O doutor examinava a perna de Thailor com atenção, sua expressão era serena, mas profissional.
—Sua condição é estável, mas precisa descansar bastante e evitar caminhar até que a inflamação diminua —indicou com seu tom habitual, calmo, enquanto guardava seus instrumentos médicos na maleta.
Dimitrei, que havia observado o exame em silêncio, assentiu. —Obrigado, doutor —respondeu com firmeza, se despedindo do médico com uma leve inclinação de cabeça.
A porta se fechou suavemente após a saída do doutor, deixando Dimitrei e Thailor sozinhos no quarto. A atmosfera, tranquila, mas carregada de uma tensão subjacente, era quase palpável. Thailor estava recostado na cama, com as costas apoiadas nos travesseiros, tentando encontrar uma postura confortável que não aumentasse a dor em sua perna.
Seu rosto pálido denunciava o cansaço acumulado e a dor que tentava dissimular. Apesar de tudo, seus olhos, embora um pouco opacos pelo sofrimento, mantinham aquela centelha de determinação que sempre o havia definido. Não queria parecer fraco diante de Dimitrei, nem diante de ninguém.
Dimitrei se aproximou dele, certificando-se de que estivesse confortável. Ajeitou os lençóis ao redor de Thailor, com uma delicadeza surpreendente para alguém de seu caráter normalmente implacável. Suas mãos grandes e firmes pareciam se mover com uma ternura que contrastava com sua natureza dominante.
Thailor, por sua vez, sentia uma estranha incomodidade com tanta atenção. Nunca em sua vida havia experimentado o cuidado genuíno de alguém, e agora Dimitrei o olhava com uma preocupação autêntica que o fazia se sentir vulnerável.
No entanto, essa mesma vulnerabilidade o desconcertava. Para Thailor, aquela relação não era nada mais do que um acordo, um contrato temporário entre dois homens que não compartilhavam nada além da necessidade de cumprir com obrigações externas. Não havia espaço para afeto real naquele trato. Ou pelo menos era isso que ele repetia para si mesmo.
—Como você está se sentindo? —perguntou Dimitrei suavemente enquanto se sentava na beira da cama, seus olhos azuis perscrutando cada gesto de Thailor, buscando sinais de melhora.
Thailor esboçou um sorriso fraco. —Um pouco melhor —mentiu, ocultando o verdadeiro mal-estar que ainda o atormentava. O simples fato de ter Dimitrei tão perto lhe oferecia uma falsa sensação de alívio, mas sabia que seu corpo não estava em condições de melhorar tão rápido.
Por um momento, se permitiu fantasiar. 'Se você realmente fosse meu parceiro... isso não seria tão difícil', pensou, observando Dimitrei com uma mistura de tristeza e esperança.
Dimitrei, sem notar os pensamentos de Thailor, segurou sua mão com suavidade, um gesto inesperado para alguém tão reservado. Seus olhares se encontraram, e naquele silêncio compartilhado Dimitrei tentava transmitir ânimo sem necessidade de palavras. Seus olhos expressavam uma firmeza reconfortante, como se estivesse disposto a carregar o peso de qualquer problema que Thailor enfrentasse.
—Dimi, você não precisa ficar aqui o tempo todo. Não quero ser um fardo para você. Sei que você tem muitas responsabilidades na empresa —murmurou Thailor, tentando não soar muito ansioso por sua partida. Seu desconforto diante de tanta atenção o fazia se sentir estranho, mas, ao mesmo tempo, uma parte dele desejava que Dimitrei ficasse.
Por dentro, a contradição o consumia. 'Fique', pensava, embora suas palavras indicassem o contrário.
Dimitrei o olhou com intensidade, negando lentamente com a cabeça. —Vou trabalhar daqui. Não irei para o escritório. Toda a equipe virá esta tarde para a mansão até que você se recupere.
As palavras de Dimitrei fizeram o coração de Thailor dar um salto. O calor e a preocupação em sua voz eram avassaladores, e Thailor não sabia como processar aquilo. Havia passado toda a sua vida acreditando que devia enfrentar tudo sozinho, que não havia espaço para depender dos outros. E agora Dimitrei rompia todas aquelas barreiras que ele mesmo havia construído.
'Se esta relação não fosse um simples contrato...', pensou, com a amarga certeza de que, eventualmente, tudo terminaria. Dimitrei estava apenas cumprindo com sua parte no trato, nada mais.
Thailor sentiu que as lágrimas se acumulavam em seus olhos, mas se obrigou a contê-las. Não queria se mostrar tão frágil diante dele. Apertou os lábios, assentindo em silêncio, temendo que sua voz pudesse traí-lo se tentasse falar.
Dimitrei se levantou da cama com suavidade. —Vou comprar uma cadeira de rodas para você. Não quero que fique entediado aqui trancado o dia todo —disse, com um meio sorriso, enquanto acariciava a cabeça de Thailor com ternura antes de se afastar.
Thailor apenas assentiu novamente, lutando para manter a compostura. 'Vá logo, Dimi', pensou com desespero. 'Não conseguirei conter minhas lágrimas se você continuar aqui.'
—Vou sair um momento. Se precisar de algo, chame os empregados. Não vou fechar a porta —anunciou Dimitrei, lançando-lhe um último olhar antes de sair do quarto.
Assim que Dimitrei fechou a porta atrás de si, Thailor piscou, deixando que as lágrimas que havia contido rolassem silenciosamente por suas bochechas. O nó em sua garganta se desfez e ele cobriu o rosto com as mãos, chorando em silêncio, deixando toda a tristeza contida fluir.
Finalmente, exausto por seus próprios pensamentos e emoções, se encolheu sob os cobertores, sentindo o peso da inevitável separação que se aproximava. Sabia que, quando tudo aquilo terminasse, Dimitrei o deixaria para trás, e a solidão que tanto temia voltaria a ocupar seu lugar em sua vida.
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Atualizado até capítulo 74
Comments
Maryan Carla Matos Pinto
que lindo o cuidado do Dimi com ele
2025-02-14
0
Francilene Gouveia
😍😍😍😍😍😍
2025-03-18
0
Elenilda Soares
Quê lindo tú Quê pensa Quê é contrato mais vira real
2024-12-04
1