Capítulo 5

A consciência de Kiran emergiu lentamente, como se estivesse subindo das profundezas de um oceano escuro e infinito. Tudo ao seu redor era um borrão de sensações desconexas, calor suave acariciando sua pele, o aroma amadeirado misturado ao cheiro seco e antigo de páginas desgastadas pelo tempo, e o estalo rítmico de algo queimando ao fundo.

Mas seu corpo…

Seu corpo era uma prisão.

Os músculos, rígidos e pesados como se fossem feitos de pedra, recusavam-se a obedecer. Cada articulação parecia emperrada, a dor pulsando em sua carne a cada mínima tentativa de movimento. Ele estava vivo. Mas por um instante, não soube se isso era um alívio ou uma sentença.

Um gemido rouco escapou de seus lábios. Com um esforço doloroso, suas pálpebras entreabriram-se, permitindo que o brilho alaranjado ao seu redor se infiltrasse em sua visão embaçada.

Fogo.

As chamas de uma lareira dançavam em um balé hipnótico, lançando sombras trêmulas sobre as paredes de pedra escura. O calor irradiava pelo ambiente, afastando o frio que parecia ter se enraizado em seus ossos desde que a escuridão o tomara.

Sua mente enevoada tentava processar o que via, mas os pensamentos vinham como fragmentos dispersos, difíceis de encaixar.

Ele tentou se mover, mas arrependeu-se imediatamente.

Uma dor surda explodiu por seu corpo inteiro, como se cada músculo houvesse sido rasgado e costurado de volta sem anestesia. Seu peito queimava ao inspirar, os pulmões parecendo mais frágeis do que nunca. Ainda assim, reuniu forças e forçou-se a sentar, sentindo o toque inesperadamente macio das cobertas que o envolviam.

"Cobertas?"

Seu olhar desceu, as sobrancelhas franzindo-se. Os lençóis eram de veludo escuro, luxuosos ao toque, um absurdo completo considerando ao que era capaz de lembrar. Seus dedos deslizaram pelo próprio rosto, sentindo a pele quente e úmida de suor. Febre. Havia sido forte, mas agora parecia ter diminuído, deixando para trás apenas a fraqueza persistente. Ao baixar a mão, percebeu as bandagens ao redor de seus dedos.

Alguém o tratou.

O pensamento trouxe um nó desconfortável ao seu estômago. Com o coração martelando, seus dedos buscaram seu peito. Nada. Apenas o tecido fino de uma camisa limpa. Por um instante, um pânico gelado tomou conta dele.

Seu olhar então varreu o ambiente em busca de alguma resposta.

Era um quarto pequeno, mas longe de ser hostil. A pedra escura das paredes dava ao cômodo uma aparência austera, mas o brilho cálido da lareira suavizava sua frieza. Tapetes pesados cobriam o chão, e estantes abarrotadas de livros se enfileiravam contra as paredes, algumas com pilhas desordenadas espalhadas pelo chão, como se tivessem sido consultadas e abandonadas às pressas. Não era um quarto de prisioneiro.

E, ainda assim, algo estava errado. Ele não gostava de se sentir vulnerável. Não gostava de não saber onde estava ou o que viria a seguir.

Kiran tentou ordenar os pensamentos, dissipar o nevoeiro que ainda pairava sobre sua mente, buscar respostas que não vinham. Mas antes que pudesse se aprofundar em qualquer linha de raciocínio, um som repentino o fez congelar.

O ranger lento de uma porta se abrindo.

O som cortou o silêncio como um aviso, fazendo seus músculos enrijecerem por puro reflexo. Seu corpo, reagiu ao instinto de sobrevivência, forçando-se a girar a cabeça em direção ao ruído. A dor explodiu em sua nuca e nos ombros como agulhas cravando-se em sua carne, mas ele ignorou.

À entrada do quarto, uma figura alta e encapuzada o observava, a silhueta recortada pela luz oscilante da lareira. Imóvel, como uma sombra arrancada da noite, o desconhecido parecia medir Kiran com um olhar que ele não conseguia ver, mas podia sentir. Era ele.

— Vejo que despertou. — A voz rompeu o silêncio com uma tranquilidade inquietante.

