Fico sentada na minha cama olhando ao meu redor, suspiro e me jogo para me deitar, olhando o teto, fico me perguntando por onde começo a procurar alguma pista melhor de quem realmente é o Matheus, e como vou me comunicar com o Dr. Gabriel? Ainda bem que o Matheus me deu o meu celular, mas não tenho o número do Gabriel! (Suspira novamente).
Resolvo procurar mais informações sobre a morte do meu pai, lentamente para minha mãe não escutar, vou andando em direção ao antigo escritório do meu pai, talvez lá eu consiga encontrar alguma pista.
No meio do caminho, minhas pernas começam a ficar fracas e na mesma hora escuto minha mãe passando pelo cômodo ao lado, eu respiro pegando forças para me esconder no lavabo ali próximo, com esforço, consigo me jogar para dentro do lavabo e escuto minha mãe passando pela porta, espero uns segundos para ter certeza de que ela já se foi e continuo minha caminhada até o escritório. Chegando lá, passo a chave na porta para ninguém entrar, me sento à mesa onde meu pai passava horas lendo livros e trabalhando, e começo a me recordar dele ali, sentadinho no canto dele, concentrado em sua leitura, tomando café. Me seguro para não começar a chorar e me lembro que tenho que encontrar alguma coisa o mais rápido possível. Mexo nas gavetas e não encontro nada demais, olho nas estantes e nada! Então, vejo um cofre por trás da estante de livros, retiro alguns livros para que eu possa alcançar o cofre. “Mas qual seria a senha?”
Fico colocando combinações de números que penso ser importante para papai, coloco data de seu nascimento, data do seu casamento com mamãe, data do aniversario da minha mãe, e nada.... Suspiro já cansada e quase desistindo, então resolvo colocar minha data de nascimento, o cofre pisca a luz vermelha e acende uma verde, escuto seu barulho destravando e finalmente abro esse maldito cofre!
Lá dentro vejo várias pastas, pego todas e fecho o cofre, enrolo as pastas em uma manta que ficava na cadeira do escritório e vou andando no corredor para meu quarto.
-Sandra- Filha?! O que está fazendo aqui? Pensei que fosse dormir...
-Lia- Oi! Que susto mãe! Nada... Só resolvi andar um pouco, mas já vou dormir. Boa noite!
-Sandra- O que é isso na sua mão?
-Lia- Só uma manta. Vou deitar, ok? Beijos
-Sandra- Isso era...É do seu pai, não é?
Me viro para olhar para ela, me segurando para não chorar ou demonstrar a raiva que estou sentindo dela por esconder a morte dele.
-Lia- É. Não posso ficar com a manta?
-Sandra- Pode sim. Boa noite, filha.
Sigo para meu quarto quase chorando de raiva e morrendo por dentro. Entro e me sento na cama, olho para aquela manta em minhas mão e começo a chorar, tentado não chorar alto para que ela não escute. Depois de colocar toda minha mágoa para fora, respiro e enxugo meu rosto para começar a ver o que tem nas pastas.
Abro uma pasta que ele tinha posto na capa o título de “Provas”, começo a olhar e sem entender direito o que aqueles documentos estão “provando”, lá na pasta, vejo uma foto da festa do meu casamento com Matheus, e vejo a mulher negra que estava gritando hoje no hospital. “Como assim?! Ela foi para meu casamento com Matheus?!”. Continuo olhando as coisas que estão ali e vejo que também tem muitos recortes de matérias de jornal, matéria de mulheres desaparecidas, vejo alguns documentos com o símbolo da empresa de Matheus, que são de despacho para outros países de alguma coisa que não tem especificação. “Será que isso foi o motivo da morte do meu pai?”
“Será que Matheus está por trás do acidente que aconteceu com meu pai?”. Minha cabeça começa a pensar em mil coisas e fico me sentindo sem chão. Depois do estresse, começo a ter dor de cabeça, escondo as pastas em meu guarda-roupa e me deito na cama, tento dormir, mas tudo fica girando para mim, fico tonta e enjoada, sem entender o que está acontecendo, me sento na cama ofegante e meio suada, abro os olhos e para mim o mundo ainda gira, fecho os olhos e fico respirando fundo tentando voltar ao normal.
