Capítulo 11

No salão do restaurante do hotel, as luzes eram suaves, criando um ambiente acolhedor e elegante. Sabrina, junto com Jenna, Ana e Melissa, descia as escadas em direção à entrada principal. Cada uma delas trajava roupas cuidadosamente escolhidas para a ocasião, mas Sabrina, com seu vestido simples e elegante, chamava atenção de forma discreta. Assim que chegaram à porta, ela foi a primeira a entrar, mantendo seu ritmo tranquilo.

Hugo estava próximo à entrada, em conversa casual com um dos coordenadores, mas interrompeu o papo ao notar Sabrina passando. Ele a encarou por um instante, esboçando um sorriso leve.

Hugo: Até que enfim, senhorita Sabrina.

Sabrina parou brevemente, mas não respondeu. Seu silêncio era tão expressivo quanto qualquer palavra. Apenas continuou andando, altiva, até que a voz de Hugo a chamou novamente.

Hugo: Sabrina, espera um pouco.

Ela se virou lentamente, o rosto levemente intrigado, mas sem demonstrar mais do que o necessário. Enquanto as outras meninas seguiam para escolher uma mesa, Sabrina deu alguns passos na direção de Hugo, mantendo sua postura controlada.

Hugo estendeu a mão, revelando uma pulseira delicada que ela conhecia bem.

Hugo: Isso aqui... acho que você esqueceu no carro.

Sabrina olhou para a pulseira por alguns segundos, e seus olhos logo voltaram para os de Hugo.

Sabrina: No carro? E por que não entregou antes?

Hugo hesitou, desviando o olhar por um instante. Parecia buscar uma resposta convincente, mas sua expressão o traiu.

Hugo: Eu... esqueci.

Sabrina arqueou levemente a sobrancelha, avaliando sua reação.

Sabrina: Tanto faz.

Ela pegou a pulseira de sua mão e se virou para sair, mas, ao dar o primeiro passo, ouviu a risada contida dele.

Hugo: Você é bem complicada, sabia?

Sabrina parou por um momento, inclinando a cabeça para o lado sem se virar completamente.

Sabrina: Eu sei.

Antes que pudesse continuar andando, Hugo a segurou levemente pelo braço, mas de forma firme o suficiente para chamar sua atenção. Sabrina se virou para encará-lo, o olhar direto e inabalável.

Hugo: Escuta... é melhor não falar pra ninguém que você pegou carona comigo.

Ela continuou olhando para ele, sem dizer nada, mas o silêncio exigia explicação.

Hugo: Quero dizer, as pessoas podem entender errado. Isso não seria bom nem pra você, nem pra mim.

Sabrina observou seu semblante sério por alguns segundos antes de responder, com um leve tom de ironia.

Sabrina: Fica sossegado, professor.

Ela soltou o braço suavemente e continuou andando, como se a conversa não tivesse tido o menor impacto nela. Mas, por dentro, Sabrina sentia uma mistura de irritação e divertimento. Hugo parecia mais preocupado do que deveria, e ela achava isso curioso.

Chegando à mesa onde Jenna e as outras estavam, percebeu os olhares ansiosos das meninas. Jenna foi a primeira a falar, com um tom de curiosidade quase escandalosa.

Jenna: E aí, o que ele queria com você?

Sabrina puxou a cadeira e sentou-se com calma, mantendo a expressão neutra.

Sabrina: Nada demais.

Mas Jenna não parecia disposta a aceitar uma resposta tão vaga.

Jenna: Ah, qual é, Sabrina. Eu vi ele pegar no seu braço. Não me diga que foi "nada".

Sabrina inclinou-se ligeiramente para frente, seus olhos fixos nos de Jenna com intensidade.

Sabrina: Foi besteira.

O silêncio na mesa durou apenas alguns segundos antes de Jenna se sentir um pouco desconfortável, desviando o olhar e forçando uma risada para aliviar o clima.

Jenna: Você é tão chata, sabia?

Ana, tentando quebrar a tensão, entrou na conversa com um tom animado.

Ana: Se o professor Hugo tivesse pegado no meu braço daquele jeito, eu teria desmaiado na hora!

As meninas riram, e Sabrina apenas deu um sorriso discreto antes de desviar o olhar. Não era do tipo que se deixava envolver em assuntos tão superficiais, mas sabia que era melhor não alimentar a conversa.

Logo, os garçons começaram a trazer os pratos, e o jantar foi servido. Hugo, como sempre, preferiu sentar-se com os jogadores do time, mantendo sua postura descontraída, mas atenta. Sabrina não olhou em sua direção, mas sabia que ele estava lá. Concentrando-se na comida e nas conversas da mesa, deixou que a noite fluísse naturalmente.

Apesar das risadas e da animação ao seu redor, Sabrina sentia uma espécie de inquietação interna, algo que não conseguia definir. O encontro com Hugo havia deixado uma impressão mais forte do que ela gostaria de admitir. Mas, como sempre, ela manteve tudo isso bem guardado, sem deixar transparecer nada além de serenidade.

