Capítulo 7

Após o jantar, os três se reuniram na sala. Era uma tradição familiar de que, sempre que todos estivessem disponíveis, assistiriam a um filme juntos. Marcos já estava no controle remoto, navegando pelas opções de streaming.

Marcos: Que tal um clássico?

Ana: Nada de clássico. Vamos ver algo leve.

Sabrina, acomodada em uma poltrona com as pernas dobradas, deu de ombros, indiferente à discussão.

Sabrina: Vocês escolhem.

Depois de alguns minutos de debate, optaram por um drama leve com toques de comédia. Durante o filme, Marcos ria em momentos inesperados, Ana fazia comentários sobre as escolhas dos personagens, e Sabrina, como de costume, apenas assistia em silêncio, embora, em alguns momentos, um leve sorriso escapasse de seus lábios.

Quando o filme terminou, Marcos espreguiçou-se e olhou para o relógio.

Marcos: Acho que já está na minha hora. Amanhã cedo tem trabalho.

Ana assentiu e começou a recolher as xícaras de chá que tinham trazido para a sala. Sabrina levantou-se lentamente, esticando os braços.

Sabrina: Também estou cansada. Vou subir.

Ana: Boa noite, filha.

Marcos: Boa noite, Sabrina.

Sabrina acenou levemente com a cabeça, pegou seu celular do braço do sofá e subiu as escadas. Ao entrar em seu quarto, jogou-se na cama de forma pesada, o olhar fixo no teto. Por mais que estivesse fisicamente cansada, sua mente ainda estava ativa, revivendo os acontecimentos do dia. O pensamento no professor Hugo era inevitável. Desde o momento em que ele lhe ofereceu carona até a conversa breve sobre a adaptação à escola, ele parecia ser diferente de qualquer pessoa que ela já havia conhecido.

Sabrina suspirou, sentindo um leve incômodo. Não queria admitir que ele havia despertado sua curiosidade. Mas havia algo nele que parecia tão... intrigante. Decidida a satisfazer sua curiosidade, pegou o celular que estava ao seu lado e desbloqueou a tela.

Sabrina: (para si mesma) Vamos ver o que ele esconde.

Ela abriu o Instagram e digitou o nome de usuário dele que ainda lembrava. Não demorou muito para encontrar o perfil. A foto de perfil era discreta, apenas ele sorrindo de forma modesta, com uma camisa social. Ao entrar no perfil, percebeu que não havia muitas postagens, o que só aumentou sua curiosidade.

As primeiras fotos eram bem típicas: algumas imagens dele em momentos religiosos, participando de cerimônias ou palestras na igreja. Ele parecia ser bem envolvido com a religião. Havia também fotos dele com a esposa e o filho pequeno. Uma delas chamou a atenção: uma foto do batizado do filho, Mateo, onde Hugo segurava o bebê nos braços, olhando para ele com um sorriso orgulhoso.

Mais abaixo, ela encontrou fotos do casamento. Hugo estava elegante em um terno clássico, e sua esposa, Martha, vestia um vestido simples, mas bonito. A felicidade nos rostos deles era evidente. Sabrina observou a imagem por alguns segundos, como se tentasse decifrar algo nas expressões dele.

Sabrina: (murmurando) Então é assim que ele é fora da escola...

Continuou descendo, vendo algumas fotos de viagens que ele havia feito. Eram poucas, mas mostravam Hugo em lugares históricos, provavelmente aproveitando seu amor por história. Ela percebeu que ele não parecia gostar muito de expor sua vida pessoal. Suas postagens eram cuidadosas, sempre dentro de um limite.

Curiosa, Sabrina decidiu explorar mais e clicou no perfil da esposa, Martha. O perfil dela era o oposto do dele. Cheio de fotos de família, momentos caseiros, e declarações de amor para o marido e o filho. Havia várias fotos de Hugo, algumas com Mateo nos braços, outras de momentos em família na igreja ou em reuniões.

Sabrina: (pensando) Parece uma família perfeita.

Ela não sabia exatamente por que estava tão fascinada em observar a vida de Hugo. Talvez fosse porque ele parecia tão diferente dela, tão distante de sua própria realidade. Ou talvez porque ele parecia ter tudo tão bem estruturado, enquanto ela ainda tentava entender sua própria vida.

Depois de mais alguns minutos navegando pelas fotos, Sabrina decidiu que já era o suficiente. Bloqueou o celular e o deixou por cima de si enquanto olhava para o teto. Respirou fundo, tentando organizar os pensamentos.

Sabrina: (para si mesma) Ele é só um professor...

Depois de alguns segundos imóvel, Sabrina se levantou. Precisava se desligar de tudo aquilo. Foi até o banheiro, escovou os dentes e, ao voltar para o quarto, fechou a janela, evitando que o frio da noite invadisse o espaço. Ajustou as cobertas e apagou a luz, deitando-se novamente.

Enquanto o silêncio tomava conta do quarto, ela se ajeitou na cama, tentando afastar qualquer pensamento sobre Hugo. Amanhã seria outro dia, e ela precisava se concentrar em tudo que estava por vir. Na manhã seguinte, Sabrina acordou com os primeiros raios de sol entrando pela janela. O clima chuvoso do dia anterior havia dado lugar a um céu claro e ensolarado. Ainda sonolenta, levantou-se, tomou um banho rápido e começou a se arrumar para a escola. Escolheu um conjunto simples, como sempre fazia, e prendeu os cabelos de forma prática. Sua rotina era metódica, mas ela gostava disso.

Ao descer para o café da manhã, encontrou seus pais já sentados à mesa.

Ana: Bom dia, filha. Dormiu bem?

Sabrina: Dormi sim. Bom dia.

Marcos: O tempo melhorou. Parece que hoje vai ser um dia bonito.

Sabrina assentiu enquanto se servia de uma fatia de pão e passava manteiga. As conversas matinais eram sempre leves, mas confortáveis. Depois de terminar sua refeição e organizar sua mochila, Sabrina deu um beijo rápido na mãe e um aceno ao pai antes de sair.

Sabrina: Até mais.

Ana e Marcos: Até mais, filha.

Ao chegar na escola, o ambiente já estava movimentado. Sabrina caminhou direto para o armário, como fazia todas as manhãs, organizando seus livros e pegando o material para as primeiras aulas. O corredor estava barulhento, como sempre, mas de repente um silêncio incomum tomou conta do ambiente. Curiosa, Sabrina olhou para o lado e viu o motivo.

Jenna e as animadoras de torcida entravam no corredor, todas vestindo seus uniformes. O tecido brilhante e os cortes modernos chamavam a atenção de todos. Elas andavam como se estivessem em uma passarela, os olhares das pessoas seguindo cada passo delas. Sabrina suspirou e voltou a mexer em seu armário, tentando não parecer incomodada com toda a atenção que o grupo estava recebendo.

Logo, Jenna se aproximou com um sorriso no rosto.

Jenna: Sabrina! Por que você não está usando o uniforme?

Sabrina, ainda concentrada em seu armário, olhou para Jenna, confusa.

Sabrina: Pensei que era só para usar nas apresentações.

Jenna riu alto, chamando a atenção de mais algumas pessoas ao redor.

Jenna: Ai, Sabrina, você é tão boba. Pode usar livremente. Na verdade, deve usar! Agora vai lá e veste a sua roupa.

Antes que Sabrina pudesse protestar, Jenna já estava a puxando pelo braço em direção à sala das animadoras de torcida.

Sabrina: Tá bom, tá bom, eu vou.

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Comments

Isa

Isa

tô amando a personalidade dela

2025-01-30

1

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