essa Nina? — Marina, abrindo os braços para um abraço, como faz quase todos os dias.
Nina abraçou forte sua e prima e se segurou para não derramar lágrimas com a pergunta.
Saindo do abraço, ouviu o burburinho das colegas de turma em volta de Alice, queriam saber tudo que estava "rolando" entre ela e Gabriel, já que presenciaram a cena minutos antes.
— O que eu perdi? Do que elas estão falando? — Questiona Marina, confusa.
— Mais tarde conversamos, eu preciso entrar agora. — Nina, Visivelmente abalada, não queria ouvir a resposta que Alice daria as meninas.
Gabriel voltou para o carro sem entender o jeito como Alice se despediu. Permaneceu alguns minutos dentro do carro, tentando organizar seus pensamentos antes de sair de lá, e até esqueceu da presença de Théo, que o encarava do outro lado da calçada.
Alice só queria dar o troco em Théo, pelo jeito que a esnobou no dia anterior, e nem pensou nas consequências. Nem passa por sua cabeça que afetou Nina e muito menos, que deixou Gabriel confuso. Ela nem desconfia dos sentimentos da irmã por Gabriel, e nem que Gabriel possa ter algum sentimento por ela.
Antes que o professor entrasse na sala, Matheus sentou-se na cadeira a frente da mesa de Nina, para lhe falar algo rapidamente.
— Trouxe para você, espero que goste! — Lhe entregando uma caixa de bombons finos com um laço de fita cor de rosa.
— Matheus, mas... por quê? Não precisava. — Nina ficou surpresa com a atitude de Matheus e, ao mesmo tempo, teve medo dele está confundindo as coisas.
— É só um agradecimento pelo dia de ontem, você foi muito gentil. — Fazendo Nina mudar de expressão, lhe dando um breve sorriso.
— Pelo menos te fez sorrir, já ganhei o meu dia! — Matheus, com um largo sorriso, voltando para sua mesa.
Nina guardou a caixa na mochila rapidamente, antes que alguém percebesse e falasse alguma gracinha. Tudo que ela menos queria naquele momento, era de tornar o centro das atenções.
Já no fim da aula, Nina decidiu não voltar para casa com os irmãos. Precisava de um tempo, então foi para a casa da prima, Marina.
Foi em silêncio pelo caminho, e como Marina conhecia muito bem a prima, respeitou seu momento, ficando quieta e a disposição para quando ela quisesse falar.
Os pais de Marina estavam trabalhando, então, ficariam a vontade para conversar. Victoria se tornou a responsável pela empresa do pai e do padrinho, após a aposentadoria deles e só chegava em casa a noite.
Marina passava a maior parte do tempo na casa da avó Michele, quando não estava com a turma na casa de Nina, é claro.
Deitadas no tapete da sala tempo suficiente, Marina resolveu quebrar o silêncio.
— Se abre Nina, o que está te deixando triste assim?
Nina virou a cabeça para o lado onde a prima estava e encontrou o seu olhar e começou a falar.
— Você sempre esteve certa, eu nunca quis admitir nem para mim mesma, mas eu gosto do Gabriel muito mais do que eu deveria.
— E todo esse sofrimento é por isso?
— Não, eu já estava decidida a esquecê-lo, sei que ele gosta da Alice. Mas ver os dois na porta da escola hoje... me feriu de um jeito que eu não esperava.
— O que aconteceu na porta da escola?
— Eles se beijaram.
— O quê? A Alice e o Gabriel beijando na porta da escola?
Desculpe prima, mas isso não me parece real. Você tem certeza?
— Mari, não me faça relembrar a cena pela milésima vez.
— É que não consigo imaginar a Alice com o Gabriel, ela não parece gostar dele, não dessa forma.
— Isso é o que mais dói, eu sei que ela não gosta. Mas ele gosta dela, e vai se machucar, sabemos como a Alice é. Quando ela enjoar, vai largá-lo e ele vai sofrer.
— Nina, não sofra por ele. Ele também conhece bem a Alice, e se mesmo assim ele quer se arriscar, o problema é dele, ele é adulto.
— Eu sei, sou uma boba de me preocupar com ele, mas é mais forte que eu.
— E eu achando que vocês eram perfeitos um para o outro.
— Opostos se atraem, e foi o que aconteceu. Nina, com os olhos pesados de lágrimas
Continua...
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Atualizado até capítulo 108
Comments
Dora Branco
Que dó! Com raiva da Alice!!
2024-05-17
3
Yone Ferreira
Que garota inconsequente
2024-02-23
5
F Valeria Feliciano
uma mãe tão sensata e centrada como a Sara, teve uma filha como Alice totalmente sem freio ou limites?!!
2024-01-26
0