Hiroshi era um jovem pianista talentoso. Ele passava horas tocando melodias suaves e apaixonadas em seu piano de cauda, perdido em seu próprio mundo de notas e harmonias. As pessoas da pequena cidade o admiravam, mas ele não se importava com a fama. A música era sua única companheira verdadeira.
Um dia, enquanto tocava no parque, Hiroshi conheceu Aya, uma garota de olhos brilhantes e sorriso tímido. Ela se aproximou do piano e ficou ouvindo, encantada. Aya tinha uma doença rara que a deixava frágil, mas sua paixão pela música era inabalável.
Hiroshi e Aya começaram a se encontrar regularmente. Ele tocava para ela, e ela o ouvia com os olhos fechados, absorvendo cada nota como se fosse um presente precioso. Eles compartilhavam segredos sobre suas vidas, mas Aya nunca mencionou sua doença.
Um dia, Aya desmaiou no parque. Hiroshi entrou em pânico e a levou às pressas para o hospital. Os médicos fizeram exames e deram a notícia devastadora: Aya tinha uma condição cardíaca grave. Ela precisava de um transplante de coração.
Hiroshi estava determinado a ajudar Aya. Ele pesquisou sobre doadores e descobriu que ele era compatível. Mas ele não podia contar a ela. Ele queria protegê-la da verdade, mesmo que isso significasse sacrificar sua própria vida.
Aya passou por uma cirurgia delicada. Hiroshi estava ao seu lado, segurando sua mão. Quando ela acordou, ele sorriu e disse que ela estava bem. Mas seu próprio coração estava quebrado. Ele sabia que não tinha muito tempo.
Hiroshi voltou ao piano e tocou sua composição mais triste. As notas ecoaram pelo hospital enquanto ele se despedia silenciosamente. Aya ouviu e sorriu, seus olhos cheios de gratidão. Ela sabia.
Mas, naquela noite, Hiroshi não conseguiu dormir. Ele sentia o peso da decisão que havia tomado. Ele se perguntava se deveria ter dito a verdade a Aya, se deveria ter lhe oferecido seu próprio coração. Ele se sentia culpado por estar vivo enquanto ela lutava pela vida.
E então, Aya piorou. Seu novo coração começou a rejeitar o transplante. Hiroshi a visitava todos os dias, segurando sua mão enfraquecida. Ela sorria, mas ele via a dor em seus olhos.
Aya morreu nos braços de Hiroshi, rodeada pelo som suave do piano. Ele tocou uma última melodia para ela, suas lágrimas se misturando às notas. O quarto ficou em silêncio, exceto pelo som do monitor cardíaco que finalmente parou.
Hiroshi nunca mais tocou piano. Ele se isolou do mundo, carregando a culpa e a tristeza consigo. As notas do seu coração se perderam na escuridão, e ele se tornou apenas uma sombra do homem que costumava ser.
O apartamento de Hiroshi estava silencioso. O piano permanecia fechado, suas teclas empoeiradas. Ele não conseguia mais tocar. Cada nota lembrava Aya, e a dor era insuportável. As estações mudaram, mas o inverno parecia eterno em seu coração.
Hiroshi passava os dias olhando pela janela, esperando ver Aya caminhando pelo parque. Mas ela nunca voltou. Ele sentia falta de suas conversas, dos sorrisos tímidos e das notas secretas que compartilhavam. O vazio em sua vida era como um buraco negro, sugando toda a esperança.
Um dia, Hiroshi encontrou uma carta endereçada a ele. A caligrafia era familiar. Ele a abriu com mãos trêmulas:
*"Querido Hiroshi,
Sei que você está sofrendo. Eu também sinto sua falta. Mas quero que você saiba que estou bem. O novo coração me deu uma segunda chance, e eu agradeço por isso todos os dias.
Lembro-me das nossas conversas sobre música e vida. Você me ensinou a amar cada nota, mesmo as tristes. E agora, enquanto escrevo esta carta, ouço sua última melodia em minha mente. Ela me conforta.
Não quero que você se isole. A vida continua, mesmo quando perdemos alguém que amamos. Continue tocando, Hiroshi. Toque para mim, para todos que precisam de esperança. Sua música é um presente para o mundo.
Com amor,
Aya"
As lágrimas escorreram pelo rosto de Hiroshi. Ele pegou a partitura da última melodia e sentou-se ao piano. Suas mãos trêmulas encontraram as teclas familiares. Ele tocou, não apenas para Aya, mas para todos que precisavam de cura.
A música de Hiroshi ecoou pelo parque. As pessoas pararam para ouvir. Alguns choraram, outros sorriram. Ele não estava mais sozinho. Aya estava lá, nas notas, guiando-o.
E assim, Hiroshi encontrou um novo propósito. Ele se tornou um pianista itinerante, tocando em hospitais, praças e lares de idosos. Sua música trouxe conforto, esperança e lembranças de Aya.
A lenda de Hiroshi e Aya continuou a crescer. Diziam que, quando o vento soprava suavemente, podia-se ouvir o som do piano, como se Aya estivesse ali, sorrindo.
E assim, as notas do coração de Hiroshi se espalharam pelo mundo, lembrando a todos que o amor e a música transcendem a morte.
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Atualizado até capítulo 26
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