Dado o dia seguinte, Enquanto me afasto da casa dos sobreviventes, sinto uma mistura de gratidão e ansiedade. Eles me deram o pouco que tinham, um gesto de generosidade que me deixa comovida, mas também me deixa ciente de que estou sozinha novamente, enfrentando os perigos desse mundo sombrio por conta própria.
Caminho pela floresta densa, meus passos cautelosos ecoando no silêncio sepulcral ao meu redor. A folhagem grossa bloqueia a luz do sol, lançando sombras sinistras pelo chão. Cada ruído me faz estremecer, cada sombra se transforma em uma ameaça iminente. Mas é o cheiro inconfundível de carne podre e decomposição que me avisa da presença dos mortos-vivos.
Ao chegar a uma clareira, vejo-os, uma horda de zumbis desajeitados e famintos, arrastando-se pela terra como predadores famintos em busca de presas. Meu coração dispara e meu instinto de sobrevivência assume o controle. Sem pensar duas vezes, viro-me para fugir, correndo o mais rápido que minhas pernas fracas podem me levar.
Mas a floresta é traiçoeira, cheia de raízes e pedras escorregadias que ameaçam me derrubar a cada passo. Uma raiz oculta se enrola em meus pés, enviando-me de encontro ao chão com um baque surdo. Sinto o impacto da queda reverberando em meu corpo, a lama fria e úmida envolvendo meu corpo em um abraço pegajoso.
Antes que eu possa me levantar, um zumbi surge diante de mim, seu rosto decomposto contorcido em um sorriso grotesco. Seus olhos vazios me encaram, sua boca escancarada babando de fome. Um arrepio percorre minha espinha enquanto luto para manter a calma, sabendo que um movimento em falso poderia significar minha morte.
— Sai de cima de mim! — Grito, minha voz ecoando pela clareira enquanto empurro o zumbi com todas as minhas forças. Minhas mãos tremem de medo, meu coração batendo descompassado no peito. Não posso me dar ao luxo de perder tempo, os outros zumbis estão se aproximando, sedentos por meu sangue.
Com o coração ainda martelando no peito, encontrei refúgio em uma árvore alta, seus galhos estendendo-se em direção ao céu como braços protetores. Com a agilidade de um gato, subi pelo tronco áspero, meus dedos se agarrando aos nós e saliências com desespero. Finalmente, alcancei um galho robusto e seguro, bem acima do alcance dos zumbis abaixo.
Olhando para baixo, vi-os reunidos embaixo da árvore, esticando os braços na vã tentativa de me alcançar. Seus grunhidos raivosos ecoavam pela floresta, uma sinfonia macabra que ecoava em meus ouvidos. Eu sabia que não podiam me alcançar ali em cima, mas a sensação de segurança era frágil, ameaçada a qualquer momento por um deslize meu.
Decidi subir ainda mais alto, afastando-me ainda mais do alcance dos zumbis, cada movimento calculado para evitar a atenção indesejada. Mas o destino tinha outros planos para mim. Um deslize, um tropeço, e de repente eu estava caindo em direção ao chão, meu corpo girando descontroladamente enquanto eu me agarrava a um galho mais abaixo.
O impacto foi como um soco no estômago, tirando o ar dos meus pulmões enquanto eu aterrissava de cara no galho. Minhas mãos queimavam de dor, mas eu sabia que não podia desistir. Com um esforço sobre-humano, me agarrei ao galho com todas as minhas forças, recusando-me a cair novamente. Então voltei a subir o máximo que conseguia para ficar fora da vista dos zumbis.
Passou-se um tempo percebi que a chuva começava a cair, suas gotas frias batendo contra minha pele quente e suada. Era um alívio bem-vindo, lavando a lama e o sangue do meu corpo cansado. Mas também era um lembrete de que o tempo estava se esgotando, e eu precisava chegar ao abrigo antes que a noite caísse.
Com uma determinação renovada, desci da árvore e comecei a correr na chuva, meus passos ecoando na terra encharcada.
Ao retornar ao abrigo a tarde, meu coração martelava no peito com uma mistura de alívio e apreensão. Os guardas que protegiam o perímetro me interceptaram, questionando por que eu estava sozinha em um estado tão lastimável. Eu sabia que não podia revelar a verdade, então respondi com uma desculpa vaga sobre imprevistos no caminho. Eles pareciam desconfiados, mas acabaram me deixando passar.
