Sakura era uma jovem de 17 anos, com cabelos negros como a noite e olhos que brilhavam como as cerejeiras em flor. Ela tinha uma doença rara e incurável que a condenava a uma vida curta. Os médicos não podiam fazer nada além de oferecer conforto e apoio.
Um dia, enquanto caminhava pelos jardins do Templo Kiyomizu, Sakura viu um rapaz sentado em um banco de pedra. **Takeshi**, com seus cabelos bagunçados e sorriso tímido, estava lendo um haiku. Ela sentiu uma conexão instantânea com ele, como se o destino os tivesse unido.
Os dois começaram a conversar, e Sakura percebeu que Takeshi era gentil, engraçado e incrivelmente inteligente. Ele não sabia sobre a doença dela, e ela decidiu manter isso em segredo. Afinal, por que estragar o pouco tempo que lhe restava com tristeza?
Sakura e Takeshi passaram os dias juntos, explorando os santuários escondidos de Quioto, rindo e compartilhando sonhos. Ela amava as flores de cerejeira, e Takeshi a levava lá sempre que podia. Eles criaram um mundo só deles, onde o tempo parecia desacelerar sob as pétalas cor-de-rosa.
Mas Sakura sabia que não podia esconder a verdade para sempre. Ela escreveu uma carta para Takeshi, explicando sua condição e o quanto ele significava para ela. No entanto, antes que pudesse entregá-la, algo inesperado aconteceu.
Sakura desmaiou no meio de uma tarde ensolarada no Parque Maruyama. Takeshi a levou às pressas para o hospital, onde os médicos confirmaram que seu tempo estava se esgotando. Ela acordou com ele ao seu lado, segurando sua mão.
"Por que você não me contou?", Takeshi perguntou, com lágrimas nos olhos.
Sakura sorriu. "Porque queria aproveitar cada momento com você sem que a tristeza nos consumisse."
Takeshi beijou sua testa. "Eu também queria aproveitar cada momento com você."
Os dias se transformaram em semanas, e Sakura ficou cada vez mais fraca. Takeshi nunca a deixou sozinha. Eles assistiram ao hanami, riram e choraram juntos. Sakura sabia que estava chegando a hora.
Na noite antes de partir, ela entregou a carta a Takeshi. Ele leu cada palavra, e lágrimas escorreram por seu rosto. "Eu te amo", ele sussurrou.
Sakura fechou os olhos e sentiu a brisa suave. Ela partiu com um sorriso nos lábios, sabendo que havia encontrado o verdadeiro amor em seus últimos dias.
E assim, as flores efêmeras desabrocharam e murcharam, mas a história de Sakura e Takeshi permaneceu como uma lembrança eterna de amor e coragem.
Após a partida de Sakura, Takeshi sentiu um vazio profundo em seu coração. Ele visitava os lugares que costumavam frequentar juntos, mas tudo parecia mais silencioso e menos colorido. As cerejeiras continuavam a florescer, mas agora eram apenas árvores sem alma.
Takeshi encontrou a carta que Sakura havia escrito para ele. Ele a leu repetidamente, memorizando cada palavra. Ela o encorajava a seguir em frente, a encontrar a beleza na efemeridade da vida. Mas como ele poderia seguir em frente sem ela?
Um dia, enquanto Takeshi caminhava pelo Templo Fushimi Inari, ele viu uma raposa de pelagem vermelha. Diziam que as raposas eram mensageiras dos deuses. Ele se ajoelhou e fez uma promessa silenciosa: honraria a memória de Sakura, viveria com paixão e encontraria um propósito.
Takeshi começou a escrever haikus em homenagem a Sakura. Ele os pendurava nas árvores de cerejeira, deixando que o vento os levasse para onde quer que ela estivesse. As pessoas que passavam liam suas palavras e sentiam a tristeza e a esperança entrelaçadas.
Com o tempo, Takeshi encontrou um novo propósito. Ele se tornou um professor de literatura japonesa em uma pequena escola em Quioto. Ele compartilhava sua paixão pelos haikus e pela efemeridade da vida com seus alunos. Eles ouviam atentamente, inspirados por sua história.
Takeshi também visitava o túmulo de Sakura regularmente. Ele levava flores de cerejeira e contava a ela sobre seus dias, suas alegrias e tristezas. Ele sentia que ela estava lá, sussurrando palavras de encorajamento.
Em uma manhã de primavera, Takeshi estava sentado sob uma cerejeira em flor. Ele fechou os olhos e sentiu a brisa suave. Quando abriu os olhos, Sakura estava lá, com um sorriso nos lábios.
"Você cumpriu sua promessa", ela disse suavemente. "Encontrou beleza na efemeridade."
Takeshi segurou sua mão. "E você? Onde esteve?"
Sakura olhou para as pétalas cor-de-rosa. "Em todos os lugares. Nos haikus, nas flores, no vento. Sempre estive com você."
E assim, Takeshi e Sakura se reuniram sob as cerejeiras em flor, onde o tempo não tinha mais limites. Suas almas dançaram juntas, celebrando o amor que transcende a vida e a morte.
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Atualizado até capítulo 26
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