Capítulo 4

O campo da escola estava vazio, iluminado apenas pelos holofotes que pareciam projetar sombras ao redor. Sabrina caminhava lentamente pelo gramado, o silêncio ao seu redor era quase ensurdecedor. O ar estava denso, como se algo importante estivesse prestes a acontecer.

Ao longe, ela viu uma figura conhecida. Hugo estava lá, parado, mas não como o treinador ou professor que ela costumava ver. Ele estava vestido de forma elegante, um terno perfeitamente alinhado, como se fosse um personagem de um filme antigo. Em suas mãos, segurava uma rosa vermelha.

Ele começou a caminhar em sua direção, com passos firmes e um olhar que parecia atravessá-la. Sabrina, por algum motivo, não se moveu. Seus pés pareciam enraizados no chão, incapazes de recuar ou avançar.

Hugo: Sabrina, o que faz aqui tão tarde?

A voz dele soava diferente, mais profunda e envolvente. Ela tentou responder, mas as palavras não saíram de sua boca.

Hugo: Perdida, talvez? Ou apenas curiosa?

Ela franziu a testa. Algo sobre ele a deixava desconfortável, mas ao mesmo tempo a intrigava. Ele parou à sua frente e levantou a rosa, estendendo-a em sua direção.

Hugo: Aceite.

Sabrina hesitou, mas acabou pegando a flor. Quando seus dedos tocaram os espinhos, ela sentiu uma leve dor e notou uma pequena gota de sangue escorrer. Ele observava cada movimento seu com uma expressão que era ao mesmo tempo calma e carregada de intenções não ditas.

De repente, o cenário mudou. Eles estavam agora em uma sala de aula vazia, as paredes cobertas por sombras oscilantes. Hugo estava sentado na mesa do professor, com a rosa ainda em mãos, enquanto Sabrina permanecia em pé, sentindo-se estranhamente desconfortável.

Hugo: Sente-se.

Sabrina hesitou novamente, mas acabou obedecendo. Sentou-se na primeira cadeira, enquanto ele a observava de um jeito que fazia o ar parecer mais pesado.

Hugo: Você é interessante, Sabrina. Tão distante, mas ao mesmo tempo... impossível de ignorar.

Sabrina: (Fria) Não sei se isso foi um elogio ou só uma tentativa de me deixar desconfortável.

Hugo riu, mas foi uma risada baixa, quase inaudível.

Hugo: Apenas uma constatação.

Ele se inclinou para frente, seus olhos fixos nos dela, e colocou a rosa sobre a mesa.

Hugo: Você tem espinhos, Sabrina. E isso me faz querer te entender ainda mais.

Ela não respondeu. Sua mente estava uma bagunça. Quem ele pensava que era para dizer aquelas coisas? E por que ela não conseguia se levantar e sair dali?

Ele estendeu a mão, como se fosse tocar a dela, mas antes que o fizesse, um som distante ecoou. Sabrina piscou, confusa, e olhou ao redor. Tudo parecia começar a desaparecer, como se estivesse desmoronando.

De repente, ela acordou. Estava deitada na cama, seu quarto iluminado apenas pela luz fraca do amanhecer. O som do alarme tocava baixo ao fundo.

Sabrina sentou-se rapidamente, o coração acelerado. Passou as mãos pelo rosto, tentando processar o que acabara de acontecer.

Sabrina: (Para si mesma) Foi só um sonho...

Ela respirou fundo, mas a sensação de desconforto persistia. Apesar de ser apenas um sonho, o olhar de Hugo parecia ter ficado gravado em sua mente. Determinada a afastar aquilo, ela levantou-se, pronta para começar mais um dia.

Quarto da Sabrina

Caminhou até o banheiro, tomou um banho rápido e deixou que a água escorresse pelo corpo, tentando levar consigo qualquer traço daquela estranha sensação. Após lavar o rosto e escovar os dentes, escolheu uma roupa confortável: jeans escuro e uma blusa básica. Ajustou os fios de cabelo em um coque despretensioso e desceu até a cozinha.

Na mesa do café, estavam seus pais, Ana e Marcos. Marcos lia o jornal enquanto Ana servia café e organizava torradas em um prato. Sabrina se sentou, mantendo seu semblante frio e distante como sempre.

Marcos: Dormiu bem, filha?

Sabrina: Uhum.

Ana: Tem certeza? Você parece distraída.

