Assim que encerrou a ligação com o avô, Matteo ligou para Enzo. Queria saber se tudo estava tranquilo com a chegada do avô.
_ Enzo, boa tarde. Cumprimentou Matteo sabendo pelo fuso horário que na Itália já estavam na parte da tarde,, enquanto no Brasil ainda não tinha passado das dez horas da manhã. _ Está tudo sob controle? E o Carlo? Perguntou Matteo atendo ao que Enzo havia lhe contado anteriormente.
_Boa tarde. Sim, está tudo como você deixou, nada fora do comum até agora. Não se preocupe, continuo de olho no seu irmão.
_ Certo, o nosso avô em casa ele não fará nada.
_ Sim, e por falar no Don Paolo, eu tenho uma pergunta… Enzo hesitou um momento antes de continuar. _Quando pretende se casar, Matteo? Seu avô parece estar bastante preocupado com esse detalhe da sua vida.
Matteo soltou uma risada irônica.
_Nunca, Enzo! Eu não pretendo me casar. Para que ter uma única mulher se posso ter todas? Respondeu em um tom despreocupado. _E eu não quero ter filhos, por isso faço questão de me proteger sempre, crianças são irritantes.
Enzo ficou em silêncio por um momento, ponderando sobre a resposta de Matteo. Conhecia bem Don Paolo e as tradições que ele fazia questão de seguir. .
— Entendo, Matteo. Mas Don Paolo parece ter outros pensamentos sobre o seu futuro, ele quer te ver casado e com filhos.
Matteo bufou, e a irritação ficou evidente em sua voz.
_Quando eu assumir o comando de tudo, ninguém poderá exigir nada de mim. Disse, confiante. _Eu farei as minhas próprias regras.
_Claro, Matteo. Só quero que saiba que estarei aqui para apoiar todas as suas decisões, quaisquer que sejam. Respondeu Enzo sabendo que questionar Matteo seria inútil.
_Eu sei disso, Enzo. Por isso confio em você. Cuide de tudo até eu voltar. Finalizou Matteo, encerrando a ligação.
Matteo foi até a janela do quarto, aproveitando a vista deslumbrante a sua frente. Ele sabia das expectativas de seu avô , mas estava determinado a traçar seu próprio caminho.
_ O futuro será meu! Matteo falou alto com um sorriso confiante nos lábios. _E ninguém vai me impedir de viver do meu jeito. Disse se preparando para sair, tinha um compromisso pela manhã, e depois se encontraria com um fornecedor de pedras preciosas com quem almoçaria.
Enquanto isso, Isabela aproveitou que teria somente as duas primeiras aulas na faculdade naquele dia para voltar para casa e ver os irmãos pequenos. Saia cedo quando eles estavam dormindo e só voltava de madrugada, estava com saudades de brincar com eles.
Quando chegou em casa, Isabela encontrou os irmãos sozinhos. André estava ausente, como de costume, e a mãe estava trabalhando. Os irmãos, Lucas de dez anos e Maria de oito, estavam na sala e pareciam um pouco desanimados enquanto assistiam à tv.
_ Que carinhas são essas? Perguntou Isabela chamando a atenção deles, que se animaram ao vê-la.
_ Isa!
_Olá meus amores, como vocês estão? Isabela se abaixou para abraçá-los.
_ Eu estou com fome, eu só comi quatro biscoitos hoje, e um era do Lucas, ele quase não comeu. Reclamou Maria.
_ Papai saiu cedo e ainda não voltou… Contou Lucas que já sentia o desprezo do pai. _ A mamãe não deixou comida pronta, então o papai deve trazer alguma coisa...
_ Eu vou resolver isso agora! Isabela não gostou de saber que os irmãos estavam com fome decidiu aproveitar a oportunidade para fazer uma refeição decente para eles. Sabia que quando a mãe não deixava comida pronta antes de ir trabalhar, André raramente preparava algo para comer, mesmo os armários e a geladeira estando cheios de mantimentos. Normalmente, ele pedia marmitex, ou dava apenas lanches para os irmãos negligenciando suas responsabilidades de pai enquanto se dedicava aos seus próprios interesses.