Kiran umedeceu os lábios ressecados, tentando forçar sua garganta a produzir som.

— Quem... quem é você?

O estranho não respondeu de imediato. Apenas inclinou levemente a cabeça, como um estudioso avaliando uma peça rara, a expressão oculta sob o capuz tornando impossível decifrar seu real estado de espírito.

— Deve descansar mais. — disse, e havia uma certeza desconcertante em seu tom, como se a própria ideia de segurança fosse algo maleável em suas mãos. — Você está seguro agora.

Seguro.

A palavra soou vazia, quase cínica. Segurança era um conceito frágil demais para ser tomado como garantia, especialmente em uma situação como aquela.

O desconhecido avançou um passo.

Kiran reagiu por puro instinto. Tentou se erguer, ignorando o protesto febril de seus músculos, mas o peso de seu próprio corpo o traiu, forçando-o a permanecer onde estava. Ainda assim, seus dedos deslizaram para a lateral do corpo, onde sempre repousava o peso familiar de suas pistolas.

Uma risada baixa ecoou pelo quarto.

— Suas coisas estão aí.

O estranho fez um leve movimento de cabeça, indicando a mesa ao lado da cama. Kiran seguiu o gesto com os olhos, e ali, repousando lado a lado sobre a madeira escura, estavam suas pistolas e suas roupas cuidadosamente dobradas.

O alívio foi instantâneo, mas não duradouro.

Se aquele homem desejasse matá-lo, teria tirado suas armas. Mas elas estavam ali. Intactas. Ao alcance de suas mãos. Isso significava apenas uma coisa. Ele não o temia. E isso era mais preocupante do que qualquer ameaça direta.

Com a mesma calma desconcertante, o estranho caminhou até a beirada do colchão e se sentou ali sem cerimônia, de costas para Kiran, como se a presença do guerreiro solariano não representasse risco algum.

— Quem é você? — Kiran quis saber.

O estranho não se virou.

— Creio que apresentações são dispensáveis.

— Dispensáveis para você, talvez. Não para mim. Quero saber com quem estou falando.

O silêncio que se seguiu foi longo o suficiente para que Kiran percebesse que aquela pergunta, simples em sua essência, não teria uma resposta direta. O desconhecido permaneceu imóvel, como se ponderasse se valia a pena ceder à exigência.

Então, num movimento lento, ergueu uma das mãos e deixou que os dedos envolvessem a borda do capuz.

— Se faz tanta questão...

Com uma suavidade quase teatral, puxou o tecido para trás.

Seus olhos eram de ouro vivo. Não o dourado frio de metal ou joias. Mas um brilho pulsante, ardente, como brasas que jamais se extinguem. Dentro deles, Kiran juraria enxergar movimento, como se galáxias inteiras orbitassem naquele olhar, infinitas e insondáveis, carregando o mistério de eras que ele jamais compreenderia.

Os cabelos, penteados para trás, desciam até a nuca como um fluxo de prata líquida, refletindo cada fragmento de luz da lareira em um brilho etéreo. Uma franja lateral caía sobre a testa, sombreando parte do rosto angular, criando um contraste quase hipnótico com a tonalidade quente de sua pele morena. Profunda. Quase dourada. Como o calor do deserto à beira do entardecer, como a terra seca sob o abraço de um sol implacável.

Ele era um enigma, uma presença avassaladora, uma beleza indomável que parecia pertencer a algo além deste mundo.

Kiran sentiu-se preso, incapaz de desviar o olhar. Por um instante, o estranho permitiu ser contemplado, ou talvez estivesse apenas estudando a reação do outro. Então, seus lábios se curvaram em um sorriso sutil, quase imperceptível.

— Me chamam Munihr.

Foi só ao ouvir aquele nome que Kiran percebeu que estava olhando para ele por tempo demais.

Sentiu o desconforto crescer no peito, um calor incômodo que não deveria estar ali. Raiva, desprezo, um instinto primal de repulsa apenas pela menção daquele nome. Com um movimento brusco, desviou os olhos e apertou os lábios, determinado a recuperar o controle da situação.

— Você é um lunar?

