Capítulo 17

Sabrina ainda estava sentada no tapete, tentando manter sua concentração enquanto a música suave preenchia o ambiente. A calma que tanto buscava parecia finalmente se aproximar, quando foi interrompida por três batidas firmes na porta. Ela abriu os olhos lentamente, respirou fundo e se levantou.

Ao abrir a porta, deu de cara com Hugo, ainda molhado e visivelmente desconfortável.

Sabrina: (fria) O que você quer, professor?

Hugo: Eu só vim ver como você está.

Sabrina: Estou ótima.

Hugo olhou para ela, percebendo que as palavras dela não combinavam com a expressão no rosto. Ele passou a mão pelos cabelos, visivelmente arrependido.

Hugo: Sabrina, eu realmente sinto muito. Não queria te deixar desconfortável ou causar qualquer problema. Foi só uma brincadeira, uma forma de carinho.

Sabrina ergueu uma sobrancelha, cruzando os braços.

Sabrina: Carinho? Eu não pedi nenhum tipo de carinho, muito menos brincadeiras desse tipo.

Hugo: Eu sei, eu sei... Mas escuta, geralmente os novatos têm dificuldade em se enturmar, e eu só estava tentando ser legal com você. Fazer você se sentir parte do grupo.

Sabrina: (seca) Eu não preciso da sua ajuda pra me enturmar. Eu não sou "todo mundo", professor. E vou te poupar do esforço: comigo, essa de ser legal não rola.

Hugo abriu a boca para responder, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, Sabrina fechou a porta na cara dele com firmeza. O som ecoou pelo quarto, e ela respirou fundo, sentindo uma mistura de irritação e alívio.

Voltando para o centro do quarto, ela ajustou a posição das velas e do incenso, sentou-se novamente no tapete e fechou os olhos.

Sabrina: (para si mesma, em tom baixo) Não vou deixar ninguém tirar minha paz.

Ela respirou fundo, retornando à meditação, decidida a afastar qualquer emoção negativa e recuperar seu equilíbrio.

Algumas horas depois, o som da porta se abrindo tirou Sabrina de sua meditação. Ela olhou por cima do ombro e viu Jenna, Melissa e Anna entrando no quarto, cada uma com expressões um pouco tímidas, mas ainda tentando manter o clima leve. Jenna foi a primeira a falar, já rindo de nervoso.

Jenna: Sabrina, só queria dizer que... foi mal, tá? Pelo que aconteceu mais cedo.

Anna: (completando) A gente queria vir antes, mas...

Melissa: (interrompendo) Eu falei que era melhor esperar você esfriar a cabeça.

Jenna olhou para Melissa e riu, balançando a cabeça.

Jenna: E olha, pela primeira vez, eu acho que a Melissa estava certa. Porque se a gente tivesse vindo antes, você provavelmente teria nos matado.

As quatro caíram na risada, mesmo Sabrina, que estava tentando manter sua postura firme. A tensão do momento foi diminuindo, e o riso trouxe um pouco de alívio para o ambiente.

Sabrina: (sorrindo de leve) Não exagera, Jenna. Eu só teria dado um sermão, não matado vocês.

Anna: (sentando na cama) Olha, de verdade, a gente não sabia que o Hugo ia fazer aquela besteira. E, se soubéssemos, a gente teria impedido.

Melissa: Foi uma idiotice mesmo, mas ele parecia arrependido.

Sabrina: (suspirando) Não importa. O que aconteceu já passou, e eu só quero esquecer isso.

Jenna: Justo. Mas, sério, você ficou bem? Você parecia tão pálida quando saiu da piscina...

Sabrina: Estou bem agora. Já me acalmei, tomei um banho e meditei um pouco.

Jenna: (curiosa) Meditação? É isso que te deixa tão... calma e elegante o tempo todo?

Sabrina deu de ombros, com um leve sorriso.

Sabrina: Talvez. Ajuda a colocar as coisas em perspectiva.

Melissa: Acho que eu devia tentar isso... embora provavelmente dormiria no meio.

Elas riram novamente, e a conversa foi ficando mais descontraída. As meninas começaram a falar sobre o dia, as pessoas na piscina, e até algumas fofocas sobre o time adversário. Aos poucos, Sabrina se sentiu mais à vontade, deixando de lado o incômodo do incidente e aproveitando a companhia das amigas.

Por mais que ela tentasse manter uma barreira, naquele momento, Sabrina percebeu que talvez fosse bom se permitir um pouco mais de leveza e conexão com as pessoas ao seu redor.