Me pego pensando em Gabriel, meu coração começa a doer sentindo falta dele. Prometo a mim mesma que amanhã eu terei que dar um jeito para encontrar ele, vou falar com ele para me tirar daqui. Me deito novamente e começo a imaginar ele ali ao meu lado, imagino ele apenas de calça, vindo em minha direção, se apoia ficando em cima de mim, olhando para mim e começa a me beijar... fico com a respiração ofegante e abro os olhos me forçando a pensar em outra coisa.
“Meu Deus! Não posso fazer isso comigo mesmo! Não posso me apaixonar por ele, nem sem se teria chance... Meu foco agora é sair desse casamento louco e ter controle da minha vida novamente.”
Fico repetindo para mim mesma “não posso!” “não posso!” “não posso!”
“Eu sou uma mulher maravilhosa e não preciso de homem para me completar!”
“Sou uma mulher incrível e não preciso me apaixonar por ele pra me sentir viva novamente...”
Aos poucos, repetindo aquelas frases, começo a pegar no sono.
Acordo com o sol batendo em meu rosto e com um cheiro maravilhoso vindo da cozinha. Me levanto, tomo um banho e vou andando devagar pelo corredor chamando pela minha mãe, mas ela não responde. Quando chego na cozinha, vejo o Matheus sentado à mesa, com rosas e uma caixa de chocolate. Ele me olha e abre um sorriso lindo.
-Matheus- Olá, minha rainha! Bom dia! Como foi sua primeira noite na casa dos seus pais?
-Lia- Matheus?! Que susto, não esperava você aqui hoje...
-Matheus- Resolvi fazer uma surpresa, não gostou?
-Lia- Claro que gostei rs. Minha noite foi muito boa, e a sua?
-Matheus- Horrível, você não estava comigo, mas peguei um vestido seu e fiquei abraçado para sentir seu cheiro. (Fala indo em direção a Lia e dá um beijo em sua boca).
Fico sem jeito com o beijo inesperado e principalmente, com a presença dele aqui.
-Lia- Cadê minha mãe?
-Matheus- Dei um dinheiro para ela ir fazer compras, mas daqui umas horinhas ela volta. Infelizmente não vou ficar muito tempo, vou te deixar curtir sua mãe e tenho coisas para resolver do trabalho.
Logo penso que isso não é um “infelizmente”, pelo menos não para mim!
Sento-me para tomar café da manhã e a mesa esta cheia de comida maravilhosa, como tanto que parece que vou explodir. Depois de comer, ele me beija, se despede e vai embora.
Aproveito que estou sozinha em casa e volto a olhar as pastas que estavam no cofre, uma outra pasta sem título tem coisas sobre o Matheus, fotos como se alguém estivesse investigando-o, fotos dele falando ao celular, saindo de um carro preto e outras fotos dele saindo de jatinhos e com um grupo de homens que tinham a mesma tatuagem no braço direito.
Escuto passos na casa, rapidamente escondo as pastas e me deito na cama.
-Sandra- Oi Lia. Está tudo bem?
-Lia- Esta sim. A sra estava nas compras?
-Sandra- Meu genro me deu dinheiro para que eu fosse fazer umas comprinhas, ele queria tomar café da manhã só com você. Ele é tão doce...
Por dentro fico querendo gritar e falar para ela que ele não é tão doce como ela diz ser. Mas simplesmente me calo, e retribuo com um sorriso.
Naquela tarde, tentei aproveitar minha mãe ao máximo, mesmo meio chateada com a mentira dela sobre o meu pai, mas tinha certeza de que qualquer dia eu iria conseguir fugir dali e não sei quando iria vê-la. Então pedi para ela fazer pipoca para assistirmos a um filme e depois ficamos vendo fotos antigas tomando um sorvete diet que o Matheus comprou para mim. Ao anoitecer, minha mãe acaba adormecendo, e eu vou silenciosamente até o escritório para usar o computador e procurar o Dr. Gabriel. Depois de muito procurar, finalmente consigo o número dele, anoto no meu celular e corro para meu quarto. Chegando lá, já começo a sentir um frio na barriga só de pensar que vou finalmente escutar a voz dele novamente.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 28
Comments
Ivany Queiroz Ivany
com certeza né
2023-02-24
0
Jacimara Santos
será que esse celular não está grampeado lia?cuidado,será que o Mateus é mafioso?
2022-11-19
4