Luís estava agora em seu segundo ano tanto no São Paulo Futebol Clube quanto na faculdade de literatura, e sua vida havia se tornado uma dança complexa entre as bolas e as palavras. Ele já tinha conquistado seu espaço no time titular, e seu livro, "Os Jogos do Coração", havia se tornado um sucesso surpreendente entre leitores jovens, que viam nele uma inspiração para equilibrar paixões e responsabilidades.
Mas a vida de Luís tomou um rumo inesperado quando, durante um clássico eletrizante contra o Corinthians, ele cruzou caminhos com Renan, um meia do time rival, conhecido por sua habilidade no campo e por ser um dos jogadores mais queridos pela torcida alvinegra. A rivalidade entre São Paulo e Corinthians era lendária, e qualquer interação entre os jogadores dos dois clubes era sempre cheia de tensão e competitividade.
No entanto, no calor do jogo, algo diferente aconteceu. Um momento de fair play entre Luís e Renan, quando Luís ajudou Renan a se levantar após uma disputa acirrada, gerou um olhar, uma troca de palavras que foi além da rivalidade. "Bom jogo", disse Luís, com um sorriso que não era apenas de esportividade.
Renan, com seus olhos azuis penetrantes, respondeu, "Você também. Mas que fique claro, no campo somos rivais."
Foi o início de algo que Luís nunca imaginou que poderia acontecer. Após o jogo, eles se encontraram inesperadamente em um evento literário onde Luís estava promovendo seu livro. Renan, embora desconhecido por muitos como amante da literatura, estava lá, interessado em explorar um mundo fora do futebol. Eles conversaram sobre livros, sobre o peso das expectativas e sobre como o esporte pode ser tanto um escape quanto uma prisão.
A amizade entre eles cresceu, escondida dos olhos do público, especialmente por causa da rivalidade entre seus clubes. Encontros secretos em cafés de bairros distantes de São Paulo, longe dos olhares dos fãs e da imprensa, tornaram-se comuns. Mas o que começou como amizade logo se transformou em algo mais profundo, algo que ambos sabiam que precisava ser mantido em segredo.
Enquanto isso, Luís estava vivendo um dos melhores momentos de sua carreira no São Paulo. Ele ajudou o time a conquistar o Campeonato Paulista, uma vitória que foi particularmente doce devido ao jogo decisivo ser contra o Corinthians. Em campo, Luís e Renan mantinham suas expressões de competição feroz, mas fora dele, o peso da vitória era complicado por sentimentos conflitantes.
A temporada seguinte trouxe mais desafios e triunfos. Luís foi fundamental na campanha do São Paulo na Conmebol Libertadores, onde ele marcou o gol da vitória na final, novamente contra o Corinthians. A conquista foi celebrada por todos no clube, mas para Luís, havia uma mistura de alegria e dor, sabendo que cada vitória sobre o time de Renan era um golpe no coração do homem que ele amava.
Na literatura, Luís não parava. Ele escrevia sobre esses sentimentos conflitantes, sobre o amor em meio à rivalidade, mas sem revelar identidades, transformando sua vida em ficção. Seu segundo livro, "Entre Torcidas", explorava o tema do amor proibido no esporte, e embora não fosse uma narrativa autobiográfica clara, aqueles que conheciam Luís podiam ver uma sombra de sua vida entre as linhas.
O segredo de Luís e Renan, no entanto, não poderia durar para sempre. Um fotógrafo, que os seguiu após um jogo, capturou um momento de carinho entre eles, uma foto que vazou para a mídia e causou um alvoroço. A pressão da imprensa, a torcida, o clube e a rivalidade entre São Paulo e Corinthians ameaçaram não apenas sua carreira, mas também a segurança de seus sentimentos.
O São Paulo e o Corinthians tiveram que lidar com a situação. Luís foi chamado para uma reunião com a diretoria do clube, onde foi questionado sobre sua vida pessoal. Ele manteve-se firme, explicando que sua vida privada não deveria interferir em seu profissionalismo ou no amor pelo clube. A resposta do São Paulo foi cautelosa, mas apoiaram Luís publicamente, enfatizando seu valor como jogador e pessoa.
O Corinthians, por outro lado, lidou com a situação de Renan de maneira mais severa. A torcida, conhecida por sua paixão e muitas vezes por sua intolerância, exigia respostas. Renan foi afastado temporariamente do time titular, sob a justificativa de "cuidar de questões pessoais".
Este período foi um teste para o amor de Luís e Renan. Eles decidiram se afastar publicamente para proteger suas carreiras, mas a distância só fortaleceu seus sentimentos. Luís escrevia mais, canalizando sua frustração e amor em palavras, enquanto Renan, em silêncio, encontrava consolo nos livros que Luís lhe recomendava.
A temporada avançou, e Luís ajudou o São Paulo a conquistar a Conmebol Libertadores, um feito que colocou o clube novamente no centro do futebol sul-americano. Mas a glória não parou por aí. Com a vitória na Libertadores, o São Paulo se classificou para o Campeonato Mundial de Clubes da FIFA, onde Luís e seus companheiros enfrentaram e venceram o campeão europeu, conquistando assim o Intercontinental de Clubes. Luís ajudou o São Paulo a se tornar o único time brasileiro a ter 4 mundiais e também a manter-se sendo o único time brasileiro que conquistou todos os mundiais que disputou.
No entanto, cada vitória era um lembrete da ausência de Renan. Luís começou a usar suas conquistas para falar sobre a inclusão e a aceitação no esporte, ganhando respeito não apenas como jogador, mas como uma voz de mudança.
Finalmente, o tempo e a pressão começaram a diminuir. Renan retornou ao time do Corinthians, e embora o amor deles ainda fosse um segredo para muitos, eles encontraram maneiras de se apoiar. Luís, em um jogo contra o Corinthians, fez questão de não comemorar quando marcou um gol, um gesto que foi notado pelos mais atentos e entendido por Renan como um sinal de respeito e amor.
A temporada terminou com Luís como um dos grandes destaques do São Paulo, sendo nomeado o melhor jogador jovem da Conmebol Libertadores e do Campeonato Mundial de Clubes. Mas sua maior conquista não estava nos troféus, e sim na capacidade de viver sua verdade, mesmo em meio ao tumulto.
No final do capítulo, Luís e Renan encontraram-se em um lugar longe de tudo, onde poderiam ser apenas dois jovens apaixonados pela vida, pelo esporte e um pelo outro. Eles falaram sobre o futuro, sobre como os momentos de dor e triunfo os haviam moldado, e como queriam que sua história fosse um legado de coragem e amor.
Luís terminou o capítulo de sua vida com uma nova resolução: continuar escrevendo, jogando e amando, sem esconder quem ele realmente era. Ele sabia que o caminho do escritor e do atleta estava repleto de desafios, mas também de oportunidades para mudar percepções e corações, tanto dentro quanto fora do campo.
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Atualizado até capítulo 61
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