Capítulo 6

Depois de conseguir desabafar com alguém me sinto mais tranquila e segura, o Dr. Gabriel realmente me passou segurança quando falou que iria me ajudar.

-DR. GABRIEL - Então Lia, vou ter que ver meus outros pacientes, mas antes de ir vou falar com seu marido e sua mãe. Não se preocupe, vou conversar com eles para você não sair mais daqui, ok?

-LIA- Certo Dr. Não sei como lhe agradecer, espero não estar lhe envolvendo em algo que irá lhe prejudicar.

-DR. GABRIEL- Não veja dessa forma, sou médico, sempre vou ajudar meus pacientes. Agora descanse, amanhã você não terá fisioterapia, falei para o Henri o que aconteceu e você precisa passar o dia de repouso. Tenha um bom descanso.

-LIA- Obrigada mais uma vez Dr.

Fico olhando ele sair e penso em como ele é lindo e gentil, meu coração começa a acelerar quando começo a pensar nele, tento me controlar e falar para mim mesma que isso é só emoção por ele ter me ajudado, estava com tanto medo…

Quando comecei a falar tudo para o Dr. não sabia se ele iria me achar maluca, falar tudo para o Matheus e me internar como paciente psiquiátrico colocando na minha prescrição que minha cabeça não tem mais jeito. Mesmo falando para mim que isso é só uma emoção de gratidão, meu pensamento fica voltando para o rosto dele.

-SANDRA- Filha? Você está bem?

-LIA- Oi ! Não sabia que iria poder vir me ver antes de ir embora. Só estava com o pensamento meio longe, mas sim, não se preocupe que foi apenas um susto, eu vou ficar bem, só fiz ganhar mais alguns hematomas hahaha.

-SANDRA- Você quase me fez ter um ataque do coração, isso sim ! (Suspira aliviada vendo que Lia está de bom humor).

-LIA- Falou para o papai?

No mesmo instante percebo o olhar de assustada quando me ouve perguntar do meu pai.

-SANDRA- Claro que sim Lia! Você acha que eu iria esconder isso dele? Hehe Ele ficou me perguntando como você está e se você ficou muito machucada… Essas coisas.

-LIA- E mesmo assim ele não vem. (Fala com voz triste). Me fala a verdade, vocês estão se separando? Nesse tempo que eu fiquei em coma, vocês tiveram alguma briga feia ou houve traição?

-SANDRA- Não mesmo, a resposta é não para todas essas opções.

Acha mesmo que eu iria me separar do seu pai ou um de nós iria trair? Sabe que estamos juntos desde o ensino fundamental, o que tem entre nós dois só pode ser amor verdadeiro.

-LIA- E o que acha de mim e Matheus?

-SANDRA- O mesmo. Fiquei muito feliz com esse casamento. Ele é um ótimo rapaz filha, sempre faz tudo por você e tem muito dinheiro para te dar o que você pedir.

-LIA- Acha que isso é amor?

-SANDRA- acho que isso é você vivendo bem e feliz com alguém que te ama. Do que serve tentar algo que você não sabe o que vai dar ? Ou você preferia casar com alguém que não iria poder te dar esse confronto que está tendo por causa do acidente?

-LIA- Não acho que isso seja tudo. Não importa se ele não foi realmente uma pessoa boa?

-SANDRA- Claro que sim, mas você deu sorte hein! Ele é lindo, rico, louco por você e também um ótimo rapaz.

Cansada de ficar debatendo sobre isso, apenas me calo e fico pensando que não concordo de forma alguma com aquilo tudo que escutei, e eu? Ela não se importa se eu sou feliz com ele? Feliz não no sentido de ter tudo o que quero, no sentido de sentir o amor verdadeiro de fato, sem se importar com os defeitos do outro, aquele amor que sentimos que está disposto a passar o resto da vida com alguém sem medo de envelhecer…. Só sinto pena dela, se realmente ela acha que isso é o amor, ela passou a vida toda se enganando.

-SANDRA- Tenho que ir agora, tá ?

-LIA- Espera! Tenho uma pergunta para fazer ainda.

A Sra. Conhece alguma amiga minha que seja uma negra bonita que tem um rosto de ser alguém determinada, focada no que tem que fazer…. Não sei falar muito sobre essa pessoa….

-SANDRA- Não conheço ninguém assim. Porque está perguntando isso? Você se lembrou de alguma coisa?

-LIA- Não, só sonhei com uma mulher assim e pensei que poderia ser alguma lembrança minha. Estava com esperança de que minhas memórias estivessem voltando agora.

-SANDRA- Entendi. Não se preocupe, o Dr. Gabriel falou que você vai fazer exames e exercícios para tentar fazer você lembrar de tudo novamente. Por isso ainda vai ficar mais tempo aqui no hospital na supervisão dele.

-LIA- Ele disse?

-SANDRA- Falou comigo e o Matheus. Você vai ficar bem Lia, estamos todos torcendo por você. (Beija a testa de Lia e acena se despedindo).