Munihr inclinou ligeiramente a cabeça.

— Seu semblante de desprezo já entrega que sabe a resposta, Kiran.

O solariano enrijeceu no mesmo instante. O som do próprio nome dito por aquele homem, naquela voz arrastada, tranquila demais, fez seu estômago revirar. Como se uma lâmina tivesse deslizado sutilmente sobre sua pele, testando o limite antes de cortar.

— Como sabe meu nome?

Munihr apenas sorriu. E então, ergueu a mão.

Kiran sentiu o coração falhar uma batida ao reconhecer o brilho dourado entre os dedos do lunar. Sua insígnia. Aquele pequeno objeto era muito mais do que um pedaço de metal. Ele era um símbolo. Sua identidade. Seu vínculo com tudo o que já foi e que ainda era.

Seus olhos se arregalaram, e Munihr percebeu.

Com uma expressão despreocupada, ele girou a insígnia entre os dedos, a luz da lareira refletindo em suas superfícies delicadamente esculpidas.

— Isso pertence a um guardião, não é?

A pergunta foi dita quase como uma provocação, mas Munihr já sabia a resposta.

Kiran não desperdiçou palavras. Seu corpo moveu-se por puro reflexo, a mão disparando para agarrar o objeto. Mas o lunar se esquivou com facilidade, inclinando o corpo para trás.

— Me devolva isto!

Munihr arqueou uma sobrancelha, observando-o como se fosse um animal selvagem acuado. Seu olhar voltou para a insígnia, os dedos brincando com ela.

— Hm… — murmurou, pensativo. — Agora entendo por que quer tanto isso de volta. Nada menos que um fragmento de estrela. É algo muito difícil de se obter, você sabia? Isso só pode ser obtido por uma estrela caída. E estrelas caídas são raras, não descem do céu com frequência. E quando o fazem… É raro encontrá-las.

Kiran não respondeu.

— Interessante… Muito interessante.

Houve um instante de hesitação. Algo passou pelo rosto do lunar, algo breve, imperceptível demais para ser nomeado.

Então, ele suspirou.

— Mas não me interessa.

E sem mais delongas, pegou a mão de Kiran e com um gesto casual, devolveu a insígnia ao seu dono.Tão simples quanto isso. O objeto repousou na palma aberta de Kiran, o peso familiar pressionando sua pele como um lembrete tangível de que ainda era ele. Ainda era um guardião. Fechou a mão em torno da insígnia com força, sentindo o metal aquecer sob seus dedos. Como se precisasse sentir aquilo, para ter certeza de que era real.

— Então eu estava certo. — disse o lunar. — Eu queria ver se conseguiria arrancar essa informação de você. Mas não precisei. Você mesmo me contou.

Kiran crispou o maxilar.

— Você…

Antes que ele pudesse acusá-lo de qualquer coisa, Munihr ergueu uma mão, interrompendo-o.

— Eu não sabia. Foi só um palpite. E você o confirmou.

O silêncio pesou entre eles, carregado de tensão. Kiran sentiu o sangue pulsar forte nas têmporas. Seu instinto gritava que aquilo era um jogo perigoso.

Munihr sorriu de lado.

— Então é assim que vocês passam pela noite. Faz sentido. É isso que tem te mantido vivo até agora, não é? Um solariano longe da luz não dura tanto tempo… A menos que carregue um pedaço dela consigo.

Kiran não piscou. Não desviou. Apenas encarou Munihr com uma intensidade feroz, como se pudesse queimar aquela ideia antes que ela se enraizasse.

Mas Munihr gostou daquele olhar.

— E como sei seu nome, Kiran? Os ventos têm o hábito de trazer conversas de longe. Não se ofenda, mas sei muito mais que apenas seu nome.

— Então é um fofoqueiro.

O lunar arqueou uma sobrancelha, como se estivesse ligeiramente ofendido.

— Fofoqueiro?— Ele balançou a cabeça, divertido. — Não gosto desse termo. Prefiro pensar que sou um observador… alguém que aprecia ouvir as histórias do mundo.

O tom despreocupado de Munihr fez a irritação de Kiran aumentar, mas junto dela veio algo incômodo, difícil de ignorar.

