Capítulo 15

Não preciso agradar a mãe, nem o pai, só preciso agradar à avó. Saio do quarto para procurar Jensen e acabo esbarrando com ele na porta, penso em falar sobre minha ideia, mas vejo a mãe dele de longe olhando aflita, então percebo que terei que improvisar.

— Sai Jensen, não quero conversar! — Falo alto o empurrando para fora do quarto

— vamos fingir uma briga— viro de costas para onde a mãe dele está e falo baixinho para só ele ouvir, ele fixa confuso, não está entendendo.

 — Kath?— Ele pergunta ainda confuso

— Eu ouvi o que a sua mãe falou Jensen, está bem claro que não sou bem-vinda. — Falo alto, mas com a voz fraca para parecer triste, nem preciso de muito esforço para isso.

— Você não ouviu tudo Kath, ela não quis te ofender — Eu o interrompo

— Não quis me ofender?

— Não Kath, ela apenas está preocupada por que você é exatamente o que eu sempre disse não querer.

— Ah que ótimo Jensen, suas palavras me deixam muito mais tranquila, por que me trouxe afinal de contas?— Falo dessa vez muito mais alto, estou fingindo estar muito magoada, mas as lagrimas que surgem nos meus olhos não são tão fingimento assim.

— Porquê veio atrás de mim Jensen? Foi você quem ficou atrás de mim, que mesmo quando falei sobre os meus filhos, não desistiu de querer me namorar. Eu falei que um relacionamento comigo, seria muito diferente de qualquer outro que já teve, que eu só namoraria intenções reais de um futuro! —

Eu falo tudo dando a entender que Jensen ficou muito tempo atrás de mim, tentando me conquistar.

— Você me garantiu que queria isso, que aceitava meus filhos — Agora falo fazendo sinal para um Jensen totalmente confuso, faço sinal tentando dizer para ele acabar com a briga, mas ele não entende, homens são tão lerdos.

— Sua mãe está nos ouvindo faça uma declaração de amor que até Deus ache impossível de duvidar — Sussurro entre dentes, então seu rosto se ilumina entendendo o que estou fazendo.

— Sim, Kath eu fui atrás de você, por que entre todas as mulheres que já conheci na vida, você foi a única que mexeu comigo, e quando me contou sobre os seus filhos eu fiquei receoso sim, mas ainda assim não desisti de você. Eu nunca quis envolver-me com ninguém, até conhecer você! E eu juro eu me apaixonei tanto por você como por seus filhos!— Jensen fala tão sério, que se eu não soubesse que é tudo mentira eu acreditaria.

Para finalizar a cena Jensen chega mais perto, coloca uma mão na minha cintura e a outra no meu rosto e se aproxima lentamente até que os seus lábios encontrem os meus. Iniciamos um beijo calmo e profundo, mas logo nos separamos. Jensen então olha sobre meus ombros para onde a mãe dele estava nos observando.

— Ela já saiu — Ele diz e abre a porta do quarto me empurrando para dentro. — Você foi brilhante Kath! Como pensou tão rápido nisso?

— Não faço ideia, só veio na mente — Respondo sem o olhar.

— Kath? — Jensen pergunta notando que estou estranha

— A sua mãe falou mais alguma coisa sobre mim? — Pergunto por fim deixando transparecer a mágoa.

— Kath, ela não falou por mal eu juro! Ela só falou aquilo por que estava preocupada com você! Não comigo! Ela estava preocupada de que eu fosse machucar você e ferir os seus sentimentos! Ela queria ter certeza de que eu estava sério com você — Jensen fala e eu olho-o surpresa

— E porque ela se preocuparia comigo assim? — Pergunto sem acreditar no que ele falou.

