Capítulo 4

Chegando no endereço, antes do Albuquerque entrar com o carro na garagem, dou uma olhada rápida no prédio que seria onde eu estava vivendo com meu marido. É um prédio enorme com a entrada toda de vidro e com alguns seguranças vestidos de terno preto andando em frente ao prédio, cada um com rádio na mão para poderem se comunicar, Albuquerque para o carro na entrada da garagem e ao lado do carro tinha um tipo de monitor onde você coloca a digital para abrir o portão da garagem, nós entramos e ele me ajuda a sair do carro e me leva até o elevador.

-ALBUQUERQUE- Sra. Lia, esse elevador é por digital, a sra. coloca sua digital nessa coisinha com essa luz vermelha e o elevador já sobe para o andar certo.

Tento não rir com essa explicação da ‘’coisinha com a luz vermelha’’ por respeitar o rapaz, não quero que ele fique se sentindo constrangido com isso.

-LIA- Muito obrigada por me trazer até aqui e por me ajudar a sair do carro. Desculpa ter que te incomodar mais Albuquerque, mas acredito que não vou me lembrar do número do apartamento.

-ALBUQUERQUE- Não sra., o elevador já é a porta também, só tem um apartamento por andar aqui nesse prédio, já que a sra. é a dona do apartamento também não precisa pedir autorização e eu já mandei mensagem para o sr. Matheus avisando que já chegamos.

-LIA- Entendi. Então só tenho que me despedir e agradecer a você pela sua atenção comigo hoje. (Com um sorriso meigo, Lia acena dando tchau para o Albuquerque).

Chegando no andar, quando o elevador abre as portas deparo com Matheus me esperando, todo arrumado com uma roupa social e com um sorriso enorme no rosto. Ele me tira do elevador e beija minha mão.

-MATHEUS- Você está belíssima hoje. Como foi com o Albuquerque?

-LIA- Obrigada. Ele é muito gentil, teve muita paciência comigo, tive um pouco de dificuldade para conseguir entrar no carro.

-MATHEUS- Que bom, ainda bem que ele te ajudou direitinho.

Entrando no apartamento, fico sem acreditar com o tamanho dele, era praticamente todo de vidro, se chegasse pertinho da janela teria a sensação de estar caindo. O apartamento era lindo em cada detalhe, as flores, o sofá, as decorações... Tudo maravilhoso, as cores eram em tons claros, era tudo muito chic e caro naquele lugar.

Matheus me leva para a varanda, que não era diferente do resto do apartamento, gigantesco. A varanda estava com muitas flores e uma mesa com lugar para duas pessoas bem ali no meio, só estava eu, Matheus e um garçom todo arrumado e parado feito uma estátua no cantinho para não atrapalhar.

-MATHEUS- O que você achou?

-LIA- Tudo perfeitamente lindo.

Matheus da um sorriso satisfeito com o que ouviu e então se senta à mesa, ele faz um sinal para o garçom para começar a servir o jantar.

-MATHEUS- Pedi para servirem algum prato com camarão hoje, sei que você adora...

-LIA- Verdade, adoro, e faz uns 3 meses que não como camarão.

-MATHEUS- Na verdade Lia, faz mais tempo, faz 6 meses. Pois na noite do acidente estávamos voltando do restaurante e o jantar tinha sido camarão também.

-LIA- Aaah! É que minha memória é de quando eu estava comemorando minha formatura... É como se eu tivesse viajado no tempo. Minhas lembranças são apenas dessa fase da minha vida. E na festa da minha formatura foram servidos frutos do mar.

Matheus acena com a cabeça de que entendeu e o garçom nos serve. No decorrer do jantar só falamos um pouco, ele me perguntando como está sendo enfrentar minha recuperação e se estou recebendo muitas visitas. Depois de comermos ele me leva para dentro do apartamento e me ajuda a sentar no sofá, ali sentados juntinhos, ele me serve uma taça de vinho e pega um álbum de fotos.

-MATHEUS- Olha, separei algumas fotos de nossas viagens e do nosso casamento.

Ficamos olhando as fotos e ele fala um pouco sobre cada uma e os momentos que vivemos no local da fotografia. Então eu pego coragem para perguntar mais sobre o acidente que me fez ficar assim e sem memórias dos últimos anos.

-LIA- Matheus, posso te fazer uma pergunta?

-MATHEUS- Claro que sim! O que quiser. Vai me perguntar sobre esse meu cabelo estranho, não é? Kkkk (Aponta para uma fotografia antiga dele).

-LIA- Bom chute, mas você errou haha. Lá na varanda você comentou que estávamos voltando de um jantar quando aconteceu o acidente, significa que estava comigo lá?

Fica visível a mudança de semblante no rosto dele, ele da um gole grande de vinho e deixa a taça na mesa de centro.

-MATHEUS- Estava sim. Eu e você fomos comemorar um ótimo negócio que eu consegui fechar na minha empresa, quando estávamos voltando um caminhão tomou minha frente, eu desviei, mas nosso carro capotou algumas vezes. Na hora que eu acordei ainda estávamos presos no carro e eu te vi desacordada, foi um dos piores momentos da minha vida, achei que tinha te perdido para sempre. Graças a um milagre minha esposa não partiu, mas infelizmente aconteceu isso contigo.

Percebo que ele fica desconfortável com esse assunto e começo logo a perguntar mais sobre nossas viagens para o clima não ficar pesado.

Depois de tomar algumas taças de vinho pergunto para ele onde é o banheiro, ele me coloca na cadeira de rodas e me leva até a porta do banheiro que seria do nosso quarto.

-MATHEUS- Aqui está senhorita (Fala brincando).