Ele desviou o olhar, deixando que percorresse o quarto, como se tentasse encontrar algo concreto para ancorá-lo à realidade. O espaço era amplo, mas escuro. As paredes absorviam a luz da lareira, e os móveis eram sóbrios, de madeira escura, austeros como o próprio dono daquele lugar que já sabia bem a quem pertencer.

— Onde eu estou?

Munihr soltou um suspiro leve e ergueu-se da beirada da cama, dando um passo à frente.

— Você devia saber. Afinal, teve a ousadia de desmaiar diante dos portões do castelo.

Kiran abriu a boca, mas parou. O lunar falava com tanta tranquilidade, como se sua morte não tivesse sido nada além de um incômodo passageiro. Algo a ser varrido para longe como poeira ao vento.

Ele respirou fundo, forçando-se a conter a raiva crescente em seu peito. Havia algo de profundamente irritante naquele homem, não apenas pela forma como falava, mas porque era difícil decifrá-lo. Ele não parecia provocá-lo por crueldade, nem por arrogância gratuita. Parecia apenas… testá-lo. Munihr se moveu, caminhando lentamente pelo quarto, sem pressa.

— Você está na Cidade Lunar.

— "Cidade Lunar?"

Sua própria voz soou distante, irreconhecível.

Kiran sentiu o sangue gelar.

Era um nome que nunca deveria ser dito com tanta leviandade.

— Não…

Munihr inclinou a cabeça, observando-o com uma curiosidade quase divertida.

— Você esperava estar onde, Kiran?

O solariano mal ouviu a provocação. Sua mente girava com possibilidades, riscos, perigos que ele não havia considerado até agora. Ele estava em território inimigo. No coração da noite.

Podia ser em qualquer outro lugar, mas não ali. A Cidade Lunar não podia ser real. Era passado. Um conto contado à beira das fogueiras, um sussurro nas bocas dos solarianos. O reino que foi esquecido. Um lugar oculto entre véus de sombras, onde a noite nunca terminava, onde o tempo era moldado por forças além da compreensão. Mas ali estava ele. Respirando o ar frio e pesado daquele lugar impossível.

— Por que eu estou aqui?

— Isso só você pode responder.

As palavras ressoaram dentro dele como um eco estranho. O lunar falava com tanta naturalidade que quase fazia parecer que nada daquilo era alarmante. Mas era. Tudo ali era errado.

Kiran cerrou os punhos sobre o cobertor. Sua mente gritava perguntas, dúvidas que se acumulavam como trovões distantes, mas antes que pudesse pressioná-lo por mais respostas, Munihr continuou, com um tom que beirava a indiferença.

— Mas pode ficar tranquilo. Você está seguro agora.

Seguro.

A palavra dita antes, que fazia seu sangue ferver.

— Seguro? Em território inimigo?

Munihr sorriu de lado, como se achasse divertida a escolha das palavras.

— Depende de sua definição de inimigo.

Kiran estreitou os olhos.

— Não brinque comigo.

— Eu não brinco.

Kiran sustentou o olhar dele. Munihr não parecia preocupado em convencê-lo de nada. Não usava ameaças, nem tentava acalmá-lo com promessas vazias. Apenas lançava as palavras no ar, deixando que Kiran fizesse com elas o que quisesse.

E isso o incomodava ainda mais.

— Por que me salvou?

A pergunta escapou antes que pudesse impedi-la. Ser salvo por um lunar já era absurdo. Ser trazido até aquele lugar… era inconcebível.

— Por que não o faria? Sua morte seria uma perda desnecessária para ambos os lados.

Tão simples assim?

A resposta pragmática pegou Kiran de surpresa. Ele esperava um motivo oculto, um jogo, uma barganha… mas não aquela frieza calculada. Ele esperava malícia. Esperava mentiras. Esperava um lunar.

— Mas eu sou seu inimigo…— murmurou Kiran.

— Talvez você pense assim. Mas se fosse realmente meu inimigo… não estaria vivo agora.

Kiran não sabia se aquilo era uma provocação ou apenas uma constatação cruelmente verdadeira.

— Diga o que pretende. — perguntou impaciente.

