Capítulo 4

 Hoje acordei cedo para entregar currículo, aproveitando que os meus filhos estão na escola, já conversei com a babá e informei que eles não irão por um tempo, ou seja, só voltaram quando eu estiver a trabalhar, sem trabalho não tem necessidade e nem dinheiro para eles ficarem com a babá, eu entrego currículo de manhã e passo a tarde com os meus filhos, não preciso nem dizer que eles amam poder ficar com a mamãe.

- Mamãe, a senhora podia ficar para sempre em casa com a gente né - John é quem fala, mas Ryan concorda com a cabeça

 — A mamãe queria muito poder ficar para sempre o dia todo, agarradinha com vocês, mas a mamãe precisa trabalhar para ter dinheiro para poder comprar a comida de vocês, as roupas! Como vão viver se não tiverem tudo isso?

— O vovô compra mãe! Ele sempre compra salgadinho para nós e a vovó vive a dar roupas para nós também — Ryan fala sorrindo e eu apenas dou risada, parece tão simples, e para eles realmente é.

                              *********

       Estou a chegar na faculdade após deixar John e Ryan com a minha mãe, novamente estou no horário graças a minha falta de emprego, os professores que comemoram a minha pontualidade, por que eu, eu choro né. Chegando na entrada da faculdade encontro Jensen, agora virou uma rotina encontrar com ele no início das aulas e no final também.

 — Olá moça das folhas! Como está hoje? — Lá vem ele com esse apelido nada a vê

— Estou bem, obrigada por perguntar — Respondo revirando os olhos

 — Não parece que esteja bem, nem me perguntou como eu estou e nem deu aquele seu sorriso lindo

- Oi Jensen, como você está? Eu estou ótima, maravilhosa e magnífica! — Respondo de forma exagerada e claro mentindo de como realmente me sinto.

 — Ah! Agora sim, muito melhor, posso ver como está ótima mesmo, até penteou os cabelos hoje! — Nem me dou o trabalho de responder à provocação.

 — Escuta, estive a pensar como nunca nos encontramos antes? Disse que está desde o começo do ano e já estamos quase no final e só agora fomos nos encontrar. - Ele pergunta algo que eu também estive a pensar.

— E quem disse que nunca nos encontramos antes? Podemos muito bem termos estado no mesmo lugar lado a lado várias vezes e nunca perceber.— Falo, mas sei que é impossível, eu com toda certeza notaria um homem lindo desse.

— Eu perceberia se tivesse te visto antes! Impossível não te perceber em qualquer lugar que seja! — Ele responde rapidamente, e eu coro com as suas palavras.

— Digo, uma ruiva como você, quem não perceberia? Só um cego mesmo — Ele conclui a frase sorrindo, então ele para se andar e eu paro também, mesmo sem saber o porquê.

 — Penso que como eu sempre chegava atrasada, nunca tivemos a chance de nos esbarramos? — Era para ser uma afirmação, mas saiu como uma pergunta, ele continuou me olhando a sorrir e eu estava sem graça já.

- Por que está parado me olhando?- Falo por fim sem aguentar mais o olhar dele

— Estou esperando você subir. Não vai para a aula? — Então percebo que estamos parados nas escadas, subo a correr sem dizer mais nada.

   No final da aula arrumo minhas coisas e vou em direção ao ponto de ônibus, hoje será o último dia que vou usar esse meio de transforme, até eu começar a trabalhar, terei que economizar, assim sem ônibus mais, virei apé para a faculdade e voltarei apé também. Já fiz o percurso uma vez e sei que levo uma hora e meia de caminhada até em casa. Enquanto estou no ponto vejo o carro de Jensen passar e parar mais a frente

 — Ei moça, quer uma carona? — Ele oferece sorridente.

— Não obrigada- Respondo a sorrir também, afinal ele foi simpático. Por mais que já tenhamos conversamos muitas vezes desde o nosso acidente, eu não o conheço o suficiente para pegar carona a essas horas da noite.

— Sabe, você corre muito mais risco sentada aí sozinha nesse ponto escuro do que dentro do carro comigo. Eu sou uma pessoa descente Kath, ainda não percebeu isso? — Ele diz se fazendo de ofendido.

Fico pensativa, por que sei que ele tem razão quando ao risco, mas faz tantos meses que estou nessa rotina e nada nunca aconteceu.

- Além disso - Ele continua, agora olhando para trás de onde estou - Vem vindo três rapazes e vai saber o que pode passar na cabeça deles quando virem uma mulher linda e totalmente sozinha- Ele termina a frase e eu olho para ver se realmente tem gente vindo em minha direção e tem!

 Os rapazes parecem que estão vindo para o ponto, mas param no meio do caminho e ficam conversando então falo- Eles não estão vindo aqui.

- Ok então, tchau — ele diz e acelera o carro saindo, no mesmo momemto vejo os rapazes olharem Jensen saindo e começarem a vir novamente em direção a onde estou, começo a entrar em desespero e nesse momento Jensen volta de ré e para na minha frente.

 — Tem certeza? — Nem espero terminar a frase já dou a volta no carro para subir.

 Falo o endereço para Jensen e vamos a conversar o caminho todo, ele não é tão mala como eu julguei que fosse. Ele está a contar-me sobre sua família.

- Minha mãe e meu pai conheceram-se na faculdade de direito, então se envolveram, casaram, mesmo casados dedicaram-se a carreira, meu pai e um colega abriram uma empresa de advocacia e então a minha mãe engravidou de mim, e acredite ela escolheu se dedicar a família depois que eu nasci, e o meu pai deu total apoio. - Ele fala todo empolgado

— Muito bacana, seus pais parecem ser gente boa. E qual nome da empresa dele? — Pergunto curiosa

Ele exita um pouco antes de falar — Crawford's advocacia , você conhece ?

— Não, a empresa é grande ? — Pergunto novamente

— Um pouco — Ele diz apenas. — Mas e você, trabalha ? ou só estuda ?

 — Eu trabalhava até duas semanas atrás, no momento estou desempregada, desesperada, ferrada, e mais vários adjetivos do tipo — Respondo rindo, mas confesso é puro desespero.

— Sério, mas trabalhava de quê?- Eu era professora, mas gostaria de conseguir um emprego bom sabe e que me permitisse ter tempo livre, to cansada de trabalhar feito doida.

— Entendo, e tem um motivo para isso? Digo, para trabalhar feito doida? — Ele pergunta curioso e eu penso antes de responde — a minha mãe e eu não damos-nos bem, então eu saí da casa dela, era sufocante morar junto, e o meu antigo emprego pagava muito mal.

— Entendi, por isso você saiu?

— Não, fui demitida por me atrasar diariamente — Quando percebo já falei, olho para ele e o vejo começar a rir.

— Pelo visto, é um hábito seu estar sempre atrasada. — Prefiro não responder por que ele não sabe que tenho filhos e não estou a fim de entrar nesse assunto com ele.

Quando percebo estamos em frente a casa dos meus pais já, agradeço a carona e entro para buscar os meus pequeninos.

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Comments

valeria la gachatuber

valeria la gachatuber

Adorei a história! Mas quero mais capítulos!

2024-06-30

5

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