— Por que ela já passou por isso. — Jensen fala — Quando a minha mãe engravidou de Bryan, o namorado a abandonou. Ela se virou como pode sozinha, até conhecer o meu pai, Bryan tinha oito meses só e meu pai começou a ajuda-los, mesmo que ela fosse teimosa e não quisesse, depois de um tempo ele conseguiu namorar ela, logo se casaram e ele asumiu o Bryan, e quando Bryan completou cinco anos, minha mãe ficou grávida de mim. — Jensen termina de fala

— Seu pai é um homem de valor! É muito difícil encontrar homens bons, a maioria quando descobre que a mulher é mãe solteira já pensam que tem o direito de nos tratar como lixo.

— Eu acho essa atitude terrível, e a minha familia jamais faria algo assim.

— Exceto seu primo né— Falo, lembrando do meu encontro com ele pela manhã

— Ele te fez algo Kath?

— Não se preocupe, eu resolvi tudo com ele.

·– Não, sem essa Kath, eu falei que você devia contar-me se ele fizesse ou falasse qualquer coisa. Vamos, me conte agora mesmo! — Jensen fala muito sério em tom de ordem o que me faz levantar uma sobrancelha para ele. Ele percebe então ameniza a voz— Eu quero saber Kath, não pode ficar guardado tudo só para você

— Ele veio encher-me a paciência falando sobre o meu ex-marido novamente. E chegou até a insinuar que eu estava o traindo com você, ou traindo você com o meu ex. — Falo por fim— Mas eu resolvi a questão! Fica tranquilo.

******

Jensen e eu saimos do quarto para buscar os meninos eles ainda precisam de um banho. Encontro os dois na sala com a Alice, limpos, penteados e com roupas novas.

— Da onde essas roupas? — Pergunto curiosa

— Cunhada, espero que não se importe eu os levei para tomar banho quando terminaram de comer, e essas roupas eu comprei para eles ontem, mas acabei a esquecer de entregar, aproveitei e os vesti com elas já. — Ela fala amável e eu agradeço-a.

Alice sobe deixando Jensen, eu e os meninos na sala. Sentamos os quatro para assistir um pouco, quando ouço a voz da mãe de Jensen.

— Kath! Me perdoa por favor! Eu nunca quis te ofender, eu apenas queria ter certeza que Jensen sabia onde estava entrando. Queria ter certeza que ele te trataria bem, que trataria você e aos meninos com todo respeito que merecem. — A mãe de Jensen vem em minha direção desesperada tentando explicar a conversa que eu ouvi. Mas Jensen já me explicou tudo.

— Não precisa se desculpa Carol, eu que te devo desculpas, entendi tudo errado. Estou muito envergonhada.— Respondo a ela, e não é mentira, eu realmente estou envergonhada. Não pela briga que eu e Jensen encenamos, mas por que eu me recenti dela quando ela na verdade não tinha feito nada de ruim.

— Não querida, não se sinta envergonhada. Eu entendo você, eu sei como o mundo trata nós mulheres, quando não seguimos segundo eles as decisões certas, quando nos tornamos mães solos. Eu entendo totalmente como é se sentir julgada por tudo e todos e eu no seu lugar também entenderia errado a conversa. — Carol fala e os seus olhos transmitem total sinceridade. — Você é muito preciosa, assim como aqueles meninos lindos. E Jensen tem o dever agora de cuidar de vocês. Eu vou garantir isso te prometo.

Fico emocionada com o que a mãe de Jensen fala e acabo a soltar algumas lagrimas. Ela vem e me abraça e essa é o fim pra mim, desabo a chorar. Não é um choro só de emoção, é de tristeza, eu queria tanto esse carinho da minha mãe, eu queria que fosse ela me falando que sou preciosa. Mas ao invés disso, aqui está a mãe de Jensen, oferecendo um carinho que eu não mereço, não dela já que estou a enganado deliberadamente. Ouço a voz do John e paro de chorar na hora. Eu não choro na frente dos meus filhos nunca. Quando me viro para olhar onde John está o que vejo faz meu coração bater descompassado.

Mais populares

Comments

Livia Samilly

Livia Samilly

Não basta a dificuldade de cuidar dos filhos e trabalhar, inda existe o preconceito aff

2024-07-10

3

Ver todos

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!