Munihr inclinou a cabeça, avaliando-o.

— Pretender algo? Talvez apenas tenha curiosidade.

— Para alguém tão fofoqueiro quanto você, já deve saber mais do que precisa. Afinal, o inimigo anda bem informado.

— Ah, mas conhecimento nunca é demais, não acha? — Ele girou ligeiramente o corpo, encarando Kiran com aquela expressão tranquila e insolente. — O que seria do mundo se deixássemos de nos interessar por suas histórias?

Kiran não respondeu. Apenas o encarou com a mesma intensidade fria. Ele não sabia o que Munihr realmente queria, mas era óbvio que aquele homem não salvou sua vida apenas por generosidade.

— O que quer de mim?

— Por que sempre acham que quero algo? Às vezes, um ato de bondade é apenas isso.

— Você espera que eu acredite nisso?

O lunar suspirou, como se estivesse entediado.

— Vamos deixar para depois. Ainda temos bastante tempo para conversar.

— Eu não pretendo ficar aqui.

Munihr soltou uma risada baixa.

— Você não tem muita escolha, guardião. Ainda é noite. Sem a luz, você não tem como partir, nem forças suficientes.

Kiran cerrou os dentes. Sabia que ele estava certo. Seu corpo dependia da luz. Sem ela, sentia-se vulnerável. Quase mortal. Sair agora seria suicídio.

— Então o que devo fazer? Ficar aqui, à mercê de um desconhecido?

Munihr sorriu.

— É a única opção que você tem.

Antes que Kiran pudesse retrucar, o lunar se moveu e caminhou até a beirada da cama. E então, ele ergueu a mão em sua direção. Kiran quis recuar, mas não teve tempo. Os dedos frios tocaram sua testa. Um arrepio percorreu a espinha de Kiran, rápido, incontrolável. Seu corpo reagiu antes que sua mente processasse.

Antes que Kiran pudesse retrucar, Munihr se moveu.

Silencioso, aproximou-se até a beirada da cama, o olhar fixo nele. Kiran tentou recuar, mas não teve tempo. A mão do lunar ergueu-se, e então os dedos frios tocaram sua testa.

Um arrepio percorreu sua espinha, antes mesmo que sua mente entendesse o que estava acontecendo.

— Seu corpo está se restabelecendo — murmurou Munihr.

Então, afastou-se.

Com um gesto tranquilo, puxou o capuz, ocultando parte do rosto na sombra. Mas antes de se virar completamente, lançou um último olhar a Kiran.

— Descanse o quanto quiser. Caso se sinta solitário, procure-me na biblioteca.

— Biblioteca?

— Não é difícil achá-la. As luzes estarão acesas… para afastar os medos tolos da escuridão.

— Ei! Eu ainda estou falando com você!

— Boa noite, senhor guardião.

Antes que Kiran pudesse responder, a porta se fechou com um clique suave.

E ele se foi.

O quarto mergulhou em um silêncio opressor, mais pesado do que antes. Só quando teve certeza de que estava completamente sozinho, Kiran se permitiu mover. Ele precisava ver.

Com esforço, deslizou as pernas para fora da cama. O frio do chão subiu por sua pele como uma mordida gelada, mas ele ignorou. Empurrando a dor e a fraqueza para o fundo da mente, atravessou o quarto em poucos passos apressados até a janela. Seus joelhos vacilaram quando chegou, mas ele se agarrou ao parapeito, apoiando-se nos cotovelos para não ceder.

A Cidade Lunar se estendia diante dele. Sombria. Majestosa. Irreal. Torres erguiam-se contra o céu negro, suas pontas perdendo-se na neblina prateada que pairava sobre as ruas estreitas. Lanternas de luz pálida brilhavam como pequenos sóis distantes, lançando reflexos sobre telhados escuros e muros de pedra antiga. Era grandiosa, silenciosa… e impossível.

De repente sentiu seu estômago embrulhar. Aquilo não podia ser real. Mas era. Kiran sentiu o peso da verdade afundar em seu peito. A Cidade Lunar não era um mito. Ela existia. Ele estava no coração dela.

E estava em sérios apuros.

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