Luís estava agora com dezoito anos, e o tempo parecia ter criado uma ponte entre o menino que ele fora e o homem que estava se tornando. A decisão de seguir o futebol no colégio especializado tinha moldado seu caráter, mas sua paixão pela escrita continuava a ser sua bússola mais verdadeira. "Os Jogos do Coração", seu primeiro manuscrito, estava agora completo, e ele estava à beira de decidir seu futuro imediato.
Ao final do ano letivo, veio uma proposta que mudou tudo. Em vez de ofertas de universidades para jogar futebol, Luís recebeu uma proposta do São Paulo Futebol Clube para jogar profissionalmente. Não só isso, mas o clube também ofereceu a ele a oportunidade de estudar literatura em uma renomada faculdade privada, permitindo-lhe conciliar sua paixão pelo esporte e pela escrita.
A notícia foi compartilhada durante um jantar em família, onde Luís explicou a proposta em detalhes. "É a chance de fazer as duas coisas que eu amo. Jogar futebol em um dos maiores clubes do Brasil e estudar literatura", disse ele, com uma mistura de excitação e nervosismo na voz.
Maria, sempre a voz da razão e do amor, respondeu, "Isso parece um sonho, Luís. Mas é uma oportunidade incrível. Você pode viver suas duas paixões ao mesmo tempo."
Carlos, com seu conhecimento do mundo acadêmico, disse, "Estudar e jogar ao mesmo tempo vai ser desafiador, mas você tem a resiliência para isso. E estar em São Paulo te dará acesso a uma comunidade literária vibrante."
Gabriel, que tinha visto Luís crescer de maneiras que nunca imaginara ser possível, adicionou, "Você sempre foi bom em equilibrar, filho. Esta pode ser a prova definitiva de que você pode ser tanto um atleta quanto um escritor."
A decisão foi quase instantânea. Luís aceitou a proposta do São Paulo, e com isso, ele se preparou para uma nova vida no coração do Brasil. A despedida de Thiago, que já estava em sua própria universidade, foi difícil mas cheia de promessas de se manterem conectados. Eles planejaram manter sua relação à distância, acreditando que o amor poderia transcender a geografia.
Mudar-se para São Paulo foi um choque cultural e emocional para Luís. Ele entrou em um mundo onde o futebol profissional exigia tudo dele, mas a faculdade de literatura oferecia um refúgio e um espaço para seu lado criativo. Ele rapidamente se adaptou à rotina intensa, treinando de manhã cedo e passando tardes e noites com livros e escrita.
No São Paulo, Luís encontrou mentores no campo que o incentivavam a não deixar a escrita de lado. Um dos veteranos do time, que também era um ávido leitor, se tornou seu amigo e confidente, ajudando-o a equilibrar suas obrigações. Esse jogador, Ricardo, compartilhou com Luís a importância de cultivar interesses fora do futebol, algo que o ajudava a manter a sanidade e a perspectiva.
Na faculdade, Luís mergulhou em um ambiente onde a escrita não era apenas incentivada, mas celebrada. Ele se juntou aos clubes literários, participou de concursos de escrita e até começou a trabalhar no jornal estudantil, onde sua coluna sobre a vida de um atleta que também é escritor começou a ganhar seguidores.
Mas ser atleta e estudante simultaneamente trouxe desafios. A pressão de se destacar no futebol, o rigor acadêmico, e a saudade de casa e de Thiago pesavam sobre ele. Houve momentos em que ele duvidava de sua decisão, especialmente quando o cansaço físico e mental parecia intransponível.
Foi durante uma dessas fases de questionamento que Luís decidiu organizar um evento literário dentro do clube, algo inédito. Ele convidou Gabriel, que agora tinha uma reputação crescente como educador e escritor, para ser um dos palestrantes. O evento, chamado "Literatura e Futebol", foi um sucesso, não apenas por celebrar a diversidade de narrativas, mas também por ajudar Luís a ver que poderia ser tanto um atleta quanto um escritor, sem precisar escolher um sobre o outro.
