Capítulo 6: Sakura em Sussurros

A brisa suave da primavera carregava consigo o doce aroma das flores de cerejeira, que dançavam graciosamente pelo ar antes de se acomodarem sobre os caminhos de pedra do pequeno vilarejo de Hanamizuki. Era um lugar esquecido pelo tempo, onde as tradições ainda eram o tecido que unia a comunidade, e a modernidade era apenas um sussurro entre as montanhas.

Em meio à paisagem pintada de rosa e branco, caminhava Akari, uma jovem professora que havia retornado à sua terra natal após anos na cidade. Seus passos eram leves, quase como se temesse perturbar a serenidade que envolvia o lugar. Ela parou por um momento, fechando os olhos para sentir o calor do sol em sua pele e ouvir o canto dos pássaros que saudavam o novo dia.

Foi então que ela o viu. Kazuo, o artesão de lanternas de papel, estava de pé sob uma das árvores de cerejeira, totalmente absorto em seu trabalho. As mãos dele moviam-se com uma habilidade que só poderia vir de anos de prática e de uma paixão que transcendia o mero ofício. Akari observou, fascinada, enquanto ele dobrava e moldava o papel com uma precisão que transformava simples folhas em obras de arte iluminadas.

Kazuo ergueu os olhos de seu trabalho e seus olhares se encontraram. Um sorriso tímido surgiu nos lábios dele, e Akari sentiu seu coração bater um pouco mais rápido. Havia algo nele, uma quietude, uma força tranquila, que a atraía de uma maneira que ela não conseguia explicar.

“Você voltou,” disse Kazuo, sua voz tão suave quanto a brisa que ainda brincava com as pétalas ao redor deles.

Akari assentiu, incapaz de encontrar as palavras. Ela havia voltado, sim, mas não esperava que o retorno ao lar trouxesse consigo um reencontro que faria seu coração ansiar por algo que ela nem sabia que havia perdido.

Os dias que se seguiram foram preenchidos com o renascimento da amizade entre Akari e Kazuo. Eles compartilhavam longas caminhadas sob o manto de sakuras em flor, trocando histórias de suas vidas que haviam corrido em paralelos distantes. Akari falava de sua vida na cidade, das luzes que nunca se apagavam e do ritmo incessante que a deixava sem fôlego. Kazuo, por sua vez, contava sobre a arte de criar lanternas, como cada uma delas era um reflexo da alma de quem a encomendava.

Certa noite, enquanto o crepúsculo tingia o céu de laranja e púrpura, Kazuo convidou Akari para um festival que aconteceria no vilarejo. “É uma noite especial,” ele disse, “onde cada lanterna que criamos ao longo do ano é acesa. É como se as estrelas descessem para visitar Hanamizuki.”

Quando a noite do festival chegou, Akari vestiu um yukata que pertencera à sua mãe. As cores suaves do tecido e as flores delicadamente bordadas pareciam ecoar a beleza efêmera das cerejeiras. Ela encontrou Kazuo na entrada do templo, onde centenas de lanternas já brilhavam, flutuando sobre o lago como constelações refletidas.

Eles caminharam lado a lado, e Akari não pôde deixar de notar como a luz das lanternas realçava a expressão serena no rosto de Kazuo. “Você fez todas essas lanternas?” ela perguntou, sua voz cheia de admiração.

“Não todas,” ele respondeu com um sorriso humilde. “Mas cada uma delas tem um pouco de mim.”

Foi então que Akari viu, entre as lanternas, uma que brilhava com uma luz diferente. Era mais intensa, quase hipnótica. “Aquela é especial,” disse Kazuo, seguindo seu olhar. “Eu a fiz pensando em alguém que tinha o brilho das estrelas nos olhos.”

Akari sentiu seu coração acelerar. “Em quem você estava pensando?” ela perguntou, quase sem fôlego.

Kazuo se virou para ela, seus olhos refletindo a luz da lanterna especial. “Em você, Akari. Desde o dia em que você voltou, não consigo pensar em mais nada.”

As palavras de Kazuo envolveram Akari como uma brisa suave, e ela soube que aquele momento seria um ponto de virada em sua vida. Sob o céu estrelado e o brilho das lanternas, eles compartilharam um olhar que prometia o início de uma história de amor tão bela quanto as flores de cerejeira que testemunhavam seu nascimento.

