Tento me controlar, afinal, não tem mais o que fazer. Infelizmente perdi a oportunidade de sair das garras do Matheus, fui uma imbecil! Tenho medo de Matheus e acabo fazendo o que ele manda e as vezes ainda sou inocente quando penso que ele pode ser alguém com boa intenção em relação a mim...
Fico pensando nos sinais que ele estava dando desde hoje no café da manhã, a forma que ele ficou me olhando... De alguma forma ele descobriu que eu estava esperando o Gabriel me tirar daqui, mas como?
A primeira coisa que me passa pela cabeça é falar com o Gabriel e explicar tudo para ele, principalmente, pedir desculpas por ter estragado os planos dele.
Se Matheus sabia do plano, deve estar nos vigiando de alguma maneira, e agora não sei mais como falar com o Gabriel sem ser monitorada pelo psicopata do meu marido. Como eu fui me casar com uma pessoa assim?! Deve ter me conquistado usando o charme e suas mentiras, como ele faz.
Aquela é minha chance de sair de casa e pedir o telefone de alguém na rua. Tenho que aproveitar que minha mãe está dormindo e o Matheus foi embora... Pego meu casaco e vou para o quintal, ali procuro o lado da cerca que tenha alguma tábua que esteja solta e eu consiga passar, depois de ficar um bom tempo empurrando cada tábua, encontro uma no cantinho que está levantando e fazendo uma saída perfeita para mim. Me sentindo uma criança em fuga, me ajoelho e vou aos poucos me empurrando pela passagem para chegar no outro lado da cerca, quando consigo passar, vou bem devagar andando pelo quintal da minha vizinha até chegar na calçada. Começo a fingir ser apenas uma mulher que está andando pela rua e vou andando até chegar em um prédio empresarial que fica há 3 quadras da minha casa, entro no prédio e vejo a recepcionista fazendo as unhas e mastigando um chiclete.
-Lia- Boa noite! Desculpa incomodar... Preciso fazer um telefonema. Perdi minha bolsa com a carteira e tenho que ligar para alguém vim me buscar. Se importaria de me emprestar seu celular ou telefone da recepção? (Faz uma cara de meiga para ganhar a confiança da recepcionista).
A recepcionista fica me olhando e continua mastigando o chiclete com a boca aberta e fazendo a sua unha. Ela fica ali olhando para mim sem nenhuma expressão e sem dizer nada. Olho para a plaquinha que tem seu nome, suspiro e tento novamente.
-Lia- Por favor, Kátia. Esse é seu nome, certo? (Aponta para a plaquinha que está na blusa da recepcionista)
-Kátia- Sim, é meu nome. (Suspira). Quer que eu chame o hospício?
-Lia- O que?!
-Kátia- Você deve ser mais uma maluca que saiu do hospital, né isso?
-Lia- Não mesmo! Eu estou em pleno juízo e consciência de tudo. Não sou maluca, apenas preciso que me empreste o telefone.
-Kátia- Essa horada noite? Vai me falar que perdeu sua bolsa essa hora da noite?
-Lia- Não sabia que tinha horário para perder bolsa, mas tudo bem, desculpe lhe incomodar e tenha uma ótima noite. (Se vira para sair do prédio).
-Kátia- Tudo bem, maluquinha! Eu empresto o telefone, o resto é problema seu... (Pega o telefone fixo da recepção e coloca no balcão perto de Lia).
Contente, me viro o mais rápido e pego o telefone para ligar para Gabriel.
-Lia- Alô?
-Gabriel- Boa noite, com quem eu falo?
-Lia- Sou eu Gabriel! Me perdoa, o Matheus chegou lá em casa e me levou para passar o dia fora, se eu soubesse que era hoje...
-Gabriel- Lia?! Meu Deus! Eu fiquei preocupado, não sabia o que tinha acontecido com você... Como como conseguiu ligar para mim? Que número é esse?
-Lia- Uma longa história que não posso contar agora.