Durante a noite, começo a ter pesadelos que me fazem ficar agitada, fico suando frio, me sentindo vigiada, como se não tivesse escapatória. Com um pulo me sento na cama gritando assustada e suando frio.

-ENFERMEIRA- Tudo bem Sra. Lia? O que aconteceu?

-LIA- Não sei, acho que foi só um pesadelo. Pode me dar um copo com água, por favor?

A enfermeira sai do quarto para buscar a água e fico pensando se realmente foi só um pesadelo ou mais uma lembrança minha do meu passado com Matheus? Fico com medo sem entender nada, me sinto perdida e sozinha, então do nada, a imagem do Dr. Gabriel surge em meus pensamentos e começo a me acalmar, meu coração ainda fica acelerado mas não é com medo, sinto um frio na barriga pensando se ele virá me ver no dia seguinte.

-ENFERMEIRA- Aqui está. A Sra. Quer mais alguma coisa? Se estiver sentindo alguma coisa, posso chamar o Dr. Gabriel.

Me surpreendi ao ouvir que ele ainda está no hospital e acabo me engasgando com a água.

-LIA- co… como assim? Ele ainda está de plantão?

-ENFERMEIRA- Não sei se ainda é plantão dele, mas sim, ele está dormindo na sala dos médicos.

-LIA- ah, entendo. Não precisa chamar, ele deve estar cansado e eu não quero incomodar. Foi apenas um pesadelo bobo.

-ENFERMEIRA- Ok, boa noite Sra. Lia.

-LIA- Boa noite.

Deitada, tento parar de pensar em tantas coisas para conseguir voltar a dormir, mas na minha mente se passa tanta coisa… Quando começo a pensar no Dr. começo a me acalmar e me sentir bem até que pego no sono.

Depois de ter dormido muitíssimo bem, acordo me sentindo leve, com disposição até mesmo para voltar às sessões de fisioterapia, bate uma saudade de conversar com o Henri… Já que o Dr. Gabriel disse o que aconteceu comigo, o Henri deve estar muito preocupado. Nós criamos uma ligação muito bonita, só não queria deixar ele preocupado, quando ele fica assim não consegue comer ou se concentrar em alguma outra coisa a não ser aquilo que lhe preocupa. Amanheci tão bem, que pego coragem para me levantar e ir até o banheiro sem ninguém me supervisionando. Quando estou saindo do banho bem devagar com medo de desequilibrar e cair, escuto a porta abrir, imagino que seja a enfermeira de plantão para ver como estou e me dar o medicamento do dia então sinalizo fazendo um barulho para mostrar que estou no banheiro. Quando a porta se abre, vejo que não é a enfermeira.

-DR. GABRIEL - Meu Deus Lia! Perdão. (Cobre os olhos).

- Foi erro meu, vi que não estava na cama e quando escutei um barulho vindo daqui fiquei preocupado, não sabia que estava conseguindo ficar mais tempo em pé, principalmente depois de sofrer um outro acidente a tão pouco tempo.

Acho tudo muito engraçado e fico me controlando para não rir na frente dele. Então pego a toalha e me cubro.

-LIA- acordei muito melhor hoje, também não sei o que aconteceu, talvez um milagre… Mas acho que não vou conseguir ir até a cama andando sem apoio, pode me ajudar? Já estou enrolada na toalha.

Quando o Dr. tira as mãos do rosto, dá para ver claramente que ele ficou vermelho com aquela situação. Então ele estende as duas mãos para que eu use de apoio.

Vou andando bem devagar em direção a cama segurando as mãos do Dr., mas bem no meio do caminho, minha toalha cai sozinha e fico nua na frente dele mais uma vez.Fico morrendo de vergonha sem acreditar que isso aconteceu, olho para ele e vejo que está com os olhos fechados.

-DR. GABRIEL- consegue ficar em pé sem apoio por uns segundos? Vou ser rápido.

Solto as mãos dele, ele se abaixa, pega a toalha e me entrega, mas minhas pernas começam a ficar cansadas e antes de pegar a toalha eu caio por cima dele, ele me segura ainda com os olhos fechados e me levanta.

-LIA- Meus Deus! Não acredito que isso esteja acontecendo mesmo. Mil desculpas Dr.

Quando consigo ficar em pé novamente me enrolo o mais rápido na toalha e seguro as mãos dele novamente para chegar até a cama.

Me sento na cama, ele puxa uma cadeira para se sentar perto e suspira.

-DR. GABRIEL- Foi uma aventura não? Hehe

-LIA- Me desculpe mesmo, eu fui teimosa, estava me sentindo tão bem que tive certeza que iria conseguir tomar banho e voltar para a cama antes de alguém vir aqui. Queria ter feito uma surpresa para você e as enfermeiras.

-DR. GABRIEL- E conseguiu, realmente foi uma surpresa para mim. Mas não faça isso novamente sem ter uma pessoa por perto, eu sei que talvez você tenha acordado mais segura e disposta, mas tente entender que seu corpo ainda está se recuperando.