Ao avistar meus companheiros de equipe, uma onda de medo gelou minhas veias. A imagem da pancada brutal que haviam desferido contra minha cabeça ainda estava fresca em minha mente, e eu sabia que a próxima vez poderia ser ainda pior. Natalie foi a primeira a atacar, suas palavras afiadas como punhais perfurando minha frágil couraça.
— Como você ainda está viva? Era para você estar morta! — ela esbravejou, seu rosto contorcido em desdém.
Mason ecoou suas palavras com uma risada cruel, sua expressão cínica transbordando desprezo.
— Essa garota tem mais sorte do que juízo. A gente já tentou de tudo, mas ela simplesmente não morre, mano!
O golpe veio sem aviso, um chute brutal nas minhas costas que me fez tropeçar e cair de joelhos no chão. Garrett estava parado diante de mim, seu olhar frio como gelo enquanto proferia suas palavras de ódio.
—Para de voltar para cá! Por que você continua voltando? Desiste de uma vez, você já não percebeu que a gente quer você longe? Morta? — ele rosnou, sua voz carregada de desprezo.
Antes que eu pudesse reagir, os chutes começaram a chover sobre mim, golpes violentos que me faziam encolher e me contorcer de dor. Com os braços, eu tentava proteger minha cabeça e meu rosto dos golpes, mas cada chute era como um martelo batendo contra minha alma. Eu fechei os olhos e orei silenciosamente para que tudo isso acabasse logo, que a dor e o sofrimento chegassem ao fim.
À medida que a noite se instalava e eu adentrava meu quarto, um frio arrepio percorreu minha espinha ao ver a parte da beliche onde costumava dormir completamente destruída. Um suspiro escapou de meus lábios enquanto eu encarava os destroços, a sensação de desamparo me envolvendo como um manto sombrio.
Sem outra opção, me acomodei no chão em um canto escuro do quarto, as lágrimas silenciosas traçando caminhos solitários por minhas bochechas. Meu coração doía com a ausência dos meus amigos, a incerteza sobre seu destino me atormentando sem trégua. Será que estavam bem? Será que pensam em mim, sentem minha falta?
Recordações dos momentos felizes que compartilhamos inundaram minha mente, como um suave bálsamo para minha alma ferida. Lembrei-me das noites em que dormíamos juntos, abraçados em uma união reconfortante, do calor amoroso dos braços da pequena Lizzie envolvendo-nos em um abraço afetuoso.
Uma lembrança em particular se destacou, so dia em que eu e Finn fomos forçados a dormir juntos no porta-malas do carro, os espaços apertados nos obrigando a ficar frente a frente por horas a fio. Na época, odiei a proximidade desconfortável, o olhar constante que trocávamos, mas agora, em meio à solidão do quarto, desejava desesperadamente reviver aquele momento.
Então, minha mente vagou para Finn, aquele cujo sorriso era capaz de iluminar até mesmo os dias mais sombrios. Recordava-me de sua pele parda, banhada pelo sol, que parecia refletir a minha própria tonalidade. Seus cabelos pretos e lisos como a noite que exibiam uma pequena falha ao lado esquerdo da cabeça, um detalhe imperfeito que apenas o tornava mais encantador aos meus olhos.
Mas eram seus olhos que mais me hipnotizavam, profundamente negros como a escuridão da noite, capazes de transmitir emoções que palavras jamais poderiam expressar. E seu sorriso... Ah, seu sorriso, tão luminoso e acolhedor, capaz de derreter até mesmo o mais gélido dos corações, fazendo com que o meu próprio sorrisse em resposta.
Garrett me acorda abruptamente na manhã seguinte, sua voz áspera cortando o silêncio do quarto.
— Noah, levante-se. Estamos indo embora.
Ergo-me rapidamente, sentindo uma onda de excitação percorrer meu corpo. Mas a animação logo é substituída por confusão quando percebo a pressa repentina em voltar para a instituição.
— Por que estamos indo embora tão repentinamente? — pergunto, tentando conter a ansiedade em minha voz.
Garrett me lança um olhar frio, seus olhos duros e penetrantes.
— Isso não é da sua conta, garota. Apenas faça o que mandamos e não questione.
Sinto uma pontada de desconfiança se formar em meu peito. Será que os planos de Vivian mudaram enquanto estávamos fora? Será que algo aconteceu na instituição que exigia nossa volta imediata?
Decido que, quando retornarmos à instituição, vou investigar isso. Não posso simplesmente aceitar as coisas como elas são, não quando minha intuição está gritando que há algo errado acontecendo por trás das cortinas.
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Atualizado até capítulo 38
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