A confissão de Kazuo sob a luz das lanternas havia aberto um novo capítulo na vida de Akari. Ela se viu envolvida em um turbilhão de emoções, cada uma tão intensa quanto a luz daquela lanterna especial que ele havia criado pensando nela. O festival terminou, mas o brilho entre eles permaneceu, iluminando seus dias com uma nova esperança.

Nos dias que se seguiram, Akari começou a ajudar Kazuo em sua oficina. Ela aprendeu a arte de dobrar o papel, de dar vida à luz com suas próprias mãos. Juntos, eles criaram lanternas que contavam histórias, que capturavam sonhos e desejos dos moradores de Hanamizuki. E com cada dobra, com cada lanterna, o laço entre eles se fortalecia.

Mas nem tudo era luz em Hanamizuki. Havia sombras no passado de Akari, segredos que ela havia deixado para trás na cidade e que agora ameaçavam retornar. Uma proposta de trabalho inesperada chegou, tentando-a com promessas de sucesso e reconhecimento. Era a oportunidade que ela sempre quisera, mas agora, diante do amor que florescia em seu coração, Akari se viu em dúvida.

Kazuo percebeu a mudança em Akari, viu a hesitação em seus olhos. “Você não precisa decidir agora,” ele disse, segurando as mãos dela entre as suas. “Seja qual for a sua escolha, eu estarei aqui, torcendo por você.”

Akari sorriu, grata pela compreensão dele. Mas em seu íntimo, ela sabia que a decisão já estava tomada. As luzes da cidade não podiam competir com a luz que Kazuo havia acendido em sua vida.

A decisão de Akari trouxe uma paz que ela não sentia há muito tempo. Ela recusou a oferta da cidade e escolheu permanecer em Hanamizuki, escolheu o amor e a vida simples que havia encontrado ali. E enquanto as estações mudavam, enquanto as flores de cerejeira davam lugar às cores vibrantes do outono, o amor entre Akari e Kazuo apenas crescia.

Eles decidiram realizar uma cerimônia sob as árvores de cerejeira, prometendo um ao outro uma vida compartilhada, uma vida de luz e sombras, de alegrias e desafios. E quando Akari caminhou pelo corredor de pétalas caídas, com Kazuo esperando por ela, ela soube que havia escolhido bem.

O amor deles era como as lanternas que criavam juntos: único, brilhante e cheio de calor. E assim, sob o céu claro de um novo amanhecer, Akari e Kazuo começaram sua dança juntos, uma dança de amor que prometia durar por todas as estações que viriam.

A vida de Akari e Kazuo fluía como um rio tranquilo, mas como em qualquer história, a calmaria precede a tempestade. Um dia, enquanto Akari estava na escola, uma figura do seu passado apareceu inesperadamente. Era Hiroshi, um antigo colega de universidade por quem ela havia nutrido sentimentos profundos, mas que havia partido para o exterior sem deixar rastros.

Hiroshi havia retornado ao Japão e, por coincidência ou destino, encontrou-se em Hanamizuki. Ele trouxe consigo histórias de aventuras e sucesso, mas também uma confissão que há muito estava selada em seu coração. “Akari,” ele disse, com uma sinceridade que cortava como vidro, “eu nunca te esqueci. E agora que te encontrei novamente, não posso deixar essa chance escapar.”

As palavras de Hiroshi abalaram o mundo de Akari. Ela se viu dividida entre o passado que nunca teve a chance de explorar e o futuro que havia começado a construir com Kazuo. Hiroshi era um lembrete de sonhos antigos, de um caminho que ela poderia ter seguido.

Kazuo, percebendo a súbita mudança em Akari, sentiu uma insegurança crescer dentro de si. Ele sabia que não podia competir com as lembranças de um primeiro amor, com a promessa de um ‘e se’ que agora assombrava o coração de Akari.

Capítulo 6: Entre a Luz e a Sombra

A presença de Hiroshi em Hanamizuki trouxe dias nublados para o relacionamento de Akari e Kazuo. Akari se encontrava frequentemente com Hiroshi, buscando respostas para as perguntas que surgiam em sua mente. “E se eu tivesse escolhido diferente?” ela se perguntava.

Kazuo, por sua vez, lutava com a sombra da dúvida. Ele queria acreditar no amor que compartilhavam, mas o medo de perder Akari para um fantasma do passado era uma lanterna que ele não sabia como iluminar.