Depois de alguns minutos, as meninas estavam finalmente prontas, com os cabelos ainda úmidos, se sentando ao redor de Sabrina no chão, ansiosas para o que poderia ser uma noite de mistério e autoconhecimento. Melissa e Anna estavam empolgadas, rindo e trocando olhares, enquanto Jenna, mais calma, observava Sabrina com curiosidade.

Jenna, já com a toalha enrolada na cabeça, se aproximou de uma das bolsas de Sabrina e, ao abrir, encontrou uma pequena caixa misteriosa.

Jenna: (pegando a caixa) O que é isso, Sabrina?

Sabrina, que estava sentada no sofá, levava um olhar fixo em seu celular, mas, ao perceber que Jenna estava mexendo em suas coisas, um gelo percorreu sua espinha. Ela levantou rapidamente e se aproximou da amiga, com a expressão séria e a voz fria.

Sabrina: (com um tom firme) Não mexa nas minhas coisas, Jenna.

Jenna, sem entender, mas sem se intimidar, deu um passo atrás. Ela entregou a caixa de volta, com um sorriso travesso.

Jenna: Desculpa, não sabia que era tão sério. Só estava curiosa.

Sabrina, ainda com a expressão fechada, pegou a caixa das mãos de Jenna, guardando-a cuidadosamente em sua bolsa. Então, se virou para as meninas e, após um suspiro, falou mais calmamente.

Sabrina: (respirando fundo) É um tarô. Não gosto que toquem nele, porque é sagrado para mim.

Aquelas palavras foram suficientes para despertar a curiosidade das meninas. Elas se olharam com um brilho nos olhos, interessadas no que Sabrina estava compartilhando com elas.

Melissa: (empolgada) Uau, sério? Um tarô? Isso é tão... místico!

Anna: (tentando disfarçar a animação) Nossa, Sabrina, que legal! Nunca imaginei que você fosse tão ligada nessas coisas.

Sabrina, ainda um pouco hesitante, mas com um leve sorriso, assentiu.

Sabrina: (calma) Eu uso há um tempo. É algo pessoal... e, bem, me ajuda a encontrar respostas para algumas coisas.

Jenna, sempre com seu jeito mais extrovertido, já estava se inclinando para frente, com um brilho travesso no olhar.

Jenna: (insistente) Sabrina, por favor, faz uma leitura para a gente! Eu nunca fiz isso antes, e você sempre parece tão calma e centrada, deve ser incrível!

Sabrina olhou para as meninas, agora completamente animadas. Ela respirou fundo, como se estivesse avaliando a situação. Viu o quanto elas estavam interessadas e decidiu ceder, afinal, já estava se sentindo um pouco mais confortável com elas.

Sabrina: (cedendo) Tá, tá, vou fazer, mas com uma condição: ninguém toca nas cartas, só eu.

As meninas deram pulos de alegria, e logo começaram a preparar o ambiente para a leitura de tarô. Elas desligaram as luzes do quarto, criando um clima de mistério, e acenderam algumas velas ao redor. O cheiro suave de incenso começou a preencher o ambiente, dando um toque ainda mais místico ao momento.

Sabrina colocou as cartas sobre o chão e as embaralhou com calma, preparando-se para a primeira leitura. Antes de começar, ela olhou para cada uma das meninas e perguntou, de forma tranquila, os signos delas.

Sabrina: (olhando para Melissa) Qual o seu signo?

Melissa: (com um sorriso) Sou Sagitário!

Sabrina anotou, com cuidado, e passou para Anna.

Sabrina: E você, Anna?

Anna: (pensando por um momento) Aquário.

E, por último, ela olhou para Jenna, que estava ansiosa.

Sabrina: E você, Jenna?

Jenna: (com um sorriso travesso) Sou Leão, obviamente!

Sabrina sorriu com a resposta, mas logo se concentrou novamente nas cartas, começando a fazer a primeira tiragem. Ela olhou para Melissa, que estava mordendo o lábio, claramente esperando ansiosa pela leitura.

Sabrina: (calmamente) Melissa, qual é a sua pergunta?

Melissa, com um olhar de esperança, fez sua pergunta com uma voz suave.

Melissa: Eu quero saber se eu vou ter sorte no amor...

Sabrina, que já estava mais acostumada com o ambiente e a energia delas, tirou as cartas para Melissa e começou a interpretar os símbolos. Ela falou com calma, mas com uma firmeza que parecia vir de dentro de si.

Sabrina: (analisando as cartas) As cartas indicam que, nos próximos meses, você estará se abrindo mais para novas experiências, mas é importante deixar de lado medos e inseguranças do passado. Você tem que se permitir mais, confiar em si mesma. O amor virá quando você parar de procurar por ele desesperadamente.

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Comments

Maria Eduarda

Maria Eduarda

ah, ele foi fofo

2025-01-27

1

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