Capítulo 5

Depois de uns 40 minutos escondida ali, penso em pegar um metrô até alguma delegacia. Saio do banheiro devagar e procurando se por ali por perto tem alguém que trabalhe para o Matheus, vou em direção ao trilho do metrô para ficar perto quando ele chegar. Parada ali, fico pensando se estou fazendo a coisa certa, se o que eu vi não foi apenas algo da minha cabeça, fico tão confusa com essa história toda... De repente vejo um rapaz correndo em minha direção, parece estar fugindo de alguém, tento encontrar quem seria a pessoa que ele está tentando fugir e vejo dois policiais. Quando ele passa por mim sinto um impacto na minha cadeira e me vejo caindo bem ali nos trilhos.

Quando acordo percebo que estou de volta ao quarto do hospital, olho para o meu lado e vejo o Matheus dormindo em uma cadeira, aperto o botão para chamar a enfermeira e imediatamente ela chega ao quarto.

-ENFERMEIRA- Como posso ajudar sra. De La Vega? Sente alguma dor?

-LIA- Como eu cheguei aqui?

-ENFERMEIRA- Bom, a polícia trouxe a sra. e logo em seguida o seu marido chegou.

-LIA- Entendi, obrigada. Você pode me dar algum remédio para dor por favor, meu corpo todo está muito dolorido...

-ENFERMEIRA- Sem problema.

Enquanto a enfermeira me dá o medicamento minha mãe e a Sofia chegam afobadas para me ver.

-SANDRA- Meu Deus! O que aconteceu dessa vez Lia?!

-LIA- Não se preocupa mãe, eu já sofri acidente pior e estou aqui, não é? Pelo menos dessa vez não bati a cabeça novamente. Hahaha

-SANDRA- Pare de rir criatura! Não ver que estamos preocupadas? Quando penso que está começando a se recuperar daquele pesadelo, recebo a ligação de Matheus falando que você sofreu outro acidente no metrô. O que foi fazer lá? Achei que vocês fossem ficar jantando em casa noite passada.

Por causa dos berros da minha mãe, Matheus acaba acordando e a chance que eu tinha de conversar com elas duas sem ele ouvir se vai. Agora tenho que planejar alguma coisa para enrolar o Matheus e ficar a sós com elas e falar do que eu lembrei na noite anterior e perguntar se elas realmente confiam nele, ou se todas nós estamos erradas.

-MATHEUS- Pois é dona Sandra, estávamos no apartamento sim, mas Lia quis passear um pouco já que ficou trancada aqui no hospital por tanto tempo... Resolvemos andar de metrô, mas pelo visto estava tendo uma perseguição policial e enquanto fui atender uma ligação, o ladrão passou e empurrou a cadeira de Lia para os trilhos.

-SANDRA- Meu Deus! (Coloca as mãos no rosto espantada com o que acabou de ouvir)

No exato segundo que ele começa a falar fico encarando-o, tentando desvendar o motivo dele ter mentido dessa forma para elas, olho para Sofia na esperança de que ela veja que eu preciso conversar com ela, mas na hora o Dr. Gabriel chega e pede para que todos saiam dali. Ele me cumprimenta e me ajuda a sentar na cama, começa a colocar uma luz nos meus olhos e o vejo como uma salvação naquele instante.

-LIA- Dr. O sr. teria como fazer um favor para mim?

-Dr. GABRIEL- Claro, pode falar, se eu puder ajudar...

-LIA- Eu queria saber se tem como o sr. fazer com que Matheus vá embora. Não sei, inventa alguma coisa pra fazê-lo voltar para casa.

-DR. GABRIEL- Aconteceu alguma coisa sra. Lia? Pode me contar.

Na minha cabeça fica passando várias coisas, se falo para ele ou se escondo e falo só para minha mãe e Sofia, mas também me lembro da visão que eu tive e seria ótimo tirar essa dúvida com ele, se realmente foi uma lembrança ou se foi algo da minha cabeça, mesmo tendo certeza de que foi uma lembrança. Mas agora que minhas memórias começaram a voltar, não seria bom meu médico saber?

-Dr. Gabriel- Lia? O que aconteceu? Você pode conversar comigo.

-LIA- Ok Dr., é que na noite passada acho que tive uma lembrança do acidente, mas o que eu vi não foi nada legal.

-Dr. GABRIEL- Imagino que não, mas isso é normal e é ótimo saber que suas memórias começaram a voltar. Irei marcar uns exames para você...

-LIA- Não Dr.! Me escuta! Meu marido não pode saber que eu lembrei disso...

Então me arrisco e conto tudo para ele, da visão que eu tive e dos momentos da minha fuga, conto que ele mentiu para Sofia e minha mãe bem ali na minha frente e que agora estou com medo e assustada sem saber as verdadeiras intenções dele. Também conto da moça negra e bonita que vi sentada em um restaurante de comida japonesa, e o Dr. Fica ali sentado com os olhos arregalados só absorvendo tudo o que digo.

-LIA- Por favor Dr., não fale para ele o que eu lhe disse, o sr. disse que poderia me ajudar e estou aqui na sua frente me expondo e pedindo sua ajuda. Realmente não sei o que pensar, muito menos o que fazer. Se a causa desse acidente foi minha briga com meu marido, quero descobrir o que houve para que a gente chegasse ao ponto de gritar um com o outro daquele jeito, eu tenho que me lembrar o que ele me falou no carro antes de capotar com o carro, e descobrir o que ele tanto esconde de mim. E se ele for alguém perigoso? Eu não me lembro de nada e mal consigo ficar em pé por alguns minutos... Não sei se terei sorte da próxima vez.

O Dr. Gabriel concorda balançando a cabeça e suspira, imagino que ele também não saiba o que fazer.

-Dr. GABRIEL- Olha Lia, eu não quero te assustar, mas, desde quando você chegou aqui desacordada por causa do acidente de carro, eu e alguns enfermeiros, percebemos que o seu marido é muito próximo dessa sua amiga, eles as vezes ficavam conversando pelos cantos e as vezes se alteravam um com o outro, tentavam disfarçar, mas... (suspira)

-LIA- Com a Sofia? Ontem quando ela estava me arrumando, comentou sobre brigas de casal, isso não saiu da minha cabeça... Talvez ela saiba de algo, mas não entendo! Por que ela iria esconder algo de mim Dr.?! Somos amigas desde que me entendo por gente. Nossas mães eram amigas desde a escola, então crescemos juntas.

-Dr. GABRIEL- Desculpa Lia, não queria te falar isso... Mas talvez você não possa mais contar as coisas para Sofia, pelo menos até a recuperação total da sua memória. Isso tudo é muito estranho. E é óbvio que vou fazer alguma coisa para que ninguém tenha autorização para te tirar daqui, vou conversar com eles e falar que o melhor é você permanecer aqui por enquanto, vão concordar, até porque todos nós levamos um susto com esse seu último acidente...

-LIA- Muito obrigada Dr.! Não sei como te agradecer.

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