Foi durante uma noite fria de outono que tudo veio à tona. Hiroshi convidou Akari para deixar Hanamizuki e viajar com ele, prometendo uma vida de excitação e descobertas. Akari, com o coração pesado, sabia que tinha que tomar uma decisão.

Ela se encontrou com Kazuo sob a árvore de cerejeira onde se viram pela primeira vez após seu retorno. As palavras eram difíceis de encontrar, mas os olhos de Kazuo a encorajaram a falar. “Kazuo,” ela começou, “eu…”

Akari olhou para Kazuo, seu coração batendo forte contra o peito. As palavras de Hiroshi ecoavam em sua mente, mas quando ela olhou nos olhos de Kazuo, ela viu o reflexo de sua verdadeira casa. “Kazuo,” ela disse, sua voz firme apesar da tempestade emocional dentro dela, “minha vida é aqui, com você. O passado pode ter suas memórias, mas é com você que eu quero construir meu futuro.”

Kazuo respirou aliviado, uma onda de calor preenchendo seu ser. Ele sabia que o amor que compartilhavam era forte o suficiente para resistir às tempestades. “Akari,” ele respondeu, “eu sempre soube que nosso amor era especial. Como as lanternas que criamos, ele ilumina a escuridão e nos guia para casa.”

O outono passou e o inverno chegou, trazendo consigo o Festival das Estrelas. Era uma tradição em Hanamizuki, onde as pessoas se reuniam para pendurar lanternas coloridas e fazer desejos para o novo ano. Akari e Kazuo trabalharam juntos, criando uma lanterna maior e mais brilhante do que qualquer outra já vista no vilarejo.

Na noite do festival, eles se juntaram à comunidade, suas mãos entrelaçadas enquanto penduravam a lanterna no ponto mais alto. “Faça um desejo,” Kazuo sussurrou para Akari.

Ela fechou os olhos e desejou por dias felizes, por risos compartilhados e por um amor que continuaria a crescer. Quando abriu os olhos, viu que Kazuo estava olhando para ela com um sorriso que iluminava a noite tanto quanto as lanternas acima deles.

O inverno trouxe neve, cobrindo Hanamizuki com um manto de silêncio. Foi sob esse céu cinzento que Kazuo fez a Akari uma promessa. “Eu vou estar ao seu lado,” ele disse, “não importa o que aconteça, não importa as tempestades que possam vir.”

Akari, com lágrimas brilhando em seus olhos como cristais de gelo, prometeu o mesmo. Eles se abraçaram, o calor de seu amor mais forte do que o frio do inverno.

À medida que a neve derretia e as primeiras flores de cerejeira começavam a brotar, Hanamizuki despertava para a promessa da primavera. Akari e Kazuo, agora mais unidos do que nunca, caminhavam de mãos dadas pelas ruas do vilarejo, admirando a transformação da natureza.

Numa manhã radiante, enquanto o sol dourado se erguia, Kazuo levou Akari até o lago onde se conheceram. O reflexo das flores de cerejeira na água criava um mosaico de cores vibrantes. “Akari,” ele começou, olhando em seus olhos com uma profundidade que só o verdadeiro amor conhece, “você se lembra do nosso primeiro encontro aqui?”

Ela assentiu, seu sorriso refletindo a luz do amanhecer. “Como poderia esquecer? Foi o dia em que minha vida ganhou um novo significado.”

Kazuo ajoelhou-se e, de dentro do seu quimono, retirou uma pequena caixa. “Então, permita-me tornar este lugar ainda mais memorável.” Ele abriu a caixa, revelando um anel delicado, com uma pedra que capturava a essência da primavera. “Akari, você me faria a honra de se tornar minha esposa?”

As lágrimas de Akari eram agora de alegria pura. Ela disse “sim” não apenas com palavras, mas com todo o seu ser. Enquanto Kazuo deslizava o anel em seu dedo, os sinos do templo começaram a soar, anunciando o início de uma nova estação em suas vidas.

Anos se passaram, e a história de Akari e Kazuo tornou-se uma lenda em Hanamizuki. Suas lanternas ainda brilhavam a cada Festival das Estrelas, e a promessa que fizeram sob a neve nunca foi esquecida.

Eles criaram uma família, ensinando a seus filhos a arte de criar lanternas e a importância de fazer desejos. E, assim, a luz de seu amor continuou a iluminar o caminho para as futuras gerações, tão eterna quanto as estrelas que brilham no céu noturno de Hanamizuki.

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