Tantos altos e baixos

O sábado foi sensacional, era como se eu estivesse nas nuvens e tudo estava perfeito para mim. Cuidar da minha casa, dos meus filhos e dos planejamentos escolares naquele dia foi simplesmente fantástico, e muito prazeroso. isso porque havia uma sensação de alegria enorme instalada no meu coração.

O Carlos passou o dia fora, então não tive nenhum problema relacionado a arrependimento por vê-lo tentar fazer algo para me agradar. Na verdade o que ele estava tentando fazer alguns dias atrás parece que de alguma forma não deu certo e ele parou. Voltou a ser o homem frio e manipulador de antes, então, o fato de ele não estar em casa me deixava mais a vontade.

A tardezinha, a Janaína me ligou, me chamando para almoçar na casa dos pais dela no domingo, mas não tive coragem de ir. O Sidney não terminou com a Dayana, com certeza ela estaria lá e não tenho intenção de me aproximar dela, e nem de estar na casa dos pais dele. Falei que ia para a casa da minha mãe, que já tinha combinado com ela antes e que em outra oportunidade quem sabe iria até lá.

Os meus filhos amam a minha mãe e ficaram empolgados com a ideia de ir para a casa dela, então programei-me e fomos. O meu pai já faleceu há alguns anos, então ela fica muito sozinha. Já tentei trazer para perto de mim, as minhas irmãs também tentaram, mas ela nunca sai da casa que, segundo ela, foi onde o papai a deixou.

Ela sempre fica muito feliz com a presença dos netos, naquele dia não foi diferente. Ajudei no preparo do almoço e aproveitei para conversar com ela sobre o fracasso que estava o meu casamento. Nunca iria contar para ela sobre o Sidney, nunca contaria para ninguém, pois isso é imoral e ela nunca me perdoaria.

O Carlos como sempre é só chegar na casa da minha mãe que ou sai para algum lugar, ou vai dormir. Naquele dia resolveu sair. A minha mãe já sabia que não estávamos felizes há muito tempo e me surpreendeu quando disse que esperava que eu fosse feliz, independente das minhas escolhas. Chorei muito abraçada com ela. Eu já queria me separar, aquele empurrãozinho dela era exatamente a força que eu precisava para que isso acontecesse.

Passamos o dia todo na casa da minha mãe. Conversamos muito e quando fomos embora já tinha certeza de que iria me separar definitivamente do meu marido. Ainda que não fosse possível estar com o Sidney por causa da namorada e do bebê a caminho.

Assim que chegamos em casa coloquei os meus filhos para tomar banho e também fui me banhar para relaxar e me preparar para o dia seguinte que teria aulas e toda a minha rotina de novo.

Assim que entrei no banheiro, quando me despia a tela do celular acendeu. Era uma chamada de vídeo do Sidney. Decidi que iria provocá-lo. Essa sou eu. Ousada, atrevida e muito maluca as vezes.

Atendi e continuei tirando as peças que ainda me cobriam. Ele do outro lado não disse uma palavra, apenas engolindo seco enquanto me via do outro lado da tela. Isso era muito excitante para mim.

De repente ouço passos e a maçaneta da porta girar. Desliguei a chamada no susto e me sentei no vaso sanitário com o coração disparado.

A porta não se abriu porque estava trancada, mas se tivesse sido aberta eu teria sido pega no flagra. Que loucura é essa!

Sou uma mulher ainda casada. O meu marido estava há alguns metros de mim e eu não tenho a menor compostura. Queria ter pelo menos coragem de dizer pra ele que não sou essa mulher, não quero mais esse casamento e que ele merece uma mulher melhor que eu.

Segundos depois o Sidney me mandou uma mensagem:

📨Amor, você me deixa louco, quer acabar comigo, não é? Quero te ver, sinto sua falta, vamos nos ver amanhã.

Não tive estrutura para responder.

Ao mesmo tempo o Carlos batia na porta, me fazendo sentir um sentimento ruim de descontentamento misturado com culpa, mágoa e muita vergonha.

Me enrolei na toalha e abri a porta. Ele estava lá sem camisa.

-Carlos: Posso tomar banho com você?

Fiquei sem ação. O que eu ia dizer para ele?

-Carlos: Esse silêncio quer dizer sim, não é?

Avançou para me beijar e eu desviei. Não posso mais ficar assim. Preciso colocar um fim nisso tudo.

-Carlos: Querida, tá tudo bem?

Apenas fiz sinal de não com a cabeça. Queria falar tudo que está entalado na minha garganta, mas um nó se formou e não consegui pronunciar nenhuma palavra.

Ele me abraçou e no aconchego dos braços dele não sei o que senti que apenas chorei.

Mais uma vez não consegui falar nada, ele não me deixou falar mais nada me calou com beijos e me levou para tomar banho juntos.

Não tive relação com ele, mas aquele cuidado me deixou vulnerável demais. Sinto falta do Sidney, sei que não vamos poder assumir nada apesar de termos esse sentimento um pelo outro. Também sei de tudo o que o Carlos já me fez sentir desde a proteção do início do relacionamento, cansaço físico e mental por todas as vezes que tive de ser mãe, dona de casa, professora e o servir como mulher. A raiva em todos os momentos que planejei fazer algo por nós e ele não permitiu, e agora esse sentimento de culpa por traí-lo. As vezes esqueço quantas vezes dormi chorando por causa das palavras desnecessárias que ouvi dele. As vezes esqueço também que ele já me fez passar por grandes tormentos. Naquele momento o meu único sentimento era de culpa. Lembrava apenas que ele também já me fez sentir bem algumas vezes e a sensação de que estava sendo ingrata e insensível com ele.

Após servir o jantar para as crianças, coloquei para escovarem os dentes e dormirem e fui também dormir. Naquela noite não dormi direito com o sentimento de culpa, por ser uma pessoa horrível.

Acordei com olheiras e desanimada, mas empenhada em tentar ser uma pessoa melhor.

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Comments

Claudia

Claudia

Que capítulo foi esse, a insegurança está em alta 🤔🤔♾🧿

2024-06-21

0

Carmem Damásio

Carmem Damásio

mais mais mais mais

2024-06-20

0

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