Isabela foi para a cozinha e começou a preparar o almoço, algo rápido mas gostoso. O aroma da comida logo se espalhou pela casa, atraindo Lucas e Maria para a cozinha e eles ficaram esperando ansiosos pelo almoço.
Isabela serviu os irmãos e observou eles comerem satisfeitos.
_Humm, Isa, está uma delícia! Elogiou Lucas, comendo com vontade.
_ Está muito gostoso! Concordou a pequena Maria, com a boca suja de molho. Isabela sorriu, sentia uma responsabilidade imensa por eles, sabendo que eram vítimas da mesma negligência e do mesmo ambiente tóxico que ela enfrentava.
_ Fico feliz que estejam gostando. Disse Isabela, sorrindo para os irmãos enquanto servia mais comida nos pratos deles. _Preciso garantir que vocês estejam bem alimentados para a escola.
_Você não vai comer com a gente, Isa? Perguntou Maria, olhando para a irmã mais velha com admiração.
_ Claro que vou! Isabela respondeu, sentando-se à mesa com eles. _Tenho um tempinho antes de ir para o trabalho.
Ela aproveitou aqueles momentos preciosos com os irmãos. Cada sorriso deles, cada elogio à comida, era um pequeno triunfo para ela.
_Eu adoro quando você cozinha pra gente, Isa. Lucas elogiou ao terminar de comer.
_É mesmo, você é a melhor! E cozinha melhor que a mamãe. Acrescentou Maria.
_ Só não deixei a mamãe saber disso. Isabela sorriu, sentindo um calor no peito. Apesar de todos os desafios e da exaustão que sentia diariamente, momentos como aquele a lembravam a deixava mais leve.
Depois do almoço, Isabela os ajudou a se arrumar para a escola, certificando-se de que tinham tudo o que precisavam para o dia. Quando estavam prontos, ela os acompanhou até a porta, e aguardou a van escolar, despedindo deles com abraços apertados e beijos.
_ Se comportem na escola e estudem bastante, ok? .
— Ok, Isa! Responderam juntos antes de entrarem na van. Isabela entrou em casa para pegar sua mochila e antes dela sair para o trabalho, André chegou em casa carregando um marmitex na sacola. Ele a olhou com um sorriso malicioso.
_ Hummm, não sabia que você estava em casa… Estou vendo que até preparou almoço. Adoro a comida que você faz, Isa. Provocou, com uma ênfase sugestiva.
Isabela sentiu um arrepio de repulsa, mas manteve a calma, tentando não demonstrar o quanto a presença dele a incomodava, e saiu rapidamente evitando qualquer contato visual com a certeza de que precisava sair daquela casa o mais rápido possível. Naquele momento ela pensou nos irmãos. Não mereciam a vida que se desenhava para eles, e Isabela pensava o que ela poderia fazer para dar uma vida melhor para os pequenos.
Naquele dia, a van escolar que levava os irmãos de Isabela apresentou um problema mecânico à duas quadras da Escola. As crianças tiveram que descer e seguir a pé para a escola sob a supervisão do motorista e da auxiliar de transporte. Maria estava distraída conversando com o irmão, quando esbarrou em um homem alto caindo no chão.
_ Aí…O impacto foi rápido, e Maria deixou escapar um pequeno gemido de dor ao cair.
— Vê se olha por onde anda! Não vê que ela é pequena? Disse Lucas, com uma expressão séria e protetora, ajudando a irmã a se levantar. Ele lançou um olhar irritado ao homem antes de conduzir Maria para dentro da escola.
Matteo, olhou para as crianças com uma expressão de surpresa pela forma como o menino falou com ele, que logo se transformou em indiferença. Ele observou os irmãos se afastarem, reforçando em Matteo a convicção de que ele não queria ter filhos. A necessidade constante de atenção e cuidado que as crianças exigiam não combinavam com a vida que ele levava. A responsabilidade de criar e proteger alguém parecia uma carga que ele preferia evitar.
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Falta pouco para ele conhecer a Isa...
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Atualizado até capítulo 87
Comments
Lyllie J.
Quero nem ver qua do ele ficar caixinha pela Isa
2024-12-22
0
Maria Aparecida
não se preocupe, você só vai ter gêmeos ☺️
2025-03-04
0
Eliana Machado
Seus futuros cunhado Matteo.
2025-01-02
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