Chego na sala e vejo o professor Josep explicando algo que está no projetor, eu já sei que não entrarei nessa aula mas preciso entregar o trabalho por que hoje é o último dia para a entrega, então tento ser o mais educada possível:
— Licença, professor, desculpa o atraso será que posso entrar? — O professor olha-me por baixo dos óculos e posso ver o julgamento nos seus olhos.
— A senhorita pensa que pode chegar - ele olha o relógio do pulso e volta a olhar-me - vinte minutos, atrasada para minha aula e simplesmente entrar?
— Eu sei professor que estou atrasada, mas posso apenas deixar o meu trabalho na sua mesa? Como pode ver pelas minhas roupas sofri um acidente quando vinha para a aula. — Termino de falar e aponto para minhas roupas que estão sujas. Antes de vir para a sala passei no banheiro e limpei o que consegui, isso significa que os meus braços e rosto estão limpos, mas meu cabelo e roupas não teve jeito.
— Deixe em cima da mesa e espere a próxima aula para entrar — disse simplesmente, até estranhei, pensei que iria falar um monte como normalmente o faz.
Como podem imaginar sim eu chego atrasada meio que sempre por conta do meu trabalho, mas não há nada que eu possa fazer em relação a isso.
Vou para o pátio esperar o tempo da segunda aula, enquanto espero observo o mesmo rapaz que esbarrou em mim no estacionamento, ele passa por mim, olhando, e dando risada? É sério isso? Além de derrubar-me ainda tira sarro, a não, isso não vai ficar assim.
— Ei você! Está achando engraçado é? — falo alto para ele ouvir, mas acredito que falei alto de mais por que mais pessoas olham
— Oi você está a falar comigo? — Ele pergunta com cara de confuso.
— Sim, você mesmo, além de me empurrar no estacionamento me fazendo cair com meus matérias e nem se desculpar, ainda passa olhando e rindo da minha cara! - enquanto falo vejo ele arregalar os olhos
— a nossa me desculpa eu estava com pressa, estava muito atrasado e tinha uma apresentação para fazer, sinto muito eu não vi que você tinha se sujado assim.- Fico confusa, ele está a pedir desculpas e parece sincero, mas ele acabou de passar a dar risada de mim, então na dúvida pergunto.
— Então estava a rir de que quando passou por mim?
— Ah! sinto muito, estava a rir por que está com folhas e terra no cabelo, mas agora estou arrependido por que está assim por culpa minha. — Ele diz a segurar o riso.
— Você, você — tento falar enquanto bato no meu cabelo para tirar as folhas que ele falou. — não acredito nisso. — Resolvo fechar a boca quando vejo as folhas caindo, que ódio, agora não é só ele que ri, mas também as pessoas ao redor que ouviram. Deixo ele lá rindo da minha cara e vou a subir para esperar o segundo tempo em frente da sala mesmo, de longe ainda ouço ele gritar.
— Desculpa, não vou mais rir! — nem respondo, só saio de lá o mais rápido possível.
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As aulas passaram rápido e já está na última aula da noite com o Igor, ou melhor dizendo professor Igor, ele explica o trabalho de estágio que faremos com outra turma. Terminando a aula eu saio direto para o ponto de ônibus, demora ainda uns 10 minutos para o mesmo passar. Chegando a casa dos meus pais, os meus meninos já dormiam, então o meu pai ajuda-me a levar eles para a minha casa, eu moro em um kit-net quase ao lado de onde os meus pais moram, por isso é tranquilo levar eles no colo mesmo, despeço-me do meu pai, fecho toda a casa e caio na cama cansada pelo dia exaustivo que tive hoje.
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Acordo com os meus filhos pulando em cima de mim, chamando-me para acordar. Olho a hora e são oito da manhã ainda, esses meninos acordam muito cedo, senhor amado! Hoje é sábado então vou passar o dia com os meus pequenos, matando a saudade deles, de manhã ficaremos em casa mesmo, mas depois do almoço penso que vou levar eles na pracinha para gastarem a energia.
Passamos a tarde toda brincando, na verdade, eu fiquei sentada a observar John e Ryan brincar com as outras crianças que estavam na praça também. Como é bom ser criança, se divertir com pequenas coisas, e não ter preocupações.
— Ryan, pega o seu irmão e vamos para casa, já está tarde— Chamo eles já no fim da tarde.
— Não mãe, deixa nós brincarmos mais um pouco, ainda está de dia— Ryan pede manhoso
— É mãe, deixa nós brincarmos mais, por favooor! — John fala com as mãozinhas na frente como se estivesse a implorar pela vida.
