Os meses seguintes foram uma mistura de alegria e desafios para Maria. Após a partida de Gabriel, ela se viu imersada em uma realidade que precisava enfrentar sozinha, mas o apoio de suas amigas era um farol constante em meio à escuridão da incerteza. A cada consulta médica, cada preparativo para a chegada do bebê, Solange, Roberta e Lily estavam ali, ajudando a transformar o que poderia ser um fardo em uma jornada compartilhada.
A barriga de Maria crescia, e com ela, a curiosidade e a expectativa sobre o futuro. Ela começou a trabalhar em meio período numa livraria local, onde encontrou um ambiente acolhedor e cheio de histórias, tanto nas prateleiras quanto nas vidas das pessoas que frequentavam o lugar. A dona da livraria, dona Lúcia, uma senhora de espírito jovem, se tornou mais do que uma chefe; era uma mentora que via em Maria uma força e uma resiliência admiráveis.
"Você está criando seu próprio conto de fadas, Maria", disse dona Lúcia uma tarde, enquanto organizavam livros infantis. "E este bebê, ele será o herói da sua história."
Os preparativos para o nascimento do bebê trouxeram mais do que apenas preocupações financeiras. Maria se viu enfrentando momentos de solidão profunda, especialmente à noite, quando o silêncio do apartamento parecia amplificar seus medos. Foi em uma dessas noites que ela decidiu escrever cartas para o filho que ainda estava para nascer, cartas que falavam de amor, de esperança, e de um pai ausente, mas de um futuro cheio de possibilidades.
A gravidez avançou, e com ela veio o parto, uma tempestade de dor e alegria que culminou na chegada de Luís. Ele nasceu com os cabelos ruivos do pai e os olhos cor de âmbar que Maria tanto temia, pois cada olhar do menino era um lembrete doloroso da rejeição de Gabriel. No entanto, ao segurar Luís pela primeira vez, Maria sentiu uma determinação renovada. Ela sussurrou promessas de proteção e amor, jurando que ele nunca sentiria falta do que nunca conheceu.
Os primeiros meses com Luís foram um misto de cansaço e encantamento. Maria se dividia entre os cuidados com o bebê e seu trabalho, onde agora trazia Luís em algumas tardes, fazendo dele uma pequena celebridade entre os clientes frequentes da livraria. Dona Lúcia, encantada com o menino, criou um espaço no fundo da loja para Maria amamentar ou trocar fraldas, uma pequena área que se tornou o "canto de Luís".
Mas a vida não era só poesia e encantamento. Financeiramente, as coisas ainda eram apertadas. Maria precisou aprender a ser prática, a economizar, a aceitar a ajuda que lhe era oferecida, seja em forma de roupas usadas doadas ou de conselhos sobre como cuidar de um bebê com pouco. Solange, com seu jeito vibrante, organizou um chá de bebê comunitário, onde vizinhos e amigos contribuíram com o que podiam, transformando uma necessidade em um evento de comunidade.
Roberta, sempre com um plano na manga, ajudou Maria a se inscrever em programas de assistência social e de saúde para mães solteiras, garantindo que Luís tivesse o necessário para crescer saudável. E Lily, com sua habilidade para encontrar soluções práticas, ensinou Maria a fazer brinquedos caseiros, transformando um simples pedaço de pano em um rato de brinquedo ou uma caixa de cereal em um castelo de papelão.
Luís crescia rápido, e com ele, a vida de Maria se transformava. Ela aprendeu a encontrar alegria nas pequenas vitórias: o primeiro sorriso de Luís, sua primeira palavra, "mãe", e os primeiros passos vacilantes no parque onde passavam as tardes de domingo. Cada marco era celebrado não apenas por Maria, mas por uma rede de apoio que ela nem sabia que poderia construir.
No entanto, a ausência do pai de Luís era uma sombra sobre esses momentos felizes. Maria guardava as cartas que escrevera durante a gravidez, esperando o dia em que Luís fosse velho o suficiente para entender. Ela sabia que um dia teria que falar sobre Gabriel, mas por agora, focava em ser o suficiente para Luís, em construir uma vida cheia de amor, mesmo que fosse apenas com o que ela e suas amigas podiam oferecer.
À medida que o primeiro ano de Luís se aproximava do fim, Maria via não apenas o crescimento do filho, mas também o dela própria. A maternidade havia transformado sua visão do mundo, ensinando-a que a força não vem apenas da ausência de dificuldades, mas da capacidade de enfrentar cada uma delas com amor e determinação. E enquanto Luís ria, brincava e aprendia a andar, Maria sentia que estava, de alguma forma, caminhando junto com ele, em direção a um futuro que, embora incerto, estava cheio de promessas de felicidade.
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Atualizado até capítulo 61
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