-LIA- Obrigada hehe.

Quando entro no banheiro fico meio tonta, me seguro firme para não cair, mas umas visões ficam vindo na minha cabeça, como se fossem flashs de memórias, vejo como cenas partidas. Nas visões eu me vejo sentada no acento do passageiro no carro, e Matheus dirigindo com uma cara como se estivesse muito zangado, eu falo para ele ir mais devagar e ele acelera o carro, eu começo a chorar e a segurar a mão dele que está no volante, querendo impedi-lo de correr tanto na estrada mas com medo de causar um acidente, então vejo que ele se vira para mim e começa a gritar e a falar coisas que não lembro, e então, o caminhão buzina e Matheus puxa o carro para um lado fazendo nosso carro capotar.

Quando as memórias param, minha cabeça começa a doer e fico chorando no banheiro, fico relembrando a memória que veio para mim e tentando entender o motivo pelo qual aquela briga aconteceu, me assustei em ver o Matheus tão irritado comigo, todo mundo fala que no nosso casamento era tudo tão perfeito, não consigo entender... Logo penso no que Sofia comentou sobre brigas de casal. Será que ela sabe de alguma coisa?

Por causa da minha demora no banheiro Matheus bate na porta e me pergunta se estou bem, tento disfarçar minha voz e falo que sim. Na mesma hora eu só penso em como sair dali, só quero voltar para minha casa! Começo a ficar ofegante e com medo, se ninguém realmente sabe o que aconteceu no meu acidente, talvez meu marido não seja o que todos pensam, e a única coisa que tento descobrir agora é de como vou sair dali. Me lembro do celular que Sofia colocou na minha bolsa, mas deixei na sala.

-LIA- Matheus! Poderia pegar minha bolsa por favor?

-MATHEUS- O que aconteceu? Abra para mim! (Fala através da porta)

-LIA- Não precisa se preocupar, só quero retocar minha maquiagem.

Matheus pega minha bolsa e deixa na maçaneta. Imediatamente abro a porta devagar, pego a bolsa e procuro o celular, tento ligar para Sofia várias vezes, mas ela não atende, quando vou ligar para minha mãe o celular fica sem sinal e sem internet.

-MATHEUS- Lia! Por que está demorando tanto?

-LIA- Já vou sair.

Quando respondo, a maçaneta da porta começa a mexer, como se alguém estivesse tentando abrir, começam a tentar arrombar a porta quando a porta se abre, está Albuquerque e Matheus.

-MATHEUS- O que aconteceu?

-LIA- Meus Deus Matheus! Não posso usar o banheiro?

-MATHEUS- Sim, mas estava demorando muito, você pode acabar caindo sozinha no banheiro além disso, eu já te vi tomando banho muitas vezes, não precisa se esconder principalmente você estando nesse estado.

Ele me pega nos braços e me leva para a cama.

-MATHEUS- Hoje você dorme aqui.

-LIA- Não precisa disso, quero voltar para o meu quarto do hospital mesmo, aqui eu não me lembro de nada e já me acostumei em dormir lá.

Falo rezando para que ele acredite nisso e mude de ideia, tento agir com naturalidade para que ele não perceba que eu recuperei algumas lembranças que me fazem sentir medo dele agora.

-MATHEUS- Não tem conversa Lia, nós bebemos e não iria te deixar dormir sozinha assim lá no hospital.

-LIA- Matheus, eu nunca fico sozinha lá... Toda vez que passo mal assim chamo a enfermeira.

-MATHEUS- ‘’Passando mal assim’’? O que está sentindo?

-LIA- Deve ser por causa do álcool, não se preocupe.

Matheus me dá as costas e me deixa sozinha na cama do nosso quarto. Aproveito que ele sai, desço da cama e me arrasto até a cadeira de rodas, pego meu celular e coloco debaixo de uma das minhas pernas, saio do quarto o mais rápido possível na cadeira de rodas, quando chego na porta do quarto olho para o corredor para saber se vem alguém, aproveito a chance que não vejo ninguém e vou em direção ao elevador, chegando no elevador vejo que ele está no térreo e esse apartamento fica no último andar, da um frio na barriga e sinto medo de que Matheus me veja aqui antes do elevador chegar, fico apertando constantemente o botão do elevador como se isso fosse fazer com que ele chegasse mais rápido.

-MATHEUS- Lia? Liaaaa!!

Meu coração acelera e minha respiração fica ofegante, me tremendo, olho em direção ao corredor e do nada o elevador chega, jogo o peso do meu corpo para frente, fazendo com que a cadeira de rodas entre depressa no elevador, lá dentro aperto para descer, enquanto estou descendo fico tentando ligar para alguém, mas meu celular ainda está sem sinal. Saindo do elevador quase chorando fico sem saber para onde vou, a primeira coisa que me passa pela cabeça é achar uma delegacia, mas tenho que sair do prédio de uma forma com que todos aqueles seguranças não me vejam. Vou até o carrinho de compras do prédio e o empurro em direção a porta de vidro que seria acesso do hall do prédio para a garagem, quando o vidro da porta se quebra todo o alarme da garagem começa a tocar, imediatamente vou pelo acesso dos funcionários até a saída. Chego à saída e vejo que os seguranças entraram para ver o que aconteceu para o alarme ser acionado, respiro fundo e com toda a força que tenho nos braços vou fazendo a cadeira de rodas andar o mais rápido pela calçada de pedras, procuro um posto de gasolina para pedir ajuda, mas não vejo nenhum por perto. Quando percebo que já estou longe o suficiente para descansar um pouco, vejo a estação de metrô entro lá e fico escondida no banheiro da estação tentando descansar um pouco.

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