O festival também trouxe um editor interessado em "Os Jogos do Coração". Após uma conversa intensa e animada, Luís recebeu uma oferta para publicar seu livro. A notícia foi um divisor de águas. Ele telefonou imediatamente para Maria, Carlos, Gabriel e Thiago, compartilhando a alegria e o nervosismo que essa nova jornada trouxe.
A publicação do livro demandou muito de Luís. Ele revisou, editou, e trabalhou incansavelmente para garantir que sua visão fosse mantida. O lançamento do livro foi um evento familiar, com todos os que o apoiaram presentes. Ver seu nome na capa de um livro foi um momento de realização e humildade para Luís, que percebeu que cada palavra escrita era uma parte de sua jornada, de suas lutas e de seu crescimento.
No entanto, a vida continuava a testar Luís. A distância com Thiago começou a mostrar sinais de desgaste. Eles discutiam mais, e a frequência das visitas diminuiu. Luís sentiu o peso da solidão, e em um momento de vulnerabilidade, ele escreveu um conto sobre o amor à distância, explorando suas próprias emoções de uma forma que ele nunca tinha feito antes.
Decidindo enfrentar a situação de frente, Luís viajou para ver Thiago, não apenas para reacender a chama de seu relacionamento, mas também para decidir se o que eles tinham poderia sobreviver à distância. A reunião foi emocional, cheia de conversas profundas e lágrimas. Eles concluíram que, embora o amor ainda existisse, precisavam de um tempo para si mesmos, para crescer individualmente antes de decidirem sobre um futuro juntos ou separados.
Voltando para São Paulo, Luís canalizou sua energia em seu próximo projeto literário e no futebol profissional. Ele começou a escrever um novo livro, desta vez uma coleção de contos sobre adolescência, amor e a busca pela identidade.
Uma noite, enquanto estava em um café estudantil, Luís conheceu Lara, uma estudante de cinema com uma paixão por histórias visuais. Eles se conectaram instantaneamente sobre a arte de contar histórias, e Lara sugeriu a ideia de adaptar "Os Jogos do Coração" para um curta-metragem. Esta nova colaboração trouxe a Luís uma perspectiva diferente sobre seu próprio trabalho, vendo-o através dos olhos de outra pessoa criativa.
Lara e Luís começaram a trabalhar juntos, e embora seu relacionamento fosse platônico, havia uma química de trabalho que inspirava ambos. Eles passaram noites discutindo cenas, personagens e como transformar a prosa em imagens. Este projeto não só ajudou Luís a superar a dor da separação temporária de Thiago, mas também lhe mostrou que a escrita poderia viver além das páginas.
No São Paulo, Luís não apenas jogava futebol, mas também se tornou uma espécie de embaixador cultural para a literatura entre os jogadores. Ele organizou leituras e palestras, criando um vínculo entre arte e esporte que era único. Isso lhe valeu o respeito e admiração de seus colegas.
A vida de Luís estava em um ponto de inflexão. Ele estava crescendo, não apenas como escritor, mas como pessoa, aprendendo que o caminho de um escritor é cheio de altos e baixos, de amores e perdas, de colaborações e momentos de solidão. Cada experiência era um novo capítulo, cada pessoa um novo personagem em sua história pessoal.
No final deste capítulo, Luís estava de volta ao apartamento onde Maria, Carlos e Gabriel ainda moravam, compartilhando a notícia sobre o curta-metragem, o sucesso de seu livro e como estava se saindo no São Paulo. Maria, olhando para o filho que havia se tornado, sentiu um orgulho indescritível, vendo nele não apenas o menino que ela criou, mas o homem, atleta e escritor que ele estava se tornando. E juntos, eles brindaram, não apenas ao sucesso de Luís, mas à jornada que ainda estava por vir, à vida como uma contínua narrativa de crescimento e descoberta.
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Atualizado até capítulo 61
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