Após o jantar, enquanto algumas meninas já se dirigiam aos quartos, Sabrina teve uma ideia. Ela se aproximou de Jenna, que estava conversando com Ana e Melissa no lobby.

Sabrina: Jenna, e se fizermos um ensaio rápido agora? Aproveitamos que ainda estamos cheias de energia e podemos ajustar algumas coisas.

Jenna, sempre animada com qualquer ideia relacionada às animadoras, sorriu imediatamente.

Jenna: Adorei! Mas será que o Hugo vai deixar?

Sabrina: Deixa comigo.

Sem hesitar, Sabrina foi até Hugo, que estava sentado perto dos jogadores, revisando alguns papéis.

Sabrina: Professor Hugo, queremos fazer um breve ensaio. Só uns minutos no salão do hotel. Podemos?

Hugo olhou para ela, inicialmente pensando em dizer que era tarde, mas ao encarar o semblante confiante de Sabrina, apenas suspirou.

Hugo: Tá bom, mas sem exageros. E nada de virar a noite, hein?

Sabrina: Claro, professor. Prometo.

As meninas foram para os quartos, trocaram seus vestidos por roupas mais confortáveis e leves e se dirigiram ao salão. A música já estava pronta, e elas começaram com alongamentos rápidos antes de iniciarem os primeiros movimentos.

No entanto, após alguns minutos, Sabrina, com seu olhar crítico e detalhista, percebeu algo.

Sabrina: Jenna, essa coreografia tá muito básica. Muito comum. Não tem impacto.

Jenna, que estava ajustando um passo, ergueu as sobrancelhas.

Jenna: Sério? E o que você sugere, então?

Sabrina: Algo mais apimentado.

Ela caminhou até o som, escolheu uma música com batidas marcantes de reggaeton e deu play. Sem esperar, Sabrina começou a dançar. Seus movimentos eram precisos, sensuais e cheios de confiança. As meninas pararam para assistir, boquiabertas, e logo começaram a aplaudir, incentivando-a.

Jenna: Uau, Sabrina! Isso sim chama atenção!

Enquanto as meninas riam e tentavam imitar os passos de Sabrina, Hugo, que estava passando pelo corredor do hotel, notou um grupo de meninos reunido na porta do salão. Eles riam e cochichavam, claramente entretidos. Intrigado, Hugo se aproximou para entender o que estava acontecendo.

Quando olhou para dentro do salão, viu Sabrina dançando. Seus movimentos chamavam atenção de todos, inclusive dele. Por um instante, ele ficou paralisado, incapaz de desviar os olhos. Havia algo na maneira como Sabrina se movia que era hipnotizante.

No entanto, Hugo logo percebeu que a coreografia estava longe de ser apropriada para uma apresentação no dia seguinte. Com um suspiro pesado, ele entrou no salão. Assim que sua presença foi notada, todas as meninas pararam, e Jenna imediatamente deu pausa no som.

Hugo: Isso vai ser a coreografia de amanhã? Porque está... muito explícito.

As meninas ficaram em silêncio, um pouco envergonhadas. Mas Sabrina, como sempre, não perdeu a compostura. Ela cruzou os braços e ergueu uma sobrancelha.

Sabrina: O senhor estava nos espiando, professor?

A pergunta pegou Hugo de surpresa. Ele ficou desconcertado, gaguejando enquanto tentava se explicar.

Hugo: Eu... eu não estava espiando. Eu só... vi um grupo de meninos na porta e achei melhor verificar.

As meninas começaram a rir, divertindo-se com a forma como Sabrina havia deixado o professor desconfortável. Ele, claramente sem graça, tentou mudar de assunto.

Hugo: Olha, eu só acho que é melhor algo mais casual. Isso aqui tá... exagerado.

Sabrina deu alguns passos na direção dele, parando a poucos centímetros de distância. Seu olhar fixou-se diretamente no dele, desafiador, mas controlado.

Sabrina: O senhor é treinador, professor. Deve se preocupar com os jogadores de futebol americano, não com as animadoras de torcida.

Hugo tentou rebater, mas as palavras lhe faltaram. Sabrina parecia dominar completamente a conversa.

Hugo: Eu só...

Sabrina interrompeu.

Sabrina: Relaxa, professor. Não vamos exagerar.

Ela deu um meio sorriso, voltando alguns passos antes de se virar para sair. Mas antes, lançou uma última frase, em um tom debochado.

Sabrina: Tenha bons sonhos.

Sem dar chance para resposta, ela se afastou, retomando o ensaio com as meninas. Hugo ficou parado por um momento, tentando processar o que acabara de acontecer. A segurança de Sabrina o intrigava e, ao mesmo tempo, o desafiava de um jeito que ele não conseguia explicar.

Enquanto voltava para o corredor, ele pensou que talvez Sabrina fosse mais complexa do que aparentava ser. E isso começava a mexer com ele de formas que ele não sabia se deveria explorar.

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Comments

Mônica tarciana

Mônica tarciana

"senhorita" kkkkkkk

2025-01-26

1

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