Sabrina levantou os olhos para a mãe, mas não disse nada, apenas deu de ombros e continuou a comer. A barreira que sempre existia entre ela e os outros parecia inquebrável, até mesmo com seus pais.

Quando terminou, pegou sua mochila e colocou os fones de ouvido.

Sabrina: Estou indo.

Marcos: Quer uma carona?

Sabrina: Não precisa, vou andando.

Casa da Sabrina

Sem esperar resposta, saiu de casa e começou sua caminhada até a escola. A brisa da manhã era fresca, mas o sol já começava a aquecer o caminho. Sabrina ajustou o capuz da jaqueta e apertou o passo, tentando afastar qualquer pensamento que insistisse em puxá-la de volta ao sonho.

Chegando em frente à escola, viu o carro de Hugo entrando no estacionamento. Ele saiu do veículo de forma casual, ajustando os óculos de sol e caminhando em direção à entrada principal. A visão trouxe de volta à sua mente as imagens do sonho, invadindo seus pensamentos como um relâmpago. Sabrina balançou a cabeça, afastando-as rapidamente.

Sabrina: (Para si mesma) Que besteira.

Ela entrou na escola e seguiu para o gramado, onde viu Jenna sentada com duas amigas. Sabrina reconheceu Anna, que fazia parte do time de líderes de torcida, e uma outra garota que ela não conhecia tão bem. Jenna, ao vê-la, acenou e chamou.

Jenna: Ei, Sabrina, vem cá!

Sabrina hesitou por um momento, mas acabou se aproximando e se sentando ao lado delas. O calor do sol batia em seu rosto, aquecendo sua pele, e ela fechou os olhos por um momento, tentando relaxar.

Jenna: Então, ontem foi divertido, né?

Sabrina abriu os olhos e deu um sorriso de leve, sem se comprometer.

Sabrina: Foi legal.

Jenna: E aí, depois de ver a nossa apresentação, não rola um interesse em entrar para o time? Você viu como é animado, e eu acho que você seria ótima nisso.

Sabrina deu de ombros.

Sabrina: Gostei, mas ainda não sei. Vou pensar.

Jenna assentiu, sorrindo.

Jenna: Beleza, sem pressão.

Anna olhou para o relógio e levantou-se apressada.

Anna: Preciso ir pra sala, é aula do professor Hugo agora. Não quero perder nem um minuto de poder admirar o gostoso que ele é.

As outras meninas riram, mas Sabrina revirou os olhos, sem paciência para aquilo.

Sabrina: Não sei o que vocês veem nele. Ele nem é tudo isso que vocês falam.

A outra garota, Melissa, arqueou as sobrancelhas.

Melissa: Claro que é! Ele é engraçado, inteligente, e tem aquele jeito meio brincalhão... É irresistível.

Jenna: Concordo. Ele é muito charmoso.

Sabrina cruzou os braços, impassível.

Sabrina: Vocês só falam isso porque não prestam atenção no que ele faz. Ontem, por exemplo, ele pediu para eu segui-lo no Instagram, e me diz: é coisa de professor ficar pedindo isso? Ele ainda disse para não pedir nudes a ele!

Melissa: Sério? E você pediu?

Sabrina: Não! Claro que não. Mas o pior nem foi isso. Ele ficou levantando a calça daquele jeito... sei lá, parecia que estava fazendo de propósito.

As meninas riram, mas Jenna tentou disfarçar.

Jenna: Ah, ele é assim mesmo. Sempre brincalhão. Mas você tem que admitir, ele sabe ser carismático.

Sabrina não respondeu, apenas deu de ombros. As meninas continuaram rindo, comentando sobre Hugo e o quanto ele era popular entre as alunas, até que Anna pegou sua mochila e começou a se despedir.

Anna: Preciso ir agora. Vocês também não querem se atrasar.

Jenna: É verdade. Nos vemos mais tarde?

Sabrina: (Levantando-se) Sim, até mais.

Cada uma seguiu para uma sala diferente, mas Sabrina ainda sentia a conversa ecoando em sua mente. Por mais que tentasse ignorar, algo sobre Hugo a deixava inquieta. Não era apenas a forma como as meninas falavam dele, mas o fato de que ele parecia estar sempre presente, mesmo sem que ela quisesse.

Seguindo para sua sala, Sabrina respirou fundo, decidida a focar nas aulas e ignorar qualquer coisa que a desconcentrasse. Mas, no fundo, sabia que essa tarefa seria mais difícil do que gostaria.

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Comments

davina

davina

estou começando hj, e já estou amando

2025-01-30

2

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