Confesso que nunca senti tanto medo na vida, como senti no dia em que saí da minha cidade no interior para ir viver na capital levando comigo os meus filhos sem saber para onde ir, sem emprego, sem conhecidos e com uma conta bancária nada satisfatória. Os meus filhos o tempo todo me perguntavam para onde estávamos indo, quando íamos voltar, cadê o pai.... faltavam me enlouquecer com tantas perguntas que não dava para responder.
O meu ex marido era rico, mas enquanto não resolver judicialmente o divórcio eu não pude ter acesso a nenhum centavo dele, embora eu fosse orgulhosa demais para aceitar o dinheiro dele, mas pelos meus filhos talvez eu pudesse repensar. Então o que eu tinha era resultado do meu último mês de trabalho, da venda de algumas jóias e do meu carro.
Chegamos à capital a tardezinha , eu, os meus filhos e um monte de malas, ainda sem rumo e sem ideia de como seria aquele recomeço. Eu estava desesperada, mas nunca demonstrei aos meus filhos e nem deixei transparecer que não tínhamos para onde ir e nem dinheiro suficiente para pagar um quarto de hotel confortável por mais de uma semana. Então era isso, eu tinha exatamente uma semana para conseguir um trabalho e uma casa para mim e para os meus filhos, além de conseguir escola para os três. Decidi pensar numa forma de economizar e deveria ser no quarto de hotel.
Quando parava para pensar que em menos de uma semana a minha vida deu uma completa reviravolta, que naquele exato momento eu era uma mãe desempregada, recém separada e que havia acabado de me mudar para um lugar desconhecido para mim e para os meus filhos, e saber que teríamos que ser muito companheiros para que conseguissemos superar toda essa mudança radical sem que o psicológico não fosse gravemente afetado, sentia muito medo. Tudo que é novo me causa medo, talvez fosse por isso que me acomodei e fiquei tanto tempo naquele lugar.
Saímos do aeroporto, pedi um táxi e fui para uma pousada. Era bem simples o lugar, mas era o que eu podia pagar e naquele momento me servia muito bem.
Fomos recebidos por uma senhora de sorriso largo, dona Teresa.
D. Teresa: Boa tarde! Como vão? Nossa, que crianças lindas!!! - Falou com um sorriso largo enquanto examinava a mim e os meus filhos e a quantidade significativa de malas que o taxista desceu do carro.
Eu: Olá, obrigada. - retribui o sorriso meio sem jeito.
D. Teresa: Ah, desculpa, eu sou a Teresa, prazer em conhecer vocês. Em que posso servi-los?
Eu: Bem, eu sou Evangeline, esses são os meus filhos, Ben, Iasmin e Lucca.
Em uníssono eles disseram oi, bastante desanimados.
D. Teresa: Oi! São mesmo lindos e educados os seus filhos.
Eu: Obrigada. Eu gostaria de um quarto para mim e para eles. Não temos ainda para onde ir e não sabemos por quanto tempo vamos ficar, então, se pudermos nos acomodar no mesmo quarto será ótimo.
Iasmin: Mãaaaaae, eu não quero dividir o meu quarto com eles.
Eu: Não quer, mas vai dividir. Pelo menos por enquanto, ok? - Falei com a minha filha, e voltei o olhar para a senhora que parecia curiosa sobre o que estávamos fazendo ali.
D. Tereza: Temos sim, um quarto com uma cama de casal e duas de solteiro. Pode ser?
Fiquei imaginando como seria e o espaço que teria para mim e os meus filhos. Concordei e decidi que a Iasmin dormiria comigo e os meninos cada um na sua cama. Talvez eu conseguisse encontrar logo um trabalho e pudesse alugar um apartamento ou uma casa.
Entramos num quarto pequeno que era um pouco menor que a minha antiga suite, uma cama de casal e um beliche, além de um guarda roupas no canto que não caberia nem um décimo das coisas dos meus filhos, uma TV, frigobar e um pequeno banheiro. Para nós 4, era apertadíssimo. Deu até para imaginar as brigas deles disputando quem iria tomar banho primeiro.
Ben: Mãe, não dá.
Eu: É só por um tempo. Em breve iremos para um lugar maior.
Os meus três filhos fizeram um grande alvoroço por causa do quartinho da pensão.
Senti a insatisfação dos meus filhos. Eu também estava insatisfeita, mas eu precisava recomeçar e não iria nunca recomeçar sem os meus filhos. Eles são parte de mim e iriam comigo para onde quer que eu fosse.
Foi tensa a primeira noite, os meus filhos tomaram banho exatamente como imaginei, uma guerra, e em seguida eu também fui me banhar, aproveitei para deixar lágrimas caírem junto a água morna do chuveiro enquanto ninguém podia me ver e aproveitei para fazer uma oração, agradecendo por ter me guiado até ali e suplicando para que não desamparasse a mim e os meus filhos. Precisava de direcionamento, de uma luz no fim do túnel. Estava sendo tudo tão difícil.
Na pensão serviam todas as refeições, então levei as crianças para jantar. Tinham vários hóspedes e alguns deles interagiram, o que foi bom para os meus bebês, mas eu queria mesmo era me deitar e esquecer de tudo que tinha passado.
Voltamos para o quarto, escovamos os dentes e fomos nos deitar. O dia havia sido longo demais e o dia seguinte eu já deveria procurar emprego e um lugar definitivo para morarmos.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 27
Comments
Danielle Pereira
coitada tomará que ela consegue 🙏 pois é sempre assim os escrotos desses homens só reproduzir às responsabilidades sempre ficam com a mãe
2024-12-15
0
Fabiana Soares
vc com certeza vai conseguir e achar uma pessoa que te ame de verdade, mais autora
2024-12-15
0
Claudia
Vida nova e sim muitos desafios ♾♾🧿🧿
2024-12-15
0