Luís havia completado dezesseis anos, e a paisagem de sua vida estava mudando rapidamente. A adolescência tardia trazia consigo não apenas desafios físicos e emocionais, mas também a consciência de um mundo mais vasto do que ele já havia conhecido. Ele continuava apaixonado por escrever, e seu relacionamento com Thiago havia florescido em algo profundo e significativo, oferecendo-lhe uma compreensão mais rica sobre amor e parceria.
A casa onde moravam Maria, Luís, Carlos e Gabriel, agora compartilhada, se tornou um santuário de criatividade e apoio. Maria e Carlos haviam oficializado sua união em uma cerimônia íntima, um evento que encheu a casa de risos e lágrimas de alegria. Luís, vendo sua mãe feliz, sentiu uma nova paz interior, embora a complexidade de sua própria vida amorosa continuasse a desdobrar-se.
Gabriel, por sua vez, encontrou um novo propósito ensinando literatura. Sua saúde estava estável, mas a experiência com a cirurgia trouxe uma nova apreciação pela vida e pela relação com Luís. Ele começou a escrever suas próprias histórias, inspirado pelo filho, e juntos, pai e filho, exploravam o mundo da escrita, compartilhando ideias e críticas.
A vida escolar de Luís estava se intensificando. Ele se destacava tanto no futebol quanto na escrita, mas as escolhas para seu futuro estavam se tornando mais urgentes. Faculdades, carreiras, e a pressão de decidir o que fazer com sua vida pairavam sobre ele. Uma decisão, no entanto, parecia clara: ele queria estudar literatura, talvez até jornalismo, para combinar sua paixão pela escrita com a necessidade de contar histórias que importam.
Um dia, depois de uma partida de futebol particularmente bem-sucedida, Luís recebeu uma oferta de uma bolsa de estudos para um colégio de futebol de alto desempenho em outra cidade. A ideia de deixar sua família e Thiago era assustadora, mas a oportunidade de crescer tanto no esporte quanto acadêmicamente era tentadora.
Naquela noite, sentaram-se todos juntos para discutir o futuro de Luís. "Você tem um talento incrível, Luís", disse Carlos, "mas a decisão é sua. Lembre-se, você pode escrever de qualquer lugar, mas o futebol pode abrir portas que só estão disponíveis nesse momento."
Gabriel adicionou, "E não se esqueça, filho, que onde quer que você vá, você leva a sua história com você. E nós estaremos sempre aqui, apoiando você."
Maria, observando o filho, viu nele uma mistura de si mesma e de Gabriel, uma força e uma resiliência que ela sabia que o levaria longe. "Você tem que seguir seu coração, Luís. Mas também quero que você saiba que não precisa fazer isso sozinho. Podemos nos adaptar, podemos visitá-lo, e você sempre terá um lugar para voltar."
Luís ficou em silêncio, pensando no futuro, em Thiago, em suas histórias ainda não contadas. Finalmente, ele disse, "Vou tentar. Vou para o colégio de futebol. Mas não quero perder o que temos aqui."
A decisão de Luís trouxe uma nova fase para todos. Thiago, embora triste com a distância, apoiou Luís, prometendo manter o relacionamento à distância, explorando novas formas de estarem juntos através de mensagens, chamadas de vídeo e visitas esporádicas. Maria e Carlos começaram a planejar viagens frequentes para vê-lo jogar, enquanto Gabriel decidiu que usaria essas viagens para ministrar palestras e workshops em escolas, expandindo seu alcance como educador.
A mudança para o novo colégio foi um choque cultural e emocional para Luís. Ele encontrou colegas de equipe vindos de diferentes partes do país, cada um com suas próprias histórias de superação e ambição. Ele também encontrou um novo mentor no treinador, um homem que via em Luís não apenas um jogador de futebol, mas um pensador e um líder.
Mas a vida no colégio também trouxe desafios. Luís foi confrontado com a dura realidade do esporte competitivo, onde não todos compartilhavam sua ética de trabalho ou seu amor pela escrita. Ele enfrentou momentos de solidão, saudade de casa e a pressão de se destacar em um ambiente tão competitivo. No entanto, a escrita se tornou seu refúgio, escrevendo não apenas sobre suas experiências, mas também sobre os sonhos e lutas dos colegas de equipe.
As visitas da família eram um bálsamo. Quando eles estavam por perto, Luís sentia um retorno à sua essência, lembrando-se de quem ele era fora do campo. Essas visitas também trouxeram Thiago, que, embora não pudesse ficar por muito tempo, fazia cada momento valer a pena. Eles exploraram a cidade juntos, encontrando novos lugares para escrever e compartilhar histórias.
Um evento marcante foi quando Luís foi convidado para escrever uma coluna no jornal do colégio. Ele decidiu usar essa plataforma para falar sobre a vida dos atletas estudantes, a importância da educação, e as histórias pessoais que moldam cada jovem. Sua escrita começou a atrair atenção, não apenas dentro do colégio, mas também de jornalistas locais que viam em Luís um potencial para o futuro do jornalismo esportivo.
No entanto, o equilíbrio entre futebol e escrita era difícil. Uma lesão no joelho durante um jogo importante abalou Luís, forçando-o a enfrentar a possibilidade de que seu sonho de jogar profissionalmente pudesse não se realizar. A recuperação foi um período de introspecção, onde ele refletiu sobre o que realmente queria da vida.
Foi durante esse tempo que ele começou a escrever seu primeiro livro, uma narrativa que combinava suas experiências no futebol com as lições de vida e amor aprendidas com sua família e com Thiago. Ele chamou o livro de "Os Jogos do Coração", explorando como o esporte molda não apenas atletas, mas também pessoas e suas histórias.
O livro, ainda inacabado, tornou-se um ponto de discussão quando Luís voltou para casa para o feriado. Sentados ao redor da mesa, com Maria, Carlos, Gabriel e Thiago, Luís leu trechos do manuscrito, recebendo feedback e encorajamento. A emoção era palpável quando ele descreveu os personagens inspirados por todos eles.
A lesão, no fim, não foi o fim de sua carreira esportiva, mas um desvio. Ele voltou ao campo, mais sábio, talvez menos impulsivo, e com uma nova apreciação pela escrita como sua verdadeira vocação. Decidiu que, ao se formar, buscaria uma faculdade onde pudesse estudar jornalismo ou literatura, sem abandonar o futebol, mas também sem deixar que ele definisse completamente quem ele era.
O capítulo terminou com Luís de volta ao colégio, agora não apenas como um jogador, mas como um escritor emergente, um estudante apaixonado por contar histórias, e um jovem que entendia que a vida é uma mescla de heranças e horizontes novos a serem descobertos. Ele olhou para o campo de futebol, para o céu aberto, e para as páginas em branco de seu caderno, sabendo que cada um desses elementos fazia parte de sua jornada, uma dança entre o que foi e o que poderia ser.
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Atualizado até capítulo 61
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