Capítulo 6

Após o ensaio, Sabrina e as outras meninas do time foram para o banheiro, tomaram um banho rápido e vestiram roupas novas antes de retornarem para as aulas. Sabrina, apesar de não demonstrar entusiasmo, seguiu sua rotina com a mesma frieza de sempre. Ao fim do dia, se despediu das meninas e se preparou para ir para casa.

Ao começar a caminhar, o tempo mudou abruptamente. O céu, que antes estava claro, rapidamente se cobriu de nuvens escuras, e uma chuva forte começou a cair sem aviso. Sabrina, determinada a não mudar seus planos por conta do tempo, decidiu continuar andando.

Enquanto caminhava pela calçada, um carro parou ao seu lado e o vidro foi abaixado. Era Hugo, seu professor de história, que a observava com um sorriso simpático.

Hugo: A chuva veio de repente, não foi?

Sabrina hesitou por um momento, pensou em recusar, mas a chuva estava forte demais, e ela ainda estava longe de casa. Por fim, decidiu entrar no carro.

Sabrina: (em tom frio) Obrigada.

Hugo sorriu novamente e, sem mais demora, começou a dirigir. Ele olhou para Sabrina e tentou puxar conversa.

Hugo: Parece que o tempo mudou do nada, né?

Sabrina manteve o olhar fixo na rua, sem responder, até que Hugo continuou, tentando fazer com que a conversa fluísse.

Hugo: Você está se adaptando bem à nova cidade e à escola?

Sabrina olhou para ele por um instante, mas logo desviou o olhar.

Sabrina: (com frieza) Estou me adaptando.

Hugo percebeu a falta de entusiasmo, mas seguiu dirigindo, com um sorriso amigável.

Hugo: Deve ser difícil se adaptar a um lugar novo, com novas pessoas. A escola, os amigos, tudo diferente, né?

Sabrina não se deixou envolver na conversa. Ela apenas olhou pela janela, observando a chuva.

Sabrina: (monótona) Não é tão difícil.

Hugo: Hmm, você parece uma pessoa que não se abala fácil.

Sabrina apenas fez um leve movimento de cabeça, mas não respondeu. Ele, então, tentou outra abordagem.

Hugo: E os outros alunos? Estão te ajudando com a adaptação?

Sabrina: (fria) Não preciso de ajuda.

Hugo riu de forma descontraída, percebendo que Sabrina não era de falar muito.

Hugo: Entendi. Sei como é, às vezes a gente prefere ficar mais na nossa, né?

Sabrina não reagiu, mas analisou o interior do carro. Percebeu uma Bíblia no painel, crucifixos pendurados no retrovisor e outros sinais sutis que indicavam que Hugo provavelmente era católico. Ela também notou um batom no banco do passageiro, provavelmente da esposa dele.

Sabrina manteve seus pensamentos para si mesma e não comentou nada sobre os detalhes, apenas continuou observando o caminho.

Conforme o carro se aproximava da rua onde Sabrina morava, ela deu as instruções.

Sabrina: A casa é logo ali, mais umas casas para frente.

Hugo seguiu as instruções e, ao parar o carro em frente à casa de Sabrina, fez um comentário.

Hugo: Sua casa é bem bonita.

Sabrina olhou para ele por um momento e, com uma expressão impassível, respondeu.

Sabrina: Obrigada. E obrigada pela carona.

Ela, discretamente, pegou a pulseira do pulso e a deixou no banco do passageiro, bem perto dos outros objetos. Sabia que Hugo provavelmente não perceberia naquele momento.

Antes de sair do carro, Sabrina abriu a porta e, rapidamente, foi para o terraço da casa. Correu sem olhar para trás. Ela deu um tchauzinho breve, quase imperceptível, antes de desaparecer para dentro da casa.

Hugo observou a movimentação dela por um momento, mas logo voltou a dirigir, indo embora. A chuva continuava forte, e ele seguiu seu caminho, pensativo. Ao chegar em casa, Sabrina entrou rapidamente e foi direto para a sala, onde sua mãe, Ana, estava organizando algumas coisas.

Sabrina: (com a voz calma, mas fria) Mãe, hoje vim de carona.

Ana olhou para Sabrina com um sorriso suave.

Ana: Carona de quem?

Sabrina hesitou por um instante, mas logo respondeu de forma breve.

Sabrina: Do professor Hugo.

Ana levantou uma sobrancelha, surpresa com a resposta, mas preferiu não fazer perguntas naquele momento. Sabrina não estava acostumada a dar muitos detalhes, então Ana apenas assentiu.

Ana: Ah, entendi. Bem, espero que tenha sido uma boa carona.

Sabrina não disse mais nada e começou a subir as escadas em direção ao seu quarto. Assim que entrou, trancou a porta atrás de si e foi direto para o banheiro. Queria relaxar e se desligar de tudo que havia acontecido no dia. O banho quente a acalmou, e ela se sentiu um pouco mais confortável depois do longo dia. Ao sair do banheiro, Sabrina vestiu algo aconchegante: um suéter grosso e calças de moletom, perfeitos para o frio que começava a tomar conta da noite.

Depois de se vestir, ela desceu as escadas e encontrou sua mãe ainda na cozinha. Ana estava começando a preparar o jantar, mexendo com alguns ingredientes na bancada.

Sabrina: (quase sem expressão) Entrei para o time de animadoras de torcida.

Ana parou por um momento e olhou para Sabrina, surpresa, mas com um sorriso de aprovação.

Ana: Sério? Que ótimo, filha! Isso vai ser bom para você.

Sabrina deu um leve sorriso, mas logo se concentrou no movimento da mãe na cozinha.

Sabrina: (como se estivesse apenas informando) Eles fazem viagens para outras cidades às vezes.

Ana olhou para Sabrina, com curiosidade.

Ana: Viajar, hein? Isso deve ser legal. E você vai?

Sabrina deu de ombros, mantendo seu semblante frio.

Sabrina: Não sei. Só disse que vou pensar sobre isso.

Ana assentiu, mas não insistiu em mais perguntas. Ela estava satisfeita por ver que Sabrina estava se envolvido em algo novo, mesmo que de forma reservada. Logo, ela continuou preparando o jantar, enquanto Sabrina a ajudava, sem dizer muito. O silêncio entre elas era confortável, como sempre.

Logo, Marcos, o pai de Sabrina, chegou em casa. Ele entrou com um sorriso cansado, mas estava feliz em ver que o jantar já estava sendo preparado.

Marcos: Olá, meninas! O que está acontecendo por aqui?

Ana sorriu e respondeu enquanto mexia os ingredientes.

Ana: Estamos fazendo o jantar, e Sabrina entrou para o time de animadoras de torcida.

Marcos olhou para Sabrina com um sorriso surpreso.

Marcos: Sério? Que bom! E você está empolgada?

Sabrina olhou para ele por um momento e, com a mesma frieza de sempre, respondeu.

Sabrina: Não sei ainda.

Marcos riu, achando graça no jeito reservado da filha, mas sem pressioná-la.

Marcos: Tudo bem, você vai decidir no seu tempo. Vamos jantar, então?

Sabrina assentiu, e a família se sentou à mesa para o jantar. A noite seguiu tranquila, com Sabrina permanecendo em silêncio, mas, de alguma forma, satisfeita por estar em casa e perto de sua família, mesmo que não demonstrasse muito.

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Comments

Isa

Isa

sortudaaaaa❤️

2025-01-30

1

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