— Filho já vai escurecer, e nós vamos jantar na casa do vovô e da vovó, você não quer chegar muito tarde lá né?
— Eba! — Os dois gritam animados e correm na minha direção para sairmos da praça.
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— Vovó, estava uma delícia essa comidinha! - É John quem fala, e Ryan concorda com a cabeça.
— Que bom que gostaram, vovó fez especialmente para vocês meus lindos! — Minha mãe fala para os meninos, então olha-me e continua — Como está o trabalho filha?
— Não está muito bem, chego atrasada diariamente e levando várias broncas, sem contar as estagiárias que ficam a falar mal pelas minhas costas, já estou cansada para falar bem a verdade.
— E por que você não procura outro emprego? Procure algo na área que está a cursar, e pague melhor porque esse salário que recebe é uma vergonha, precisa de dois empregos para conseguir se manter. — Ela fala como se eu não estivesse a procura de algo melhor, a minha mãe realmente pensa que gosto de matar-me de trabalhar e nunca ter dinheiro para nada?
— Mãe, fala como se fosse fácil. Eu já deixei currículos em vários lugares, mas ninguém retornou ainda. Não é fácil conseguir um emprego bom sem ter experiência.
— pois devia ter pensado nisso antes de engravidar né. — Ela fala ácida, e lá vamos nós novamente. Prefiro não responder por que sei que vamos começar a discutir então resolvo apenas me levantar da mesa e ir lavar a louça.
A minha mãe é uma ótima avó, e ela ama os netos de verdade, mas ela e eu não nós damos bem, ela nunca deixa de esfregar na minha cara que eu engravidei aos 15 anos sem nem mesmo estar casada. Quando me separei foi um dia incrível e maravilhoso, apesar de eu estar com duas crianças pequenas, Ryan com 1 ano e John com apenas 15 dias, ela e o meu pai aceitaram-me de volta já que eu não tinha emprego, e não tinha condições de morar de aluguel. Oito meses foi o tempo que morei com eles depois do meu divórcio, foram meses de muitas brigas com a minha mãe, nós realmente não nós aturamos, mas eu não tinha o que fazer já que morava de favor, e o meu pai coitado ele sempre tentava acalmar-nos. Ao final do oitavo mês fui chamada pela câmara municipal para trabalhar na escola municipal e assim aluguei a kit-net em que moro hoje.
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Hoje é um dia daqueles, plena segunda-feira, deixei os meninos dez minutos atrasados na escola, perdi meu ônibus, o outro ônib—s atrasou e eu cheguei oito e meia na escola, não tive como fugir da Mary que já estava na porta me esperando, mal entrei e ela já foi logo falando
— Isso são horas Katherine? — Olhou no relógio com a testa franzida— o seu horário é sete e meia.
— Sinto muito Mary, ainda não consegui ninguém para levar os meninos na creche e o ônibus atrasou também hoje. — Falo mesmo sabendo que ela já sabia que esse era o motivo e que ela realmente não se importava.
— Estou cansada de desculpas Katherine, vamos a minha sala.
— Mas as crianças? — Pergunto, por que imagino que ou estão sozinhas, ou alguma professora juntou duas turmas.
— Já coloquei uma professora para ficar com elas.- Ela diz apenas, enquanto caminha na minha frente para a sala dela.
— Kath, minha querida, você sabe que eu realmente gosto de você, mas não posso mais permitir esses atrasos, eu preciso de uma pessoa com quem eu possa contar.
— Mary eu sinto muito, eu serei mais pontual é sério. — Tento argumentar, mas posso ver que ela já está decidida.
— Eu ouço isso desde que você entrou Kath, e isso já fazem seis meses, eu sei que você não faz por mal, e sei o quanto é uma mulher esforçada, realmente admiro-te muito por todo o seu esforço, mas eu preciso de alguém que esteja disponível para trabalhar no horário da nossa escola.
— Você está-me demitindo então? — Pergunto já sabendo a resposta.
— Sim, Kath, você está liberada já, e não precisa vir mais.
Saio de lá aérea, ainda sem acreditar e acabo a falar comigo mesma — Maravilha, estou tão ferrada!
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Atualizado até capítulo 32
Comments
Livia Samilly
É muito difícil trabalhar quando se tem filhos pequenos e ninguém para ajudar.Já passei por isso./Sleep//Sleep//Sleep/
2024-07-10
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