-Gabriel- Certo. Ele descobriu então, de alguma forma ele soube... Vou passar por aí amanhã bem cedo antes que ele invente de viajar com você. Se arrume e prepare uma mala pequena. Ás 3 horas da manhã vou te esperar no quintal, no mesmo local da última vez.
-Lia- Entendi! Vou ficar no se aguardo. Tome cuidado, boa noite. (Desliga o telefone e sorri para a recepcionista).
-Lia- Muito obrigada, Kátia. Tenha uma ótima noite.
-Kátia- Por nada, maluquinha. Boa sorte viu! (Continua mastigando e mexendo nas unhas).
Acelero os passos para chegar em casa e começar a arrumar minha mala, nem acredito que finalmente as coisas vão dar certo e irei sair daqui. Vou andando tão animada que não percebo que alguém está me seguindo, perdida em meus pensamentos, não escuto os passos logo atrás de mim.
De repente, quando entro em uma rua escura e vazia, sinto uma mão no meu ombro me puxando para trás, grito o mais alto que posso, mas a pessoa tampa minha boca com a mão e pede silêncio.
Quando paro de gritar, a pessoa vai tirando a mão da minha boca aos poucos me viro e vejo aquela mulher que estava no hospital gritando com o Matheus.
-Lia- Você?! (Fica assustada olhando para ela).
-Mulher- Olá Lia! Finalmente consegui me aproximar de você.
Ela Percebe que estou com frio e me dá suas luvas.
-Mulher- Venha, vamos entrar no meu carro, preciso conversar com você.
Mesmo sem saber quem é ela, acompanho ela até seu carro curiosa para saber mais sobre essa mulher que além de ter coragem de enfrentar o Matheus, está em um flash de memória que eu tive há um tempinho.
Depois de andar um pouco até chegar em seu carro, entro e começo a me esquentar. Ela liga o carro e o aquecedor e me dá uma barra pequena de chocolate.
-Mulher- Tome, chocolate sempre ajuda.
Pego o chocolate e desconfiada, começo a devorar a barrinha.
-Mulher- Você sabe quem eu sou?
-Lia- Não, mas sei que já conhecia você antes do acidente, você é familiar para mim.
-Mulher- Me chamo Joana, sou detetive. Antes do seu acidente, você me procurou pois estava desconfiando de que seu marido tinha algo de errado. Acabou que fiz amizade com você, fiquei muito preocupada com sua recuperação, de Matheus fazer alguma coisa com você, principalmente você indefesa sem suas memórias.
-Lia- Eu agradeço a preocupação. Eu vi você fazendo um escândalo lá no hospital, queria ter falado com você, mas sabe como Matheus é...
-Joana- Eu sei, não precisa de explicar, aqui quem precisa de apoio e ajuda é você. Pelo visto, nem tanto, você conseguiu fugir de casa agora pela noite... (Começa a sorrir)
-Lia- Eu vou fugir com o Dr. Gabriel amanhã.
-Joana- Seu médico?
-Lia- Sim, ele está me ajudando muito.
-Joana- Entendi... (Fala sorrindo, tendo a certeza de que eles dois estão desenvolvendo sentimentos um pelo outro). Bom, pegue meu número e me mande notícias assim que estiver segura com o Dr. Só quero ajudar. Cuidado Lia, seu marido é muito perigoso, fuja com o Gabriel e depois entre em contato comigo para que eu possa explicar a vocês dois quem realmente Matheus De La Vega é!
-Lia- Assim você me assusta.
-Joana- Ele não é alguém que brinca, Lia. Tome cuidado.
Engulo seco e fico com os olhos arregalados olhando para ela.
-Joana- Vou te levar até uma rua antes da sua casa. Ok?
-Lia- Certo. Obrigada, Joana.
Joana sorri com o canto da boca e liga o carro, naquele momento, me sinto em um filme de terror. Começo a me sentir mais nervosa com essa fuga e com o que ela descobriu sobre o Mtheus.
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Atualizado até capítulo 28
Comments
Jacimara Santos
!poxa será que ela nunca vai lembrar de nada sobre a vida dela antes do acidente?
2022-12-14
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