Depois de levar um puxão de orelha, o melhor que devo fazer é ficar calada.

-DR. GABRIEL- Então, eu falei com seu marido ontem, ele não ficou nada feliz quando falei que era pra você ficar por aqui até a recuperação total. Mas fiz isso por receio de você voltar para lá e acontecer alguma coisa…

-LIA- O que ele falou?

-DR GABRIEL- Nada, mas deu para perceber a raiva dele pelo jeito que ele me olhou. Hoje recebi a notícia de que ele está tentando comprar o hospital. Isso não vai ser bom… Vai usar isso para ter mais acesso a você.

-LIA- Não me fale isso! (Fala com medo).

Essa noite dormi tão bem por me sentir mais segura aqui. No início tive um pesadelo, mas depois voltei a dormir melhor. Na verdade é bom falar sobre isso, eu não sei se foi só um pesadelo ou uma lembrança.

-DR. GABRIEL- Você pode me contar?

-LIA- Foi tão estranho… Estava em uma casa fora do país, eu sei disso pois fiquei escondida no banheiro procurando passagem pra voltar para casa.

-DR GABRIEL- Como era essa casa Lia? Consegue lembrar dos detalhes?

-LIA- Talvez. A casa era enorme, ficava no meio de um lugar muito arborizado e longe da cidade, não tinha outras casas por perto, uma casa muito bonita com janelas grandes.

-DR GABRIEL- Conte o que aconteceu nessa casa para você achar que pode ter sido uma lembrança.

-LIA- Me lembro de estar muito assustada, nervosa e querendo sair de lá, não sei nem que país era aquele. Depois, escuto Matheus gritar, procurando por mim então ele chega na porta do banheiro e começa a arrombar, quando ele abre a porta eu o empurro e começo a correr pela casa me escondendo dele, depois de algum tempo eu consigo sair pela porta dos fundos e corro pela mata na esperança de encontrar alguém que possa me ajudar.

-DR GABRIEL- Entendi. Sabe o que eu estive pensando? Em sessões de hipnose. Não é muito o que eu acredito, mas se tem pessoas que falam que isso ajuda, talvez posso te ajudar a recuperar mais rápido a memória.

Pesquisei um pouco sobre isso, o método que a médica me ensinou poderia demorar mais, mas eu vi que tem casos de pessoas que se recuperaram melhor com a hipótese. O que você acha?

-LIA- Eu topo em fazer isso, qualquer coisa para recuperar minhas memórias.

-DR GABRIEL- Então vou procurar alguém que seja de confiança para isso.

-LIA- O Sr. Tem contato com outros médicos?

-DR GABRIEL- De alguns, e pergunto para eles se conhecem alguém que seja bom em alguma outra especialidade.

-LIA- Poderia perguntar sobre uma pessoa? Ele é um psicólogo muito conhecido pelos seus livros e pesquisas.

-DR GABRIEL- Claro! Como ele se chama? (Segura o papel e caneta me esperando falar o nome da pessoa para ele anotar).

-LIA- O nome dele é Alberto Zaroma.

-DR GABRIEL- Mas Lia, esse não é o psicológico que faleceu em um incêndio?

Na hora que escuto isso meu coração quase para e fico congelada.

-LIA- Não, não pode ser, acho que houve um engano Dr.

-DR GABRIEL-Não era um psicólogo famoso? Ele sempre fazia parte de pesquisas, atendia só gente importante, tinha livros publicados…

-LIA- Mas acho que o Sr. está errado Dr. Por favor, procure ele pra mim.

O Dr. Gabriel pega o celular e pesquisa o nome que falei para ele.

-DR GABRIEL- Olha aqui Lia, a reportagem falando do incêndio, isso já faz 1 ano. (Entrega o celular para Lia).

Antes mesmo de segurar o celular, sinto meu coração quase saindo pela boca de tão nervosa, não quero acreditar nisso e ao mesmo tempo vejo a certeza do Dr. falando sobre o acidente. Logo no topo da reportagem tem o nome do meu pai, só de ler o nome dele já começo a chorar, leio o noticiário e me sinto dentro de um filme de terror, realmente aquilo que ele tinha dito era verdade só não entendi o por que da minha mãe ter mentido para mim tão descaradamente.

Me sinto sem chão, tantas coisas acontecendo…

O coma, a perda de memória, minha mãe mentindo, meu marido possessivo e Sofia que também acabei descobrindo que ela esconde alguma coisa de mim.

Depois de me ver chorando muito por saber daquela notícia, o Dr. Gabriel segura minha mão e com o olhar doce olha em meus olhos e me passa um conforto que eu não sinto desde que acordei do coma. Não sei se é por tudo o que vem acontecendo e se estou errada, mas acredito que realmente posso contar com ele, e na atual circunstância, provavelmente ele e o Henri são os mais confiáveis para mim.

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